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Tragédia mais-do-que anunciada no Metrô de São Paulo. E um filme francês.

18 de maio de 2012


‘O Ódio’ (‘La Haine’) é um filme francês de 1995 que acompanha as perambulações de um dia e uma noite de três adolescentes por uma Paris semidestruída por conta das violentas manifestações e da brutal repressão policial que aconteceram na noite anterior, que levaram um amigo deles ser espancado por policiais e ser internado em estado de coma, sem expectativas se sobreviverá ou não.

Uma história, uma anedota, contada logo no início, acompanha o filme, o de um suicida que ao saltar de um prédio vai contando os andares: ‘Décimo andar e, por enquanto, tudo bem’, ‘Nono andar e, por enquanto, tudo bem’, ‘Oitavo andar e, por enquanto, tudo bem’. Essa contagem é mostrada ao longo do filme e pontua as cenas, prenunciando que o final não será bom.

– Desta vez, não houve mortes no acidente do Metrô. Ainda. Podemos ficar contentes, portanto, que a população paulista só continuará a ser tratada como gado, cada vez mais espezinhada e humilhada, à espera do próximo acidente, da próxima confusão, e quem sabe, da próxima tragédia que todos sabemos acontecerá, mais cedo ou mais tarde, pois o descaso é histórico, é endêmico, parece genético aos nossos patéticos governantes.

A tragédia posta e prevista está mais, muito mais, do que anunciada! Está sendo praticamente construída aos nossos olhos, refinada, acumulada e garantida pela Incompetência, pela Estupidez, pela Ganância.

Em São Paulo está a se tramar uma versão brasileira, à la Paulistana, ao vivo, a cores e com sangue, do filme ‘La Haine’, cujo tradução em português está sendo: ‘Estação Vila Matilde e, por enquanto, tudo bem’, ‘Estação Tatuapé e, por enquanto, tudo bem’, Estação Sé e, por enquanto,…

 

 

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Morte às Estátuas Vivas?

14 de março de 2012

Pessoalmente, são personagens do cotidiano urbano que me incomodam um pouco. Fico agoniado só de pensar no trabalho e a dedicação que estes artistas precisam realizar (só a montagem da roupa e da maquiagem deve dar um suadouro danado), além das muitas horas debaixo de sol, para conseguirem alguns trocados (e imagino que ainda devam aguentar muita zoeira de passantes). Não gosto e, na verdade, acho até feio.

No entanto, muito mais feia, e me provoca agonia muito maior, é a mentalidade higienista de políticos, como o nosso caríssimo prefeito/quase/aliado/do/pt Kassab que agora proibiu o pessoal das Estátuas Vivas no centro da cidade. Só para lembrar rapidamente, ele tirou os letreiros e cartazes para limpar a poluição visual, proibiu artistas e atores de rua, tirou a feira de artesanato da praça da república, apagou grafites de artistas reconhecidos internacionalmente, queria tirar as bancas de jornais (pelo menos, da avenida paulista)! É um portento higienista este nosso prefeito!

E a última é essa de querer matar as estátuas vivas. O medo é saber que ele ainda tem muitos meses para inventar muita coisa até o final do ano.

A ‘providencial’ ignorância imbecil de Kassab, Alckmin e Polícia Militar

7 de janeiro de 2012

a higienização após o 'sofrimento e a dor'

Nem Kassab nem Alckmin nem o comando da PM sabiam de nada?? Foi tudo culpa da afoiteza e irresponsabilidade de subordinados??

É terrível e verdadeiramente aterrorizante a imbecilidade em relação à ação na cracolândia. A imbecilidade ‘deles’ e a que nos tentam impingir. O que deveria ser para eles a glorificação do aumento cada vez mais avassalador da truculência policial em São Paulo (a ferro e fogo, com sofrimento e dor!), de repente transforma-se em um show de palhaçadas e desculpas forjadas com rapidez e sem vergonhice. O ‘natural’ é que a classe média protofacista paulistana apoiasse com todo seu fervor característico a ação policial, mas o que não previram foi que o pavor fosse muito maior. Pavor pelos ‘viciados’, pelos ‘drogados’, pela cracolândia ‘expandida’ e espalhada pela cidade.

Para o jornal ‘O Estado de São Paulo’ “Alckmin, Kassab e comando da PM não sabiam de início de ação na cracolândia”. A ‘reportagem’ do Estadão tem passagens preciossíssimas:

“O governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as cúpulas da Segurança Pública, Assistência Social e Saúde das duas esferas de governo estavam acertando tudo para que o trabalho começasse em fevereiro, depois da abertura de um centro de atendimento com capacidade para 1,2 mil usuários de drogas na Rua Prates, no Bom Retiro. Eles queriam evitar, por exemplo, que os dependentes se espalhassem pela cidade depois do cerco à cracolândia. Outro objetivo era evitar que a operação focasse apenas políticas de segurança pública, ampliando-a para as pastas sociais.”

Não é comovente essa tal ‘ampliação para as pastas sociais’? Não é terrível que, por conta de subordinados atrapalhados, essa preocupação tremenda pelos usuários de drogas (que durante décadas ficou um tanto escondida, confessemos) tenha se desfacelado?

Mas, não se preocupem! Eles não estão brigados entre si, Kassab, Alckmin e a cúpula da Polícia Militar continuam amigos e vão passar por cima dessa ‘rusga’, digamos assim (“No governo, há a tentativa de afinar o discurso de que, independentemente do que ocorreu, o que importa é que daqui para frente todos trabalharão juntos”)

O Jornal da Globo indica, de verdade, qual é a real preocupação (‘deles’): “Cracolândia, a terra do crack, mudou. Não tem mais território fixo, mas os habitantes ainda estão todos por aí. Como farrapos humanos desalojados, perambulando.” Esse é o cenário, acrescento eu, de Walking Dead: zumbis (feios, sujos e malcheirosos) que, pior do que tudo!, agora estão mais visíveis e espalhados do que antes.

Pois o que as ‘pessoas-de-bem’ menos desejam é sentir justamente a proximidade e a visibilidade das doenças sociais, feias, sujas e malcheirosas.

 

 

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,alckmin-kassab-e-comando-da-pm-nao-sabiam-de-inicio-de-acao-na-cracolandia,819527,0.htm

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2012/01/acao-na-cracolandia-em-sp-da-poucos-resultados-concretos.html