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‘O GLOBO’ vomita suas entranhas no Dia Internacional da Mulher

8 de março de 2015

 


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Singela homenagem de O GLOBO, justamente e exatamente, no Dia Internacional da Mulher.

Dilma de joelhos aos pés de um terrorista que remete ao Estado Islâmico e seus atos de degolamentos públicos.

Perceba-se que é mais do que deixar de joelhos. O que a charge sugere é que Dilma está prestes a ser degolada. Não está forçando um ato de submissão, está sugerindo um assassinato (seja metafórico, político, ou até mesmo pessoal).

Para o Dia Internacional da Mulher, isso não é um tanto nojento, isso não é um tanto escroto, isso não foi além de uma simples charge ‘engraçadinha’ e se tornou um torpe, vil, ataque filhodaputa à toda e qualquer mulher?

Acima da minha ojeriza e repulsa pela pessoa de Dilma Rousseff e de sua política que já deixou de ser de esquerda há muito tempo (se é que algum dia realmente chegou a ser) está o meu profundo repúdio, a minha profunda náusea de repúdio, a esse vômito desumano, a essa merda desenhada, pretensamente humorada, machista e sugestiva de assassinato.

Talvez, por um outro lado, devamos agradecer ao GLOBO.

Pois ontem mesmo, postei sobre uma jovem na Arábia Saudita que, após ser estuprada por sete homens, ela foi condenada a receber 200 chibatadas e ficar presa por seis meses porque no momento do ataque ela mesma estava cometendo o imenso crime (abjeto pelos padrões sauditas) de estar dentro de um carro sozinha com um homem, um colega de estudos, que não era seu parente!

Alguns comentários ao post, horrorizados com a atitude do estado contra a jovem e às mulheres em geral, destacaram a falta de democracia e o machismo escroto, diferentes do Ocidente, onde a situação é um tanto mais aliviada, pelas mulheres terem conquistado algumas vitórias.

O que fiquei pensando é o quanto a ‘democracia’ ocidental consegue esconder suas perfídias. Sem dúvida, não há como comparar a situação de uma jovem adolescente na Arábia Saudita com uma jovem européia da mesma idade ou até mesmo no Brasil. Mas me pergunto se na tal democracia as formas de controle, de opressão, de violência, só mudam de sentido, de configuração. Afinal, a violência (a violência concreta, física, direta, além da ideológica ou da opressão midiática) só vem aumentando. As penalidades para as mulheres que tentam controlar seu próprio corpo (nas tentativas de realizar um aborto, de andar com roupas confortáveis, tal como os homens andam, de recusar a beijar ou acompanhar homens estranhos em ocasiões festivas) as penalidades vão desde às penais (ser presa por realizar um aborto) às sociais (conviver com maridos ou companheiros violentos que as reprimem e atacam cotidianamente) às ideológicas (ser tachada de ‘piranha’ ou de incitar ao estupro por ‘usar roupa indecente’).

Talvez a grande diferença é que as chibatadas árabes são sim realizadas aqui no tal Ocidente democrático. Só tomam outra forma, outros meios.

E talvez por isso devamos agradecer ao GLOBO. Por escancarar suas entranhas, por deixar claro o que pensa, por não usar sutilezas obtusas. Pela sua estupidez aberta, pela sua misoginia criminosa. Por desejar que as mulheres sejam tratadas, sejam presidentas, executivas, donas de casa ou jovens adolescentes, como realmente eles desejariam: de joelhos, implorando por suas vidas, prestes a serem degoladas.

 

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A volúpia da repressão

29 de janeiro de 2015

– Depois de manifestação pacífica, POLÍCIA MILITAR JOGA BOMBAS DE GÁS DENTRO DE ESTAÇÃO DO METRÔ –

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Além de tudo, existe a volúpia da repressão, da porradaria. Da expressão do poder físico através do prazer da violência. Não só o o treinamento, o condicionamento da inconsciência, da falta de sentimentos. Sim, a repressão precisa despersonalizar os corpos arrebentados, sufocados, presos, torturados, precisa vê-los (é treinada para isso) não como seres, mulheres ou homens, e sim como carne para ser batida, humilhada, pisoteada. Mas também é necessário que os agentes da repressão assassina, sinta (e solte, extravase) o seu sentido de prazer, de gosto. Bater, sufocar, prender, matar (a polícia militar paulistana é uma das forças de repressão mais assassinas do mundo, mata mais do que todas as forças policiais dos Estados Unidos) deve poder dar ao agente uma forma de gozo.

