O espião que me traia e sabia demais

Publicado 27/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Cinema

O verdadeiro contraponto para as aventuras de James Bond, repletas de emoções e explosões, tecnologias de últimas gerações, mulheres gostosas e ‘acessíveis’, viagens mirabolantes, bebidas e lugares exóticos, nunca foram as comédias nem o escracho. Filmes e sátiras como ‘Agente 86’, ‘Johnny English’ ou ‘Austin Powers’ (entre outras milhões de referências possíveis), ao tirar sarro pesado do glamour e da pretensa vida de sonhos do superherói britânico, na verdade, rendem homenagem (sentem inveja) do que estão zoando. Sentimos o ridículo da figura de um Austin Powers na mesma medida em que tanto gostaríamos de estar na pele de Bond. O autêntico contraponto ao 007 é George Smiley, personagem principal de ‘O espião que sabia demais’.

Não há glamour na vida dos espiões de elite britânicos. Há rotina, disciplina e austeridade. São funcionários públicos que batem cartão ou assinam livros de ponto, trabalham em escritórios analisando longos relatórios de balanço, aguardam informações sentados ao lado do telefone ou do teletipo, se atrapalham com mesquinhas exigências burocráticas (típicas de qualquer escritório do mundo), e receiam quando surge alguma quebra brusca da rotina, pois quase sempre significa más notícias.

No universo dos espiões descrito pelo escritor John Le Carré (autor que sempre fez muito sucesso também no Brasil, com quase toda sua obra publicada por aqui) não há espaço para amizades, companheirismo ou confiança plena, pois eles se movimentam no cotidiano das mentiras, das entrelinhas não ditas ou susurradas, das intenções veladas. Há traição atrás de qualquer porta, não só na área da política internacional, mas também na briga por cargos de maior importância, ou na cobiça pela mulher dos outros.

Em muitos sentidos, há um traidor na equipe de George Smiley. Seu chefe (que atende pelo sugestivo nome de ‘Control’) desconfiou disso, soube inclusive seu codinome, ‘Alleline’, e mandou um agente em campo para descobrir sua verdadeira identidade através de um informante na Hungria. A missão é um desastre, o agente é descoberto e morto, Control é demitido, e seu braço direito, Smiley, é forçado a se aposentar. Um tempo depois, os superiores percebem que há sim um traidor no meio do pequeno grupo que tomou conta da seção no lugar de Control e Smiley e reconhecem que não são capazes de identificá-lo. Tiram Smiley, então, de sua aposentadoria e lhe atribuem essa missão.

Sem explosões, sem correrias, sem glamour. ‘O espião que sabia demais’ aposta em uma história complexa e repleta de nuances, na qualidade de um time de atores consagrados, e na competência do diretor em criar um clima de tensão e melancolia. E acerta em cada um desses pontos.

O roteiro é primoroso ao conseguir traduzir todas as informações originais do livro (nada mais que justo ter sido indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado), mantém o ritmo da narrativa sob controle rigoroso (há vários flashbacks e idas e vindas na história, e cada um deles serve para acrescentar mais um detalhe importante para a construção e entendimento dos personagens ou mais uma peça para descobrir a verdade, mas o espectador nunca se perde de qual momento histórico está assistindo,) e não se se prende a um historicismo vazio: a Guerra Fria e o medo de um possível (ou imaginável) conflito nuclear, apesar de serem tão importantes para a contextualização da trama e para a deflagração da intriga, são mantidos à distância e rigorosamente como um quadro geral no qual os personagens se movimentam. Os dados históricos não são o mais importante. São jogados com habilidade e discrição, servem como aporte para a motivação dos personagens. Desta forma, não importa que o público não saiba quem foi Kruschev ou Stálin, não importa sequer que os ‘inimigos’ sejam russos ou árabes ou cubanos; o roteiro fornece a informação na medida exata para que saibamos que ‘eles’ estão do ‘outro lado’ e este traidor filho da puta está trabalhando para eles. A habilidade do roteiro é de apresentar isso e aumentar a complexidade desse entrecho maniqueísta (não há simpatias nem pelos ‘outros’, nem pelos ‘nossos’) sem perder a mão na construção do suspense, nem carregar demais nas cenas de melancolia.

A magnífica fotografia sóbria em tons pastéis e escurecida consegue emular esse clima de melancolia que persegue os personagens o tempo inteiro, criando um senso claustrofóbico mesmo em cenas em campo aberto. Faz uma parceria perfeita com a trilha sonora que, mesmo presente a cada instante, demarcando estados de espírito e caracterizando os personagens, nunca é intrusiva, nunca se intromete, não passa por cima das imagens e da história (como acontece no desastre da trilha de ‘Cavalo de Guerra’, por exemplo).

Com ‘O espião que sabia demais’ temos o privilégio de assistir a um desfile de atuações esplêndidas, da nata de atores britânicos em plena forma. Mark Strong, John Hurt, Toby Jones, Ciarán Hinds, Colin Firth, a recente estrela em ascensão (com plenos méritos) Benedict Cumberbatch, capitaneados por Gary Oldman, que afinal teve uma indicação (a primeira em toda a sua carreira) para Melhor Ator. Atores que, com o mínimo de gestos, conseguem exprimem tudo. Pensemos, por exemplo, em Ciarán Hinds, que tem um papel pequeno, com poucas falas: sua presença é tão sentidamente forte que sabemos desde o início que deve possuir segredos, que sua posição como membro daquela equipe não é fortuita; nada sabemos de sua vida, mas nem precisamos pois seus olhares são cheios de vida interior e de intenções; se saberemos quais são é outra história, embora tenhamos certeza que está tudo ali. Assim como em todos os outros atores, trazem sua marca e deixam impressões, cada a um a sua maneira, que continuam mesmo depois do filme acabado.

E tem Gary Oldman. O fato de nunca ter sido indicado antes fez com que agora tenha sido até uma surpresa. Inesperada, mas completamente coerente, pois ele dá um show. George Smiley é a plena contradição do seu nome: nunca sorri, se diverte, ou perde o controle de suas emoções. O rosto de Oldman / Smiley, apesar de sempre contido, apesar de nunca sorrir, ou chorar, ou espernear, deixam à mostra, no entanto, que todas essas emoções existem, e lutam para sair. Quanto mais dura fica a face, mais os olhos chispam fagulhas, mesmo que tentem se esconder atrás dos óculos de aros grandes.

E desde já fica a dica de uma das melhores cenas do cinema de 2011 e de muito tempo: o monólogo de Smiley / Oldman ao contar de uma antiga conversa importante com um agente russo. Sua ‘discussão’ com uma cadeira vazia é de chorar de tão bem feita, e vale bem uma carreira inteira de ator.

