Posted tagged ‘Fotografia’

foto erótica, de antes

1 de julho de 2014

Certa vez, passei os olhos por uma foto maravilhosa – uma foto tripartida, três imagens de uma mulher semi nua em movimento, banhada por uma iluminação sóbria, quase escura, de um erotismo explícito, sem ser agressivo. Eu ainda era jovem o bastante para prestar atenção somente no detalhe da semi nudez, sem perceber que o erotismo não provinha de pele descoberta ou da pose sensual, mas do tratamento que o fotógrafo tinha realizado com a imagem, do modo como a luz tinha modelado o corpo.

Durante um bom tempo, alimentei o desejo, a esperança, de tornar a ver essa foto, ter de novo aquela emoção, o que nunca aconteceu. Hoje em dia, na verdade, penso que nem sei se a reconheceria, pois mais do que uma imagem precisa na minha cabeça, o que há na minha memória é uma sensação, um sentimento. E já não sou jovem o suficiente para acreditar que poderia repetir aquele sentimento, aquela emoção da descoberta de um novo ponto de vista para com a beleza, para com o erotismo, a partir de uma única imagem.

Esta foto que trago neste post é somente para ilustrar, não é aquela tal foto dos meus antes. Mas serviu bem para dar um clique em minhas lembranças.

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escandalosas dançarinas do teatro burlesco dos anos 90

3 de novembro de 2012

dos anos 1890′ s

Old bicycles, so sexy!

25 de outubro de 2012

old bicycles. eu não tinha ideia de que pudessem ser tão sexy, tão cedo.
tenho quase certeza de que há um ditado antigo relacionado à bicicletas (algo do tipo ‘quanto maior o guidão…’, entende?)

Os motivos porque Henri Cartier-Bressson tem que ser banido do Facebook ou A diferença entre Arte e Imoralidade, segundo o Facebook

21 de julho de 2012

 

E o Facebook, este singelo recanto de encontro virtual criado por um estudante universitário norte-americano virgem que tinha raiva de sexo porque sua namorada não queria dar para ele, continua sua cruzada contra a imoralidade e a falta de decência, combatendo e censurando os usuários que ousam postar imagens mais ‘atrevidas’, independente de suas ‘pretensas’ intenções artísticas.

Dessa forma, não importando se a imagem é uma foto da playboy norte-americana ou um quadro renascentista ou uma instalação de arte plástica ou mães dando de mamar para seus bebês, desde que mostre Peitos (femininos, of course), é imoral, é feio, é provocativo, e deve ser extirpado, os usuários ameaçados ou castigados, e suas contas canceladas. O mais novo exemplo de que soube foi de minha amiga Célia Musilli, uma recalcitrante que insiste em suas tentativas de impor suas manias de arte e beleza com nus, desta vez com uma imagem do consagrado fotógrafo Henri Cartier-Bresson.

(esses meus amigos, aliás, são todos uns imorais, todos!)

Na tentativa, pois, de ajudar a entender a lógica da cruzada moralista do Facebook, Desconcertos montou esta simples, mínima e didática cartilha usando imagens do próprio Cartier-Bresson, para separar, de uma vez por todas, o que é Arte e Pornografia:

Momento tocante de um casal de idosos: Arte

Marilyn Monroe por Cartier- Bresson? É sempre Artístico! (desde que ela não esteja nua, obviamente)

Motivo simples, minimalista, quase abstrato, sem um sentido objetivo aparente: praticamente a definição de Arte ‘Artística’, com A maiúsculo.

Aqui começa a apelar para o erotismo e motivação sexual. Não é artístico Artístico, com A Maiúsculo. Mas, pelo menos, é discreto.
Por enquanto, passa.

Corpos nus e à vontade, transmitindo calma e tranquilidade? Seios, coxas e pentelhos à mostra? Imoralidade e Devassidão, sem-vergonhice pura e simplesmente. Henri Cartier-Bresson era só um velho safado e quem ajuda a divulgar essas imagens deve ser banido do Feicibuque, jogado no fogo do Inferno e condenado a comer amendoim mofado pelo resto da eternidade!

Brigitte Bardot: um pequeno exercício de Olhar

31 de maio de 2012

Perceba-se que a percepção se dá em camadas. Brigitte Bardot, na parede e em pé.  Perceba-se mais: o que estamos a ver são pessoas que observam uma fotografia de Bardot ao lado de sua fotografia na parede. Desejo, ilusão e fantasia. Onde terminam uns e começam outros, eis a questão.