Truculência, destruição, falta de empatia, falta de consciência, e sadismo. Os elementos constituintes da força da repressão.

Os policiais militares soltaram bombas de gás DENTRO da estação de metrô, deu para entender? Pois eu estou até agora tentando absorver a notícia. A avalanche de policiais militares não seria suficiente para coibir os poucos manifestantes que se expressavam lá dentro?

Não. Porque a polícia militar quer sangue. O seu sangue. Não importa se de homens, mulheres ou crianças. Não importa quem estava na frente, dentro ou fora dos vagões, dentro ou fora da manifestação, dentro ou fora da estação. A polícia militar quer bater. Quer se divertir. Não importa quem está na frente, ou abaixo, do cassetete, quem está sendo sufocado pela fumaça da bomba de gás, seja homem, mulher ou criança.

 

http://mais.uol.com.br/view/e0qbgxid79uv/na-maior-parte-do-tempo-tranquila-manifestacao-acaba-em-tumulto-e-bombas-0402CC1A326AD4995326?types=A&

Auxílio-moradia para Juízes Federais? Em São Paulo, para sem-tetos, o ‘auxílio-moradia’ é Rua.

17 de setembro de 2014

Ministro do Supremo concede auxílio-moradia para todos os juízes federais.

Desculpe, peço licença para repetir isso para, quem sabe, absorver a notícia:

AUXÍLIO-MORADIA PARA OS JUÍZES FEDERAIS! TODOS OS JUÍZES!

Porque, segundo o Ministro do Supremo, “não é ‘justo’ que apenas uma parcela dos magistrados brasileiros receba os recursos. De acordo com a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), atualmente o auxílio é pago a juízes estaduais de 20 estados e varia de R$ 2 mil a R$ 4 mil.”

Enquanto isso, em São Paulo, 200 famílias, por volta de 800 pessoas foram despejadas para que especuladores continuem a especular com os prédios vazios! 200 famílias vão buscar auxílio-moradia na rua essa noite. E pelo resto de suas vidas, se depender da Justiça brasileira.

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os despejados de São Paulo e a lógica capitalista da felicidade

17 de setembro de 2014

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A lógica capitalista é simples, nem precisa muita matemática:

– prédio parado, abandonado há dez anos, no centro de uma das cidades mais caras do mundo, é ótimo para especulação, dinheiro para o dono;

– oitocentas pessoas morando neste prédio não proporciona o lucro para o dono do prédio;

– oitocentas pessoas precisam ser despejadas;

– o poder judiciário se rende à essa simples equação;

– o poder militar age para garantir essa equação;

– o dono fica feliz;

– as pessoas que ocupavam o prédio e que não terão nenhum lugar para ficar (a não ser ao ar livre) não ficarão felizes (mas isso não interessa ao poder judiciário, ao poder militar, ao poder do capital;

– perfeito, o prédio está pronto para ficar mais dez, vinte anos, parado, abandonado, rendendo lucro na especulação financeira imobiliária capitalista

e há os que aplaudem, delirantes de alegria com a eficiência do capitalismo paulistano

Eles riem. De nossa cara, de nossa pretensa democracia, de comissões de verdades. E continuarão rindo.

7 de setembro de 2014

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Eles riem dessa tal ‘democracia’, riem de nossa cara, riem.

Quando o Coronel Wilson Machado foi chamado para depor na Comissão da Verdade, esse grupo de pesquisas escolares sobre um período chamado de Ditadura Militar, ele protagonizou a reação perfeita, demonstrou a face da verdadeira relação de poder desta nossa assim chamada Democracia: ele riu.

