rastros do poema

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o poema corrói por dentro

luta para se libertar da cela do peito

e quando sai

quando se explode

quando se realiza

e se apresenta como medida universal de translucidez

ou mero canal de comunicação entre a rua e a alma

deixa rastros

(no mínimo, o corredor estreito do túnel da saída)

 

deixa rastros

uma trilha ensanguentada

de restos carcomidos pelo caminho

 

deixa rastros

de pedaços aleatórios de humanidade

e ideias frustradas, de emoções caladas,

de sentidos espalhados, de ilusões abafadas

 

deixa rastros

talvez até mesmo, inadvertidamente, o melhor do poema

que não teve capacidade, força, ou coragem

de romper o peito

 

deixa rastros

cicatrizes

 

nenhum poema, quando poema, sai incólume

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