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E o pastor diz: Os culpados pelo furacão Sandy? Os Gays, claro!

31 de outubro de 2012

 

Até que demorou: pastor norte-americano descobre e anuncia quem são os verdadeiros culpados pelo furacão Sandy: os gays!

Os Estados Unidos é um país onde pululam e se multiplicam os Malafaias (com muito maior poder econômico e de divulgação em rádios e tvs). Assim como no Katryna e nos mais diversos tipos de desastres e tragédias naturais que acontecem pelos Estados Unidos, as vertentes fanáticas religiosas fundamentalistas norte-americanas são pródigas em apontar que estes são verdadeiros castigos divinos pelos pecados cometidos.

Talvez a única diferenciação no que o pastor John McTernan diz é o fato de ser tão específico: ele já vinha ‘alertando’ dos perigos que a campanha eleitoral presidencial e advertia os candidatos, tanto Obama quanto Romney, de estarem se aproximando demais dos movimentos gays, portanto vide os furações Isaac e Katryna e agora o Sandy: “Deus está sistematicamente destruindo os Estados Unidos”. O fato dessa ‘tempestade monstruosa ter alcançado os Estados Unidos e estar prestes a inflingir sérios danos durante a semana de eleições não é uma coincidência.”

Outro fato que também não é coincidência (e esse aponto eu) é que, impressionantemente, fanatismo, estupidez e preconceito sempre andam juntos. Independente de tempestades e furacões.

 

http://www.salon.com/2012/10/29/pastor_blame_gays_for_hurricane_sandy/

 

 

 

 

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Trilogia do Invisível, de Eric-Emmanuel Schmitt: fábulas modernas de religiões modernas

16 de julho de 2012

 

Eric-Emmanuel Schmitt é um fenômeno editorial na França e em todo o mundo, dramaturgo, escritor, roteirista e sua famosa “Trilogia do Invisível” vendeu mais de meio milhão de livros, foi traduzido para dezenas de países, foi adaptada para o teatro e cinema.

Três histórias que tem como eixo as principais religiões da humanidade. “Milarepa” (Budismo), “Seu Ibrahim e as flores do Corão” (Islamismo), “Oscar e a Senhora Rosa” (Cristianismo). São contos, pequenas fábulas que, de certa forma, nos remetem de imediato a outras obras que também tiveram bastante repercussão e que se tornaram referências, como “O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder, que mostra a história da filosofia através de perguntas existenciais dirigidas à adolescente Sofia, e “A viagem de Théo”, de Catherine Clément, um amplo painel das religiões no mundo atual por meio da história de um garoto que faz uma viagem ao redor do mundo em busca de uma cura para seu câncer. O que liga estas obras é o seu sentido diretamente paradidático: o enredo é construído como um pretexto para transmitir lições específicas. Tanto que, num caso, as lições de filosofia são verdadeiros capítulos em separado e, no outro, a apresentação das tendências religiosas são aulas dirigidas para o garoto e o leitor.

Schmitt faz um trabalho bem diferente e muito mais rico. Não há um sentido didático específico. As idéias religiosas estão internalizadas pelo contexto do enredo e dos personagens. Em vez de falar sobre reencarnação, uma história cujo eixo é o final do ciclo de uma vida comum que tem relações com um antigo mestre budista; em vez de falar das diferenças entre os árabes e muçulmanos, a história da convivência de um garoto judeu com velho árabe simpático, dono de uma mercearia na moderna Paris; em vez de falar sobre os propósitos indefinidos de um Deus abstrato, a relação cara-a-cara de um menino prestes a morrer com um Deus vivo e próximo. Em vez de lições, exemplos de vida, práticos e ligados ao nosso cotidiano contemporâneo. Tudo embalado por uma prosa simples, delicada, aliciadora. A “mensagem” torna-se, assim, mais poderosa. Dá para entender por que fez tamanho sucesso.

O que não quer dizer que os resultados sejam de uma qualidade constante. Os resultados são até meio que irregulares. ‘Milarepa‘ é, de longe, o mais fraco. Talvez justamente por que essa proximidade não esteja tão acentuada quanto nos demais. Apesar de começar com Simon, um rapaz parisiense que toma seu cafezinho todo dia, mas cujo rotina é interrompida por conta de um insistente sonho que atravessa suas noites onde ele é um homem esquisito repleto de um imenso ódio por alguém. Uma estranha senhora interpreta o sonho e conclui que ele é a encarnação do tio de um antigo místico budista chamado Milarepa. O sonho revela o modo como Milarepa passou de herdeiro prepotente de uma rica família para uma existência de abnegação, renúncia e sabedoria e como seu tio o perseguiu quase até à morte. A roda das existências do tio só terminaria quando ele tivesse contado sua história cem mil vezes. Simon só espera, então, que esta seja sua centésima milésima vez.