Ele e o sargento Guilherme do Rosário iriam explodir uma bomba em um show de música popular em 1981, no Rio de Janeiro. A bomba explodiu no colo do sargento, que morreu, e o Coronel, então capitão, sobreviveu com ferimentos. Agora é Coronel. E a coitada da Comissão da Verdade quis que ele testemunhasse. Ele riu.

Riem. E continuam matando, perseguindo, torturando, escondendo provas, camuflando documentos. A estrutura da policia militar continua exatamente a mesma, suas práticas continuam as mesmas, o tratamento político e o desprezo às instituições civis continuam as mesmas. E os governos (todos os que vieram após a restauração das ditas ‘estruturas democráticas’ de direito que são tão constantemente desrespeitadas) todos assumem a característica de se abster e de não se aventurar em mexer em vespeiro. Todos tiveram e todos têm medo. E não há perspectiva nenhuma de que isso mude com quaisquer outros que estão por vir.

Porque o riso e o escárnio não precisam ser demonstrados somente por gargalhada ou pela face despreocupada do Coronel Wilson Machado. O riso e o escárnio rolam fácil, direto e reto nas periferias brasileiras, nas mortes diárias de pessoas colocadas à margem da sociedade, na postura racista e prepotente (reflexo de nossa sociedade racista, prepotente), nas salas de tortura das delegacias, na repressão às manifestações de rua, na criminalização das manifestações de rua, no desprezo de comissões de debate que penam buscar a tal Verdade (acredito na sinceridade dos membros dessa comissão, mas duvido que eles mesmos acreditem que alguma coisa será mudada; eles continuam e merecem nosso respeito; gostaria de acreditar que algo acontecerá por conta disso).

Enquanto isso, comemoremos nossa Independência, é isso?

Enquanto isso, façamos nosso dever cívico e marquemos cruzinhas, ou apertemos botôes em urnas, e satisfaçamos a fachada democrática é isso? E fiquemos satisfeitos, pelo menos até a próxima eleição, não é mesmo? Pois exercemos nosso dever.

Enquanto isso eles continuam rindo.

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ministro-da-defesa-defende-comandante-do-exercito,1553811

 

Globo julga e condena os novos ‘subversivos; ‘Esquerda’ comemora

23 de julho de 2014

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Vozes de esquerda que usam reportagens da Globo, Veja, Folha de São Paulo, para atacar os manifestantes presos, e desta forma, referendar a forma de sua prisão e a criminalização, não, a Demonização, dos movimentos de liberdade de expressão. Gravações eletrônicas de conversas telefônicas liberadas a bel prazer para o Jornal Nacional!, e tomadas como provas de que Sininho, Eloisa e os demais fazem parte de uma verdadeira organização terrorista. Foi dito na Globo. Portanto, deve ser verdade, certo?

As mesmas vozes que são tão críticas e lúcidas, que pregam a desconfiança e o mínimo de ‘pé atrás’ quando se trata desses veículos de ‘informação’ e, realmente, no geral, conseguem separar o quanto há informação ‘séria’ e o quanto de grosseira manipulação de dados descolados de contexto e ideologicamente recortados. Sininho, Eloisa e os demais só não foram comparados à Osama Bin Laden porque ninguém pensou nisso, ainda. Ou, talvez, Bin Laden já esteja demodè, ultrapassado, uma velharia. A novidade talvez seja os Novos Terroristas Brasileiros e quaisquer semelhanças com o modo como agiam os órgãos de repressão e de ‘informação’ de tempos ditatoriais, são (muito convenientemente) esquecidas e deixadas de lado.

Decepção? Não, exatamente. Dizer ‘decepção’ implicaria que, em algum momento, eu teria pensando que poderiam agir e pensar diferente. Nesse sentido, não estou ‘decepcionado’. Mas, confesso um certo grau de … frustração. Poderiam ser mais contidos, poderiam ser mais circunspectos, poderiam baixar o tom de comemoração com que ‘os terroristas’, os ‘iludidos’, os ‘subversivos’ estão sendo punidos.

