A dança agora em novo endereço:
http://www.desconcertos.com.br/
espero-vos
bjseabraços
A dança agora em novo endereço:
http://www.desconcertos.com.br/
espero-vos
bjseabraços
Em verdade, ainda estou. Quieto. Devo dizer também que não sentia uma autêntica vontade de mudar essa situação. Há um certo prazer na modorra, na preguiça. Gostaria de continuar assim.
No entanto, as pedras continuam rolando e por mais prazeroso que se preze, por mais bela que seja a queda da cordilheira, não há sentido em uma impermanência perene.
Hay que desconcertar. As águas estão correndo. Novidades estão se gestando.
Em breve.
“Fumaça Pura” é a elegia e elogio ao ato de fumar charuto. Do fumar em geral, do prazer em tirar prazer do tabaco em todas as suas variantes, do cigarro, do cachimbo, do rapé. Mas principalmente do charuto, preferência pessoal do autor. Ato elevado aos princípios de uma verdadeira arte, de sua constituição, de sua manufatura, de sua comercialização e que vai além da mecanicidade de acender um palito, cortar uma das pontas e aspirar. É um misto de tranqüilidade, paz e calma interior. Praticamente, uma meditação mesmo que Infante não utilize esta palavra e a qual, tenho certeza, consideraria uma frescura.
Atitude politicamente incorreta? Desprezo pelos relatórios médicos mundiais de qualquer espécie? Sem dúvida alguma. Uma das características de Guilhermo Cabrera Infante era justamente sua assumida independência de tomada de posições e sua enorme teimosia. Caso contrário, não teria vivido mais de quarenta anos na Europa, fustigando impiedosamente o regime castrista, de seus antigos companheiros.
Dono de uma literatura exuberante, mescla de sua ascendência latino-americana e de sua vasta cultura européia, autor de pelo menos um dos livros fundamentais da literatura universal contemporânea (“Três Tigres Tristes”, de 1964, marco de sua literatura e de seu rompimento com Castro), Cabrera Infante usa e abusa, em “Fumaça Pura”, de um farto material historiográfico, literário e cinematográfico, “causos” diversos, de gags, trocadilhos (muitos intraduzíveis; ele adora misturar línguas, inglês, espanhol, até latim, o que obrigou ao tradutor, Mario Pontes, um verdadeiro malabarismo lingüístico, no extremo do possível).
O livro é, assim, um largo ensaio bem humorado e divertido, sem ser estritamente humorístico e sem deixar de ser factual, sempre se apoiando em documentos. Seu inicio é, digamos assim, “normal”: conta a descoberta dos homens-chaminés por um dos homens de Cristóvão Colombo, Rodrigo de Jerez. Enviado para descobrir indícios de metais preciosos (ouro! ouro!), Rodrigo volta com estranhas histórias de pessoas que carregavam bastões fumegantes na boca e sopravam fumaça! Colombo teve que ver para crer, mas era verdade. Ele ainda não sabia, mas seus sonhos de riqueza estavam rapidamente se esfumaçando.
O tabaco é uma invenção americana! Cabrera Infante faz um breve apanhado da rápida disseminação do hábito do fumo pela Europa. No entanto, não restringe seu texto ao relato cronológico. Ao contrário: em uma página, se aprofunda nas origens semânticas da palavra “tabaco” (um verdadeiro mistério); na próxima, pode se lembrar de um determinado filme, onde o charuto é mostrado de forma relevante; ou então um trecho de um livro importante ou as atitudes de um determinado ator ou diretor de cinema ou um escritor. Ou cita as diversas variantes, marcas e proveniências do tabaco; ou os diversos e corretos modos de se fumar o charuto ou de identificar as contradições do verdadeiro charuto cubano de Havana não ser mais cubano muito menos de Havana, apesar de continuar sendo produzido na pequena ilha.
A ironia constante continua pesada e rasgante, Fidel de forma alguma é esquecido: “Hoje, depois do fracasso de suas safras açucareiras, Castro cuida de tabaquizar Cuba inteira, semeando, em definitivo, a ‘maligna erva‘ nas antigas plantações de cana-de-açúcar. Curiosamente, Castro deixou de fumar, temendo por sua saúde – algo como se o câncer temesse o câncer“.
As piadas, as frases de efeito e os trocadilhos se sucedem em um ritmo alucinante: “Embora muitos cavalheiros não fumem, um fumante de charutos deve sempre aspirar à condição de cavalheiro. Conforme Sir Thomas Browne, um cavalheiro é apenas um homem que molesta menos. O cavalheiro fumante deve liberar o mínimo possível de transtornos, seja com o fósforo, seja com as cinzas. Não apenas deve saber como se acende um charuto, mas também como apagá-lo com a maior discrição. Conselho: certifique-se de que o charuto está morto e não o assassine, como se ele fosse um cigarro. Não o atire no chão! Isso não é nada cavalheiresco: os bons charutos morrem sem tirar as botas“.
Não fiz uma contagem, mas a impressão que eu tive é que Cabrera Infante
conhecia cada filme ou romance onde o fumo é mostrado ou citado ou lembrado. De Sherlock Holmes a Orson Welles, Billy Wilder ou “Casablanca”… parece que está tudo aqui. No mínimo, a lista citada nominalmente por Infante é enorme!
Claro, não faltam farpas e ironias contra os antitabagistas de todas as espécies e épocas, do século XVI aos dias de hoje. Algumas comparações são realmente pesadas. Se você for um desses, certamente se sentirá ofendido. Mas, sinceramente, espero que seu amor por um texto esplêndido seja maior do que seu preconceito e não tenha medo de se intoxicar com ótima literatura, da mesma forma como não é necessário compartilhar do seu pensamento político anti-socialista para dar algumas boas risadas, mesmo que você seja um fervoroso militante castrista.
Caso contrário, sinto dizer que você estará mantendo uma certa saúde física, mas perderá uma concreta e enorme vitalidade cultural.
Não se-preocupem-se. Este blog e este blogueiro estão somente em pausa, em recesso, uma parada.
Ok, sei bem que esta pausa está um tanto longa. Mas acabará, acabará.
Faço esse aviso para tranquilizar as pessoas que, de uma forma ou de outra, tentam entrar nesse espaço e pensam que eu exclui seus nomes ou e-mails. Não pensava que isso era sério, mas tive que mudar de idéia quando dois ou três amigos me falaram a mesma coisa!
Portanto, no problem. Logo o universo continuará a ser desconcertado, aguardem-se.
A princípio, me parecia até que interessante, embora um tanto quanto bobo. Ano passado, meu amigo Akio me mandou um link para um site fotográfico, uma visão panorâmica enormemente grande de uma Paris noturna, onde se pode viajar por cima dos prédios, chegar mais perto e destacar detalhes da imagem, entrar literalmente por algumas janelas e captar cenas ampliadas. Me dava dor de cabeça só de pensar o trabalho que o fotógrafo deve ter tido para realizar isso. O resultado é bem bonito e o senso voyerístico próprio muito bem comtemplado. Agradeço ao Akio por ter mandado o link de novo, pois eu o havia apagado inadvertidamente.
http://www.hyper-photo.com/grandes/paris.html
Percebo, no entanto, as possibilidades que um trabalho desse tipo pode proporcionar, além do mero paisagistício de superfícies bonitas. Fui me tocando que há uma verdadeira onda dessas fotografias panorâmicas. Segundo entendi, o processo para se conseguir uma montagem desse tipo não é exatamente complicado. Só muito, muito, muito trabalhoso. Vi em um site umas dicas para se fazer algo caseiro desse gênero. Digamos a paisagem de um descampado, tirada de cima de um morro. Clica-se a imagem, mantém-se a mesma altura, gira-se a câmera alguns centímetros para o lado, clica-se de novo, e quantas mais vezes se quiser. Depois faz-se a montagem, no sentido mais literal, como em um quebra-cabeça, pelo computador, tirando-se as sobras. Claro, a habilidade do fotógrafo, a qualidade do equipamento, da câmera e do computador contam demais, mas concordemos que não é nada difícil de se entender qual o processo.
Ok, digamos que tenha sido esse o caminho que tenha sido seguido para se tirar essa foto da posse de Barack Obama. Nesse caso, foram centenas de máquinas fotográficas ao mesmo tempo. Não é a dificuldade da coisa. É a profundidade, o tamanho, a possibilidade dos detalhes. Se aquela imagem de Paris já era interessante, isso aqui é simplesmente estonteante, de tirar o fôlego. Dá para ver os detalhes da caixa no colo da Michelle, por exemplo.
http://gigapan.org/viewGigapanFullscreen.php?auth=033ef14483ee899496648c2b4b06233c
Pois bem, só com estes dois exemplos (e há muitos pela internet) já dá para quebrar a cabeça com algumas questões. Saindo do âmbito da imagem em si e da tecnologia para que seja realizada, estou é pensando na tecnologia com que ela pode ser visualizada. Estas fotos não existem fora da internet. Essa possibilidade de escolher o canto para se aprofundar e captar os detalhes com tal destreza e facilidade não existe fora da internet. Qual o tamanho da parede que seria necessária se quiséssemos imprimi-la? Caso fôssemos megalomaníacos o suficiente (e com dinheiro sobrando), como passar de um canto da foto para o outro em milésimos de segundo, só com a força da mente e do dedo indicador? Mais: como fazer para que essa mesma parede seja visualizada, explorada e trabalhada por qualquer pessoa da face da terra, ao mesmo tempo?
Não respondo nada, só tou jogando lenha virtual.
E, no entanto, não são essas as verdadeiras questões, pelo menos não para mim.