Para ler ‘Oscar e a Senhora Rosa‘ é preciso ter um lenço à mão, pois esta história é feita sob medida para fazer chorar. A história é tão melosa, melodramática mesmo, que com outro autor seria insuportável. Ainda bem que Schmitt consegue conter a mão e o livro acaba como que iluminado por uma delicadeza e emoção tais que somos rendidos pela força do escritor.

Pois Oscar está morrendo de um câncer terminal. Nestas condições, como pensar em coisas absurdas como o amor de Deus, sua onipresença e tudo? A vovó-rosa, a senhora que visita as crianças no hospital faz uma sugestão: escrever para Deus, contando de suas angústias, reclamações e até pedidos. Oscar a princípio fica desconfiado, mas concorda. Os capítulos do livro são as cartas que Oscar vai escrevendo. E, aos poucos, ele vai reconhecendo Deus em pequeníssimas coisinhas do dia-a-dia, as limitações e fraquezas das pessoas ao seu redor, até dos seus próprios pais, descobre o amor e a amizade. Tudo em doze dias, uma vida inteira e completa em doze dias, que é o tempo que lhe resta. A lição de amor e confiança que Oscar transmite provoca em nós, leitores, uma curiosa inversão: tal qual seus pais, o médicos, as enfermeiras e até a Senhora Rosa, somos tocados pela força que emana dessa criança de dez anos, ou cento e dez anos. O final é de rasgar o coração de qualquer ser sensível.

Falo por último do segundo livro, ‘Seu Ibrahim e as Flores do Corão‘, por este ser o melhor de todos, sem as fraquezas narrativas do primeiro e sem os exageros melodramáticos do terceiro. Seu Ibrahim é um velho árabe dono da mercearia que se aproxima de Momô, de doze anos, por causa de uma situação extraordinária e inusitada. Na verdade, eles já se “conheciam”, pois Momô costumava roubar latas de conserva quando o árabe se distraia. Momô presencia o momento quando, em um quente dia em Paris, Brigitte Bardot interrompe uma sessão de fotos que estavam sendo feitas no bairro para comprar uma garrafa de água… justamente na mercearia do árabe! E quando vai pagar, ele cobra quarenta francos. O menino e Brigitte se assustam, pois o preço normal era dois francos. A água não era rara; as verdadeiras estrelas, sim, diz o velho com um charme impressionante, a ponto de embaraçar a atriz.

Custei a acreditar.
– Puxa, seu Ibrahim, que cara-de-pau!
– Pois é, meu pequeno Momô, preciso compensar todas as latas que você anda afanando de mim.
Foi nesse dia que ficamos amigos.”

A inusitada amizade adquire uma profundidade insuspeitada, que mudará a vida do garoto, do velho e do leitor. Saberemos que as aparências são enganadoras demais: Momô, afinal, não é seu nome: é Moisés; o árabe, afinal, não é árabe, é muçulmano; aliás, não qualquer muçulmano, mas sufi (e o garoto fica pensando que doença é essa). Pelas brincadeiras, pelo uso do Corão, que nunca vemos nem lemos, mas cujos preceitos acabam sendo aplicados diretamente na vida cotidiana, pela descoberta de uma inteligência interior, pelo uso do sorriso como atitude básica… Amizade acaba se tornando uma palavra muito fraca para descrever seu relacionamento. Lirismo, ternura, inteligência, humor… Seu Ibrahim é uma das maiores figuras da literatura mundial. Eric-Emmanuel Schmitt aqui se torna simplesmente sublime.

‘A Trilogia do Invisível’ vai para além dos seus contextos e objetivos religiosos e místicos; não é necessário ser praticante de uma das dessas religiões (ou quaisquer outras) ou rejeitá-la de imediato por ser ateu (como eu), para apreciar a força da escrita de Eric-Emmanuel Schmit e ficar embalado pela beleza da narrativa. Basta ter sensibilidade e ser humano.

Omar Shariff na adaptação de ‘Seu Ibrahim e as Flores do Corão’

“O Monstro do Lago Ness é a ‘prova’ de que a Evolução não existe.” Sandices assim são ensinadas em escolas norte-americanas!

25 de junho de 2012

 

O Monstro do Lago Ness é a prova definitiva de que a Teoria da Evolução está completamente errada! É o que vai ser ensinado em livros escolares de ensino fundamentais e médio nos Estados Unidos, de inspiração cristã, nesse período letivo que vai começar agora.

