Posted tagged ‘Erotismo’

foto erótica, de antes

1 de julho de 2014

Certa vez, passei os olhos por uma foto maravilhosa – uma foto tripartida, três imagens de uma mulher semi nua em movimento, banhada por uma iluminação sóbria, quase escura, de um erotismo explícito, sem ser agressivo. Eu ainda era jovem o bastante para prestar atenção somente no detalhe da semi nudez, sem perceber que o erotismo não provinha de pele descoberta ou da pose sensual, mas do tratamento que o fotógrafo tinha realizado com a imagem, do modo como a luz tinha modelado o corpo.

Durante um bom tempo, alimentei o desejo, a esperança, de tornar a ver essa foto, ter de novo aquela emoção, o que nunca aconteceu. Hoje em dia, na verdade, penso que nem sei se a reconheceria, pois mais do que uma imagem precisa na minha cabeça, o que há na minha memória é uma sensação, um sentimento. E já não sou jovem o suficiente para acreditar que poderia repetir aquele sentimento, aquela emoção da descoberta de um novo ponto de vista para com a beleza, para com o erotismo, a partir de uma única imagem.

Esta foto que trago neste post é somente para ilustrar, não é aquela tal foto dos meus antes. Mas serviu bem para dar um clique em minhas lembranças.

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CAT PEOPLE: Sexo, Poder, Morte, e Medo do homem diante do desejo feminino em dois filmes de terror e erotismo

21 de agosto de 2012


Em 1942, Irena, uma jovem e bela sérvia, trabalha em Nova York como modista e se apaixona e se casa com um norte-americano. Não é um relacionamento tranquilo, pois ela teme carregar uma maldição em sua família: ela acredita que descende de uma raça de mulheres-panteras que se transformam em animais selvagens (literalmente) quando estão em algum apogeu de grande emoção e / ou quando fazem sexo. Irena sente (ou imagina) que o pior vai acontecer, pois percebe que está com ciúmes violentos de uma amiga do seu marido e teme que ela sofra algum ataque seu quando estiver transformada. Preocupado, o marido cuida para que ela vá se tratar com um psiquiatra.

Roteiro enxutíssimo, quase nenhum efeito especial, trabalhando com jogos de câmeras simples, mas muito eficazes, e uma iluminação de claro/escuro belíssima e instigante, e fotografia fantástica CAT PEOPLE ficou conhecido no Brasil como “Sangue de Pantera” e é um clássico de terror psicológico e erotismo velados.

Isto é, nada nunca é mostrado, nada nunca é explicitado, não há monstros, nem cenas de violência. O medo é sugerido, entrevisto, escutado. A fera assassina (se por acaso existir e se a maldição for real e não somente loucura de Irena) nunca é mostrada. O sexo, o desejo, também. Mas estão lá, à espreita, prestes a atacar.

Filme bárbaro que funciona até hoje!

Quarenta anos depois, fizeram CAT PEOPLE (“A Marca da Pantera”, aqui). O básico da história foi mantido: Irena é uma jovem bela e estranha que passou sua infância complicada em orfanatos e instituições especiais até conhecer seu irmão, quando fica sabendo que eles pertencem a uma raça especial que precisa manter relações sexuais entre si porque, quando transam, se transformam em panteras selvagens e assassinas. Precisam matar para retornar ao estado de humanos. A coisa se complica pois, além de Irena não concordar em se entregar a esta relação incestuosa, ela ainda se apaixona por outro cara e não sabe como lidar com esta maldição. Já pensou como seria sua noite de núpcias? O camarada ainda por cima é diretor do zoológico local e está ajudando a caçar uma pantera que está aterrorizando a cidade…

Não é um grande filme, é simples, dá para assistir numa boa, sem grandes pretensões. Mas também é um clássico. Por conta da pantera principal: Nastassja Kinski. Puta que o pariu de pantera!!