Precisamos voltar às fotos em si. E perceber que independente da diferença da tecnologia, do tamanho das imagens, ou da boniteza dos detalhes, elas compartilham talvez uma característica mais importante: falta alguma coisa. Não sei se vou conseguir explicar, mas vou tentar dizendo que estas imagens começam e terminam ao mostrar sua superfície. Os ‘detalhes’ que estou insistindo em repetir são somente pedaços de uma mesma imagem (grande, bonita, que seja) chapada. Única e horizontal. Não nos dizem mais nada, fora sua primeira impressão. Pode-se pensar no significado total do momento histórico da posse de um presidente norte-americano negro e divertir-se oberservando adolescentes conversando entre si, não dando a menor importância (ao menos, naquele instante) ao que está se passando, ou observar o olhar preocupado de guardas de trânsito ou passar horas tentando descobrir os agentes do FBI à paisana neste enorme jogo de Wally amplificado, mas o sentido volta-se somente ao significado maior e absoluto, de que nos tomamos consciência de novo quando voltamos à imagem inicial de conjunto. E termina-se aí.
Pois, quero propor outra imagem, que provoca considerações maiores do que o mero registro jornalístico ou paisagístico. Aqui, tecnologicamente falando, acredito que está no meio termo entre estas imagens de Paris e a da posse. São ’somente’ cem metros de extensão com as fotos de mais de 170 pessoas tiradas de uma ponte de Berlim, em um período de 20 dias. A câmera neste caso é uma só, montada ao longo da ponte, as imagens é que se multifacetaram e foram montadas como um único painel que teria, assim, uma extensão de cem metros.
http://www.simonhoegsberg.com/we_are_all_gonna_die/slider.html
Como o próprio fotógrafo Simon Hoegsberg explica, poucas pessoas ali pareciam saber que as fotos estavam sendo tiradas, e menos ainda ‘interagiram’ com a máquina, como o garoto que mostra o dedo para a câmera.
Não sei quanto a outras pessoas. A mim, impacta mais, me chama mais a atenção, fico mais intrigado e curioso sobre essas pessoas que possuêm um mesmo pano de fundo, mas que são tão tremendamente diferentes e únicas. Cada ponto desta imagem é mais vivo e interessante do qualquer uma das pessoas que assistiram à posse. E nem era necessário esse título melodramático de ‘Vamos todos morrer – 100 metros de existência’ com o qual Hoegsberg força o meu foco.
Em época do pelado de Hollywood, costumo repetir este texto que escrevi há algum tempo e do qual alguns amigos já devem estar de saco cheio. Mas repeti-lo-ei de novo aqui e agora por motivos muito bons: sempre deve ter uma ou outra pessoa que ainda não leu ou conseguiu escapar de fazê-lo até agora; estou com um preguiça tremenda de escrever algo diferente; e, principalmente, todas essas palavras são todas válidas, o meu pensamento continua o mesmo. Então, é isso:
A cerimônia da entrega do Oscar é a maior festa brega do planeta. É a demonstração cabal e absoluta da boçalidade, babaquice, arrogância e breguice dos norte-americanos elevada à enésima potência e transmitida para o mundo todo. É a vangloriação e endeusamento de uma indústria de importância nacional (cinema nos Estados Unidos é uma questão de Estado) que se impõe e arrocha as demais culturas de outros paises. E eles se adoram se mostrar tão idiotas e prepotentes (através de suas roupas, através de suas falas [as eternas alusões e piadinhas que somente os norte-americanos podem entender e que são o terror dos tradutores simultâneos], através da demonstração escancarada de luxo do mais puro mau-gosto). De vez em quando, tentam adotar uma postura mais ‘séria’, no que se tornam mais ridículos ainda (como quando privilegiaram artistas negros, querendo dizer que o racismo havia terminado, pelo menos no cinema) (ou quando dizem que a era dos blockbusters terminou, e o que vale são os filmes de pequeno orçamento e com boas idéias… até parece). No entanto, são somente lapsos. No ano seguinte, eles voltam ao normal.
E eu adoro! Sou viciado. Há muitos anos não perco um sequer. E faço todo o cerimonial: na medida do possível, assisto todos os filmes indicados, e para a noite pego as listas, faço palpites, vou marcando à medida que os ganhadores são anunciados para saber se acertei ou não, tudo envolvido com bastante pipoca e coca-cola, é óbvio. Infelizmente, minha pipoca é feita com óleo normal de cozinha ou manteiga, ao invés da gordura de porco entupida de colesterol utilizada pelos norte-americanos, mas tudo bem, nem tudo é perfeito.
Algumas pessoas, alguns amigos, se surpreendem e indagam como eu, que tenho uma certa inteligência e um certo bom-gosto e um certo discernimento e gosto de cinema europeu, chinês, coreano, iraniano, brasileiro, e filmes-de-arte (seja lá o que isso for..) e independentes, perguntam como posso gostar de cinemão norte-americano.
Bueno, eu poderia responder que minha cultura cinematográfica foi totalmente moldada e construída pelo cinema de Hollywood desde a minha mais tenra infância, através dos cinemas de bairro e pela televisão (aliás, também sou fanático pelas séries e sitcoms), mas que isso não me impede de apreciar outros tipos de propostas e idéias. Poderia responder também que, na verdade, há sim muita coisa boa neste cinemão, nem que seja pelo mais absoluto desejo de simplesmente se evadir da realidade com filmes idiotas, pois isso também é uma função primordial do cinema (perdão aí para os que acham que cinema só pode ser de arte [seja lá o que isso for] e ‘cabeça’). Poderia responder inclusive que isso também não me impede de perceber toda a carga da questao político-ideologica que o cinema norte-americano carrega e que é tão bem expressa pela cerimônia.
Poderia responder. E em geral é o que respondo. Mas agora só na segunda-feira. Depois da entrega. Com licença, agora vou verificar se estou devidamente abastecido de milho pra pipoca.
Sabes como funciona? Em primeiro lugar, a mulher é enterrada até o ombro ou axilas (homens também são e podem ser condenados, mas a maioria absoluta é de mulheres). A população local se reúne e começa a jogar as pedras. No entanto, Atenção: as pedras não podem ser muito pequenas, para que causem dor; e não podem ser grandes demais, para que o castigo dure o máximo de tempo possível. Enquanto dure a execução, cânticos religiosos devem ser entoados.
Em março de 2002, uma mulher nigeriana, Amina Lawal Kurami, foi condenada por uma corte islâmica à morte por apedrejamento, seguindo as leis da Charia (ou Sharia, Shariah, Shari’a, Syariah: conjunto de leis do islamismo). Seu crime foi ter ficado grávida e ter uma filha sem estar casada, e isso é o equivalente, por aquelas regras, a ter praticado adultério. Detalhe: o pai da criança sequer foi preso, por ‘falta de provas’; para isso, ele teria que ter confessado ou então haver o testemunho de quatro pessoas; mais especificamente: as testemunhas teriam que ser homens que jurassem ter visto o ato sexual em ação. Na época, uma grande campanha internacional conseguiu reverter a sentença e Amina foi absolvida.
Em outubro de 2008 (o ano passado!), na Somália, Aisha Ibrahim Duhulow foi acusada de cometer adultério. Segundo seus pais, Aisha (não consegui saber com certeza sua idade, algumas fontes falam de treze anos, outro vinte e três), a acusação era falsa: ela teria sido estuprada por três homens, e quando tentou denuncia-los foi presa e submetida ao apedrejamento. Neste caso, a execução foi até o fim: ela foi vendada, amarrada, enterrada, e apedrejada por cerca de cinquenta homens, enquanto o povo assistia (por volta de umas cinco mil pessoas). Familiares tentaram salvá-la, mas a milícia que tomava conta da execução atirou de volta, matando uma criança. Por três vezes, Aisha foi desenterrada para se verificar se ainda estava viva, e enterrada novamente até constatar sua morte.
Em abril de 2007, uma adolescente iraquiana curda (não consegui encontrar seu nome) cometeu o crime de se apaixonar e de fugir com um homem sunita. Seus pais conseguiram convencê-la de que havia cometido um erro. Ao voltar para casa paterna, uma multidão a aguardava. Para matá-la a pedradas. O linchamento durou cerca de meia-hora. E foi filmado por celulares. Repito: filmado.
Por celulares. Para quem tiver estômago, este é o vídeo AQUI. A qualidade da imagem é péssima mas o suficiente para perceber o que acontece, portanto, repito: tenha estômago.
Isso foi o que encontrei em meia-hora de pesquisa na internet. E o que me fez pesquisar foi este aviso de Esteban Beltrán, diretor da Seção Espanhola da Anistia Internacional, de que no Irã em dezembro passado duas pessoas morreram por apedrejamento e que mais dez pessoas estão na iminência de também serem mortas do mesmo modo. Imagino que sejam as mesmas pessoas dessa notícia que foi veiculada em julho de 2008 no site da BBC (“Irã sentencia nove a morte por apedrejamento“). Não confio neste site (a quantidade de bobagens que eu já vi eles postarem…!), mas não encontrei informações mais precisas. Segundo esta matéria, “oito mulheres e um homem foram sentenciados à morte por apedrejamento no Irã depois de terem sido condenados por adultério e outras condutas de natureza sexual consideradas crime no país, segundo informações da advogada e ativista de direitos humanos iraniana Shadi Sadr”.
As acusações: “as oito mulheres, com idades entre 27 e 43 anos, foram condenadas por prostituição, incesto e adultério e o homem, um professor de música de 50 anos, foi condenado por ter relações sexuais com uma estudante.”
