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crônica de um suposto governo de um certo estado paulistano brasileiro

28 de março de 2015

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– Sr. Governador, os professores estão em gre…

– Não.

– Não?

– Não.

– Desculpe, Sr. Governador, mas não estou entendendo. “Não” o quê?

– Não está tendo falta de água em São Paulo.

– Ok… e os professores?

– Professores? Não são aqueles que dão aula, coisa assim?

 

——

 

– Prepara o papel e a caneta.

– Pronto, Sr. Governador.

– Ótimo. Escreve aí: NÃO ESTÁ TENDO GREVE.

– Nao … Es… Tá … Tendo… Greve. Assim está bem?

– Muito bem. Agora escreve mais cinco mil cartazes desses e distribua nas escolas.

– Cinco mil, senhor? Eu, eu não vou conseguir fazer isso sozinho.

– Isso é o que dá ficar tomando água o dia inteiro, fica preguiçoso! Tá bom, tá bom. Manda uns professores aí em cada escola e os diretores também, e colem nas paredes.

– Tem escola que não vai ter professor pra isso, Sr. Governador.

– Então, coloca os alunos, ora essa. Não estão fazendo nada mesmo.

– Mas, teoricamente, eles estão em aula, né?

– Exatamente! Você entendeu tudo.

– Pra dizer a verdade, não entendi, não, Sr. Governador. Os professores não estão em gre…?

– Não.

– Não?

– Não vai ter rodízio de água em São Paulo.

– ãhn…

(suspiro) – Vamos começar de novo: NÃO ESTÁ TENDO GREVE. E escreve com o til, dessa vez.

 

———–

 

– Sr. Governador, trinta mil professores na Avenida Paulista, hoje.

–     ….

– Sr. Governador…?

–     …

– Trinta mil…  na paulista…

–    …

– ‘Tão perguntado pelo senhor.

–    …

– Eu vou tomar um copo d’água.

 

————

 

– Senhor! 60 mil professores na Paulista! E estão prometendo cem mil na semana que vem. Votaram a continuidade da greve e tudo.

– 60 MIL? Como você ficou sabendo disso? Quem foi que teve o descaramento de dizer isso? Passou na televisão? Naquele nosso telejornal? Ou a Folha resolveu fazer jornalismo justamente agora?!

– É claro que não, senhor! Tá tudo na interneti, imagens, vídeos. Se o senhor calcular a quantidade de pessoas pelo tamanho da avenida…

– Não importa. Fala para os calculistas da PM dizerem que havia 20 mil, no máximo.

– Eles já disseram que havia dez mil.

– Melhor ainda. Que mais?

– O senhor vai dar alguma declaração à nossa imprensa?

– Meu filho, eu não faço declarações. Não fui eleito governador para ficar dando declarações! Mas, enfim, se eu for obrigado (suspira) digo algo simples, anota aí:

– Pode falar, senhor.

– “Greve? Que greve? POR QUE NÃO ME AVISARAM ANTES QUE ESTÁ TENDO GREVE DE PROFESSORES?!”

 

claudinei vieira

 

três puros anjos

10 de março de 2015

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ah, os três indubitáveis anjos modernos: impolutos, incorruptíveis, ‘insujáveis’, ‘inlistáveis’, inimputáveis, inigualáveis, infurnáveis, puros, somente puros, que nenhuma divina mácula hsbciana atinge, para todo o sempre: Príncipe-Arcanjo Fernando Henrique Cardoso, Geraldo ‘Arcanjo Chuchu’ Alckmin, Aécio Neves, ah, neves…

….

….

‘Dessalinização da água do mar’, mais um projeto a nos chamar de Otários, Imbecis.

12 de fevereiro de 2015

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Acredito que, por mais bizarra e estúpida que a situação possa chegar, é sempre , sempre, possível piorar. Dessalinização da água do mar para salvar uma cidade regada por dois grandes rios. Uma cidade que foi construída, que nasceu, ao longo, e por causa de, dois grandes rios. Rios entupidos de poluição e que servem de desculpa para desvios escancaradamente vergonhosos de dinheiro para sua presumida despoluição há mais de duas décadas. Tudo o que São Paulo precisa é justamente mais uma obra faraônica que, todos sabemos, nunca será construída, todos sabemos servirá para mais um enorme escoadouro de dinheiro público que sumirá em leitos desconhecidos, todos sabemos.