Os elementos estão apontados. Em 1942, a mulher ativa e liberada (que, no entanto, existia ou lutava para se impor) não podia ser aceita. Não à toa, a pantera tinha que ser de fora, não podia ser uma nativa, uma norte-americana ‘da gema’, tinha que ser uma estrangeira, alguém misterioso de algum lugar remotamente conhecido e exótico o suficiente para provar ao espectador o quanto Lá é estranho e o quanto Eles (ou, principalmente, Elas) podem ser perigosos. Mortíferos até. A moral e a família precisam ser mantidas, a tranquilidade precisa ser reposta. O final de “Sangue de Pantera” toma isso a cargo. Como não poderia deixar de ser em um filme realizado no começo da década de 40.

Em 1982, mesmo com a diluição destas premissas e mesmo que a mulher contemporânea tenha tomado posições bem mais avançadas do que seria imaginável em tempos idos, e mesmo que o diretor esteja mais preocupado em mostrar o corpo de Nastassja (ela fica pelada boa parte do tempo), do que em fazer discussões ou até mesmo de mostrar eficiência em criar suspense, Mesmo assim, é extremamente interessante observar como os dois filmes e as duas Irenas se parecem e mantém laços. O sexo já não é mais visto como O Perigo (a era mais pesada da Aids ainda estava só começando), o esquisito, inclusive é não fazer sexo (como quando em um diálogo a virgindade de Irena chega a ser ridicularizada). Os produtores, então, forçam um pouco a barra ao tentar encontrar algum outro ângulo ‘pecaminoso’ e se fixam no ponto do Incesto. Esse seria o problema. Fazer sexo tudo bem; fazer sexo com a Nastassja melhor ainda (mesmo que um tanto quanto ‘perigoso’). Mas com o irmão não, nunca! O foco mudou,  o vilão agora não é mais a mulher e sim seu irmão que insiste em se arrogar o direito a sua …. depravação, digamos assim.

Apesar disso, Irena/Nastassja ainda é um ser estranho, perigoso, além das fronteiras (não estou lembrando agora se a personagem é norte-americana ou não) que pode não ser a vilã, nem o mal personificado, nem é louca mental. No entanto, ela ainda assim carrega a sua maldição. Esse furor sexual ainda assusta, não é ‘normal’, precisa ser controlado.

E o modo como o cara do zoológico encontra para ‘controlar’ Nastassja é de matar de inveja a todos os homens e lésbicas do mundo. Ai, ai.

ps. comentários da minha amiga Sabrina K ao ler este texto: Claudinei, legal você ter lembrado deste filme – a versão mais antiga eu não conhecia. CAT PEOPLE me marcou muito, e coloco ele junto com aquele com a Catherine Deneuve, com o David Bowie, viravam vampiros, e os amores dela tinham tempo de duração, mas não libertação, eram encaixotados num sótão surreal, iluminado, leve, com muito ar, e os amores ali, vinculados a ela, vampirona mor, envelhecendo, apodrecendo em vida, sofrendo, orando por liberação ainda que na condição de demônios. Vampiros e amor. Cat People, o não domesticado sentimento humano, em sua condição mais selvagem, o descontrole, o nada social sentimento vindo de um corpo animal, essa condição humana atordoante e ininteligível nossa do dia a dia.

Como mulher – e às vezes vejo que o olhar de uma mulher sobre um filme é tão diferente do dos homens… – te digo, não lembro dos homens do filme, mas de Nastassja Kinsky. Tão meiga, tão pura, tão virgem, e tão mortal. Jaulas, felinos, desejos, mulher e homem, descontrole, não doméstico, não controlável. Incontrolável. E então criamos e multiplicamos a Aids, e o controle deve ser cada vez mais rígido, de tudo, do todo. Mas se a Aids mata o corpo, qual é essa ameaça que estes filmes pré-Aids traduzem, essa ameaça mortal, de controle e descontrole, vida e morte, que esses filmes anunciam e mostram? A dependência, o despertar, sentimentos dignos de flauta convivendo com a mais atordoante percussão? Ufa, e dê-lhe vinho tinto, do bom, prá viver essa vida com tudo isso que veio na bagagem…
Abraços cinéfilos,

ps. Eu achei dez a reflexão sobre a Aids, porque se fossem filmes pós Aids, poderiam ter uma outra leitura… Mas eu não sei, te conto que Fome de Viver foi o único filme que me fez sair do cinema… Aquelas cenas de macacos enjaulados envelhecendo rapidamente, e o vampiro buscando cessar a velhice, eu só consegui assistir de uma segunda vez. E Cat People tem uma coisa muito feminina, Claudinei, só sendo mulher e padecendo de toda a repressão da sociedade ocidental católica prá você saber o quão enjauladas nós somos.