O site The Book Design Review é um curioso espaço dedicado aos projetos gráficos de livros, ou mais especificamente à arte de suas capas. Da mesma forma como em cartazes de filmes ou de peças de teatro, o visual, mesmo que não determine a qualidade de seu conteúdo (longe disso na maior parte dos casos) é um componente sensitivo indispensável para a completa fruição da obra. Em outras palavras, um livro ruim não vai melhorar por conta da capa, mas não se pode deixar de lado que sua apresentação é um chamativo tremendo.
A princípio, considerei um tanto exagerado um espaço dedicado somente para a questão das capas, mas quando vi o ranking que o site apresentou das melhores capas de livros do ano passado, mudei completamente de opinião. Então, com a produção do filme ‘O curioso caso de Benjamin Button’, baseado na obra do Scott Fitzgerald, aproveito para mostrar este post interessante e apresentar o site.
Acontece que a obra do Fitzgerald já caiu em domínio público, ou pelo menos este ‘Sete Contos da Era do Jazz’ (do qual o ‘Benjamin Button’ faz parte) e houve uma verdadeira avalanche de reedições do livro, por conta (claro!) do filme. É um exercício extremamente interessante observar como cada um tentou traduzir a expressão do livro em suas capas. Dá para fazer uma comparação e pensar qual foi a que mais lhe chamou a atenção. A história do conto todo mundo já está sabendo, mas é melhor lembrar: Benjamin é uma história de cunho surreal (no livro, é uma farsa humorística e irônica, sarcástica até; no filme, virou um drama romântico) onde o camarada supracitado já nasce um homem velho e ao longo dos anos vai rejuvenescendo até morrer como um feto (no conto, ele nasce realmente um homem velho; no filme, é uma criança com corpo de homem velho). Vejamos como as editoras vizualizaram isso.
No Brasil, a reedição do livro, há muito esgotado, vai ser feita pela José Olympio. Uma pena que já não tenha sido feito, eu colocaria a capa aqui, estou muito curioso para saber o que farão. No entanto, há outra versão, esta em quadrinhos, publicada há pouco pela Ediouro, o que por si já traz uma tremenda variação de enfoque no modo como as visões pessoais se diferenciam.
No mínimo, o que se pode dizer é que a história em quadrinhos (escrita por Nunzio deFilipps e Christina Weir e desenhada por Kevin Cornell) respeita e segue muito mais fielmente o conto, seu enredo e espírito crítico, do que o filme de David Fincher.
- Só para terminar o caso do filme, caso você ainda não tenha assistido, mas já tenha visto Forrest Gump, talvez nem precise ir ao cinema de novo. A não ser que faça questão de assistir à interpretação da maquiagem do Brad Pitt. O filme de David Fincher, na realidade, é praticamente uma refilmagem do Forrest Gump! O fato de ser o mesmo roteirista não é um simples detalhe. Veja este vídeo que compara as duas produções e veja se não faz sentido:
Nesta sexta-feira, dia 7 de fevereiro, começa a mais badalada convenção de fans de histórias em quadrinhos, a Comic Con de Nova York, reunindo produtores, leitores, desenhistas, artistas em geral, nerds, geeks, interneteiros e todo o universo que transita pelos comics-gibis! Vamos?
Pena que justamente neste dia terei um compromisso inadiável ali por perto, em Pindamonhangaba… Mas não deixo de registrar, faço questão de destacar, a beleza desse convite! Tentei encontrar o artista responsável, porém não encontrei seu nome (tá, tudo bem, também não fiz assim um Enorme trabalho para encontrá-lo, mas pô eu acho que tinha de estar em destaque fácil).
Hosted by iFanboy, ROFLThing, 1UP and Popgun Who: Internet superstars and hosts of Revision3’s weekly comic book show iFanboy: Conor Kilpatrick, Ron Richards, and Josh Flanagan; Tim Hwang, founder of ROFLCon, the world’s greatest Internet culture conferences, Garnett Lee, editor of 1UP and Mark Andrew Smith & Joe Keatinge, editors of the Harvey Award Winning Popgun Anthology published by Image Comics. Featured attendees also include: Christian Beranek, writer, Disney’s Kingdom Comics; Paul Cornell, writer, Marvel Comics’ Captain Britain & MI13 and television writer, Dr. Who and Robin Hood; Mike Norton, artist, Green Arrow & Black Canary and Trinity; Tom Katers, co-host, Around Comics and host, Tom vs. The Flash; Meredith Gran, writer, Octopus Pie; Jonathan Rosenburg, creator, Goats; Scott Kurtz, creator, PvP; Brad Guigar, creator, Evil Inc; Robert Khoo, business manager, Penny Arcade; Neil Kleid, cartoonist, RANT Comics, Action Ohio, The Chemistry Set; Wes and Tony, Amazing Superpowers; Scott Ramsoomair, cartoonist, VG Cats; Johnny Johnny, Tiki Bar TV; and more to be announced! What: Meet-up with iFanboy, ROFLThing, 1UP and Popgun during New York Comic Con! You’re invited to mix and mingle with Comic Book creators, fans and Internet celebrities as they experience Comic Con. Find out the latest happenings from the Con and all things entertainment—and share a beer with the hosts and creators, too. When: Saturday, February 7 7:00 p.m. – 10:00 p.m. Where: Stitch Bar & Lounge 247 West 37th Street Between 7th and 8th Avenue New York City
por Norman Finkelstein, no Counterpunch / 13 de janeiro
traduzido por Caia Fittipaldi - 15–01–2009
Os registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do seu ministério das Relações Exteriores. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinos, dia 4/11. Depois, o Hamas respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel, “o Hamas retaliou contra Israel e lançou mísseis.” Quanto aos motivos, os documentos oficiais também são claros. O jornal Haaretz já informou que Barak, ministro da Defesa de Israel, começou a planejar o massacre de Gaza muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo. De fato, conforme o Haaretz do dia 12, a chacina de Gaza começou a ser planejada em março de 2008. Quanto às principais razões do massacre, acho, há duas. Número um: restaurar o que Israel chama de “capacidade de contenção do exército”, o que, em linguagem de leigo, significa a capacidade de Israel para semear pânico e morte em toda a região e submetê-la mediante a pressão das armas, da chantagem, do medo. Depois de ter sido derrotado no Líbano em julho de 2006, o exército de Israel entendeu que seria importante comunicar ao mundo que Israel ainda é capaz de assassinar, matar, mutilar e aterrorizar quem se atreva a desafiar seu poder pressuposto absoluto, acima de qualquer lei. A segunda razão pela qual Israel atacou Gaza é culpa do Hamas: o Hamas começou a dar sinais muito claros de que deseja construir um novo acordo diplomático a respeito das fronteiras demarcadas desde junho de 1967 e jamais respeitadas por Israel. Em outras palavras, o Hamas sinalizou que está interessado em fazer respeitar exatamente os mesmos termos e conceitos que toda a comunidade internacional respeita e que, em vez de resolver os problemas a canhão e com campanhas de mentiras por jornais e televisão, estaria interessado em construir um acordo diplomático. Aconteceu aí o que Israel poderia designar como “uma ameaçadora ofensiva de paz chefiada pelos palestinos”. Imediatamente, para destroçar a ofensiva de paz, o governo e o exército de Israel desencadearam campanha furiosa para destroçar o Hamas. A revista Vanity Fair publicou, em abril de 2008, em artigo assinado por David Rose, baseado por sua vez em documentos internos dos EUA, que os EUA estavam em contato estreito com a Autoridade Palestina e o governo de Israel, organizando um golpe para derrubar o governo eleito do Hamas, e que o Hamas conseguira abortar o golpe. Isso não é objeto de discussão: esse fato é estabelecido, documentado e há provas. A questão passou a ser, então, impedir o Hamas de governar, e ninguém governa sob bloqueio absoluto, bloqueio que desmantelou toda a atividade econômica em Gaza. Ah!, vale lembrar: o bloqueio começou antes de o Hamas chegar ao poder (eleito!). O bloqueio nada tem ou jamais teve a ver com o Hamas. Quanto ao bloqueio, os EUA despacharam gente para lá, James Wolfensohn especificamente, para tentar pôr um fim nele, depois de Israel ter invadido Gaza. O xis da questão é que Israel não quer que Gaza progrida, sequer quer que viva, e não quer ver nenhum conflito encaminhado por vias diplomáticas, que tanto os líderes do Hamas em Damasco, quanto os líderes do Hamas em Gaza têm repetidas vezes declarado que buscam, sempre com vistas a resolver o conflito relacionado às fronteiras demarcadas em 1967, fronteiras que Israel jamais respeitou. Tudo, até aí, são fatos registrados e comprovados. Não há qualquer ambigüidade: tudo é bem claro. Todos os anos, a Assembléia da ONU vota uma resolução intitulada “Solução pacífica para a questão da Palestina”. E todos os anos o resultado é o mesmo: o mundo inteiro de um lado; Israel, EUA, alguns atóis dos mares do sul e a Austrália, no lado oposto. Ano passado, o resultado da votação foi 164 a 7. Todos os anos, desde 1989 (em 1989, o resultado foi 151 a 3), é sempre a mesma coisa: o mundo a favor de uma solução pacífica para a questão da Palestina; e EUA, Israel e a ilha-Estado de Dominica, contra. A Liga Árabe, todos os 22 Estados-membros da Liga Árabe, são favoráveis a uma chamada “Solução dos Dois Estados”, com as fronteiras determinadas em junho de 1967. A Autoridade Palestina é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras determinadas em junho de 1967. E o Hamas também é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras demarcadas em junho de 1967. O