Punidos! Porque a Globo, afinal de contas, já decidiu que eles são culpados. Na verdade, porque perder tempo em prendê-los ‘preventivamente’, depois recusar habeas corpus, e depois só depois julgá-los, passar Todo o tempo de julgamento, apresentação de ‘provas’, argumentos e contraargumentos, se o Jornal Nacional (e as tais vozes de esquerda) já decretaram que são culpados, de que organizaram a explosão do maracanã, a morte de milhares de palestinos e a queda do avião da Malásia?

Não acho que Elisa Quadros seja uma santa ou uma completa inocente ingênua, e não sei se ela é uma subversiva proto-terrorista internacional. Eu tendo a crer que não, mas isso é puramente um pensamento meu, à espera de que ela, Elisa e todos os demais tenham um Julgamento, e daí uma resposta jurídica legal. E não um linchamento midiático comandado pelo William Bonner e seguido por vozes outrora inteligentes e críticas, outrora de esquerda.

O texto de Mônica Mourão é um excelente material de reflexão e serve muito bem como aporte para discussão. Para os que ainda possuêm a pretensão de montar um pensamento independente.

http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/culpados-ate-que-se-prove-o-contrario-2643.html

azul nas calçadas do Rio

16 de julho de 2014

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Ainda há resquícios de azul

nas calçadas do Rio de Janeiro.

A fumaça azul das bombas de gás especiais

metabolizou e se agarrou

nas calçadas do Rio de Janeiro.

O novo terror mudou de cor, agora é azul, e não larga

das calçadas do Rio de Janeiro.

O azul, dizem alguns passantes, está mais difícil de limpar

do que o sangue vermelho de manifestantes,

do que a consciência esbranquiçada de governantes,

do que a falta de consciência dos policiais militares

que chutam cabeças de jornalistas caídos

nas calçadas do Rio de Janeiro.

 

O azul é o sinal, a cor-símbolo dessa deliciosa nova democracia.

É psicodélico, é moderno. É bonitinho.

 

Por favor, não apaguem esse azul. Não lixem essa lembrança,

pois nada mais foi deixado de lembrança,

os carros estão circulando de novo,

os passantes estão passando de novo,

e o vermelho já foi lavado.

Permitam que este seja o mais novo recordatório carioca,

tal como um maracanã novinho, novinho,

tal como um cristo redentor velhinho, velhinho

(embora, emoldurado pelo sol de final de tarde vermelho-alaranjado).

Mas estamos cansados de vermelhos-alaranjados.

Vermelhos-alaranjados estão ultrapassados, são old style.

 

No entanto, eu compreendo.

Do azul das bombas de gás especiais

das calçadas do Rio de Janeiro

sobraram somente resquícios

e algumas fotos.

E, logo logo, até mesmo estes pequenos vestígios azuis

acabarão encobertos e esquecidos.

 

Até explodirem e azulejarem novas e fresquíssimas calçadas.

Não faltarão calçadas.

Nem azuis, nem laranjas, nem pretos cassetetes

(os cassetetes são pretos?).

Não faltarão calçadas.

 

(claudinei vieira)

 

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Democracia sitiada, cercada, espezinhada, destruída, reprimida. Sufocada. Aprisionada. Aprisionada.

14 de julho de 2014

 

A verdadeira ‘democracia’ no Brasil se instalou e você, tolinho, nem percebeu.

Vá. Exerça sua democracia. Só não erga a voz, nem ouse falar em público, nunca cogite montar uma manifestação, não pense em pensar, não saia de passeata, não conteste, não proteste, não reaja, sequer respire (mesmo porque, não conseguiria com a fumaça da bomba de gás ou o spray de pimenta na cara).

Fora isso, viva feliz em sua democracia.

Os verdadeiros campeões!

Olhe e ouça: o que acontece (ou o que acabou de acontecer) dentro do campo e do gramado NÃO TEM A MENOR IMPORTÂNCIA.