 

 

 

 

Erotismo, Anaïs Nin?

27 de maio de 2012

 

Quando Anais Nin disse “O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia“, eu acho que seria até mais enfático: o verdadeiro erótico É poesia.

 

 

 

 

 

Facebookianas: Flor Garduño e ‘Amigos do Wikileaks’

27 de maio de 2012

 

Eu pensei bastante em terminar minha experiência na grande rede social internética mundial interplanetária Facebook, desanimado com os bloqueios e as censuras diretas, idiotas e imbecis (toda censura é imbecil), que não distingue expressões artísticas, manifestações pessoais ou ataques morais. Estava relutante, pois com todos os seus problemas, o Feici ainda assim proporciona algumas experiências interessantes (bem diferentes e com pegada bem próprias do que levar um blog, ou ter uma conta no twitt, propostas e espaços muito diferenciados). Encontrar pessoas com os mesmos sentimentos de exasperação ajudou a criar um pouco de fôlego.

O meu pensamento agora é bem diferente. Não vou sair. Eles que me expulsem. Vou continuar fazendo e pensando o que já faço e penso, e com o qual acredito que pessoas e amigos se identifiquem (não falo em concordância a priori, mas em discussão aberta, franca, sem preconceitos idiotas). Compartilhar as lindas fotos de Flor Garduño que postadas pela Célia Musilli (que lhe valeram um novo bloqueio) e que igualmente coloquei como nova capa, acho sinceramente que é o mínimo a se fazer. Como disse alguém em um comentário, se cada bloqueio provoca cem compartilhamentos, mais pessoas ficarão cientes.

Por outro lado, um motivo para não se sair desta tal grande rede social internética mundial interplanetária é a falta de opções. De repente, percebe-se como esse universo não é tão vasto e infinito como se coloca. O orkut é uma experiência passada, que valeu o seu tempo. E, sério!, rede social do Google?! Alguém realmente acredita que tem alguma coisa de diferente do que encontramos no feici e talvez pior?

E aí aparece essa proposta do pessoal do Wikileaks. FoWL: Friends of WikiLeaks. (https://wlfriends.org/) Devo dizer que me chamou a atenção. Bastante. Está ainda se estruturando e montando o espaço, mas começou a angariar ‘amigos’. É uma ideia. Tudo pode vir a ser mais do mesmo. Pode afundar e ser ainda mais frustrante do que antes. Quem sabe. Tem que se dar um tempo e ver o que acontece. Mas é uma ideia.

 

 

 

Flor Garduño

26 de maio de 2012

Que não seja por falta de flores. Um momento de harmonia e beleza. Flor Garduño. Isso é puro desconcerto.

 

 

Brincando com monstros marinhos

31 de março de 2012

Enquanto isso,

ninguém lembra da taxa de maternidade entre as sereias, Ninguém!

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Há pessoas que não aprenderam os velhos conselhos da vó de nunca brincarem com horríveis monstros marinhos encalhados na praia

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Gauguin ‘ao vivo’

29 de fevereiro de 2012

 

 

Nan Goldin, exposição censurada e cancelada pela OI Futuro, agora pelo MAM

2 de dezembro de 2011

A OI censura e cancela exposição da fotógrafa Nan Goldin que seria realizada no Centro Cultural Oi Flamengo, no Rio de Janeiro. Perspectiva (e receio) de polêmica? (Goldin é especialista em polêmica). Moralismo hipócrita (muito) mal disfaçardo? Interessante notar como não nos importamos com que a arte no Brasil esteja cada vez mais sendo formatada pelas opiniões (e interesses) dos departamentos de marketing das grandes empresas.

Não sei quem na OI decidiu impor condições para que houvesse uma exposição de uma Nan Goldin comportada e bonitinha. Só sei que, de novo, como sempre, a censura, qualquer censura, é simplesmente estúpida, cega e imbecilizante.