problema é Israel, patrocinado pelos EUA. Esse é o problema. Bem… Há provas de que o Hamas desejava manter o cessar-fogo; exigiu, como única condição, que Israel levantasse o bloqueio de Gaza. Muito antes de começarem os rojões do Hamas, os palestinos já enfrentavam terrível crise humanitária, por causa do bloqueio. A ex-Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, descreveu o cenário que testemunhou em Gaza como “destruição de uma civilização”. Isso, durante o cessar-fogo. O que se vê nos fatos? Os fatos mostram que nos últimos mais de vinte e tantos anos, toda a comunidade internacional procura um modo de resolver o conflito das fronteiras de 1967, com solução justa para a questão dos refugiados. Será que 164 Estados-membros da ONU estão sempre errados, e certos e pacifistas seriam só EUA, Israel, Nauru, Palau, Micronésia, as ilhas Marshall e a Austrália? Quem é pacifista? Quem trabalha contra a paz? Há registros e documentos que comprovam que, em todas as questões cruciais discutidas em Camp David; depois, nos parâmetros de Clinton; depois, em Taba, em cada ponto discutido, os palestinos sempre fizeram concessões. Israel jamais concedeu qualquer coisa. Nada. Os palestinos repetidas vezes manifestaram decisão de superar a questão das fronteiras de 1967 em estrito respeito à lei internacional. A lei também é claríssima. Em julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça, órgão máximo da ONU para questões de direito internacional, declarou que Israel não tem direito de ocupar nem um metro quadrado da Cisjordânia, nem um metro quadrado de Gaza. Israel tampouco tem qualquer direito sobre Jerusalém. O setor Leste de Jerusalém, os bairros árabes, nos termos da decisão da mais alta corte de justiça do planeta, são território da Palestina ocupado ilegalmente por Israel. Também nos termos de decisão da mais alta corte de justiça do planeta, nos termos da lei internacional, todas as colônias de judeus que há na Cisjordânia são ilegais. O ponto mais importante de tudo isso é que, em todas as ocasiões em que se discutiram essas questões, os palestinos sempre aceitaram fazer concessões. Fizeram todas as concessões. Israel jamais fez qualquer concessão. O que tem de acontecer é bem claro. Número um, EUA e Israel têm de se aproximar do consenso da comunidade internacional e têm de respeitar a lei internacional. Não me parece que trivializar a lei internacional seja pequeno crime ou pequeno problema. Se Israel contraria o que dispõe a lei internacional, Israel tem de ser acusada, processada e julgada em tribunais competentes, como qualquer outro Estado no mundo. O presidente Obama tem de considerar o que pensa o povo dos EUA. Tem de ser capaz de dizer, com todas as letras, onde está o principal obstáculo para que se chegue a uma solução para a questão da Palestina. O obstáculo não são os palestinos. O obstáculo é Israel, sempre apoiada pelo governo dos EUA, que, ambos, desrespeitam a lei internacional e contrariam o voto de toda a comunidade internacional. Hoje, o principal desafio que todos os estadunidenses temos de superar é conseguir ver a verdade por trás das mentiras. * Norman Finkelstein é autor de cinco livros, entre os quais A indústria do Holocausto: Reflexões sobre a exploração do sofrimento dos judeus (Record, 2001). Tradução do artigo: Caia Fittipaldi.
http://www.amalgama.blog.br/01/2009/os-fatos-sobre-o-hamas-e-os-ataques-a-gaza/
Editora Record entra na dança dos quadrinhos
Quem dá o toque é Odair Braz Jr. no seu blog V-oitão. A Record, que até hoje publicou pouquíssimo coisa de quadrinhos e de forma esporádica (dá para lembrar do Asterix, claro, do Artemis Fowl) resolveu investir mais fundo na área de quadrinhos e vai começar a trazer algumas coisas interessantes. Por enquanto, bem devagar e muito timidamente, meio que sondando o terreno, me parece. Entre algumas novidades, Odair cita:
“-Adaptações para o mangá da obra da escritora Meg Cabot (inclui as continuações de Avalon High e Sorte ou Azar?)
-Adaptação para os quadrinhos da série Jovem James Bond. O primeiro volume será Missão Silverfin. Arte de Kev Walker.
-Graphic Novel da história de (baseado na história da artista Alice Prin, que recebeu o apelido de Kiki de Montparnasse e conviveu com diversos artistas na França dos anos 20).

-Série de mangás adaptando a obra de Shakespeare. Começa com Hamlet (que sai na Bienal 2009) e haverá ainda Sonhos de Uma Noite de Verão e Romeu e Julieta. Mais para o fim do ano sai Ricardo III e A Tempestade.
-Prince of Persia, que é a adaptação para as HQs da série de games com o mesmo nome. Sai junto com o filme, no início de 2010.
Ainda há outros títulos em processo de assinatura de contrato.”
Como disse, timidamente, e muito longe do peso que a Companhia das Letras anunciou para esse ano. Mas é um começo. Só esperemos que eles se entusiasmem e tragam logo obras mais densas (os quais espero que estejam entres títulos em aberto). Possibilidades não faltam.
NINJA ASSASSIN
Filme que está sendo filmado agora, badalado e bastante comentado, significando que o departamento de marketing de Hollywood continua a toda. Neste caso, nada disso havia me influenciado. Não vou falar da história, pois realmente não interessa, coleção de clichês de filmes de kung-fu, máfias chinesas, vinganças e tudo o mais. Tem o fato de estar sendo dirigido por James McTeigue e produzido pelos Irmãos Wachowski, a mesmíssima equipe do ‘V de Vingança’, o que para alguns pode até servir como incentivo, mas para mim só piora a situação (já disse por aqui o que penso do tal filme do ‘V’).
Portanto, foi com certo desprezo que acabei vendo este vídeo, que mostra as sessões de treinamento das lutas, e a coreografia dos dublês. Não faço a menor ideia do que vai acontecer no filme quando for lançado (ainda sem data marcada, sabe-se somente que vai ser para este ano), mas este vídeo é uma pequena joia. Muito bem montado e editado, ótima trilha musical, passa muito bem a noção de que aqueles movimentos (ainda sendo moldados e experimentados), serão parte de cenas editadas e produzidas de um filme pronto. Pela coreografia vemos como algumas lutas, socos, pontapés, brigas de espadas são realizados com os atores bem distantes entre si, mas nunca perdemos a ilusão. Inclusive, alguns momentos são tão bem sincronizados que, apesar de sabermos que é tudo ensaio, nos espantamos que alguns rostos, costas e pernas não sejam completamente quebrados.
Vale a pena ver. De repente, pode ser a melhor coisa do filme todo.
- Trailer japonês de WATCHMEN
Este é outro filme cuja ansiedade em assistir está deixando muita gente de cabelo branco antes do tempo. E aí as apostas estão altíssimas, e não há meio-termos: ou será um filme do século ou Roubada Descomunal. Tudo o que está sendo veiculado e divulgado aponta tanto para um lado para o outro. As cenas vistas são de espantar os olhos e impressionar fortemente. Por outro lado, os problemas com a produção (com os produtores, mais especificamente) sempre deixa a sensação incômoda de querer saber o quanto o diretor Zack Snyder teve que ceder ao moralismo e à covardia hollywoodiana (as questões sobre o final da lula gigante já são famosas, até meio batidas).
Seja lá como for, o resultado um dia veremos. Por enquanto, tem esse trailer japonês que já está circulando há algum tempo e é simplesmente o melhor trailer de Watchmen já produzido até e um dos melhores que eu já assisti. Emocionante e instigante.
É hoje, o esperado lançamento do ‘Tempo Instável‘. Já falei desse cd por aqui, não vou ficar me repetindo. O que fica repetindo em meu computador é o próprio, devo ter enchido o saco da minha família, pois de vez em quando não aguento e tenho que colocá-lo no volume máximo. Eles até que são tolerantes, mas concordo que ouvir as mesmas músicas em altíssimo som pela trigésima em um mesmo dia pode irritar um pouco. A eles, quero dizer.
Hoje, não vai ter problema com a altura do som. Nem com a qualidade da música, com a perfomance dos músicos, com o show em si. É só preciso prestar atenção neste detalhe fundamental: como o Mário Bortolotto justificadamente lembra é sempre muito difícil reunir todos os integrantes dessa banda, pois todos possuem seus próprios trabalhos individuais e stão sempre correndo de um lado para o outro.
Em outras, e claríssimas, palavras: não haverá outra apresentação desse banda, pelo menos nada em vista. Portanto, se perder hoje, perdeu.
A banda ‘Tempo Instável’ é Mário Bortolotto (vocal), Marcello Amalfi (guitarra e trompete), Fernando Miranda (piano e teclados), Caçarola (baixo), Conrado Maia (bateria).
Hoje, terça-feira, 20h30
Lançamento do CD “Tempo Instável”
Sesc Vila Mariana – Auditório, Rua Pelotas, 141 -
R$ 12,00 – Inteira / R$ 6,00 – estudante, usuário matriculado no SESC e dependentes / R$ 3,00 – trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes
——
Amanhã, no Rio de Janeiro, acontece o ‘DE MODO GERAL‘. E quem convida é o caríssimo Paulo Scott. Fala Scott:
“Caros, prezados, queridos amigos, aviso em cima da hora porque a vida tem sido um trânsito só, este é o DE MODO GERAL (Cinematheque, Botafogo, Rio de Janeiro, Brasil), invenção articulada em outubro do ano passado (e anunciada no início de dezembro); claro, o objetivo é a diversão, mas também evidenciar as coisas mais legais que vem acontecendo no Brasil (e no mundo) e, no final de cada noite, já que é verão na cidade maravilhosa, dançar sob trilhas de primeira. Apareçam, divulguem.
Bom 2009.
Paulo Scott.