- As indicações para o Oscar de ‘O espião que sabia demais’ são de Melhor Ator (nem preciso dizer mais nada), Melhor Roteiro adaptado (idem) e Melhor Trilha Sonora (sem mais comentários). Ficaram de fora, muito injustamente na minha opinião, o de Fotografia, Direção de Arte e o de Direção, já que o trabalho de Tomas Alfredson em orquestrar todos esses bons elementos foi o verdadeiro responsável para que o resultado fosse tão bom. E, por favor!, não indica-lo para Melhor Filme, ao mesmo tempo que indica ‘Histórias Cruzadas’ ou ‘Cavalo de Guerra’. é mais um desses absurdos de que a Academia de Hollywood é tão pródiga.

 

 

 

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

Publicado 25/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Cinema

David Fincher sempre foi, sem dúvida, o melhor nome que poderia ser cotado para dirigir ‘Os Homens Que Não Amavam as Mulheres’: uma trama complexa e emaranhada, com personagens invulgares, à caça de serial killers escondidos. Ao clima sombrio e crimes inomináveis, a experiência de ‘Seven’ e, principalmente, ‘Zodíaco’; pelo roteiro recheado de detalhes e sutilezas (próprio de um thiller de investigação), além do mesmo ‘Zodíaco’, Fincher também vinha do ótimo trabalho de ‘A Rede Social’.

Porém, como se repetiu várias vezes ao longo desse ano e se materializou nos indicados ao próximo Oscar, a evidente qualidade da produção e dos responsáveis não se refletiu em qualidade final. O resultado foram filmes irregulares, não necessariamente ruins, até assistíveis, mas longe de serem memoráveis. O que, no caso de diretores como Fincher, chega a ser quase um desrespeito. Pois sabe-se do que são capazes (já se provaram), e o material em mãos é bom (com muitas possibilidades) (tanto os livros originais, quanto os filmes anteriores), e no entanto, se contentam com uma obra medíocre.

A decepção em ‘Os Homens Que Não Amavam as Mulheres’ se apresenta de imediato, logo nos letreiros iniciais! O que deveria ser a apresentação de um filme de suspense, tenso e macabro, dilui-se em letras que correm rápidas de um lado para o outro. Não há mistério ou tensão; parece que vai surgir a qualquer momento, a figura do James Bond dando um tiro (e juro que não estava lembrando do Craig neste momento). A sensação de desconforto continua, com os diálogos mínimos e entrecortados, as cenas rápidas e descontinuadas, que à princípio deveria nos impedir de criar empatia com os personagens (não nos é dado o tempo para que nos importemos com eles) e é o que realmente acontece. É como se nos fosse dito: eis aqui o Daniel Craig, sua presença é o suficiente, importe-se. Ou olhe para essa mulher esquisita, magérrima e ossuda, carregada de piercings e tatuagens e saiba que, no fundo, ela é do bem.

A história segue essas duas linhas, desses personagens que, não importa se você nunca viu os filmes originais ou leu uma linha sequer dos romances, sabe sem dúvida nenhuma que inexoravelmente vão se encontrar mais para frente. Deste modo, Daniel Craig faz Mikael Blomkvist, um jornalista dono de uma revista de esquerda caído em desgraça recentemente, pois acabou de perder um processo por infâmia por denunciar um especulador da bolsa (um Naji Nahas deles) e não pôde provar. Ainda tentando se acomodar no meio de sua crise profissional e pessoal, Mikael é contactado por um velho milionário retirado, Henrik Vanger (protagonizado por um sempre sensacional Christopher Plummer) para resolver um mistério em sua família que o atormenta há décadas, um crime, o desaparecimento de sua sobrinha. Para o velho, embora nunca tenham sido encontrado o cadáver da sobrinha nem nenhuma notícia de qualquer espécie, a única conclusão possível é de que ela foi assassinada. E há vários suspeitos: todos de sua própria família.

Enquanto Mikael entra relutante neste imbóglio crimino-familiar, o outro lado da linha é Lisbeth Salander, desde já um dos grandes e marcantes personagens de ficção deste século. Lisbeth é toda agressiva: o seu visual já impôe barreiras, seu comportamento arredio e antissocial não abre espaço para intimidades ou sequer amizades, possui um histórico de violência e passagem por várias famílias adotivas quando adolescente, a tal ponto que mesmo agora adulta e com uma vida, mais ou menos, organizada, é obrigada a ser tutelada pelo Estado. E também possui uma memória fotográfica, e é uma hacker super inteligente. O lado mais sombrio e violento de Lisbeth vai explodir quando começa a ser atacada e abusada por um novo tutor inescrupuloso e sádico.

Como em toda história policial que se preze, as aparências simples iniciais vão necessariamente se desdobrar em camadas cada vez mais profundas e aterrorizantes e revelar os abismos que a crueldade humana pode alcançar. Neste sentido, a linha narrativa segue bem de perto a obra escrita pelo sueco Stieg Larsson e as poucas mudanças introduzidas quase não chegam a ser relevantes.

É o roteiro que atrapalha tudo, ao não construir com cuidado os personagens, tornando-os um tanto caricatos e sem estofo. As situações se sucedem e, como dito, acima, na realidade não nos importamos em como as pessoas são afetadas e como poderiam ser aprofundadas. Veja bem, o que acompanhamos são os estereótipos: o jornalista-detetive-em crise passa por perigos junto com a hacker-do-bem-esquisita-e-com-piercings-mas-do-bem-e-no-fundo-até-que-bonitinha-e-carente.

A edição piora mais, o que torna sua indicação para o Oscar para Melhor Montagem uma espécie de piada. Os cortes curtos diluem a tensão, não contribuem para um melhor entendimento da narrativa nem dos personagens, não intensifica os diálogos, retira a emoção dos momentos mais críticos, mesmo na cena mais pesada e chocante do filme, a do estupro, que por acontecer no meio do filme, cria na verdade um anticlimax para o restante da história.

E, mesmo assim, há coisas piores! A trilha sonora é um desastre, completamente equivocada e mal utilizada, um contraste interessante de como a mesma música ficou perfeita no trailer (aliás, um dos melhores trailers que vi ano passado, muito bem editado e instigante; a impressão que tenho é que, ao perceberem que a música tinha ficado bacana neste formato, deveria funcionar também no filme…).

Eu sei, tou ficando até chato, mas o pior ainda não é isso. É a interpretação de Daniel Craig. Já disse, em outros momentos, que gosto dele, gosto de sua presença, ele possui uma espécie de charme-brucutu que cai bem em alguns filmes. Aqui ele derrapa feio. São constrangedoras certas caras e bocas que faz para interpretar medo ou angústia ou raiva. Em nenhum momento, passa o clima de uma pessoa acabada e deprimida pelos problemas do mundo estarem pesando nos seus ombros. Portanto, não ‘compramos’ seus percalços, não compartilhamos de seus problemas, não nos importamos com Mikael / Daniel Craig.

