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chicote branco

4 de março de 2015

 

 

sabe o chicote branco que estalava,

cortava e retalhava carnes?

sabe o pé branco que pisava,

chutava e moía carnes?

sabe a palavra branca que humilhava,

feria, e lacrimejava carnes?

pois a carne tinha nome e é NEGRO

a carne tinha vida e é NEGRA

tinha voz e é NEGRA

a carne era mais do que nervos,

era mais do que pés e mãos,

costas riscadas e virilhas arruinadas,

e seios e vaginas esburacadas,

nádegas despeladas ou olhos vazados,

era mais do que carne, e é

era mais do que dor, e é

era mais do que banzo, e é

era mais do que correntes, e é

eram mais do que morte, e é

era mais do que tudo, e é

sabe o chicote, branco?

quem diz que parou de cortar, BRANCO?

a carne navalhada, cortada, perfurada,

abafada, humilhada, morta, pisada,

escondida, destruída, desalojada,

perseguida, desprezada,

continua NEGRA

 

chicote branco

claudinei vieira

 

Como se não houvesse pena de morte no Brasil…

20 de janeiro de 2015

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Quem diz que no Brasil não há pena de morte é tremendamente (absurdamente) ingênuo ou criminosamente hipócrita. No Brasil, ela corre solta, impera, é executada vezes por dia (ou à noite). Bate recordes internacionais (Tem alguém que ainda não saiba que a Polícia brasileira é uma das forças de repressão mais assassinas do mundo? E das que mais morre, inclusive).

Estamos em uma plena guerra civil não declarada, mas presente, concreta, objetiva. As balas voam. Só não está colocada em letras no Código Penal, mas quem liga para isso? Quem fica indignado ou consternado? Rasga-se a democracia, mata-se Pessoas. Quem fica indignado ou consternado? Pena de morte, maioridade penal, presunção de culpa, é toda a nossa realidade. Quem fica indignado ou consternado? Não está na letra, está na prática, está nas mortes cotidianas, está na cor da pele dessas mortes. QUEM FICA PENALIZADO OU CONSTERNADO COM A PENA DE MORTE QUE É PRATICADA CONSTANTEMENTE NO BRASIL?

 

ACUSADO: Patrick Ferreira Queiroz, 11 anos

ACUSAÇÃO: Tráfico de drogas

INVESTIGAÇÃO: era negro

INVESTIGAÇÃO: era de menor (pivete, portanto) (e negro)

INVESTIGAÇÃO: sem grande necessidade, todos ‘sabiam’ que era traficante

PRISÃO: Para quê? Com que fim? Não ia adiantar mesmo.

JULGAMENTO: Para quê? Era culpado.

PROVA: carregava uma arma (‘disseram’) (só não estava do lado do corpo quando chegou o delegado, mas isso é um detalhe, certo?)

PROVA: era negro

SENTENÇA: MORTE

EXECUÇÃO: Sumária

MÉTODO: três balas pelas costas