Aí, então:
>>>> DE MODO GERAL : REVISTA AO VIVO DE COMPORTAMENTO BRASILEIRO <<<<
Crônicas sem rodeio sobre LITERATURA, MÚSICA, HQ E CINEMA, entrevistas, discotecagem lado A e lado B, opiniões, twitter, vídeos inusitados. Tudo isso num clima de sala de redação, com os colunistas Rodrigo Penna, Flu, João Paulo Cuenca, Allan Sieber, Paulo Scott e Arthur Dapieve (que passará a integrar o cast a partir de fevereiro), percorrendo, quinzenalmente, as atualidades e idiossincrasias do cenário cultural (e antropológico) brasileiro com humor e ironia. E ainda: show com bandas brasileiras, performances-relâmpagos e, depois de tudo, festa sob a regência sonora dos seis colunistas.
Os convidados desta primeira noite, dia 14 de janeiro, serão:
Banda LEME
Fausto Fawcett
Márcio André (e suas polifonias para violino e processamento eletrônico)
Rogerio Skylab (entrevista)
Mr. Baratos da Ribeiro Maurício Gouveia (mostrando os dez melhores vinis dançantes da sua coleção)
SERVIÇO
Quando : 14/01
Onde : Cinemathéque
Horário : a partir das 20h30
Ingressos : 20 reais
Lista amiga : 15 reais
demodogeral@gmail.com
pscott@terra.com.br
http://pauloscott.wordpress.com”tempos

Orlandeli, magnífico como sempre. E agora o Grump também está metido na reforma. Hilário. http://blogdoorlandeli.zip.net/

no 4mundo http://4mundo.com/2009/01/cortando-o-trema/

do Marlon. Infelizmente, perdi a referência de onde peguei este cartum. Se alguém conhecer e me der um toque, corrijo essa falha.

O evento ZONAS DE EXCLUSÃO: OUTROS SUBÚRBIOS, idealizado pela Confraria do Vento, será um encontro de escritores e pensadores que terá como foco a discussão e a proposta de novos olhares sobre a produção cultural e literária do subúrbio, através do questionamento de como ela é vista e como se vê perante preconceitos, estereotipagens e outras exclusões. Este encontro será realizado no próprio subúrbio, na biblioteca municipal de Irajá − bairro onde foi fundada a Confraria do Vento −, em um intuito de deslocar a discussão de onde ela comumente se dá, em meio a diversos tipos de afastamento, e levá-la para o espaço que a originou.
PROGRAMAÇÃO
13h30 A CIDADE INVISÍVEL: O SUBÚRBIO FORA DOS DETERMINISMOS
Paulo Lins, Paulo Scott, Marcelo Moutinho, Berimba de Jesus
Mediador: Clóvis Bulcão
15h30 COQUETEL
16h00 O FIM DA FRONTEIRA: PROPOSTAS PARA UM SUBÚRBIO ALÉM DO SUBÚRBIO
Joel Rufino dos Santos, João Carlos Rodrigues, Julio Ludemir, Paulo Roberto Tonani do Patrocínio
Mediador: Victor Paes
18h00 ENCERRAMENTO
10 de janeiro − sábado
Biblioteca Municipal de Irajá
Av. Monsenhor Félix, 512 − IrajáTel: 3351-4389
(em frente à saída da estação do metrô Irajá)
Glossário macabro da ocupação, 2: “equilíbrio”, “ponderação”, “ver os dois lados”
Qualquer bom profissional da área de Letras, com um mínimo de formação em retórica, poderá lhe explicar, caro leitor, como seria relativamente simples escrever um panfleto racista que parecesse “ponderado”, uma monstruosidade pró-Apartheid que soasse “equilibrada”, uma justificativa do colonialismo mais bárbaro que parecesse estar “vendo os dois lados”. Basta ir fazendo um pingue-pongue pretensamente neutro entre verdugo e vítima, e você engana os incautos.
No caso das discussões acerca da catástrofe que assola o povo palestino desde 1948 e, muito especialmente, desde 1967, esses termos, “ponderação”, “equilíbrio”, constituem a faceta mais perversa do glossário macabro. O nosso jornalista “ponderado” dirá: sim, é verdade que Israel usa força desproporcional, mas o Hamas provocou com os foguetes, omitindo que a “trégua” — e eu já expliquei aqui e aqui porque uso aspas nesse termo – foi rompida no dia 04 de novembro por Israel, com uma invasão seguida de sete assassinatos. O jornalista “equilibrado” dirá: sim, é verdade que os israelenses estão bombardeando Gaza por motivos eleitorais, mas o Hamas não é muito melhor, omitindo o fato de que quando a liderança inconteste dos palestinos era a secular OLP de Arafat, a política de extermínio e desumanização de Israel era absolutamente a mesma. Ou seja, como já explicou a especialista Jenniffer Loewenstein, o Hamas não tem nada a ver com o bombardeio a Gaza. Qualquer liderança que os palestinos construíssem, e que não compactuasse com sua escravização, estaria sofrendo o mesmíssimo massacre.
Nada tenho contra quem escreve sobre o tema com temperatura menos fervente que a minha. Mas não é essa temperatura que determina a forma como avalio o texto. Julgo-o, principalmente, por sua determinação em buscar a verdade. E o filistinismo da “ponderação” muitas vezes não está nem um pouco interessado na verdade, e sim em parecer “equânime” e bonitinho.
Há muita gente bem intencionada que acredita nessa história de “ver os dois lados”. Em qualquer conversa minimamente civilizada, alguém que se propusesse a estudar o nazismo ou o Apartheid “vendo os dois lados” seria ridicularizado. Mas ante a catástrofe palestina, esse filistinismo pretensamente neutro tem ampla circulação. Há jornalistas que, presenciando o nosso horror ante a chacina em Gaza, falam de “indignação seletiva”. Ora, o que teríamos que fazer para que nossa indignação não fosse “seletiva”? Chorar pelos soldados israelenses que estão com as unhas encravadas?
Uma vez, convidei um defensor das chacinas israelenses a uma conversa sobre o monumental trabalho historiográfico de Ilan Pappé, que demonstra a expulsão, o confisco e a política explícita de limpeza étnica contra os palestinos, tudo exaustivamente documentado. A resposta dele foi que leria o livro de Pappé tendo ao lado um texto de Alan Dershowitz. Em qualquer Faculdade de História minimamente séria, tal justaposição seria motivo de gargalhada ou ridicularização. Você não justapõe o trabalho de um historiador que passou anos desenterrando os fatos aos escritos raivosos de um ideólogo pró-Ocupação. Se você nunca leu Pappé ou Dershowitz, imagine que um historiador brasileiro propusesse um curso sobre a ditadura militar, utilizando as pesquisas de Elio Gaspari e Jacob Gorender, e alguém dissesse que para que o curso fosse “equilibrado”, seria necessário incluir o Manual de OSPB da ditadura militar.
É esse filistinismo pretensamente neutro que grassa sobre o sangue do povo palestino.
Por isso, o Biscoito Fino e a Massa trabalha com um axioma bastante simples: ante a barbárie inominável, ante o crime contra a humanidade, qualquer “ponderação” entendida nos termos acima é um gesto de cumplicidade com o verdugo. Por isso, aqui no Biscoito não há “ponderação”. Por isso, aqui não há “dois lados” porra nenhuma. Nós temos um lado: a busca da verdade. E em épocas de bárbarie, a verdade costuma estar do lado das vítimas.

TEMPO DOS VIRTUOSOS
9–01–2009
Gideon Levy, no Haaretz (Tel Aviv, 9 de janeiro)
Essa guerra, talvez mais que as anteriores, está expondo as veias profundas da sociedade de Israel. Racismo e ódio erguem a cabeça, a sede de vingança e de sangue. A “tendência do comando” no exército de Israel hoje é matar, “matar o mais possível”, nas palavras dos porta-vozes militares na televisão. E ainda que falassem dos combatentes do Hamas, ainda assim essa disposição seria sempre horrenda.
A fúria sem rédeas, a brutalidade é chamada de “exercitar a cautela”: o apavorante balanço do sangue derramado – 100 palestinos mortos para cada israelense morto é um fato que não está levantando qualquer discussão, como se Israel tivesse decidido que o sangue dos palestinos valesse 100 vezes menos que o sangue dos israelenses, o que manifesta o inerente racismo da sociedade de Israel.
Direitistas, nacionalistas, chauvinistas e militaristas são o bom-tom da hora. Ninguém fale de humanidade e compaixão. Só na periferia ouvem-se vozes de protesto – desautorizadas, descartadas, em ostracismo e ignoradas pela imprensa -, vozes de um pequeno e bravo grupo de judeus e árabes.
Além disso tudo, soa também outra voz, a pior de todas. A voz dos cínicos e dos hipócritas. Meu colega Ari Shavit parece ser o seu mais eloquente porta-voz. Essa semana, Shavit escreveu neste jornal (”Israel deve dobrar, triplicar, quadruplicar a assistência médica em Gaza” – Haaretz, 7/1): “A ofensiva israelense em Gaza é justa (…). Só uma iniciativa imediata e generosa de socorro humanitário provará que, apesar da guerra brutal que nos foi imposta, nos lembramos de que há seres humanos do outro lado.”
Para Shavit, que defendeu a justeza dessa guerra e insistiu que Israel não poderia deixar-se derrotar, o custo moral não conta, como não conta o fato de que não há vitória possível em guerras injustas como essa. E, na mesma frase, atreve-se a falar dos “seres humanos do outro lado”.
Shavit pretende que Israel mate e mate e, depois, construa hospitais de campanha e mande remédios para os feridos? Ele sabe que uma guerra contra civis desarmados, talvez os seres mais desamparados do mundo, que não têm para onde fugir, é e sempre será vergonhosa. Mas essa gente sempre quer aparecer bem. Israel bombardeará prédios residenciais e depois tratará os feridos e mutilados em Ichilov; Israel meterá uns poucos refugiados nas escolas da ONU e depois tratará os aleijados em Beit Lewinstein. Israel assassinará e depois chorará no funeral. Israel cortará ao meio mulheres e crianças, como máquina automática de matar e, ao mesmo tempo, falará de dignidade.