Com Rooney Mara / Lisbeth Salander a coisa é diferente. A ponto de dizer que vale assistir à versão norte-americana de ‘Os Homens Que Não Amavam as Mulheres’ unicamente por sua causa. Por certo, ela já parte de imediato de dois pontos decisivos para que sua personagem seja impactante: o primeiro, o óbvio, o visual dos piercings e tatuagens e a aparência geral de perigo e inadequação e rebeldia, que chama a atenção e causa repulsa; que estranha e ao mesmo tempo atrai. Perceba-se como o marketing entende esse potencial, principalmente nos cartazes e nas imagens que foram sendo liberadas: a sexualização explícita de Salander, indica o entendimento dos produtores de manter a atenção instigada para a caracterização da hacker – esquisita, ao mesmo tempo que também se preocupa em ‘suavizar’ a violência explícita. A idéia é mostrar, de modo quase subliminar, que Lisbeth Salander, é sim estranha à primeira vista, quase repulsiva, mas na verdade, no fundo, ela é bonita e sexualmente atraente, sendo o outro foco sexual do filme (e, na minha opinião, o único, já que Craig está mais broxante do que picolé de chuchu).

O outro ponto para Rooney / Lisbeth é que, desde o início, sabemos (é dito ao público) que ela, por trás do visual dark, esconde traumas profundos e que suas atitudes antissociais são uma forma de autoproteção e já ficamos na expectativa de como isso vai influir em sua psique e em como vai ser tornar realmente ‘do-bem’. Não é à tôa que as cenas mais pesadas, o ataque mais violento, é contra ela. E é dela que esperamos a reação extremada, a resposta adequada, a contra-violência, e ficamos contentes quando ela acontece. Isto é, existe uma empatia aqui, bem diferente em relação a Mikael, já que este além de carregar o peso de uma personagem alquebrada e sem ânimo (e ainda com problemas de consciência, moral, e ética), ainda por cima mostra-se com a cara do Daniel Craig, francamente desanimadora.

Por outro lado, a potencialidade da força da personagem não se realizaria se a atriz não a segurasse com firmeza. A felicidade é que a jovem Rooney Mara tem garra e se joga na caracterização com vontade, faz um bom trabalho e não permite que Lisbeth Salander caia na galhofa. Não sei se seria o suficiente para que fosse indicada como Melhor Atriz (tanto para o Oscar quanto para o Globo de Ouro), mas é uma indicação simpática, reconhece seu mérito e vai ajudar bem em sua carreira (obviamente, ser indicada será o máximo que conseguirá, e é mesmo o bastante, por enquanto).

Além de Melhor Atriz, Os Homens Que Não Amavam as Mulheres também foi indicado para Melhor Fotografia (bonita, que aproveita muito bem o clima gélido e branco dos campos de neve, mas não considerei especialmente fantástica), de Melhor Montagem (pois é, para mim está mais para Framboesa de Ouro do que para Oscar), Melhor Som, Melhor Mixagem de Som.

Oscar 2012 e Desconcertos

Publicado 24/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Cinema

Saiu hoje a lista dos filmes indicados para o Oscar. Entre as categorias principais, os óbvios de Melhor filme : Os Descendentes, A Árvore da Vida, Histórias Cruzadas, A Invenção de Hugo Cabret, O Homem Que Mudou o Jogo, Cavalo de Guerra, O Artista. Meia-Noite em Paris, Tão Perto e Tão Forte;

Melhor diretor : Woody Allen – Meia-Noite em Paris, Terrence Malick – A Árvore da Vida, Alexander Payne – Os Descendentes, Michel Hazanivicous – O Artista, Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret

(Lista completa pode ser vista em sites como o Omelete )

Em breve, pelo Desconcertos, as considerações, apostas e comentários sobre cada uma das categorias.

Para os que, porventura, estranhem que este blog se ocupe com tal assunto… bueno, é porque então ainda não conhecem direito nem o blog nem este blogueiro. Para isso, tenho um texto ‘oficial’ onde explico meu ponto de vista. Começa assim :

“A cerimônia da entrega do Oscar é a maior festa brega do planeta. É a demonstração cabal e absoluta da boçalidade, babaquice, arrogância e breguice dos norte-americanos elevada à enésima potência e transmitida para o mundo todo. É a vangloriação e endeusamento de uma indústria de importância nacional (cinema nos Estados Unidos é uma questão de Estado) que se impõe e arrocha as demais culturas de outros paises. E eles se adoram se mostrar tão idiotas e prepotentes (através de suas roupas, através de suas falas [as eternas alusões e piadinhas que somente os norte-americanos podem entender e que são o terror dos tradutores simultâneos], através da demonstração escancarada de luxo do mais puro mau-gosto).

E eu adoro!”

Veja o texto completo aqui:

 

Brevíssimo curso sobre armas letais e não-letais em Pinheirinho

Publicado 22/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Polícia Militar, São Paulo

Breve curso sobre armas letais e não-letais em Pinheirinho:

Segundo estou entendendo, o comando da Polícia Militar que agiu hoje em São José dos Campos diz que sua invasão foi realizada ‘pacificamente’ e sem a utilização de armas letais, somente com armas de bala de borracha e bombas de efeito moral, essas coisas. Contrariando tudo o que foi observado hoje (ou, pelo menos, o pouco que eles permitiram que pudesse ser observado) pelos que estavam no local ou por aqueles que acompanharam pelas redes.

Quem sabe isso não seja realmente culpa do comando militar? Quem sabe, mais uma prova de sua ignorância? (parafraseando um amigo filósofo meu, Héctor Camillo, ‘nunca duvide da ignorância da Polícia Militar; ela não é conhecida exatamente pela sua inteligência’). Por isso, montei uma pequena explicação sobre armas de borracha e as não-de borracha (com imagens e tudo) para que até mesmo um ignorante funcional em relação à armas, como eu ou o sargento serginho, saiba distingui-las sem problema nenhum:

Reintegração de sangue

Publicado 22/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: São Paulo

Domingo de manhâ, dia 22 de janeiro, helicópteros já sobrevoavam Pinheirinho a partir das 06:00. As balas são de verdade, e o terror também. Em São Paulo, rasga-se a democracia, fere-se e mata-se e desaloja-se mais de 1600 famílias para garantir a posse de terra (princípio mor capital do capitalismo o mais selvagem) para um bandido reconhecido, afamado e condenado, Naji Nahas.

Polícia Militar, o prefeito Eduardo Cury de São José dos Campos, o governador Geraldo Alckmin, a juíza Marcia Loureiro, os bandidos-cúmplices, alegres carrascos.

concentração para um massacre

Juiza Marcia Loureiro prefeito Eduardo Cury

Moulin Rouge, 1902

Publicado 21/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Musas

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Moulin Rouge, dançarinas de can-can, 1902, Paris

Por certo que prefiro uma versão mais moderna (com a Nicole Kidman, por exemplo), mas não deixo de sentir um certo charme, um senso de saudade de um tempo que não vivi, de sentidos de sensualidade e exuberância antigas. Além de considerar interessante uma época quando esse tipo de espetáculo era realmente escandaloso.