Pois o Estado Sem Direito se impôs e se consolidou. Enquanto você se ufanava ou se agoniava com bolas diversas.

Não, para mim não basta votar. Eu quero ter o direito de expressar isso na rua também. Eu quero ter o direito de sair em passeata e quero ter a esperança de não ser espancado por isso. Isso não é tumulto. Ao contrário, é plena democracia! A força policial do dia 13 de Julho de 2014 não esteve ali para tomar conta da democracia, foi para espancar qualquer possibilidade ou espaço de expressão, de qualquer espécie. E os babacas que vaiaram a presidenta no estádio, bueno, sobre isso duas coisas: isso pode ser feio, bobo e mal-educado, e inclusive ridículo, mas mesmo isso é uma forma de expressão. E, em segundo, eles não tinham absolutamente nada a ver com as pessoas que estavam sendo espancadas do lado de fora.

E quebra-quebra? Caos na cidade? Qual foi o quebra-quebra de hoje, fora o dos cassetetes e das bombas de gás?

Democracia sitiada, cercada, espezinhada, pisada, destruída, reprimida.

Sufocada.

Aprisionada.

Aprisionada.

Data: 13 de julho de 2014. Local: Final da Copa.

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Afinal, o Gigante acorda, indignado, revoltado contra a violência

4 de julho de 2014

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Não!! É agora que o Brasil se agoniza, se revolta, vai explodir! A violência atinge um nível inesperado. Você podia até pensar que poderia ser pelas várias e brutais repressões à toda e qualquer manifestação. Podia até ser no caso da garota desarmada e covardemente espancada pelo policial de tropa de choque. Podia até ser mesmo pela fraude das provas forjadas para prender pessoas inocentes e trancafiadas até agora. NÃO! O pior é que Neymar foi agredido! (e nem foi pela Polícia Militar, nem por bombas de gás, nem por balas de borracha que estão rodando à solta por este país tão democrático), e mais que pior, mais que horroroso, mais que terrível, treva das trevas (e nem estou falando da nova ditadura instaurada), o novo apocalipse:

NEYMAR ESTÁ FORA DA COPA!

O Horror! O Horror! O Horror!

E se o feicibuque, assim como todas as demais redes sociais, estavam insuportáveis, agora então…

e ah, obviamente, o mais novo vilão a ser execrado nacionalmente não será um policial militar psicopata, nem um governador ditadorial, nem mesmo presidentes nacionais impassíveis com a violência a rodo a sua volta, mas um jogador de futebol violento…

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A Carne da Praça Roosevelt

2 de julho de 2014

 

Dia 01 de Julho: A noite do ataque.

Uma reunião ao ar livre, reunindo algumas centenas de pessoas, com mesas abertas e discussões, pedindo o fim da prisão arbitrária de ativistas, ocorridas há poucos dias.

Não houve passeata, não houve quebra-quebra, não houve blackbostas, não atrapalhou ruas, não fechou acessos.  O único propósito explícito, escancarado, descarado, da presença da Polícia Militar, com tropa de choque, cavalos, e tudo, foi a da repressão, pura e simplesmente, da democracia, da liberda1048de de expressão, da garantia de integridade do ser humano. Neste dia 01 de julho, a Polícia Militar declarou, com suas ações, que não há Democracia nesta parte do sistema político brasileiro. Neste momento, quem manda em São Paulo é a POLÍCIA MILITAR. Ordenada pelo governo estadual, referendada pela prefeitura, consentida pelo presidência.

Seis pessoas presas, algumas espancadas até à inconsciência, revista insultuosa de mochilas e pessoas, falta de identificação de qualquer policial, filmagem agressiva dos manifestantes, sem nenhuma provocação, sem nenhum tumulto, sem nenhum motivo. E, mesmo assim, houve as prisões, houve o cerceamento, houve a tortura psicológica, houve as pancadas, e houve explosão de bomba de 103_ngás. Se tudo não degenerou para a porradaria ainda pior costumeira, foi pela organização do evento que conseguiu acalmar e equilibrar a indignação dos presentes para não cairem na provocação dos policiais e poderem continuar as discussões.