Os motivos porque Henri Cartier-Bressson tem que ser banido do Facebook ou A diferença entre Arte e Imoralidade, segundo o Facebook

21 de julho de 2012

 

E o Facebook, este singelo recanto de encontro virtual criado por um estudante universitário norte-americano virgem que tinha raiva de sexo porque sua namorada não queria dar para ele, continua sua cruzada contra a imoralidade e a falta de decência, combatendo e censurando os usuários que ousam postar imagens mais ‘atrevidas’, independente de suas ‘pretensas’ intenções artísticas.

Dessa forma, não importando se a imagem é uma foto da playboy norte-americana ou um quadro renascentista ou uma instalação de arte plástica ou mães dando de mamar para seus bebês, desde que mostre Peitos (femininos, of course), é imoral, é feio, é provocativo, e deve ser extirpado, os usuários ameaçados ou castigados, e suas contas canceladas. O mais novo exemplo de que soube foi de minha amiga Célia Musilli, uma recalcitrante que insiste em suas tentativas de impor suas manias de arte e beleza com nus, desta vez com uma imagem do consagrado fotógrafo Henri Cartier-Bresson.

(esses meus amigos, aliás, são todos uns imorais, todos!)

Na tentativa, pois, de ajudar a entender a lógica da cruzada moralista do Facebook, Desconcertos montou esta simples, mínima e didática cartilha usando imagens do próprio Cartier-Bresson, para separar, de uma vez por todas, o que é Arte e Pornografia:

Momento tocante de um casal de idosos: Arte

Marilyn Monroe por Cartier- Bresson? É sempre Artístico! (desde que ela não esteja nua, obviamente)

Motivo simples, minimalista, quase abstrato, sem um sentido objetivo aparente: praticamente a definição de Arte ‘Artística’, com A maiúsculo.

Aqui começa a apelar para o erotismo e motivação sexual. Não é artístico Artístico, com A Maiúsculo. Mas, pelo menos, é discreto.
Por enquanto, passa.

Corpos nus e à vontade, transmitindo calma e tranquilidade? Seios, coxas e pentelhos à mostra? Imoralidade e Devassidão, sem-vergonhice pura e simplesmente. Henri Cartier-Bresson era só um velho safado e quem ajuda a divulgar essas imagens deve ser banido do Feicibuque, jogado no fogo do Inferno e condenado a comer amendoim mofado pelo resto da eternidade!

Erotismo, Anaïs Nin?

27 de maio de 2012

 

Quando Anais Nin disse “O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia“, eu acho que seria até mais enfático: o verdadeiro erótico É poesia.

 

 

 

 

 

Bettie Page morreu.

12 de dezembro de 2008

Claro, quem morreu ontem, dia 11 de dezembro de 2008, já não era mais a BETTIE PAGE, mas um senhora de 85 anos que se mantinha sozinha e afastada das atenções desde a época do seu auge de atriz e modelo máximo do imaginário masculino, a representante máxima, a criadora total das pin-ups modernas na década de cinquenta, quando então provocou verdadeiros terremotos, quebrou tradições, arregaçou morais, inventou (ou foi inventada por) novos caminhos. 

Ao que sei, era uma senhora simples e simpática que não se recusava a dar entrevistas, mas desde que não se tirasse fotos. Sempre consciente da força de sua imagem, não queria que ela se quebrasse por conta de sua idade. E, portanto, mesmo não sendo A Bettie Page dos anos 50, continuou pin-up até o fim.

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