Só não se caia na armadilha de acreditar que aqueles eram tempos de ‘inocência’ e ‘ingenuidade’. Não eram.

 

Etta

Publicado 20/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Música

Fala sério! Que começo de ano zicado, hein???

Pinheirinho: Tensão e Vitória

Publicado 17/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Uncategorized

Noite absurdamente tensa na ocupação de Pinheirinho, em São José dos Campos. A expectativa era a pior possível: polícia militar se preparando para uma desocupação truculenta e, sem dúvida, a mais violenta, utilizando métodos de terrorismo psicológico para aumentar o clima de medo, com queima de um ônibus para culpar os próprios ocupantes!, como se não estivessem todos entocados em suas casas, preparando-se para se defender ferrenhamente. E se mantiveram firmes, o tempo todo, a noite inteira! Preparadas para o que desse e viesse. Para quem, de longe como eu, acompanhou a intensa cobertura proporcionada pelo twitter, com mensagens e notícias a cada minuto, pôde ter uma (pálida) idéia de como estavam os ânimos. Com a invasão da PM, quem poderia saber até onde iria a violência, o abuso, a prepotência?
Até chegar a notícia de que bateu um instante de raro bom senso em um juiz (cujo nome ainda não sei, tem que ser divulgado) que anulou a ordem de reintegração de posse e a pm se retirou. Neste exato momento, Pinheirinho está em uma merecida festa, descarregando toda a tensão em alegria, em comemoração de sua vitória.
Vitória, sim! Provisória, sem dúvida. Nada definitiva, pois todo o processo ainda vai demorar a ser resolvido de vez, e claro que novas ameaças virão, a pressão não vai parar. Mas por enquanto o povo de Pinheirinho pode festejar ‘Vitória!’, com todo direito.

 

 

 

 

Até monstros?

Publicado 12/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Cinema, erotic, Musas

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Até monstros amam? Até monstros têm sentimentos? Até monstros e suas mãos bobas?

 

 

 

No surprise: Estados Unidos mijam para o resto do mundo e dão risadinha

Publicado 12/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Política

Soldados norte-americanos flagrados em pleno ato de descarregar suas bixigas em cadáveres de guerrilheiros talibãs.

A absoluta tranquilidade dos tais soldados ao se saberem filmados dá a justa medida de sua ‘preocupação’.

Ao absoluto desprezo e inconsciência norte-americana a valores de vida e morte fora de seu país (e mesmo dentro, dependendo de qual faixa salarial e qual poder econômico o seu cidadão realmente disponha), qual é exatamente o grau de novidade ou de considerações diferentes que podem ser feitas diante de tal cena?

Sem surpresas. Indignação, revolta, melancolia. Motivo para mais um detalhe para a decadência de um império tão arrogante e soberbo.

Guantánamo continua de pé, sem sinal de qualquer desativação próxima. O exército sai, a contragosto e obrigado, de uma guerra, mas se preparam alegremente para outra (quanto tempo até invadirem o Irã? Ainda no governo Obama?), e soldados já foram flagrados outras vezes (fotografados e divulgados), sem pudor, em torturar e humilhar prisioneiros, em atirar em civis, em apoiar chacinas.

Nenhuma surpresa.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=DmWDDPsA6c0

 

 

 

A ‘providencial’ ignorância imbecil de Kassab, Alckmin e Polícia Militar

Publicado 07/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Política, São Paulo

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a higienização após o 'sofrimento e a dor'

Nem Kassab nem Alckmin nem o comando da PM sabiam de nada?? Foi tudo culpa da afoiteza e irresponsabilidade de subordinados??

É terrível e verdadeiramente aterrorizante a imbecilidade em relação à ação na cracolândia. A imbecilidade ‘deles’ e a que nos tentam impingir. O que deveria ser para eles a glorificação do aumento cada vez mais avassalador da truculência policial em São Paulo (a ferro e fogo, com sofrimento e dor!), de repente transforma-se em um show de palhaçadas e desculpas forjadas com rapidez e sem vergonhice. O ‘natural’ é que a classe média protofacista paulistana apoiasse com todo seu fervor característico a ação policial, mas o que não previram foi que o pavor fosse muito maior. Pavor pelos ‘viciados’, pelos ‘drogados’, pela cracolândia ‘expandida’ e espalhada pela cidade.

Para o jornal ‘O Estado de São Paulo’ “Alckmin, Kassab e comando da PM não sabiam de início de ação na cracolândia”. A ‘reportagem’ do Estadão tem passagens preciossíssimas:

“O governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as cúpulas da Segurança Pública, Assistência Social e Saúde das duas esferas de governo estavam acertando tudo para que o trabalho começasse em fevereiro, depois da abertura de um centro de atendimento com capacidade para 1,2 mil usuários de drogas na Rua Prates, no Bom Retiro. Eles queriam evitar, por exemplo, que os dependentes se espalhassem pela cidade depois do cerco à cracolândia. Outro objetivo era evitar que a operação focasse apenas políticas de segurança pública, ampliando-a para as pastas sociais.”

Não é comovente essa tal ‘ampliação para as pastas sociais’? Não é terrível que, por conta de subordinados atrapalhados, essa preocupação tremenda pelos usuários de drogas (que durante décadas ficou um tanto escondida, confessemos) tenha se desfacelado?

Mas, não se preocupem! Eles não estão brigados entre si, Kassab, Alckmin e a cúpula da Polícia Militar continuam amigos e vão passar por cima dessa ‘rusga’, digamos assim (“No governo, há a tentativa de afinar o discurso de que, independentemente do que ocorreu, o que importa é que daqui para frente todos trabalharão juntos”)

O Jornal da Globo indica, de verdade, qual é a real preocupação (‘deles’): “Cracolândia, a terra do crack, mudou. Não tem mais território fixo, mas os habitantes ainda estão todos por aí. Como farrapos humanos desalojados, perambulando.” Esse é o cenário, acrescento eu, de Walking Dead: zumbis (feios, sujos e malcheirosos) que, pior do que tudo!, agora estão mais visíveis e espalhados do que antes.

Pois o que as ‘pessoas-de-bem’ menos desejam é sentir justamente a proximidade e a visibilidade das doenças sociais, feias, sujas e malcheirosas.