A minha amiga Carola Medina comentou pelo Facebook “claudinei, o que esperar de um centro cultural de nome OI Futuro? mas não gosto dessa fotógrafa.” E eu respondi Pois é, Carola, alguns nomes já prenunciam suas pretensões artísticas. No caso, Arte é arte, desde que não macule o nome/logo OI Futuro… É de doer. E igualmente tô contigo: não curto o trabalho da Goldin. Gosto dos temas que ela aborda, simpatizo com o ponto de vista que ela adota em suas imagens. Mas bem poucas fotos dela realmente me disseram algo e menos ainda me impressionaram. Como técnica, é de uma pobreza deprimente (e ela mesma assume isso, com uma espécie de orgulho, faz parte de sua persona). Mas ela conquistou sua importância, não deixo de reconhecer isso. É necessário conhecer o que ela faz, nem que seja para criticar (ou desgostar) com fundamento. A OI foi de uma estupidez absolutamente rasa e bronca, onde questões artísticas sequer foram levadas em conta.

Agora, a exposição foi confirmada para ser realizada pelo MAM no começo de 2012. O que não releva em nada a importância da discussão sobre como as empresas privadas, financiadas com dinheiro público, podem ditar rumos artísticos no país (como levantado por Elaine Santana, em ‘Da Oi ao MAM: como interesses empresariais limitam a arte’, Blog Coletivo Outras Palavras).

  

Fotógrafos fotografam

24 de outubro de 2011

A intimidação de uma massa de máquinas fotográficas.

 

 

 

Gotas de água e arte

12 de setembro de 2011

A artista Andrea Laybauer não faz fotos de gotas de água: ela transforma este momento infinitesimal único e irrepetível e o transforma em arte. Capta o reflexo congelado de uma imagem refletida e moldada pelo corpo da gota e transmuta-o em beleza.

A questão aqui não é de técnica (mesmo que ela seja fundamental para a concretização da arte), é de sensibilidade e prazer.

Muito menos há utilização de photoshop ou qualquer programa de computador para saturação ou colorização da imagem. O processo é artesanal na prática: as cores são geradas pelo pote em que a água está pousada e pelo fundo pintado na parede. Imagens não abstratas são captadas pela gota que funciona como uma lente invertida.

O formato da dança da gota de água é o sentido de um mero instante, rápido demais para um olhar comum. Capturar o exato microssegundo em que se conjugam a foto, as cores, a forma, o clima, o impacto, é o fôlego da artista.

 

 

 

No seu site (Arte em Gotas D´água), Andrea Laybauer traz mais fotos, vende seu trabalho como quadros, e ainda trouxe uma idéia diferente, no mínimo inusitada, charmosa e muito bonita: imãs de geladeira gigantes! Achei isso sensacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Brown Sisters – Nicholas Nixon

25 de agosto de 2011

As fotos das irmãs Brown, realizadas uma por ano desde 1975 pelo fotógrafo norte-americano Nicholas Nixon, compôe um impacto (visual, emocional, íntimo) difícil de se apreender. As reflexões são inevitáveis, mas prefiro no momento ficar na sensação. A montagem não é uma proposta de entendimento, é somente uma homenagem muito humilde para Nixon e um presente para minha amiga Tati Carlotti que faz aniversário esta semana.

Fotos GigantoPanorâmicas

28 de fevereiro de 2009

A princípio, me parecia até que interessante, embora um tanto quanto bobo. Ano passado, meu amigo Akio me mandou um link para um site fotográfico, uma visão panorâmica enormemente grande de uma Paris noturna, onde se pode viajar por cima dos prédios, chegar mais perto e destacar detalhes da imagem, entrar literalmente por algumas janelas e captar cenas ampliadas. Me dava dor de cabeça só de pensar o trabalho que o fotógrafo deve ter tido para realizar isso. O resultado é bem bonito e o senso voyerístico próprio muito bem comtemplado. Agradeço ao Akio por ter mandado o link de novo, pois eu o havia apagado inadvertidamente.

http://www.hyper-photo.com/grandes/paris.html

Percebo, no entanto, as possibilidades que um trabalho desse tipo pode proporcionar, além do mero paisagistício de superfícies bonitas. Fui me tocando que há uma verdadeira onda dessas fotografias panorâmicas.  Segundo entendi, o processo para se conseguir uma montagem desse tipo não é exatamente complicado. Só muito, muito, muito trabalhoso. Vi em um site umas dicas para se fazer algo caseiro desse gênero. Digamos a paisagem de um descampado, tirada de cima de um morro. Clica-se a imagem, mantém-se a mesma altura, gira-se a câmera alguns centímetros para o lado, clica-se de novo, e quantas mais vezes se quiser. Depois faz-se a montagem, no sentido mais literal, como em um quebra-cabeça, pelo computador, tirando-se as sobras. Claro, a habilidade do fotógrafo, a qualidade do equipamento, da câmera e do computador contam demais, mas concordemos que não é nada difícil de se entender qual o processo.

