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A volúpia da repressão

29 de janeiro de 2015

– Depois de manifestação pacífica, POLÍCIA MILITAR JOGA BOMBAS DE GÁS DENTRO DE ESTAÇÃO DO METRÔ –

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Além de tudo, existe a volúpia da repressão, da porradaria. Da expressão do poder físico através do prazer da violência. Não só o o treinamento, o condicionamento da inconsciência, da falta de sentimentos. Sim, a repressão precisa despersonalizar os corpos arrebentados, sufocados, presos, torturados, precisa vê-los (é treinada para isso) não como seres, mulheres ou homens, e sim como carne para ser batida, humilhada, pisoteada. Mas também é necessário que os agentes da repressão assassina, sinta (e solte, extravase) o seu sentido de prazer, de gosto. Bater, sufocar, prender, matar (a polícia militar paulistana é uma das forças de repressão mais assassinas do mundo, mata mais do que todas as forças policiais dos Estados Unidos) deve poder dar ao agente uma forma de gozo.

Truculência, destruição, falta de empatia, falta de consciência, e sadismo. Os elementos constituintes da força da repressão.

Os policiais militares soltaram bombas de gás DENTRO da estação de metrô, deu para entender? Pois eu estou até agora tentando absorver a notícia. A avalanche de policiais militares não seria suficiente para coibir os poucos manifestantes que se expressavam lá dentro?

Não. Porque a polícia militar quer sangue. O seu sangue. Não importa se de homens, mulheres ou crianças. Não importa quem estava na frente, dentro ou fora dos vagões, dentro ou fora da manifestação, dentro ou fora da estação. A polícia militar quer bater. Quer se divertir. Não importa quem está na frente, ou abaixo, do cassetete, quem está sendo sufocado pela fumaça da bomba de gás, seja homem, mulher ou criança.

 

http://mais.uol.com.br/view/e0qbgxid79uv/na-maior-parte-do-tempo-tranquila-manifestacao-acaba-em-tumulto-e-bombas-0402CC1A326AD4995326?types=A&

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‘Confronto’: A palavra.

7 de junho de 2014

‘Confronto’ é uma palavra muito bacaninha. Muito requisitada em momentos quando meigas forças de repressão, como a PM durante a madrugada contra a greve dos metroviários, por exemplo, fazem o seu melhor. Principalmente contra grevistas e manifestantes malvados e agressivos. ‘Confronto’. No uol: “PM entra em confronto com funcionários do Metrô”.

Claro. Como sempre.

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Tragédia mais-do-que anunciada no Metrô de São Paulo. E um filme francês.

18 de maio de 2012


‘O Ódio’ (‘La Haine’) é um filme francês de 1995 que acompanha as perambulações de um dia e uma noite de três adolescentes por uma Paris semidestruída por conta das violentas manifestações e da brutal repressão policial que aconteceram na noite anterior, que levaram um amigo deles ser espancado por policiais e ser internado em estado de coma, sem expectativas se sobreviverá ou não.

Uma história, uma anedota, contada logo no início, acompanha o filme, o de um suicida que ao saltar de um prédio vai contando os andares: ‘Décimo andar e, por enquanto, tudo bem’, ‘Nono andar e, por enquanto, tudo bem’, ‘Oitavo andar e, por enquanto, tudo bem’. Essa contagem é mostrada ao longo do filme e pontua as cenas, prenunciando que o final não será bom.

– Desta vez, não houve mortes no acidente do Metrô. Ainda. Podemos ficar contentes, portanto, que a população paulista só continuará a ser tratada como gado, cada vez mais espezinhada e humilhada, à espera do próximo acidente, da próxima confusão, e quem sabe, da próxima tragédia que todos sabemos acontecerá, mais cedo ou mais tarde, pois o descaso é histórico, é endêmico, parece genético aos nossos patéticos governantes.

A tragédia posta e prevista está mais, muito mais, do que anunciada! Está sendo praticamente construída aos nossos olhos, refinada, acumulada e garantida pela Incompetência, pela Estupidez, pela Ganância.

Em São Paulo está a se tramar uma versão brasileira, à la Paulistana, ao vivo, a cores e com sangue, do filme ‘La Haine’, cujo tradução em português está sendo: ‘Estação Vila Matilde e, por enquanto, tudo bem’, ‘Estação Tatuapé e, por enquanto, tudo bem’, Estação Sé e, por enquanto,…