 

 

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,alckmin-kassab-e-comando-da-pm-nao-sabiam-de-inicio-de-acao-na-cracolandia,819527,0.htm

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2012/01/acao-na-cracolandia-em-sp-da-poucos-resultados-concretos.html

 

 

George Clooney e o elegante, embora apático, cinema de palanque

Publicado 04/01/2012 por Claudinei Vieira
Categorias: Cinema

George Clooney é um dos astros de Hollywood que segue uma carreira interessante e coerente com um pensamento político embasado, liberal, crítico inclusive, alternando entre filmes mais ‘sérios’ e densos e blockbusters de sucesso. Propaga e divulga seus pensamentos ao mesmo tempo que mantém sua posição (e a grana) de ator, diretor e produtor respeitado e incensado.

Pensar no trabalho de Clooney me faz lembrar de imediato dois termos: ‘Elegância’ e ‘Política’ que, no seu caso, estão intimamente relacionados, em principal nos seus próprios filmes como diretor, mas também em vários outros que, mesmo não sendo de sua lavra direta, sentem a influência do peso de sua presença. Assim, não só ‘Boa noite e boa sorte’ (Good Night, and Good Luck), ainda seu melhor filme, quanto ‘Tudo pelo poder’ (The Ides of March), o bonitinho ‘Amor sem escalas’ (Up in the Air), o aborrecido ‘Conduta de risco’ (Michael Clayton) ou o cheio de boas intenções, mas pesado e chato no limite do insuportável ‘Syriana’, ou até mesmo o bizarro e equivocado ‘Os Homens que Encaravam Cabras’ (The Men Who Stare at Goats), todos compartilham algumas características como a elegância na narrativa e na condução da história, sem exageros ou quedas para o melodramático; atuações contidas e tensas, nunca explosivas: os personagens podem entrar, e várias vezes, em desespero e em situações problemáticas, e os enredos até podem ser mirabolantes, com várias reviravoltas, mas a narração é distante, quase fria, mesmo que empática, enquanto o ritmo é pausado e emocionalmente pensado.

A escolha por esse tipo de narrativa tem como resultado (e esse é o objetivo buscado por Clooney) a valorização plena das idéias e da crítica política expressas da forma mais explícita. Em alguns casos, há um contrabalanço positivo nos roteiros bem feitos, como no belo trabalho de Jason Reitman, no ‘Amor sem escalas’: a discussão sobre os efeitos devastadores da crise econômica é muito bem realizada pela ironia e a comédia melancólica. Em outros casos, pesa um pouco. Em ‘Boa noite e boa sorte’, por exemplo, o equilíbrio é instável: a discussão sobre o maccarthismo e a perseguição aos comunistas da década de 50 remete diretamente ao ataque à democracia interna do país perpetrada pelos republicanos e por George Bush jr.Em determinado momento do filme, que sabemos desde cedo que acontecerá, a história vai ser paralisada, o personagem (/diretor) tomará a palavra e fará a defesa veemente do que pensa. A narrativa é construída para que esse exato momento aconteça.

Tudo pelo poder’ é, como o título nacional não nos deixa esquecer, a crítica à corrupção e aos meandros internos e nefastos que constituem as corridas pelos postos políticos e, em um outro nível, a degradação das pessoas de bem que são sugadas e destruídas no processo ou assumem seu lado mais bestial. Porém, mais do que isso, o filme é um reflexo do profundo descontentamento e decepção provocados pelo governo Obama. Aqui, Clooney aponta um dedo virulento para o fracasso da política externa dos democratas. O governador Mike Morris, candidato para a indicação do partido democrata para as eleições presidenciais, é um personagem criado especificamente para o filme, não existia no texto original da peça em que foi baseado, e todas as vezes em que há um discurso público do candidato pela campanha percebemos qual o seu sentido: a história se interrompe, faz-se uma pausa, para que o governador / diretor Mike Morris / George Clooney ataque os desastres das guerras e das políticas adotadas pelos Estados Unidos pelo mundo. Em um diálogo com seus assessores, preocupados com o baixo rendimento da campanha, o governador chega a ser taxativo: jamais comporia uma chapa com um democrata (cuja participação pode ser o fiel da balança para a sua indicação) que despreza o trabalho da ONU e prega que deva ser desmontada. Mais claro, impossível.

Elegância e Política foram os termos que adotei e o fiz no bom sentido das palavras. No entanto, há o lado negativo. A narrativa contida leva a uma filmografia quadrada, fechada, sem extremismos fílmicos ou malabarismos vazios de câmera, mas também sem ambições, sem surpresas. Na fronteira da pura e simples chatice. Como dito acima, essa opção foi proposital (talvez não o lance da chatice…) pois o maior propósito de Clooney é realizar seu comentário crítico. E esse é o outro lado ruim: o discurso (não as ideías em si) é tão compartimentado e separado, tão ciente de si e explicitado, que chega-se a uma outra fronteira: o didatismo. Sua vantagem é que os textos são bons e muito bem escritos, pois senão ultrapassariam o didatismo e alcançariam o pleno pedantismo.

‘Tudo pelo poder’ corre ao lado de todos esses perigos. O resultado final é ambíguo e insatisfatório. Talvez se Clooney soltasse um pouco a rédea e permitisse um ritmo mais ágil, a sensação poderia ser melhorada. Mas tudo o que ele não deseja é transformar a história em um thriller de suspense com temática política, o que seria facilmente conseguido pois todos os elementos estão na própria história.

Acompanhar as desventuras de Stephen Meyers (Ryan Gosling), um dos principais assessores do governador Morris, em sua descida ao inferno após conhecer o lado mais podre do seu ídolo (e dos políticos em geral), ser demitido e considerado um verdadeiro traidor da campanha, e suas tentativas desesperadas de retomar sua antiga vida, poderia render uma jornada pessoal emocionante para o espectador.

Não é o que acontece. Clooney realmente segura o freio e impede que a emoção aflore. Os personagens sentem raiva, medo, desespero, ressentimento, impotência, mas o espectador não participa disso, é mantido à distância, não nos é permitido nos envolver.

O que mais vale em ‘Tudo pelo poder’ é a presença de vários atores extraordinários que, mesmo em papéis pequenos e rápidos, deixam profunda impressão: o sempre sensacional Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman (puxa, como eu detestava esse cara na época do ‘Talentoso Ripley’!; não imaginava que se tornaria tão bom ator), Marisa Tomei, o próprio George Clooney (carismático eterno). Os personagens são tipos e estereótipos: O Assessor do Bem, O Assessor do Mal, A Jornalista, O Candidato, que só não caem na caricatura e na galhofa por conta justamente da qualidade do elenco.

Para terminar, só um rápido comentário besta sobre o título nacional que substitui uma bela frase referente a um trecho de Shakespeare, da peça ‘Julio César’, onde se faz uma poderosa advertência sobre os perigos que estão para
acontecer ao imperador. ‘Tudo pelo poder’ para um filme que já estou acusando de ser didático, quase pedante, só acrescenta ainda mais simplismo e não ajuda nada.