Enquanto os rios continuarão poluídos, enquanto os paulistas continuarão sofrendo de seca ao lado dos seus rios, enquanto os paulistas continuarão pagando a conta cada vez mais cara mesmo que não tenha água, enquanto os tubarões da água continuarão lucrando e lucrando e rindo das nossas caras, e certamente enquanto se dão tapinhas nas costas e se regozijando por conseguir ideias para arrancar cada vez mais dinheiro dos trouxas, devem estar nos chamando (todos os dias, todos os dias) de Imbecis, Ignorantes, Otários, Otários.

Com toda a razão.

http://sao-paulo.estadao.com.br/…/geral,dessalinizacao-de-a…

 

Quando o Governador Chuchu decretar Estado de Calamidade Pública Seca em São Paulo…

7 de fevereiro de 2015

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Quando o DesGoverno do Estado de São Paulo, o nosso querido Governador ‘Chuchu Seco Mais Seco de Todos os Tempos’ Geraldo Alckmin ao final e ao cabo, finalmente for obrigado a decretar Estado de Calamidade Pública por conta da Gestão Criminosa e Irresponsável dos recursos hídricos do Estado,

 

Quando a população mais carente e mais desprotegida começar a morrer, ou por doença de água contaminada ou pura e simples falta de água;

 

Quando o comércio e a indústria começarem a paralisar por conta de medidas que não foram tomadas (e que podiam ter sido tomadas, e as quais todos os responsáveis estavam plenamente conscientizados);

 

Quando afinal o caos estiver instalado, tenham certeza de algumas coisas simples:

 

– o Governador Chuchu jamais admitirá o Estado de Calamidade, que seria uma mancha em suas pretensões à Presidência ou outros caminhos ainda mais chuchuzentos que quiser trilhar. Portanto, no máximo, dirá que adotou Medidas de Contenção das Vidas dos Paulistanos. E mandará a querida Polícia Assassina Militar Paulista bater e arrebentar quem ousar fazer reclamações ou manifestações;

 

– Tenham certeza de que , quando o Estado de Calamidade (ou qualquer que seja o eufemismo ridículo e hipócrita que adotem), nem será o próprio Chuchu a divulgá-lo: será por seu secretário ou porta-voz ou mesmo pela imprensa babona subserviente paulistana. Ele mesmo terá tido uma ausência ou férias estratégicas. Tudo para não manchar sua ascensão e suas pretensões a se candidatar a algum cargo presidencial brasileiro que estiver sobrando;

 

– Tenham certeza que os acionistas nunca terão seus direitos aos lucros contestados, mesmo que isso signifique a plena instauração do Estado de Calamidade Pública. Mesmo porque eles já sabem que seus lucros estão vindo do sangue dos pobres;

 

– Tenham certeza de que, quem não estiver morrendo, estará pagando pela conta da crise total, os lucros dos acionistas não serão compartilhados para amenizar a situação, nem as grandes indústrias terão seus privilégios ‘aquíferos’ tocados. E quem não se conformar e tentar resistir, sempre haverá a Polícia Assassina Militar Paulista a postos.

 

– Independente de quantos estiverem morrendo por conta da Crise Criminosa da água, os 30% de água que estão sendo até agora desperdiçados (jogados fora!) por causa dos vazamentos dos canos podres continuarão sendo 30% jogados continuamente, diariamente, fora. Provavelmente, aumentarão.

 

– Geraldo Chuchuzinho Alckmin continuará intocável. A culpa é do PT, sempre foi do PT, sempre será. E o PT continuará com sua cara de sonso bobo alegre deixando-se levar a culpa de toda a incompetência e corrupção (as suas e as dos outros). Se é que não vai chegar a acordos espúrios (tão constantes, tão nojentos, tão inúteis) para garantir uma coisa chamada… como era mesmo… ‘governabilidade’, é isso, PT?

