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‘O GLOBO’ vomita suas entranhas no Dia Internacional da Mulher

8 de março de 2015

 


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Singela homenagem de O GLOBO, justamente e exatamente, no Dia Internacional da Mulher.

Dilma de joelhos aos pés de um terrorista que remete ao Estado Islâmico e seus atos de degolamentos públicos.

Perceba-se que é mais do que deixar de joelhos. O que a charge sugere é que Dilma está prestes a ser degolada. Não está forçando um ato de submissão, está sugerindo um assassinato (seja metafórico, político, ou até mesmo pessoal).

Para o Dia Internacional da Mulher, isso não é um tanto nojento, isso não é um tanto escroto, isso não foi além de uma simples charge ‘engraçadinha’ e se tornou um torpe, vil, ataque filhodaputa à toda e qualquer mulher?

Acima da minha ojeriza e repulsa pela pessoa de Dilma Rousseff e de sua política que já deixou de ser de esquerda há muito tempo (se é que algum dia realmente chegou a ser) está o meu profundo repúdio, a minha profunda náusea de repúdio, a esse vômito desumano, a essa merda desenhada, pretensamente humorada, machista e sugestiva de assassinato.

Talvez, por um outro lado, devamos agradecer ao GLOBO.

Pois ontem mesmo, postei sobre uma jovem na Arábia Saudita que, após ser estuprada por sete homens, ela foi condenada a receber 200 chibatadas e ficar presa por seis meses porque no momento do ataque ela mesma estava cometendo o imenso crime (abjeto pelos padrões sauditas) de estar dentro de um carro sozinha com um homem, um colega de estudos, que não era seu parente!

Alguns comentários ao post, horrorizados com a atitude do estado contra a jovem e às mulheres em geral, destacaram a falta de democracia e o machismo escroto, diferentes do Ocidente, onde a situação é um tanto mais aliviada, pelas mulheres terem conquistado algumas vitórias.

O que fiquei pensando é o quanto a ‘democracia’ ocidental consegue esconder suas perfídias. Sem dúvida, não há como comparar a situação de uma jovem adolescente na Arábia Saudita com uma jovem européia da mesma idade ou até mesmo no Brasil. Mas me pergunto se na tal democracia as formas de controle, de opressão, de violência, só mudam de sentido, de configuração. Afinal, a violência (a violência concreta, física, direta, além da ideológica ou da opressão midiática) só vem aumentando. As penalidades para as mulheres que tentam controlar seu próprio corpo (nas tentativas de realizar um aborto, de andar com roupas confortáveis, tal como os homens andam, de recusar a beijar ou acompanhar homens estranhos em ocasiões festivas) as penalidades vão desde às penais (ser presa por realizar um aborto) às sociais (conviver com maridos ou companheiros violentos que as reprimem e atacam cotidianamente) às ideológicas (ser tachada de ‘piranha’ ou de incitar ao estupro por ‘usar roupa indecente’).

Talvez a grande diferença é que as chibatadas árabes são sim realizadas aqui no tal Ocidente democrático. Só tomam outra forma, outros meios.

E talvez por isso devamos agradecer ao GLOBO. Por escancarar suas entranhas, por deixar claro o que pensa, por não usar sutilezas obtusas. Pela sua estupidez aberta, pela sua misoginia criminosa. Por desejar que as mulheres sejam tratadas, sejam presidentas, executivas, donas de casa ou jovens adolescentes, como realmente eles desejariam: de joelhos, implorando por suas vidas, prestes a serem degoladas.

 

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O verdadeiro legado da Copa

17 de junho de 2014

viol

Estado de exceção. De repente, ele chegou, se instalou, e está gostando da situação.

Não que nada disso tenha sido surpresa. Não, mesmo. Era o que todos esperávamos. Por conta de um importante evento esportivo, regras democráticas não estão mais valendo, deram um surto, estão dando um tempo.
Este está sendo, desde já, o maior legado dessa Copa. De repente, o que era realizado na surdina, onde todos sabiam o que acontecia mas tinham um certo ‘respeito’ ou simplesmente era abafado, agora está escancarado, aberto. Não para os olhos do mundo todo verem (oh, que vergonha), mas para nós mesmos, para aqui dentro.

Demissão sumária de grevistas, manifestante preso e torturado, jornalistas detidos ilegalmente e na calada da noite, artistas performáticos detidos por carregarem materiais para sua performance (latas de spray, arames; podiam ser perigosos manifestantes indo realizar sua perigosa manifestação); polícia federal realizando prisões ‘preventivas’ no Rio de Janeiro, no dia anterior da estreia da seleção brasileira, policiais não identificados disparando armas letais, ruas de Belo Horizonte tomadas e controladas pela Polícia Militar, não sei porque ainda não instauraram toque de recolher.

Não há inocentes nessa história. Não é uma questão de Aécio x Dilma. Não é um simplificação estúpida de coxinhas x petralhas. Os governos estaduais e municipais têm sua autonomia e estão fazendo sua parte direta na instituição do Estado de Exceção de fato, independente de qual partido responda, e o governo federal está aí para garantir que isso aconteça, jogando o exército na rua se tal for necessário, quem duvida disso?

Estado de Exceção.

Mas a Copa está bonita, os jogos estão bons, vários gols por partida, não é mesmo?

E o Chico, hein? 70 anos!

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão
Se eu demorar uns meses
Convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo
E pode me esquecer
Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)