Ok, digamos que tenha sido esse o caminho que tenha sido seguido para se tirar essa foto da posse de Barack Obama. Nesse caso, foram centenas de máquinas fotográficas ao mesmo tempo. Não é a dificuldade da coisa. É a profundidade, o tamanho, a possibilidade dos detalhes. Se aquela imagem de Paris já era interessante, isso aqui é simplesmente estonteante, de tirar o fôlego. Dá para ver os detalhes da caixa no colo da Michelle, por exemplo.

Posse de Obama

http://gigapan.org/viewGigapanFullscreen.php?auth=033ef14483ee899496648c2b4b06233c

Pois bem, só com estes dois exemplos (e há muitos pela internet) já dá para quebrar a cabeça com algumas questões.  Saindo do âmbito da imagem em si e da tecnologia para que seja realizada, estou é pensando na tecnologia com que ela pode ser visualizada. Estas fotos não existem fora da internet. Essa possibilidade de escolher o canto para se aprofundar e captar os detalhes com tal destreza e facilidade não existe fora da internet. Qual o tamanho da parede que seria necessária se quiséssemos imprimi-la? Caso fôssemos megalomaníacos o suficiente (e com dinheiro sobrando), como passar de um canto da foto para o outro em milésimos de segundo, só com a força da mente e do dedo indicador? Mais: como fazer para que essa mesma parede seja visualizada, explorada e trabalhada por qualquer pessoa da face da terra, ao mesmo tempo?

Não respondo nada, só tou jogando lenha virtual.

E, no entanto, não são essas as verdadeiras questões, pelo menos não para mim.

Precisamos voltar às fotos em si. E perceber que independente da diferença da tecnologia, do tamanho das imagens, ou da boniteza dos detalhes, elas compartilham talvez uma característica mais importante: falta alguma coisa. Não sei se vou conseguir explicar, mas vou tentar dizendo que estas imagens começam e terminam ao mostrar sua superfície. Os ‘detalhes’ que estou insistindo em repetir são somente pedaços de uma mesma imagem (grande, bonita, que seja) chapada. Única e horizontal. Não nos dizem mais nada, fora sua primeira impressão. Pode-se pensar no significado total do momento histórico da posse de um presidente norte-americano negro e divertir-se oberservando adolescentes conversando entre si, não dando a menor importância (ao menos, naquele instante) ao que está se passando, ou observar o olhar preocupado de guardas de trânsito ou passar horas tentando descobrir os agentes do FBI à paisana neste enorme jogo de Wally amplificado, mas o sentido volta-se somente ao significado maior e absoluto, de que nos tomamos consciência de novo quando voltamos à imagem inicial de conjunto. E termina-se aí.

Pois, quero propor outra imagem, que provoca considerações maiores do que o mero registro jornalístico ou paisagístico.  Aqui, tecnologicamente falando, acredito que está no meio termo entre estas imagens de Paris e a da posse. São ‘somente’ cem metros de extensão com as fotos de mais de 170 pessoas tiradas de uma ponte de Berlim, em um período de 20 dias. A câmera neste caso é uma só, montada ao longo da ponte, as imagens é que se multifacetaram e foram montadas como um único painel que teria, assim, uma extensão de cem metros.  

http://www.simonhoegsberg.com/we_are_all_gonna_die/slider.html

Como o próprio fotógrafo Simon Hoegsberg explica, poucas pessoas ali pareciam saber que as fotos estavam sendo tiradas, e menos ainda ‘interagiram’ com a máquina, como o garoto que mostra o dedo para a câmera. 

Não sei quanto a outras pessoas. A mim, impacta mais, me chama mais a atenção, fico mais intrigado e curioso sobre essas pessoas que possuêm um mesmo pano de fundo, mas que são tão tremendamente diferentes e únicas. Cada ponto desta imagem é mais vivo e interessante do qualquer uma das pessoas que assistiram à posse. E nem era necessário esse título melodramático de ‘Vamos todos morrer – 100 metros de existência’ com o qual Hoegsberg força o meu foco.