Estes livros seguem uma espécie de currículo escolar cristão (Accelerated Christian Education), que em Biologia diz mais ou menos o seguinte:

Os dinossauros estão vivos até hoje? Os cientistas estão cada vez mais convencidos de sua existência.

Você já ouviu falar do ‘Monstro do Lago Ness’, na Escócia? O monstro, de apelido ‘Nessie’, já foi detectado pelo sonar de um pequeno submarino, descrito por testemunhas oculares, e fotografado por outros. Nessie aparenta ser um plessiossauro.

Pode um peixe ter evoluído para um dinossauro? Por mais espantoso que pareça, muitos evolucionistas teorizam que os peixes evoluíram para anfíbios e anfíbios para repteis. Essa mudança gradual de peixes para repteis não tem base científica. Nenhum fóssil de ‘transição’ foi encontrado e nunca será porque Deus criou cada tipo de peixe, anfíbio e réptil como um animal único e separado. Quaisquer similaridades que existam entre eles são devidos a que foram formatados por um mesmo Artífice-Mestre‘. Extract from Biology 1099, Accelerated Christian Education Inc. (1995)

O ‘currículo’ é abrangente e, apesar de não haver propriamente nenhuma novidade em suas proposições nem sua orgulhosa postura de ignorância arrogante e explícita, além de mentirosa e caluniadora, não deixa de ser chocante vários outros de seus ‘princípios’, como “A Ciência prova que a homossexualidade é um comportamento aprendido“, “Humanos e Dinossauros co-existiram“, “A Fusão Solar é um mito“, “um barco baleeiro japonês encontrou um dinossauro“, entre outros, além do já conhecido “Foi provado cientificamente que a Evolução não existe“.

Mostra o quanto o embate entre o conhecimento científico sério e a educação estão sendo solapados. Dizer que os Estados Unidos estão se tornando uma nação fundamentalista não é somente uma força de expressão.

Por mais chocante e impressionante que seja a cegueira e a ignorância religiosas, tudo fica ainda mais repugnante por saber que esses ‘ensinamentos’ estão sendo dirigidos para a educação (lavagem cerebral?) de crianças que, por duras penas sofrerão para conseguir encontrar algo de sensato nessas sandices.

Ou se tornarão elas mesmas propagadoras da ‘verdade divina’ de que a Evolução não existe. E a prova disso é o Monstro do Lago Ness…

 

http://www.salon.com/2012/06/19/shocking_christian_school_textbooks_salpart/singleton/

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1228111-5603,00.html

 

Museu Criacionista em Kentucky, EUA, com sua ‘visão’ bíblica da pré-história: o mundo tem somente seis mil anos de idade e adão e eva e seus amiguinhos pré-históricos convivem com dinossauros

 

 

O mico da Igreja Ortodoxa Russa

16 de abril de 2012

Um relógio supercaro e de muito mau gosto, pode incomodar as pessoas. E um photoshop porco só piora a situação.

O mico da vez foi com a Igreja Ortodoxa russa, a rígida instituição religiosa que está sofrendo uma série de críticas por suas posturas e políticas retrógradas tanto quanto por uma exibição de riquezas pessoais incompatíveis com os supostos rendimentos que seus membros apregoam. Bueno, por estes dias um dos patriarcas apareceu no site da instituição usando um belíssimo e caríssimo relógio de ouro (segundo a reportagem do New York Times, o valor do relógio chega a 30.000 dólares!). Os editores do site, prevendo que aquilo poderia dar buchicho fez uma gracinha simples: escondeu o relógio, aumentando a manga e cobrindo a jóia. Procedimento maroto, mas tecnicamente muito fácil de se fazer nos dias de hoje.

O detalhe é que simplesmente esqueceram de apagar o reflexo do relógio que aparece no tampo da mesa.

Outro detalhe delicioso é que, logo antes que os sites começassem a divulgar o mico ortodoxo, o patriarca em questão ficou dizendo para jornalistas que nunca ele tinha usado o tal relógio que algumas pessoas insistiam ter visto na tal foto, antes que ela fosse mudada.

Diante disso, a Igreja fez um mea culpa público e restaurou a foto original, e está o patriarca usando o relógio de trinta mil dólares, na boa.