O problema é que nada disso jamais dará certo. Tudo isso é hipocrisia ultrajante, vergonhoso cinismo. Os que convocam em tom inflamado para mais e mais violência, sem considerar as consequências, são, de fato, os que mais se auto-enganam e os que mais traem Israel.
Não se pode ser bom e mau ao mesmo tempo. A única “pureza” de que cogitam é “matar terroristas para purificar Israel”, o que significa, apenas, semear tragédias cada vez maiores. O que está sendo feito em Gaza não é desastre natural, terremoto, inundação, calamidades em que Israel teria o dever e o direito de estender a mão aos flagelados, mandar equipes de resgate, como tanto gostamos de fazer. Toda a desgraça, todo o horror que há hoje em Gaza foi feito por mãos humanas – as mãos de Israel. Quem tem mãos sujas de sangue não pode oferecer ajuda. Nenhuma compaixão nasce da brutalidade.
Pois ainda há quem pretenda enganar todos todo o tempo. Matar e destruir indiscriminadamente e, ao mesmo tempo, fazer-se de bom, de justo, de homem de consciência limpa. Prosseguir na prática de crimes de guerra, sem a culpa que os acompanha sempre. É preciso ter sangue frio.
Quem justifica essa guerra justifica todos os crimes. Quem prega mais guerra e crê que haja justiça em assassinatos em massa perde o direito de falar de moralidade e humanidade. Não existe qualquer possibilidade de, ao mesmo tempo, assassinar e reabilitar aleijados. Esse tipo de atitude é a perfeita representação das duas caras de Israel, sempre alertas: praticar qualquer crime, mas, ao mesmo tempo, auto-absolver-se, sentir-se imaculado aos próprios olhos. Matar, demolir, espalhar fome e sangue, aprisionar, humilhar… e sentir-se bom, sentir-se justo (sem falar em não se sentir cínico). Dessa vez, os senhores da guerra não conseguirão dar-se esses luxos.
Quem justifica essa guerra justifica todos os crimes. Quem diz que se trata de guerra de defesa, prepare-se para suportar toda a responsabilidade moral pelas consequências do que faz e diz. Quem empurra os políticos e os militares para ainda mais guerra, saiba que carregará a marca de Cain estampada na testa, para sempre. Os que apóiam essa guerra, apóiam o horror.
* tradução: Caia Fittipald
in AMALGAMA


criação e texto: claudinei vieira (conheça Héctor Camillo: 01 )
de RS URGENTE (http://www.rsurgente.net/)
- Natalie Abou Shakra: They wait for people to gather at the bomb site…then they bomb again
Monday January 5, 2009
11a.m.
Sitt Wafaa tells me that every time Abdel Aziz is on vacation “something” happens (a “celebration” from the Zionists). We listen that in the ‘Abasan area, central Gaza Strip, they bombed a secluded area. The reporter on the radio said a donkey died! (again, pigeons, donkeys, kousa farms… they are all targeted by the Zionist death machine of war and terror… oh, and the most important thing: Mickey Mouse lunchboxes… remember the first day when they murdered the children coming back from school? Are you noting this down for war crimes tribunal?)
Then he, the reporter, says: we shall never leave our land. Sitt Wafaa replies back to the radio: where can we go you idiot?! (remember the Gaza Strip is an enclosed space, prison-like, reminiscent of the Nazi concentration camps; it actually transferred from a collective prison during the siege, and now it is a concentration camp).
They bombed quite close to us. No one is sleeping at my home. I am the only one sleeping these days- I have gotten used to it. No more fear for my life. A sublimation to another stage of existence for me.
I spoke to comrade Layla this morning, asking her how her ambulance helping experience was. She told me she couldn’t even write. That she couldn’t do anything but hear people screaming.
Beit Hanoun is now under Zionist occupation. Layla told me they couldn’t get through it.
de Moments of Gaza (http://gaza08.blogspot.com/)
esqueça-se, simplesmente deixe de lado a ‘cobertura jornalística dos jornalões, que o mais das vezes repetem somente os mesmos textos e mesmas imagens das distribuidoras internacionais de ‘notícias’. Neste sentido, a internet tem imprescindível para burlar os grandes esquemas fechados multinacionais. ‘Moments of Gaza’ traz depoimentos, visões, e notícias diretamente do centro do furacão.

- E reforço aqui o toque Luis Carlos fez aqui no comments: para se ter uma ideia realmente aproximada do inferno que está acontecendo, o ‘Mania de História‘ traz imagens que os grandes meios de comunicação não tem a menor coragem de chegar perto. Só é preciso levar em conta o aviso do site: as imagens são fortes!
no http://maniadehistoria.ning.com/


Caso minhas expectativas estejam corretas, a formação de um selo dedicado exclusivamente para quadrinhos por parte da Companhia das Letras pode significar muito mais do que à primeira vista pode parecer. Através de um pragmatismo pleno que foi se maturando ao longo dos anos (além das obras que já citei anteriormente, não nos esqueçamos das obras de Eisner!, por exemplo!) e trazendo a carga de seriedade que a editora carrega, há possibilidade de, afinal, no Brasil se formatar o pensamento das novelas gráficas como obras de arte, Desde que como projeto editorial consumado.
Isto é, não somente como obras únicas e independentes. Não somente como exceções. Não somente como opções interessantes (ou até muito interessantes), e que se colocavam como representantes de um ramo um tanto ou quanto bizarro (quadrinhos!), embora não ’sérias’. Novelas gráficas encaradas como uma verdadeira linha editorial e colocadas no mesmo patamar de obras de literatura (as tais realmente ’sérias’!). Ter um selo desses, proveniente de uma editora do porte da Companhia das Letras tem o mesmo valor e o mesmo peso, em termos nacionais (e guardadas as devidas proporções, por favor) de obras de novelas gráficas nos Estados Unidos ganharem prêmios literários como o Guardian First Book Award ou até de jornalismo como o Pulitzer.
Isso é um começo (um mero início) de que pode-se mudar o conceito e a recepção das obras de novelas gráficas, como nunca antes. Não acontece de forma casual. Não houve uma iluminação zen-budista nos editores da Companhia. Tudo isso faz parte do mesmo movimento e de uma intensíssima agitação em terras brasileiras. A Opera Graphic deixar de funcionar também faz parte da equação. Talvez se preocupar menos com o elevado e desproporcional luxo das edições em um país onde a quantidade de leitores é irrisória e a porcentagem dos que se dedicam a separar uma parte de seu dinheiro para novelas gráficas é ainda menor, quem sabe seja somente uma questão de bom senso.
Espero não dar a impressão de detestar livros e edições luxuosamente encadernados e com primorosa (e custosas) publicações. Não sou nada contra. É maravilho tê-los em mãos. Eu só gostaria de maiores oportunidades de conseguir alguns.
Claro que questão do preço também se relaciona com o respeito com os leitores (e com a possibilidade de se vender os exemplares, oras…). No ano passado, logo após o anúncio da criação do selo Quadrinhos na Companhia, o blog especializado em quadrinhos Gibizada perguntou a André Conti, editor responsável pelo Quadrinhos na Companhia, exatamente sobre isso:
“Blankets” e “Jimmy Corrigan” (e “American Born Chinese”) serão publicados em edições únicas? Será possível publicar “Blankets” em uma edição não muito cara, já que o livro tem 600 páginas?
André Conti: Os três livros serão publicados em volume único, e não devem passar dos R$ 50, o preço médio de um romance grande. Esses valores ainda não estão fechados, mas estamos trabalhando com essa margem.”
Claro, cinquenta reais (caso seja mantida essa média) não é um preço barato, mas ainda assim está-se bem longe do que era praticado pela Opera Graphic. No entanto, o que mais gostei foi a comparação com ‘romances’, usado como exemplo para a avaliação.
E, claro também, há que se pensar como isso vai realmente vai se efetivar, o que vai acontecer na prática. Quem viver, verá. E lerá.
Coisas assim me fazem acreditar na possibilidade de uma juventude melhor, consciente, lutadora. Meu ceticismo e pessimismo ficam um tanto amenizados.
Não consigo nem imaginar o tamanho da pressão (física, psicológica, social, familiar) que eles devem estar sofrendo. O mínimo de decência que se pode fazer frente à firmeza desses jovens é mandar-lhes seu apoio: www.december18th.org

imagem: www.picturapixel.com/blog
- Israel não tem nenhuma intenção de admitir um estado palestino: Se o Hamas não existisse
por Jennifer Loewenstein
(a princípio eu iria fazer somente a chamada e colocar o link para este texto que li no blog do Idelber Avelar, o Biscoito Fino e a Massa, mas o considero tão importante, pela sua objetividade, clareza, simplicidade e contundência, que faço questão de postá-lo por completo. claudinei vieira)
Deixemos uma coisa perfeitamente clara. Se a degradação e a mutilação por atacado da Faixa de Gaza for continuar; se a vontade de Israel é uma com a dos Estados Unidos; se a União Européia, a Rússia, as Nações Unidas e todas as organizações e agências legais internacionais espalhadas pelo globo vão continuar sentadas como manequins ocos sem fazer nada a não ser os repetidos “chamados” por um “cessar-fogo” de “ambos os lados”; se os covardes, obsequiosos e supinos Estados Árabes vão continuar de braços cruzados vendo seus irmãos serem trucidados de hora em hora enquanto a Super-Potência valentona do mundo olha-os ameaçadoramente de Washington, no caso de que digam qualquer coisinha que a desgoste; então vamos pelo menos dizer a verdade sobre por que está tendo lugar este inferno na terra.