Gatos: fotografias filtradas

28 de dezembro de 2008

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Sei de algumas pessoas que vão ficar simplesmente malucas com essas imagens (em especial, algumas amigas minhas que saberão bem que estou falando delas), pelo fato primeiro de que são gatos. Em segundo, pela beleza das imagens em si (para mim, o verdadeiro motivo primeiro de ter ficado impressionado; amigas e amigos sabem bem o que penso de animais selvagens em geral, como gatos, cães, vacas, cavalos e crianças…).

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O interessante (ainda mais) é que são simplesmente fotografias tiradas de animais reais! Acontece que foram passadas por um recurso do photoshop, um filtro chamado Fractallus que, como explica o próprio Photoshop, funciona (segundo o blog 100nexos, de onde tirei essa dica) “baseado na extração da assim chamada textura fractal oculta de uma imagem“. Ok, nem eu nem o blog entendemos essa explicação, mas isso não importa. Basta-me a beleza e o inusitado desses resultados.

Dá para pegar mais exemplos (saindo inclusive do mero motivo de bichanos) AQUI e AQUI.

E, para terminar, mais um gatinho.

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Reverberando o vocábulo

28 de maio de 2008

Meu caro amigo Zé Carlos, o Zeca, me mandou mais algumas fotos do evento de sábado, o Vocabulário, os quais mandei já para o Fotoblog do Desconcertos, inclusive esta aqui de cima, a Iara Vignon, que achei muito maneira! O Zeca, aliás, é um cara extremamente ligado no que acontece de cultura e faz suas indicações no seu blog, as Dicas do Zeca, linkado aqui do lado.

Por outro lado, remeto ao comentário que a Juliana fez no post de ontem, expressando suas observações sobre o evento. Confesso que fiquei sem saber o que responder, em saber que essa alegria e a emoção daquelas horas foram tão bem compartilhadas e apreciadas, como era exatamente o desejo e a esperança de todos os que estiveram lá, os participantes no palco e os participantes de público que, tais como a Juliana, também fizeram o fundamental papel para que aquele clima todo acontecesse do modo como aconteceu. Acho que eu poderia acrescentar somente que, em próximas ocasiões, ela nos desse o gosto de sentar e conversar e nos conhecer, e posso bem compreender a sensação da coisa, pois sinto exato o mesmo, por exemplo, em ter conhecimento e poder participar de modo tão próximo com pessoas tão extraordinárias como Chacal e o Paulo Scott e, ah, mais essa porrada de gente bacana, que realiza um trabalho tão espetacular. E vamos acabar com as hipérboles! O importante agora é partir para a próxima. A Juliana, inclusive, possui uma escrita muito interessante, a qual está monstrando somente, por enquanto, a alguns convidados, no seu blog. Quando ela permitir, deixarei-o linkado aqui no Desconcertos.

VAleu!

Bibelôs (em transe e no fotoblog) & CEP (no Rio)

26 de maio de 2008

As fotos de Edson Kumasaka impressionam. Desconcertam, embatucam, desconfortam. O olhar pleno do fotógrafo apreende um significado e uma expressão que todos sabíamos existir, mas que só se torna presente (e real) quando os vemos de frente. Fitando-nos. Aqueles olhares singelos, simples, chamativos, carinhosos ou engraçadinhos (nunca neutros), de repente nos furam a pele, percebemos que ‘sim, eles estão olhando de verdade para nós’, e precisamos nos esforçar para nos dar conta de que são, afinal de contas, bonecos.

Colocar algumas fotos de amostra no fotoblog do Desconcertos é praticamente uma temeridade, eu sei. Primeiro, porque foto de foto já barra a sensação única do ver ao ‘vivo’; nunca a experiência será a mesma ou sequer parecida. Em segundo, ora, pois este fotógrafo aqui não chega perto (e nem pretendo) de atingir um nível mínimo de qualidade (e minha maquininha não ajuda lá essas coisas). Resta assim essa minha pequena e desconcertábil tentativa de homenagem ao Edson e sua impressionante exposição. Clica aqui para ver as fotos.

Grande exposição. Impactante, sim. Só ninguém vai me convencer que aquele palhacinho não está vivo de verdade. Está sim!