Let´s dance, Pulp!

Publicado 31/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Cinema

 

 

 

 

 

 

DEUS em varizes de uma perna

Publicado 30/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Ateism

Há pouco, uma mulher conseguiu encontrar a palavra GOD nas varizes de suas pernas. Tanto God quanto Jesus Cristo ou a ‘virgem’ Maria parecem gostar de aparecer nos lugares mais inusitados possíveis: nas manchas de uma janela mal lavada, na radiografia de um paciente de câncer, na sujeira da parede de uma casa abandonada… Circula um desses vídeos divertidos do youtube (ou circulava um tempo atrás) que mostra uma compilação dessas aparições

torrada divina

esdrúxulas, não estou com paciência de procurar agora, mas imagino que deve ser fácil de achar. Sarças ardentes no meio do deserto ou esplendorosos anjos vingadores estão realmente ultrapassados.

Meus caros, encontrar um desses ‘sinais divinos’, seja de qual procedência religiosa, não é fé. Ou, pelo menos, não é somente fé cega e desmiolada. É desespero.

É pavor diante do fato de se achar sozinho, nu e fraco diante de um imenso mundo inteiro. Medo de assumir suas responsabilidades diante do ser humano ao lado ao invés de delega-las para a entidade sobrenatural mais próxima.

Não, meninos e meninos, não há Deus ou Deusas. Somos nós os infindáveis responsáveis por belezas tremendas e por terrores profundos. E o que retorna são somente as consequências diretas por aquilo que praticamos. Não há deus comandando a fome de um cupim e orientando seu caminho por entre uma madeira apodrecida para que, mais tarde, um incauto pedestre ‘perceba’ uma lágrima furtiva em um rosto carcomido, o da Maria, a ‘virgem’.

E varizes na perna de uma velhinha no Texas são somente e unicamente varizes na perna de uma velhinha no Texas.

 

 

musas, vampiras, musas. Susan e Catherine

Publicado 29/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Cinema, Musas

musas, vampiras, musas. Susan e Catherine.

Absolutas!

 

 

As lindas luzinhas da morte em Gaza

Publicado 28/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Chacina, Genocídio, Internacional, Israel, Palestina

Uma pergunta que me martela a mente: o que é necessário, quais os requisitos legais (e morais e constitucionais e etc) para que o ocorrido na Faixa de Gaza seja considerado como ‘genocídio’ pela ONU, pelos demais países do mundo e ou qualquer outro órgão político internacional? Não é uma pergunta retórica; eu realmente gostaria de saber.

- Três  anos do odioso massacre na Faixa de Gaza promovido por Israel. O site ‘Palestine Youth Voice’ publica uma lista completa das vítimas, com nomes, idades, causa da morte.

Para mim, o que mais salta aos olhos é a quantidade de ‘extremistas’ palestinos mortos com idade entre 0 e 03 anos.

http://palestineyouthvoice.wordpress.com/2011/12/27/victims-of-the-aggression-on-gaza-dec-27-08-jan-18-09/

 

 

Comunidade gay pede ‘desculpas’ pelo adultério de senadora cristã norte-americana

Publicado 24/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Política, Preconceito, Religião

A senadora cristã Amy Koch, de Minnesota, EUA, uma das mais ardorosas defensoras de ‘valores familiares cristãos’ e líder anti-casamento gay no seu Estado (chegou a propor um projeto de lei para a constituição do seu Estado de que somente o casamento entre um homem e uma mulher poderia ser validado e reconhecido) está passando por uns problemas ‘domésticos’, digamos assim: pega no flagra tendo um caso com um funcionário subalterno, também casado, ela se retirou do cargo de líder da casa e já garantiu que não concorrerá à reeleição.

Inclusive houve uns boatos de que teria havido um ingrediente de assédio moral e sexual, por parte dela.

Isso por si só já seria o suficiente para uma boa discussão sobre o nojento falso moralismo destes ditos ‘valores cristãos’ que grassam pelo mundo, particularmente virulentos em terras norte-americanas. No entanto, eu não estava em verdade interessado em repisar em mais um exemplo de hipocrisia moral institucional de que os Estados Unidos são fartos, nem sinto vontade em me divertir sadicamente em espezinhar o inferno doméstico que a dita cuja senadora deve estar passando.

O melhor de tudo mesmo foi a carta aberta endereçada à senadora escrita por um membro da comunidade gay local. John Medeiros escreveu um hilariante ‘pedido de desculpas’ em nome dos gays de Minnesota por ter contribuído para a crise dos casamentos ‘tradicionais’:

“Estamos envergonhados por termos causado isso que a mídia está se referindo como ‘relacionamento ilícito’ com o seu empregado, o qual também estendemos a ele e a sua esposa nossas mais profundas desculpas. Estes recentes eventos deixaram muito claro que as nossas táticas gays e lésbicas foram longe demais, afetando inclusive as pessoas mais respeitáveis de nossa sociedade.”

Esse trecho é sensacional: “Perdoe-nos. Como você sabe, nós não somos
pessoas-de-Igreja, então não estamos aptos a compreender completamente o quanto o ‘casamento gay’ é incompatível com os valores cristãos, apesar do fato destes valores carregarem uma tradição bíblica de adultério, assim como o seu. Felicitamos-lhe por continuar mantendo essa tradição”

E aí por diante. Para os que porventura pensem que a carta é um puro exercício de crueldade pelos problemas da senadora, há outro trecho (talvez o melhor) que discute a questão do casamento ser de foro íntimo ou público, mas não quero que dependam da minha tradução capenga, reproduzo a carta original abaixo. A ironia fina, mesmo que acompanhado pelo sarcasmo pesado, trata de assunto profundo de forma bem séria, no final das contas, e faz desse texto um dos melhores que já li.

-

Dear Ms. Koch,

On behalf of all gays and lesbians living in Minnesota, I would like to wholeheartedly apologize for our community’s successful efforts to threaten your traditional marriage. We are ashamed of ourselves for causing you to have what the media refers to as an “illicit affair” with your staffer, and we also extend our deepest apologies to him and to his wife. These recent events have made it quite clear that our gay and lesbian tactics have gone too far, affecting even the most respectful of our society.

We apologize that our selfish requests to marry those we love has cheapened and degraded traditional marriage so much that we caused you to stray from your own holy union for something more cheap and tawdry. And we are doubly remorseful in knowing that many will see this as a form of sexual harassment of a subordinate.

It is now clear to us that if we were not so self-focused and myopic, we would have been able to see that the time you wasted diligently writing legislation that would forever seal the definition of marriage as being between one man and one woman, could have been more usefully spent reshaping the legal definition of “adultery.”

Forgive us. As you know, we are not church-going people, so we are unable to fully appreciate that “gay marriage” is incompatible with Christian values, despite the fact that those values carry a biblical tradition of adultery such as yours. We applaud you for keeping that tradition going.