O terror de estado disparado neste momento dos céus e do chão contra a Faixa de Gaza não tem nada a ver com o Hamas. Não tem nada a ver com o “Terror”. Não tem nada a ver com a “segurança” a longo prazo do Estado Judeu ou com o Hezbolá, a Síria ou o Irã, exceto na medida em que agrava as condições que levaram até a crise de hoje. Não tem nada a ver com alguma conjurada “guerra” — um eufemismo cínico e gasto que não representa mais que a escravização por atacado de qualquer nação que ouse reclamar seus direitos soberanos; que ouse afirmar que seus recursos são seus; que não queira uma das obscenas bases militares do Império assentada em suas queridas terras.
Esta crise não tem nada a ver com liberdade, democracia, justiça ou paz. Não é sobre Mahmoud Zahhar ou Khalid Mash’al ou Ismail Haniyeh. Não é sobre Hassan Nasrallah ou Mahmoud Ahmadinejad. Eles são todos peças circunstanciais que ganharam um papel na tempestade atual só agora, depois de que se permitiu por 61 anos que a situação se desenvolvesse até a catástrofe que é hoje. O fator islamista coloriu e continuará a colorir a atmosfera da crise; ele alistou líderes atuais e mobilizou amplos setores da população do mundo. Os símbolos fundamentais hoje são islâmicos – as mesquitas, o Alcorão, as referências ao profeta Maomé ou à Jihad. Mas esses símbolos poderiam desaparecer e o impasse continuaria.
Houve uma época em que o Fatah e a FPLP eram a bola da vez, quando poucos palestinos queriam ter qualquer coisa que ver com políticas ou medidas islamistas. Esta política não tem nada a ver com foguetes primitivos sendo lançados do outro lado da fronteira ou com túneis de contrabando ou com o mercado negro de armas, assim como o Fatah de Arafat tinha pouco que ver com as pedras e os atentados suicidas a bomba. As associações são contingentes; criações de um dado ambiente político. Elas são o resultado de algo completamente diferente do que os políticos mentirosos e seus analistas estão lhe dizendo. Elas se tornaram parte da paisagem dos acontecimentos humanos no Oriente Médio de hoje; mas incidências tão letais, ou tão recalcitrantes, mortais, enraivecidas ou incorrigíveis poderiam muito bem ter estado em seus lugares.
Descasque os clichês e o blá-blá-blá estridente e vazio da mídia servil e de seu patético corpo de servidores estatais voluntários no mundo ocidental e o que você encontrará é o desejo nu de hegemonia, de poder sobre os fracos e de domínio sobre a riqueza do mundo. Pior ainda, você encontrará o egocentrismo, o ódio e a indiferença, o racismo e a intimidação, o egoísmo e o hedonismo que tentamos tanto mascarar com nosso jargão sofisticado, nossas teorias e modelos acadêmicos refinados, que na verdade ajudam a guiar nossos desejos mais feios e baixos. A insensibilidade com que nos rendemos a eles já é endêmica à nossa cultura; nela floresce como moscas sobre um cadáver.
Descasque os atuais símbolos e linguagem das vítimas dos nossos caprichos egoístas e devastadores e você encontrará os gritos desafetados, simples e cheios de paixão dos pisoteados; dos “condenados da terra” implorando para que você cesse sua agressão fria contra suas crianças e seus lares; suas famílias e seus vilarejos; implorando que os deixe em paz para que tenham seu peixe e seu pão, suas laranjas, suas olivas e seu tomilho; pedindo primeiro educadamente e depois com crescente descrença no porquê de você não poder deixá-los viver sem serem incomodados nas terras de seus ancestrais, sem serem explorados, livres do medo de serem expulsos, violados ou devastados; livres dos carimbos e dos bloqueios de estrada e dos postos policiais de controle e cruzamentos; dos monstruosos muros de concreto, torres de guarda, bunkers de concreto e arame farpado; dos tanques, das prisões, da tortura e da morte. Por que é impossível a vida sem essas políticas e instrumentos do inferno?
A resposta é: porque Israel não tem qualquer intenção de permitir um estado palestino viável e soberano ao lado de suas fronteiras. Não tinha qualquer intenção de permiti-lo em 1948, quando arrancou 24% mais terra do que havia sido legal, ainda que injustamente, alocado pela Resolução 181 das Nações Unidas. Não tinha qualquer intenção de permiti-lo ao longo dos massacres e complôs dos anos 1950. Não tinha qualquer intenção de permitir dois estados quando conquistou os 22% que restavam da Palestina histórica em 1967 e reinterpretou a Resolução 248 do Conselho de Segurança da ONU a seu bel prazer, apesar do esmagador consenso internacional que estabelecia que Israel receberia completo reconhecimento internacional dentro de fronteiras reconhecidas e seguras se recuasse das terras que havia recentemente ocupado.
Não tinha qualquer intenção de reconhecer direitos nacionais palestinos nas Nações Unidas em 1974, quando – sozinho com os Estados Unidos – votou contra uma solução biestatal. Não tinha qualquer intenção de permitir um acordo de paz completo quando o Egito estava pronto para realizar, mas só recebeu, e obedientemente aceitou, uma paz separada que excluía os direitos dos palestinos e dos outros povos da região. Não tinha nenhuma intenção de trabalhar na direção de uma solução biestatal justa em 1978 ou em 1982, quando invadiu, bombardeou, esmigalhou e demoliu Beirute para que pudesse anexar a Cisjordânia sem ser incomodado. Não tinha qualquer intenção de admitir um estado palestino em 1987, quando a primeira Intifada se espalhou pela Palestina Ocupada, na Diáspora e nos espíritos dos despossuídos do mundo, ou quando Israel deliberadamente auxiliou o nascente movimento Hamas, como forma de implodir a força das facções mais seculares-nacionalistas.
Israel não tinha qualquer intenção de admitir um estado palestino em Madrid ou em Oslo, quando a OLP foi superada pela trêmula e titubeante Autoridade Palestina, muitos de cujos chapas perceberam a riqueza e o prestígio que ela lhes dava, às custas dos seus. Enquanto Israel alardeava nos microfones e satélites do mundo o seu desejo de paz e de uma solução biestatal, ele mais que duplicava os assentamentos colonizadores judeus, ilegais, nas terras da Cisjordânia e em volta de Jerusalém Oriental, anexando-as na medida em que construía e continua a construir uma superestrutura de estradas e autopistas sobre as cidades e vilarejos sobreviventes, picotados da Palestina. Anexou o Vale do Jordão, a fronteira internacional da Jordânia, expulsando quaisquer dos “nativos” que habitassem a terra. Fala com uma língua de víbora sobre os múltiplos amputados da Palestina, cujas cabeças serão logo arrancadas do corpo em nome da justiça, da paz e da segurança.
Através das demolições de casas, dos ataques à sociedade civil que tentavam lançar a cultura e a história palestinas num abismo de esquecimento; através da indizível destruição dos cercos aos campos de refugiados e dos bombardeios à infraestrutura na Segunda Intifada, através dos assassinatos e das execuções sumárias, pela grandiosa farsa do desengajamento até a nulificação das eleições livres, democráticas e justas da Palestina, Israel já nos fez saber qual é a sua visão, uma e outra vez, na linguagem mais forte possível, a línguagem do poder militar, das ameaças, das intimidações, do acosso, da difamação e da degradação.
Israel, com o apoio aprovador e incondicional dos Estados Unidos, já deixou dramaticamente claro ao mundo todo, várias vezes, repetindo em ação atrás de ação que não aceitará um estado palestino viável ao lado de suas fronteiras. O que mais é preciso para que escutemos? O que será necessário para terminar com o silêncio criminoso da “comunidade internacional”? O que será preciso para ver mais além das mentiras e da doutrinação acerca do que tem lugar diante de nós, dia após dia, claramente, no raio de visão dos olhos do mundo? Quanto mais horrorosas as ações no terreno, mais insistentes são as palavras de paz. Ouvir e assistir sem escutar nem ver permite que a indiferença, a ignorância e a cumplicidade continuem e aprofundem, a cada túmulo, a nossa vergonha coletiva.
A destruição de Gaza não tem nada a ver com o Hamas. Israel não aceitará qualquer autoridade nos territórios palestinos que ele, em última instância, não controle. Qualquer indivíduo, líder, facção ou movimento que não aceda às exigências de Israel ou que busque genuína soberania e igualdade de todas as nações da região; qualquer governo ou movimento popular que exija a aplicabilidade da lei humanitária internacional e a declaração universal dos direitos humanos para seu próprio povo será inaceitável para o Estado Judeu. Aqueles que sonham com um estado devem ser forçados a perguntarem-se: o que Israel fará com uma população de 4 milhões de palestinos dentro de suas fronteiras, quando comete crimes diários, se não a cada hora, contra a humanidade coletiva deles enquanto eles vivem ao lado de suas fronteiras? O que fará mudar de repente a razão de ser, o autoproclamado objetivo e razão de existência de Israel se os territórios palestinos forem anexados a ele totalmente?
O sangue de vida do Movimento Nacional Palestino jorra hoje pelas ruas de Gaza. Cada gota que cai rega a terra da vingança, do ressentimento e do ódio não só na Palestina, mas em todo o Oriente Médio e em boa parte do mundo. Nós temos uma escolha sobre se isso deverá continuar ou não. Agora é a hora de escolher.
tradução de Idelber Avelar. Jennifer Loewenstein é Diretora Associada do Centro de Estudos do Oriente Médio de uma das principais universidades públicas norte-americanas, a de Wisconsin em Madison. Ela trabalhou durante meses, em 2002, no Centro Al Mezan de Direitos Humanos, em Gaza. Retornou a Gaza várias vezes desde então.