Milagres daquela semana santa: aparece relógio, desaparece relógio, usa relógio, não usa relógio, tem trinta mil dólares para pagar em um relógio, não tem trinta mil, e aí por diante.

http://www.nytimes.com/2012/04/06/world/europe/in-russia-a-watch-vanishes-up-orthodox-leaders-sleeve.html?_r=2&hp

 

 

Comunidade gay pede ‘desculpas’ pelo adultério de senadora cristã norte-americana

24 de dezembro de 2011

A senadora cristã Amy Koch, de Minnesota, EUA, uma das mais ardorosas defensoras de ‘valores familiares cristãos’ e líder anti-casamento gay no seu Estado (chegou a propor um projeto de lei para a constituição do seu Estado de que somente o casamento entre um homem e uma mulher poderia ser validado e reconhecido) está passando por uns problemas ‘domésticos’, digamos assim: pega no flagra tendo um caso com um funcionário subalterno, também casado, ela se retirou do cargo de líder da casa e já garantiu que não concorrerá à reeleição.

Inclusive houve uns boatos de que teria havido um ingrediente de assédio moral e sexual, por parte dela.

Isso por si só já seria o suficiente para uma boa discussão sobre o nojento falso moralismo destes ditos ‘valores cristãos’ que grassam pelo mundo, particularmente virulentos em terras norte-americanas. No entanto, eu não estava em verdade interessado em repisar em mais um exemplo de hipocrisia moral institucional de que os Estados Unidos são fartos, nem sinto vontade em me divertir sadicamente em espezinhar o inferno doméstico que a dita cuja senadora deve estar passando.

O melhor de tudo mesmo foi a carta aberta endereçada à senadora escrita por um membro da comunidade gay local. John Medeiros escreveu um hilariante ‘pedido de desculpas’ em nome dos gays de Minnesota por ter contribuído para a crise dos casamentos ‘tradicionais’:

“Estamos envergonhados por termos causado isso que a mídia está se referindo como ‘relacionamento ilícito’ com o seu empregado, o qual também estendemos a ele e a sua esposa nossas mais profundas desculpas. Estes recentes eventos deixaram muito claro que as nossas táticas gays e lésbicas foram longe demais, afetando inclusive as pessoas mais respeitáveis de nossa sociedade.”

Esse trecho é sensacional: “Perdoe-nos. Como você sabe, nós não somos
pessoas-de-Igreja, então não estamos aptos a compreender completamente o quanto o ‘casamento gay’ é incompatível com os valores cristãos, apesar do fato destes valores carregarem uma tradição bíblica de adultério, assim como o seu. Felicitamos-lhe por continuar mantendo essa tradição”

E aí por diante. Para os que porventura pensem que a carta é um puro exercício de crueldade pelos problemas da senadora, há outro trecho (talvez o melhor) que discute a questão do casamento ser de foro íntimo ou público, mas não quero que dependam da minha tradução capenga, reproduzo a carta original abaixo. A ironia fina, mesmo que acompanhado pelo sarcasmo pesado, trata de assunto profundo de forma bem séria, no final das contas, e faz desse texto um dos melhores que já li.

Dear Ms. Koch,

On behalf of all gays and lesbians living in Minnesota, I would like to wholeheartedly apologize for our community’s successful efforts to threaten your traditional marriage. We are ashamed of ourselves for causing you to have what the media refers to as an “illicit affair” with your staffer, and we also extend our deepest apologies to him and to his wife. These recent events have made it quite clear that our gay and lesbian tactics have gone too far, affecting even the most respectful of our society.

We apologize that our selfish requests to marry those we love has cheapened and degraded traditional marriage so much that we caused you to stray from your own holy union for something more cheap and tawdry. And we are doubly remorseful in knowing that many will see this as a form of sexual harassment of a subordinate.

It is now clear to us that if we were not so self-focused and myopic, we would have been able to see that the time you wasted diligently writing legislation that would forever seal the definition of marriage as being between one man and one woman, could have been more usefully spent reshaping the legal definition of “adultery.”

Forgive us. As you know, we are not church-going people, so we are unable to fully appreciate that “gay marriage” is incompatible with Christian values, despite the fact that those values carry a biblical tradition of adultery such as yours. We applaud you for keeping that tradition going.

And finally, shame on us for thinking that marriage is a private affair, and that our marriage would have little impact on anyone’s family. We now see that marriage is more than that. It is an agreement with society. We should listen to the Minnesota Family Council when it tells us that marriage is about being public, which explains why marriages are public ceremonies. Never did we realize that it is exactly because of this societal agreement that the entire world is looking at you in shame and disappointment instead of minding its own business.

From the bottom of our hearts, we ask that you please accept our apology.

Thank you.
John Medeiros
Minneapolis MN

– http://www.lgbtqnation.com/2011/12/minnesota-gay-community-apologizes-to-gop-adulteress-for-ruining-her-marriage/

– http://www.inquisitr.com/171645/amy-koch-gay-marriage-opponent-gets-apology-letter-from-lgbt-org-after-her-affair/