And finally, shame on us for thinking that marriage is a private affair, and that our marriage would have little impact on anyone’s family. We now see that marriage is more than that. It is an agreement with society. We should listen to the Minnesota Family Council when it tells us that marriage is about being public, which explains why marriages are public ceremonies. Never did we realize that it is exactly because of this societal agreement that the entire world is looking at you in shame and disappointment instead of minding its own business.

From the bottom of our hearts, we ask that you please accept our apology.

Thank you.
John Medeiros
Minneapolis MN

http://www.lgbtqnation.com/2011/12/minnesota-gay-community-apologizes-to-gop-adulteress-for-ruining-her-marriage/

http://www.inquisitr.com/171645/amy-koch-gay-marriage-opponent-gets-apology-letter-from-lgbt-org-after-her-affair/

Arlequim. Colombina.

Publicado 23/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: erotic

(prestenção: imagens lindas, saudáveis, abertas e explícitas, não recomendáveis para menores de idade

e adultos com problemas de resolução sexual interior)

(prestenção2: clique nas imagens para aumentá-las. as imagens.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A posição da mulher judaica no ônibus de Israel

Publicado 19/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Política, Preconceito

Mulher israelense provoca comoção social por se recusar a sentar na parte de trás do ônibus. Judeus ultraortodoxos se indignaram pela sua falta de vergonha (em hebraico castiço devem tê-la chamado de ‘puta’ pra baixo) já que a posição da mulher deve ser sempre atrás do homem. São os judeus ultraortodoxos que tomam conta da ‘moral e bons costumes’ de Israel, mas há um sentimento cada vez maior de cansaço e irritação contra seu reacionarismo ultrareligioso, que se reflete em um crescente movimento feminista e de protestos por direitos humanos melhor contemplados.

A comparação com Rosa Parks é direta e inevitável. Parks foi o estopim e o centro dos movimentos negros norte-americanos na década de sessenta por ter se sentado no ônibus em um banco destinado somente para brancos. Se o gesto de Tanya Rosenblit vai ter a mesma repercussão ainda é cedo para se dizer. Mas com certeza a discussão está fervendo na terra dos “ayatollahs” judeus.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111218_israel_mulher_onibus_gf.shtml

Christopher Hitchens morre. A polêmica Christopher Hitchens continua.

Publicado 16/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Política

Morre o fervoroso polemista Christopher Hitchens. Poço de polêmicas e contradições, brilhante defensor do ateísmo, crítico ácido da política norte-americana, excelente escritor (seus livros, além de tudo, são bons de serem lidos). E defensor da invasão ao Iraque… Independente de suas posições e pensamentos (e de nossa relação ao que ele pensava e escrevia) o que mais fará falta será sua capacidade de agitar e chacoalhar com inteligência e ironia as mentes assossegadas. Aqui no Desconcertos, no post abaixo, relembro um de seus melhores livros, O Julgamento de Kissinger

 

 

Christopher Hitchens e o Julgamento de Kissinger

Publicado 16/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Livro, Política, Resenha


Henry Kissinger, prêmio Nobel da Paz em 1973, secretário de Estado dos EUA durante os governos de Nixon e Gerald Ford, atual consultor político internacional, empresário muito bem-sucedido e escritor com artigos publicados em revistas e jornais do mundo inteiro, já passou por alguns apertos. A cada dia, novos e esclarecedores documentos estão sendo levantados e mais países estão contestando sua antiga e poderosa atividade como secretário de Estado.

Na apresentação d´O Julgamento de Kissinger, de Christopher Hitchens, publicado no Brasil pela Boitempo, Giancarlo Summa lembra que, em maio de 2001, enquanto passava pela França, Kissinger foi abordado pela policia francesa para prestar esclarecimento sobre a morte de cinco franceses durante a ditadura de Pinochet no Chile. A resposta de Kissinger foi sair do país no mesmo dia.

Um juiz argentino intimou-o a discutir sua participação na tristemente famosa Operação Condor; tribunais chilenos, sobre a morte do jornalista norte-americano Charles Horman (cujo seqüestro e assassinato formaram o assunto de um dos mais contundentes filmes políticos de todos os tempos, “Missing” de Costa-Gavras); o jornalista e professor Emir Sader comentou que “a própria Corte Federal dos EUA acusa Kissinger pela´execução´ sumária do general chileno René Schneider”.

Acusações sérias? Bom, ainda não chegam perto das que Christopher Hitchens realiza neste livro. Para o autor, Kissinger deveria estar sentado ao lado de Pinochet, o sanguinário ditador chileno, e junto com o ditador sérvio Milosevic, respondendo por crimes contra a humanidade da mesma forma como os nazistas julgados pelos tribunais internacionais.

Kissinger nunca primou pela delicadeza em relação ao comportamento norte-americano em sua luta contra os “inimigos”, fossem eles quais fossem, embora sempre houvesse uma “predileção” pelos comunistas. Sua famosa frase “Não vejo porque temos que ficar parados enquanto um país se torna comunista em razão da irresponsabilidade de seu povo”, define toda sua personalidade e sua atuação como político. Foi gestor consciente da “realpolitik”, onde não há muitas considerações sobre a ética e a moralidade, principalmente quando elas atrapalham os interesses norte-americanos.

Mas não é contra isso que Hitchens se levanta. Ele não está contestando as possíveis atitudes dúbias de algum estadista que acaba tendo que tomar decisões moralmente complicadas por conta de algum interesse nacional maior.  Hitchens não está fazendo nenhuma discussão filosófica ou de oposição política. Ele é direto e objetivo: Kissinger é um criminoso, mesmo que bancado pela mais poderosa nação do planeta e, dessa forma, deve ser julgado. Este livro foi escrito, portanto, como uma peça dessa acusação.

Hitchens assume uma postura clara desde o prefácio: ele é adversário político de Kissinger, sim, mas está se restringindo a fatos e atitudes que sejam criminalmente caracterizados. Quanto a sua posição, não há duvidas. Comentando sobre os resultados da guerra do Vietnã, ele diz:

“Isso é o que custou promover Henry Kissinger da condição de acadêmico medíocre e oportunista a potentado internacional. As marcas estavam lá desde o momento inaugural: a adulação e a duplicidade; a adoração pelo poder e a ausência de escrúpulos”, “e os efeitos distintos também estavam presentes: os incontáveis mortos; as mentiras oficiais e oficiosas sobre o custo; a pesada e pomposa pseudo-indignação diante de perguntas indesejáveis”.

Hitchens não se importava com a possível ridicularização de sua obra. Ele encara de frente: “Eu já posso ouvir os guardiões do consenso tentando classificar isso como uma ‘teoria da conspiração’. Aceito o desafio, com prazer”, para, logo em seguida, desfilar uma avalanche de documentação, citações, testemunhos, notas, transcrições de gravações, etc.