Quem não acompanhou as notícias dos últimos meses do mercado editorial de quadrinhos no Brasil está perdendo uma história emocionante, com vários lances de suspense, reviravoltas, esperanças frustradas, esperanças renovadas, quedas e novidades. O tom das notícias em sua maioria é de desânimo e ceticismo, não se enxerga futuro promissor. Eu não sei. É até engraçado eu dizer isso, pois meu normal é de ceticismo tremendo (em geral e com tudo). No entanto, apesar das expectativas ainda serem vagas e nebulosas, penso que o que está se abrindo são possibilidades interessantes que, se aproveitadas e melhor pensadas e trabalhadas, talvez signifiquem uma real mundança em nossa relação com os quadrinhos neste país. No mínimo, a consciência da necessidade (vou repetir, com maiúscula e aspas: “Necessidade”) dessa mudança. Ou, quem sabe, estas possibilidades não existam e eu esteja somente entusiasmado (ansioso, afobado, quase desesperado com a espera) com algumas publicações prometidas para daqui a pouco.
Como disse, as notícias não são novas, mas só para situar a conversa: da Pixel saiu no final do ano passado um editor-chefe, Cassius Medauar, sob cuja gestão houve vários lançamentos importantes, a venda da editora para a Ediouro, e a conquista do prêmio HQMix, o ‘Nobel’ dos quadrinhos no Brasil, de Melhor Editora do ano passado. A saída foi confusa, e em sua carta de despedida publicada no blog da editora, anunciava discordâncias com uma suposta mudança de pensamento editorial. Apesar do desconforto, Medauar continuaria trabalhando com a Pixel, agora como uma espécie de assessor. A editora soltou um comunicado pela sua comunidade do orkut, dizendo que não haverá mudanças significativas (só teriam acontecido algumas “ações administrativas”), os lançamentos serão mantidos, e a linha de qualidade garantida. Apesar da tentativa de acalmar os ânimos, a carta é vaga, não confirma datas nem especifica os lançamentos para os próximos dias, e como bem enfatiza Paulo Ramos, em seu Blog dos Quadrinhos não foi publicada ainda nem no “site da editora nem no blog da Pixel, canais oficiais de divulgação da empresa na internet“. E o “Fábulas Pixel”, uma de suas revistas mensais, não saiu em dezembro“…
A Conrad, que lançou ano passado dois portentos poderosos, ‘Chibata! – João Candido e a Revolta Que Abalou o Brasil’, de Hemeteiro e Olinto Gadelha, e o clássico finalmente editado no Brasil ‘Che – Os Últimos Dias de um Herói’, do escritor Oesterheldde e dos desenhistas Alberto e Enrique Breccia, vem diminuindo paulatinamente o ritmo de suas edições (várias estão atrasadas), está há meses negociando sua venda para alguma editora grande para mitigar um tanto de seus problemas financeiros. As conversas com a Ediouro não deram certo, agora estão tentando com a Companhia Editora Nacional. Por enquanto, ninguém diz como estão as negociações, o que só aumenta as incertezas. Vamos ver o que acontece.
E a Opera Graphica fechou oficialmente suas portas. Para marcar sua saída do mercado, lançou no finalzinho de 2008, seu último álbum de luxo, do Príncipe Valente. Para mim, sentimentos contraditórios com este acontecimento. Pois meus sentimentos sempre foram muito contraditórios em relação à própria editora. Pois Opera Graphica era famosa por lançar obras estonteamente belas e importantes, regalos deliciosos para o olhar, o tato, e a inteligência dos leitores. E famosa também pelos preços serem tão absurdos e astronômicos que impossibilitavam que esse conteúdo pudesse ser distribuído e apreciado por muito mais pessoas. Sempre penei e sofri com a minha admiração pelos seus livros, e a raiva por não poder compra-los. Imagino bem o quanto mais gente passava por esta situação.

Isso é um lado. Por outro, a Companhia das Letras assumiu um selo dedicado aos quadrinhos. É uma grande notícia, por certo! Assumem uma tendência que a editora já vinha tomando há algum tempo quando publicou, de forma esparsa, algumas obras fundamentais e belíssimas, como ‘Maus’ e ‘Persépolis’, mais recentemente a coleção completa do ‘Tintim’. O novo selo, Quadrinhos na Cia, apesar no nome bobo, publicará também autores nacionais, com alguns projetos muitíssimo interessantes (a ideia é de fomentar trabalhos com duplas nacionais, em parceria com a RT/Features; o primeiro já está definido: ‘Cachalote’, do escritor Daniel Galera e o desenhista Rafael Coutinho), e encaminhou uma lista de lançamentos importantes para este ano, como ‘Bottomless Belly Button’, de Dash Shaw; ’Jimmy Corrigan: the smartest kid on Earth’, de Chris Ware, e este aqui, uma das obras mais espetaculares dos últimos tempos, um romance gráfico magnifico, poético e surpreendente, ‘Blankets’, de Craig Thompson (o qual falarei com prazer e mais detalhes, mais pra frente).

Absolute Watchmen
A Panini não diminuiu seu ritmo, está lançando o primordial ‘A Piada Mortal’, de Alan Moore, em edição de luxo, com capa dura e recolorização do desenhista Brian Bolland. ‘A piada mortal’ é a obra que deu um chacoalhão na história e na psique do Batman, tornando-o mais sombrio e insano e aproximando-o ao sombrio e insano Coringa, que teve aqui sua reformulação plena, uma origem coerente e triste, e uma personalidade profunda e complexa. Esse eu não perco de forma alguma. Pela Panini igualmente sairá a edição definitiva de ‘Watchmen’, em março para pegar o lançamento, claro, do filme (esperemos que essa data seja mantida, pois as datas do filme não estão cem por cento seguras, por conta de uma tremenda briga judicial entre produtora e distribuidora em Hollywood, que pode levar a um adiamento indefinível do seu lançamento). A edição norte-americana saiu em março passado, é de babar os olhos e roer-se de prazer, com capa dura, quase quatrocentas e setenta páginas, cinquenta das quais de extras, com exemplos do roteiro do Alan Moore, estudos de desenhos, as capas originais, está esgotadíssima nos Estados Unidos e a DC Comics planeja publicar (segundo o HQNews), um milhão de exemplares, para acompanhar também o lançamento do filme, já que não são bestas. Falta saber aqui se a Panini vai manter todos esses extras (seria sacanagem não fazer isso!) e o quanto vai custar (um ’simples detalhe’, eu sei…).
E com tudo isso, não custa lembrar a avalanche de lançamentos de fanzines de quadrinhos, de projetos alternativos, com belos resultados e qualidade tremenda. E sem falar da internet…
CARAMBA, a minha intenção inicial era escrever duas ou três linhas sobre o assunto, só para dar um toque aos desavisados e lembrar aos que já estão por dentro, para então fazer a verdadeira discussão a que me propus acima, sobre os rumos do mercado editorial no Brasil. Para não alongar ainda mais este post, façamos o seguinte: dou um breque aqui e amanhã retomo a conversa, em uma segunda parte.
- Eu só não quero deixar de mandar um abraço ao camarada Wilson Vieira,
quadrinista tremendo (que se revelou uma superfigura, pessoa simpaticíssima e belo profissional, ao conhecê-lo quando participou de um dos meus eventos na Casa das Rosas). Wilson foi entrevistado junto com o desenhista Fred Macedo pela revista portuguesa dedicada a quadrinhos a BDJornal em suas edições 23 e 24 (onde publicou as histórias “Evolution” e “Kwi-Utena”), e foi citado em um texto do Sergio Bonelli, no editorial de ‘Tex Nuova Ristampa’!, referente aos 60 anos do BDJornal. Parabéns, Wilson e Fred, é sempre muito bom ver um trabalho de qualidade ser reconhecido e aplaudido, vocês merecem isso. (dá para ler o texto do editorial traduzido no Impulso HQ)
- Palestinos no Facebook
de Idelber Avelar: “Já há alguns meses, recolho quase diariamente, via Facebook, relatos de palestinos vivendo sob o horror da ocupação colonial ou no desterro dos campos de refugiados. Se você é membro da comunidade do Biscoito no Facebook, e não está listado como meu amigo, fique à vontade para enviar uma solicitação (uma linha de auto-apresentação ajuda)”. in O BISCOITO FINO E A MASSA
- Why do they hate the West so much
“So once again, Israel has opened the gates of hell to the Palestinians. Forty civilian refugees dead in a United Nations school, three more in another. Not bad for a night’s work in Gaza by the army that believes in “purity of arms”. But why should we be surprised? Have we forgotten the 17,500 dead – almost all civilians, most of them children and women – in Israel’s 1982 invasion of Lebanon; the 1,700 Palestinian civilian dead in the Sabra-Chatila massacre; the 1996 Qana massacre of 106 Lebanese civilian refugees, more than half of them children, at a UN base; the massacre of the Marwahin refugees who were ordered from their homes by the Israelis in 2006 then slaughtered by an Israeli helicopter crew; the 1,000 dead of that same 2006 bombardment and Lebanese invasion, almost all of them civilians?” – in THE INDEPENDENT
- Notícias do genocídio
89 crianças e 30 mulheres entre os mortos confirmados em Gaza até o dia 5
- A defesa de Israel
- A “força” do inimigo de Israel
“O início dos ataques israelenses na Faixa de Gaza não é uma simples reação aos foguetes do Hamas…”
- A contradição de Israel
Entrevista com Amira Hass, correspondente do jornal Haaretz nos territórios ocupados
- A “transferência compulsória” palestina



criação e texto: claudinei vieira