BIBELÔS EM TRANSE, de Edson Kumasaka

A exposição vai até 14 de junho 2008

segunda a sexta, das 10h às 19h

sábado, das 10h às 17h

b_arco rua dr. virgílio de carvalho pinto, 426 – são paulo – sp – (11) 3081-6986

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E mestre CHACAL decola do B_arco e do estrondoso VOCABULÁRIO (do qual darei notícias, postarei fotos e tecerei comentários logo daqui a pouco) e volta ao Rio para a 18ª edição do CEP 20.000! Ave, Ave, que no correr da correria do sábado acabei não me dando conta desse detalhe, tão rico e impressionante. 18ª edição!

Se houver alguma alma gentil com uma gentil máquina fotógráfica e que tire algumas fotos do evento, por favor mande-mas e permita-me publicar aqui no Desconcertos e / ou no Fotoblog. VAleu!

CEP 20.000 RETOMA OS TRABALHOS

“Com toda pompa e cerimônia é comemorado os 40 anos de maio de 68. Entrevistas, palestras, opiniões abalizadas, deitam cátedra, dissecando o suposto falecido. Em surdina, na calada, o CEP 20.000 retoma seus trabalhos no Teatro do Jockey e se prepara para fazer 18 anos em agosto. Berço e palco de algumas gerações de artistas, espaço de invenção e liberdade, o CEP é o irresponsável que deixa entreaberta a porta da imaginação nesses tempos de abulia e mercado, nessa cultura impregnada de big brothers. O CEP retoma os trabalhos. As cabeças mais abertas de muitas gerações comparecem, a Prefeitura reconhece e apóia. E o CEP comemora esse eterno aqui agora.

Solo fértil para o plantio, clima bom para versar e cantar. E comemorar a volta dos que não foram, dos que sempre estarão por aí, soletrando com todas as letras, a palavra…….

Nesse primeiro Centro de Experimentação Poética – CEP 20.000 – de 2008, a presença da gratíssima revelação Madame Kaos, do poeta e performer, editor da revista Confraria do Vento, Márcio-André, do saxofonista, poeta e produtor do Projeto MaPa, Marcello Magdaleno em dupla com o poeta Chacal, do experimental Tavinho Paes, do extravagante Edu Planchez, das poetas e atrizes Glauce Guima e Kyvia Rodrigues, das poetas Bárbara Araújo e Eliza Vianna, de Alice Sant’anna, dos poetas e produtores do evento Ratos Diversos, Daniel Soares, Dudu Pererê e Carluxo, da poeta Cecília Borges e da atriz Verônica Debom, do bailarino e professor Márcio Januário, do professor, poeta, cineasta e performer Dado Amaral e sua cria o Na Boa Cia Teatral do Colégio Estadual André Maurois, dos magníficos performers e poetas Igor Cotrim e Gean Queirós e do editor e cineasta Maurício Antoum. Na produção, o tricolor Ricardo Chacal.”

CEP 20.000

Dia 26 de maio de 2008 (hoje), a partir das 20h – Entrada Franca

Rua Bartolomeu Mitre, 1110 estacionamento pela rua Mário Ribeiro, 410

Gávea – Leblon – Fone: (21) 2540 9853

Amigos pelas ruas de uma São Paulo em pé de frio.

14 de maio de 2008

Querida Li, como andas pela cidade de São Paulo? Claro, sabemos, percorremos essas ruas frias, de um gelo que ainda não esperávamos, quem sabe seria somente para o mês que vem, no entanto, nos pegou agora, desestrutura nossa rotina, torna ainda mais difícil a sempre extenuante tentativa de levantar a cabeça do travesseiro, com todos os tempos verbais possíveis ainda embaralhando o sono e o trânsito.

Li, como andas? Pois gostaria de dizer que as ruas, apesar dos agasalhos, estão fervendo, que cabeças estão fervendo, que amigos meus e nossos estão brigando para mostrar arte e talento, e sabemos bem que, ao lado dessa tal amizade estes caras e estas minas mandam muito e prezam demais continuar brincando com a bola para ‘desfrutar desse indescritível prazer que é chutá-la mais longe’.

Misto de admiração e espanto, penso neles. Em Fábio Brum, guitarrista do Bêbados Habilidosos, do Made in Brazil, faz arrepiar a alma com seus acordes, a ponto do mestre Chacal dizer que gostaria de fazer poesia como Fábio toca sua guitarra, e agora repassa sua experiência dando aulas. Não vou falar de sua excelência, basta tê-lo ouvido uma vez, ou aproveite-se um Tranqueiras Líricas, um Saco de Ratos Blues, um Melodrama Blues. Paulo Stocker é outro. Traços e linhas se aprendem e se aperfeiçoam.