Quais são, então, as acusações? Ele define seis:

- genocídio deliberado de civis na Indochina;

- conluio deliberado no genocídio e em posteriores assassinatos em Bangladesh;

-  suborno e planejamento de assassinato de um oficial graduado numa nação democrática – o Chile – com a qual os Estados Unidos não estavam em guerra;

- envolvimento pessoal para assassinar o chefe de Estado numa nação democrática – Chipre;

- promoção e facilitação de genocídio no Timor Leste;

- envolvimento pessoal em um plano para seqüestrar e assassinar um jornalista residente em Washington.

Nenhuma dessas acusações é novidade. Kissinger já está respondendo ou fugindo dessas questões há algum tempo. O mérito de Hitchens é o de aproveitar todo um material novo, como a documentação liberada em 2000 pelo FBI, por exemplo, e de conseguir apresentá-lo de uma forma direta e limpa, “traduzindo” para a linguagem comum o pesado jargão jurídico e burocrático. Além de revisar todo o material antigo já existente.

Não são afirmações levianas, portanto. Jornalista acostumado com a polêmica, disse que desde que se radicou nos Estados Unidos na década de 80 (ele é britânico, nascido em 1957), se sentia obrigado a dizer a verdade sobre essa sinistra figura. Foi-se armando, coligindo dados e informações até escrever dois artigos que formaram a base deste livro. (Antes disso, já havia criado uma enorme polêmica quando “ousou” investir contra uma pessoa que ninguém julgaria passível de recriminação: Madre Teresa de Calcutá. Bateu forte, realizando uma profunda desmistificação da vida e da obra dela e demonstrando o quanto suas pretensas “santidade” e caridade foram conscientemente construídas. Qual será a editora brasileira que traduzirá e publicará este livro, afinal?)

Quais são as possibilidades, porém, de que Kissinger venha a ser seriamente questionado e tenha que responder pelos seus atos e, quem sabe, sentar em qualquer tipo de banco de tribunal? Hitchens acredita que está mudando a atitude internacional perante as “grandes figuras políticas”; está se perdendo o respeito irrestrito a sua impunidade parlamentar. Ele cita o caso justamente dos agravos de Pinochet e Milosevic.

Acrescenta que o próprio Kissinger reconhece o perigo por que está passando. Não foi à toa que escreveu um livro em que discute justamente a questão da “doutrina universal”, cujo titulo “Does America Need a Foreign Policy?” (A América precisa de uma política externa?) já diz tudo. Por outro lado, ele até hoje não devolveu cerca de cinco mil páginas de material secreto que retirou das gavetas do governo quando deixou seu cargo de secretário de Estado, em 1977, ignorando solenemente todas as instâncias jurídicas.

Tenho minhas dúvidas se algum dia Kissinger possa ser efetivamente condenado (ou, sequer, julgado). Sua conduta está tão imbricada na razão de ser do império norte-americano, sua arrogância e prepotência representam tão bem a própria arrogância e prepotência desse país, que julgar Kissinger é o mesmo que julgar o próprio imperialismo. Na época do lançamento desse livro, o jornal A Folha de São Paulo, por exemplo, publicou um artigo seu (“Intervir no Iraque surge como imperativo”, 11 de agosto de 2002) que demonstra o quanto ele está sintonizado com o público norte-americano.

O livro de Hitchens é uma bela tentativa no sentido de ajustar as contas. Forte, poderoso, instigante. É um ataque apaixonado, decidido, mas ao mesmo tempo, lúcido e equilibrado. Indispensável para qualquer pessoa com um mínimo de coerência política e interessada na justiça.

 

obs – texto revisto e atualizado, publicado originalmente pelo iGLer (se não me engano) e republicado agora por conta da morte de Hitchens, cujas polêmicas farão imensa falta

obs2 – a pergunta que eu fiz no texto ainda continua válida: agora com a morte de Hitchens, alguma possibilidade de, afinal de contas, publicarem seu livro sobre Madre Tereza??

 

 

 

Marilyn & Ella

Publicado 15/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Musas

Marilyn Monroe era fã confessa e assumida de Ella Fitzgerald.

Eu sou fã / fanático / louco de pedra pelas duas.

Não faço idéia do que Ella pensava de Marilyn.

 

 

Poesia, Desconcerto

Publicado 10/12/2011 por Claudinei Vieira
Categorias: Literatura

Poesia, no sentido desconcertábil da palavra, não tem relação com um mero jogo formal de arranjo de palavras. Ou, pelo menos, não se limita a isso. Poesia é um momento de Verdade, de confluência, de Beleza, de infinita epifania.

Obviamente, no contexto deste universo desconcerto, Beleza nada tem a ver com boniteza.

Há Poesia em sinais de tráfego na Avenida Paulista em horário de rush no sábado à tarde; em um copo de cerveja quente esquecido no parapeito de uma janela do quarto de um amante esquecido a dormir na sonolência pesada de uma noite quente de verão urbano; Poesia no halo de um bico de um seio fresco sob a língua ainda molhada, ainda desejosa. Há poesia na morte. No abandono dos mendigos jogados na chuva. Nas barracas de doces do centro da cidade. Há Poesia na solidão, pois nada se diz que o ser poético também não possa resultar em amargura, indecência, ou vulgaridade. Há um bafo de poesia na mistura de sarro de cigarro e cheiro de vodca barata na boca da pessoa amada, e mesmo que, pensando bem, não deixe de ser um tanto nojento, nada impede que seja poético.

Houve Poesia naquele jantar improvisado de madrugada com peixe assado com alguns amigos quando nos entreolhamos espantados e soubemos que algo especial acontecia, que uma emoção diferente fluia, mesmo que não conseguíssemos verbaliza-la em sua plenitude ou, na verdade, sequer vislumbrássemos sua profundidade. Houve Poesia no buraco de bala na testa da bela mulher estendida no mesa do necrotério, à espera de ser reconhecida e reclamada por parentes. Houve Poesia no primeiro beijo da primeira namorada no nosso primeiro encontro quando lhe confessei envergonhado que não sabia o que era ‘namorar’ e ela respondeu ‘não tem problema, eu te ensino’. Houve Poesia na primeira vez que assisti o filme do Superhomem.

Houve explosivos momentos de Poesia e Beleza em encontros literários que organizei, em homéricas badernas bêbadas com amigos plenos e suas respectivas arrasadoras ressacas filhas da puta, em mesas de bilhar e pingue pongue.

Hoje estou um tanto quieto e a Poesia outro tanto abrandada. Devo dizer, no entanto, que cada centímetro e cada milésimo de segundo de Poesia vivida podem preencher uma vida inteira. Posso dizer com orgulho que possuo algumas vidas acumuladas.

 

 

 


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