Quem puder não ver, não veja; quem puder não ouvir, não ouça. Mas entenda, nada disso acaba aqui. Entenda, o pior sequer começou. Só está se instalando. Ou melhor dizendo, só está assumindo que já instalado.

O antigo pretexto de se manter a ordem para garantir a realização da Copa do Mundo é agora somente uma desculpa de luxo. Entenda: daqui para frente (se algo realmente sério não acontecer para impedir) Qualquer manifestação será proibida, de atos de contestação a churrasquinhos com amigos; Qualquer aglomeração será perigosa; Qualquer pensamento será subversivo. E a querida plateia, que aplaude e goza abertamente, ou os que sorriem pra si mesmos às escondidas, seja de qual partido ou agremiação política que for, deveria saber que quando a Besta-Fera se instala, se acomoda e aprende a comer carne, é carne e sangue que quererá continuar comendo. E carne não tem diferenciação de partido ou agremiação política.

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COPA DAS TROPAS

18 de junho de 2014

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É isso.
No Cambuci, em São Paulo, famílias comemoravam o resultado do jogo do Brasil. Famílias faziam o que era comum acontecer em dia de jogo do Brasil, em qualquer campeonato, principalmente em Copa do Mundo. Festejavam. Se divertiam. Haviam pintado ruas, pendurado bandeirinhas.
Não pode mais. Não se deve mais. A não ser que a PM goste. E a PM não gosta. Não o povo.
Polícia Militar está gostando do clima. Agora não estão parando mais. É como vício. Precisa bater. Precisa reprimir. Aliás, como sempre foi. Como sempre fizeram. A diferença está sendo a ampla divulgação, a exposição. Não estão com vergonha de mostrar o que sempre cometeram.
No Cambuci, em São Paulo, não era manifestação, não era protesto, era festa.
“depois das 22h não tem festa, som aqui tá proibido”, disseram.
E contra som alto, como todo mundo sabe, como a PM sabe, a única atitude, a única providência, é bater, atirar balas de borracha, jogar bombas de gás.
É isso.
Copa das Copas.
Copa das Tropas.

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http://bit.ly/1uDBwt1

‘Confronto’: A palavra.

7 de junho de 2014

‘Confronto’ é uma palavra muito bacaninha. Muito requisitada em momentos quando meigas forças de repressão, como a PM durante a madrugada contra a greve dos metroviários, por exemplo, fazem o seu melhor. Principalmente contra grevistas e manifestantes malvados e agressivos. ‘Confronto’. No uol: “PM entra em confronto com funcionários do Metrô”.

Claro. Como sempre.

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Favela do Moinho. 20 de setembro de 2012. A especulação imobiliária vigia e goza.

21 de setembro de 2012

A imagem não diz tudo? A imagem é insuficiente? Então, permitam-me acrescentar:

Morram.

Morram queimados. Em um dos vários incêndios, das dezenas que, ‘por coincidência’, estão acontecendo em seguida em São Paulo. Se do fogo escapar, morra no SEGUNDO incêndio. E se mesmo assim sobreviver, que seja impedido de retomar sua vida, que os guardas, policiais, os funcionários da ordem e da manutenção do bem público (desde que, bem entendido, por Bem Público não esteja se referindo aos Seus bens ou a sua Vida) estejam a postos para para impedir que reconstrua seu miserável barraco.

Morram. Pelo descaramento, pela desfaçatez, pela Ousadia de tentar existir ao lado de terrenos valorizados. Que valem Dinheiro. E sua presença está impedindo que eles continuem ganhando Dinheiro.

São Paulo está queimando. Está sendo higienizada. Purificada pelo fogo. Por uma das gestões mais bizarras, irresponsáveis e (se revelando cada vez mais) criminosas que esta cidade já teve (e olha que São Paulo é especialista em políticos bizarros e catastróficos).