Flavinho Vajman é outro. Conhecido até há pouco como Garoto-Enxaqueca, é preciso reconhecer o quanto ele é chato é com seu trabalho, com sua arte, com o modo como lida com o que sabe melhor fazer, sua música. Penso em sua apresentação com Fernanda D´Umbra no Bourbon Street, tocando com a boca machucada, para se perceber sua seriedade: tocando gaita. Penso em que o ponto na Frei Caneca, o famigerado Juke Joint, está para fechar (ao que tudo indica, realmente fecha agora) no dia 31de maio, fechando um ciclo em sua vida e na vida cultural dessa cidade. Flavinho com suas aulas de gaita pode até assustar, mas como o Mário Bortolotto já disse uma vez, ele só morde se você pedir. Penso no Paulo de Tharso, essa figura extraordinária, que exarceba em sua simples pessoa toda essa complexidade de um fazer / ser artista mandatário dessa tão antiga tradição de ser / fazer / ser humano. Carisma e talento se unem, músico e ator, cantor e poeta, escritor e professor de francês, com o qual fala um francês castiço e exuberante, baseando-se em peças de teatro ou obras literárias ou cinematográficas ou um falar simples e direto para necessidades imediatas, conforme desejar o aluno.

Querida Li, não sei bem o que dizer. Devíamos marcar uma ponta, tomar um café (isso é, você tomaria um café, eu ficaria com a minha cerveja, ou sempre podemos compartilhar um vinho), deixar passar o frio, o vapor de nossas bocas se confundiria com a fumaça dos carros congelados nessa São Paulo que ambos conhecemos, e eu diria da minha incapacidade de absorver o tamanho da bronca que poderíamos aguentar. e da impossibilidade de abarcar com a mente a quantidade de arte que nossos amigos conseguem produzir e com qual dimensão. Preciso te ouvir sobre suas aulas (imagino que ainda dê aula, em quatro ou cinco escolas diferentes por dia, como normalmente você fazia, além do doutorado na História) e retribuirei perguntando, com a minha costumeira ansiedade, sobre sua vida e acrescentarei, com um certo toque mínimo de malícia: Você conhece o trabalho do Edinho Kumasaka? Suas fotos causam um estranhamento instigante delicioso. Não são bonitas. São impactantes (veja a cara desse boneco!). Vai abrir exposição sua lá no B_Arco em Pinheiros (outra usina impressionante de talento). Precisamos assistir ao “Desatino” no Sesi da Avenida Paulista, é de quarta a domingo, é de graça e é com a Mariana Leme (o que por si valeria pagar qualquer ingresso, aliás), vai estrear nesta quinta, mesmo dia da abertura da exposição do Edinho no B_arco. Podemos nos jogar na exarcebação de um (anti-)Sade, no Anti-Justine, no Teatro X, da Rui Barbosa, suas sessões são às sextas-feiras, meia-noite (e, portanto, poderíamos, com justeza, passar pela Praça Roosevelt e nos dirigir para uma fogazza no Giannotti, como já combinamos e ainda não rolou); ou nos embebedar nas palavras de Dostoiévski, em “A Voz Subterrânea“, uma adaptação de “Memórias do Subsolo”, espetáculo que impressionou fortemente nosso caro Paulo de Tharso (veja aqui: http://paulodetharso.blog.uol.com.br/). Ou nos desbragarmos no nonsense hilário do Rolex – o antivelox, do Mário Bortolotto, no Teatro Ruth Scobar. Quero falar com mais vagar e falarei, em outro momento, do ‘Natimorto‘, no Parlapatões, e da “Festa da Abigaiu“, que retornou, dando mais uma chance aos incautos e desavisados (tipo um claudinei da vida) para não perderem infantilmente a oportunidade.

Podemos, é claro, querida Li, esquecermos todos esses amigos e sua arte e continuarmos com o café e a cerveja, passarmos pela casa da Tati Carlotti, e observarmos o frio caindo na paulistana Brigadeiro Luís Antônio, perceber o sentido do embaçamento acumulado na janela da sala e da fumaça do cigarro, ouvir um Chet Baker (que sempre cai bem), e podermos enfim conversar.