 

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A volúpia da repressão

29 de janeiro de 2015

– Depois de manifestação pacífica, POLÍCIA MILITAR JOGA BOMBAS DE GÁS DENTRO DE ESTAÇÃO DO METRÔ –

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Além de tudo, existe a volúpia da repressão, da porradaria. Da expressão do poder físico através do prazer da violência. Não só o o treinamento, o condicionamento da inconsciência, da falta de sentimentos. Sim, a repressão precisa despersonalizar os corpos arrebentados, sufocados, presos, torturados, precisa vê-los (é treinada para isso) não como seres, mulheres ou homens, e sim como carne para ser batida, humilhada, pisoteada. Mas também é necessário que os agentes da repressão assassina, sinta (e solte, extravase) o seu sentido de prazer, de gosto. Bater, sufocar, prender, matar (a polícia militar paulistana é uma das forças de repressão mais assassinas do mundo, mata mais do que todas as forças policiais dos Estados Unidos) deve poder dar ao agente uma forma de gozo.

Truculência, destruição, falta de empatia, falta de consciência, e sadismo. Os elementos constituintes da força da repressão.

Os policiais militares soltaram bombas de gás DENTRO da estação de metrô, deu para entender? Pois eu estou até agora tentando absorver a notícia. A avalanche de policiais militares não seria suficiente para coibir os poucos manifestantes que se expressavam lá dentro?

Não. Porque a polícia militar quer sangue. O seu sangue. Não importa se de homens, mulheres ou crianças. Não importa quem estava na frente, dentro ou fora dos vagões, dentro ou fora da manifestação, dentro ou fora da estação. A polícia militar quer bater. Quer se divertir. Não importa quem está na frente, ou abaixo, do cassetete, quem está sendo sufocado pela fumaça da bomba de gás, seja homem, mulher ou criança.

 

http://mais.uol.com.br/view/e0qbgxid79uv/na-maior-parte-do-tempo-tranquila-manifestacao-acaba-em-tumulto-e-bombas-0402CC1A326AD4995326?types=A&

Quem vive no mesmo planeta (seco) de Geraldo Alckmin?

28 de janeiro de 2015

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é isso. Depois de tanto tempo dizer que nunca faltaria água em São Paulo, depois de tanto repetir que não faltaria água em São Paulo, depois de falar que não haveria racionamento, depois de mentir dizendo que não estava havendo racionamento na surdina, depois de ignorar durante DÉCADAS as advertências dos técnicos, depois de se esquivar repetindo babaquices como consumo restrito, depois de delirar em projetos de reformas que somente serão funcionais daqui a vários anos e do qual não se ergueu nem Uma simples vírgula do papel, depois de continuar implementando uma criminosa INgestão INadministrativa dos recursos hídricos da cidade, além de continuar não fazendo nada contra o constante desperdício de água jogada fora diariamente, depois de demonstrar que não possui a menor ideia, absolutamente a menor ideia, do que fazer para o descalabro imediato que acontecerá logo, logo, OBVIAMENTE, as duas (2) únicas medidas que um governo do seu naipe sabe tomar são as duas (2) únicas que tomará:

em primeiro, Multas pesadas para a população mais carente e mais desprotegida (e, de quebra, garante uns trocos para não prejudicar os lucros dos acionistas);

e, em segundo, como antes não regularizou um racionamento ‘racional’ e inteligente, será obrigado agora, por conta das secas condições, a realizar o racionamento cem vezes piorado:

RACIONAMENTO DE ÁGUA EM SÃO PAULO SERÁ DE CINCO DIAS SEM ÁGUA PARA DOIS DIAS COM ÁGUA.

E, se você está achando que isso será realmente o pior ou que tudo melhorará quando as chuvas, um dia, voltarem ou acredita que a culpa de toda a crise é porque há pessoas lavando os carros na calçada, cara, eu preciso perguntar:

Em que planeta você vive?