São Paulo queima. E a especulação imobiliária ri, agradece, vigia e goza.

ps – para acrescentar mais um toque de bizarrice, veja-se esta página da Globo online: noticia a ação da Guarda Civil Metropolitana de impedir os favelados de reconstruírem seus barracos na Favela do Moinho e coloca do lado uma caixinha de marketing imobiliário… Chamar de ‘ato falho’ é pouco, muito pouco.

 

 

Documentos Revelados: LISTA DE TORTURADORES

6 de setembro de 2012


“Por Aluizio Palmar · 28 de janeiro de 2012 (atualizada em 10 de agosto de 2012)

A tortura, como os demais atos violadores dos direitos do homem, concretamente ou em potencial, representa um ataque e uma ameaça genérica.

No Brasil, a tortura, com o apoio de largos setores civis que serviram de base de sustentação da ditadura, foi o método preferencial de investigação. Esta prática impune ainda subsiste e deve ser denunciada, combatida e os torturadores devem ser punidos de acordo com a Lei.

A lista abaixo é resultado de um trabalho coletivo executado pelos sobreviventes do período da ditadura, com a colaboração de entidades que atuam em defesa dos direitos humanos.”

LISTA DE TORTURADORES

 

 

O preço da vida em Pinheirinho

3 de setembro de 2012

 

Qual o preço da vida? Qual é o preço mínimo por seres humanos? Não falo de Custos ou de manutenção mínima de condições de sobrevivência. Digo do valor númerico, financeiro, em reais, para que uma pessoa tenha o direito a existir. Melodramático? Por mais macabra ou até mesmo um tanto tétrica a pergunta possa parecer, talvez possamos ter agora uma idéia mínima da resposta, em Pinheirinho.

187 milhões. Para começar. 187 milhões é o valor calculado para o leilão do terreno em São José dos Campos conhecido como Pinheirinho cuja reintegração de posse expulsou (em um show pirotécnico de violência, brutalidade e insensibilidade explícitas) centenas de famílias, mais de seis mil pessoas, diretamente para a rua.

Sem dúvida há toda uma série de fatores e cálculos plenos, legais, econômicos, históricos, que explicam e justificam a determinação deste número e que, por ser um leilão, imagino, seja somente o lance inicial. É muito dinheiro. Mais do que consigo conceber e entender, na verdade. Servirá para pagar dívidas do município, ajudará organizar a massa falida do cidadão Naji Nahas, e sei lá para onde mais. Ou para quem.

Foi um processo complicado chegar a esse leilão, pois para atrapalhar todo o intercurso natural capitalista havia um incômodo tremendo: Pessoas. Mais de 6.000. Que foram somente vistas e reconhecidas enquanto eram um incômodo. Agora voltaram ao estado ‘natural’ das pessoas pobres: escondidas, invisibilizadas, esquecidas. Não são mais incômodas, não são mais importantes. O terreno é mais importante. O lucro que se auferir do terreno é mais importante e vale a pena pagar por vidas.

187 milhões (alguém poderia dividir esse valor por seis mil?) é o valor inicial pela vida humana em Pinheirinho.

ps – o meu amigo Danilo Ferretti me dá um toque pelo Facebook:  “e constroe-se o silêncio em torno….”

– “Eliana Calmon recua e arquiva ação contra juízes do Pinheirinho; advogados, perplexos, vão recorrer

“Em junho, Eliana Calmon recebeu moradores e advogados do Pinheirinho. Todos estão surpresos com a decisão de ela arquivar a ação, logo após ter cobrado explicações dos juízes.
por Conceição Lemes

Seis dias após a Corregedoria Nacional de Justiça decidir cobrar explicações dos juízes envolvidos na violenta desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, SP, a ministra Eliana Calmon mandou arquivar tudo nessa sexta-feira 24. A Corregedoria é um dos órgãos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Calmon é a Corregedora Nacional de Justiça.”

http://www.viomundo.com.br/denuncias/eliana-calmon-recua-e-arquiva-acao-contra-juizes-do-pinheirinho-advogados-perplexos-vao-recorrer.html

Mais um passo do massacre, sua efetivação: soterre-se pelo esquecimento.