Votação em Tiririca, Maluf, Feliciano, e Alckmin, demonstra o quanto os paulistanos são coerentes

18 de setembro de 2014

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Pois então, assim como muitos, também fiquei espantando, aturdido até, quando fomos informados do páreo dos deputados com maior intenção de voto em São Paulo: em primeiro lugar, Tiririca. Em seguida vem Celso Russomano, Paulo Maluf, Baleia Rossi, e Marco Feliciano.

Surpreso? Não exatamente. É mais como um gosto amargo do que sabíamos estar podre e, mesmo assim, temos esperança de que a podridão não fosse tanta, tão mal cheirosa, tão encardida. Mas, no final, sim, está tão podre quanto temíamos.

Um comentário em um post alheio me fez pensar (peço desculpas ao comentarista, não guardei o nome) de que uma coisa que, na verdade, não se pode culpar os paulistanos é que não sejam coerentes. E ele tem toda razão.

Os que vão votar em Feliciano, Paulo Maluf, Tiririca, são os mesmos que aplaudem a repressão às manifestações de rua, são os mesmos que chama de vagabundos os sem-tetos que foram enxotados para a rua de prédios que ficarão vazios para especulação, são os mesmos que apoiaram a ação da Polícia Militar em Pinheirinho e não vê realmente grandes problemas na mortandade de jovens negros e pede, quase com desespero, que a idade para penalidade criminal seja diminuída (e, ao mesmo tempo, não se indigna que um criminoso internacional reconhecido pela Interpol e que não pode por os pés fora do país concorra e possa ganhar novamente um cargo político). São os mesmos que não se importam com ataques a homossexuais, e acreditam que incriminar pessoas por racismo é um exagero.

Não só isso. São também os mesmos que sofrem exatamente todas essas ignominias e segue impávido, como se nada disso fosse com ele. Sofrem com a repressão, com a violência, com o descalabro dos transportes, com o racismo, da mesmíssima forma que todos os outros. Vai morrer de sede como todos os outros. Mas é paulistano. Isso acontece com os outros, não consigo, não com seus familiares. “Aquele bicha merecia morrer, mesmo; eu não tenho filho gay”, e se tiver “a igreja pode curar”. “A falta de água é porque não tá chovendo”, “é porque o povo joga lixo na rua”. Os corruptos são sempre os outros. Os racistas são sempre os outros.

O modo como uma população pode assistir o colapso de um sistema de fornecimento de uma das maiores cidades do planeta e, mesmo assim, vai eleger exatamente o responsável por isso acontecer (“A falta de água é porque não tá chovendo”) é uma das incógnitas maiores do universo e não tenho a menor pretensão de realmente entendê-la. Há várias respostas sendo oferecidas, e quem souber a resposta ganha um copo de água. Ou de lodo, a preferir.

Sadomasoquistas? Proto-fascistas? Ignorantes? Um pouco de tudo e tudo ao mesmo tempo.

Seja o que for, não se diga que não são coerentes. São.

ps. uma nota especial em relação ao Tiririca:

Não tenho exatamente grandes críticas a ele , não. E também achei um absurdo a forma vergonhosa, preconceituosa, de tentarem lhe negar o direito de concorrer. Sempre tive certeza absoluta que ele, como político, seria exatamente como foi: presença constante no trabalho (acredito que seja o político com menos falta de todo o país), embora irrelevante como força política. Anódino. O meu post foi sobre os eleitores. Quem o coloca como primeiro das intenções de voto não se diferencia ideologicamente em nada dos que também votam nos outros quatro colocados e no Alckimin para governador. Sua eleição (e, pelo visto, sua reeleição) nunca foi um voto de protesto; evidenciou muito mais o vazio (psicológico, social, político) dessa direita reacionária paulistana niilista que, quando é ‘séria’, ‘assumida’, vota nos malufs, felicianos e etc.

 

Policial Militar pode ganhar gratificação se matar menos. Se matar MENOS!, entendeu?

9 de agosto de 2012

 

PM que matar menos poderá ganhar gratificação em SP. Que matar Menos! ‘Brilhante’ estratégia do comandante-geral da Polícia Militar, Roberval Ferreira França, para reformar a corporação.

O impressionante aqui não é nem a entusiástica acolhida que o governador Alckmin deu a essa ideia (que, na prática e de fato, diz o seguinte: vocês não precisam ser treinados para serem policiais de verdade e proteger as pessoas, basta um biscoitinho para ficarem contentes), nem mesmo a mensagem que passa para a população (eles podem continuar matando e matando, só estou pedindo para que matem um pouquinho menos, por favor…).

Não.

O pior mesmo é o nível e o tom dos comentários que reagem a essa notícia, onde a maioria revoltada com o governador diz que deveria ser o contrário, os pms deveriam ganhar mais por matar o máximo possível!
Eu sei. Estou sendo implicante. Não há nada de surpreendente com a profundidade das inclinações fascistas, racistas e violentas de uma boa parte da população paulistana. Mas não posso evitar: quando o lôdo humano se agita, é sempre um espetáculo nojento que me revira o estômago.


http://br.noticias.yahoo.com/pm-matar-poder%C3%A1-ganhar-gratifica%C3%A7%C3%A3o-sp-141100609.html

 

 

Tragédia mais-do-que anunciada no Metrô de São Paulo. E um filme francês.

18 de maio de 2012


‘O Ódio’ (‘La Haine’) é um filme francês de 1995 que acompanha as perambulações de um dia e uma noite de três adolescentes por uma Paris semidestruída por conta das violentas manifestações e da brutal repressão policial que aconteceram na noite anterior, que levaram um amigo deles ser espancado por policiais e ser internado em estado de coma, sem expectativas se sobreviverá ou não.

Uma história, uma anedota, contada logo no início, acompanha o filme, o de um suicida que ao saltar de um prédio vai contando os andares: ‘Décimo andar e, por enquanto, tudo bem’, ‘Nono andar e, por enquanto, tudo bem’, ‘Oitavo andar e, por enquanto, tudo bem’. Essa contagem é mostrada ao longo do filme e pontua as cenas, prenunciando que o final não será bom.

– Desta vez, não houve mortes no acidente do Metrô. Ainda. Podemos ficar contentes, portanto, que a população paulista só continuará a ser tratada como gado, cada vez mais espezinhada e humilhada, à espera do próximo acidente, da próxima confusão, e quem sabe, da próxima tragédia que todos sabemos acontecerá, mais cedo ou mais tarde, pois o descaso é histórico, é endêmico, parece genético aos nossos patéticos governantes.

A tragédia posta e prevista está mais, muito mais, do que anunciada! Está sendo praticamente construída aos nossos olhos, refinada, acumulada e garantida pela Incompetência, pela Estupidez, pela Ganância.

Em São Paulo está a se tramar uma versão brasileira, à la Paulistana, ao vivo, a cores e com sangue, do filme ‘La Haine’, cujo tradução em português está sendo: ‘Estação Vila Matilde e, por enquanto, tudo bem’, ‘Estação Tatuapé e, por enquanto, tudo bem’, Estação Sé e, por enquanto,…

 

 

A ‘providencial’ ignorância imbecil de Kassab, Alckmin e Polícia Militar

7 de janeiro de 2012

a higienização após o 'sofrimento e a dor'

Nem Kassab nem Alckmin nem o comando da PM sabiam de nada?? Foi tudo culpa da afoiteza e irresponsabilidade de subordinados??

É terrível e verdadeiramente aterrorizante a imbecilidade em relação à ação na cracolândia. A imbecilidade ‘deles’ e a que nos tentam impingir. O que deveria ser para eles a glorificação do aumento cada vez mais avassalador da truculência policial em São Paulo (a ferro e fogo, com sofrimento e dor!), de repente transforma-se em um show de palhaçadas e desculpas forjadas com rapidez e sem vergonhice. O ‘natural’ é que a classe média protofacista paulistana apoiasse com todo seu fervor característico a ação policial, mas o que não previram foi que o pavor fosse muito maior. Pavor pelos ‘viciados’, pelos ‘drogados’, pela cracolândia ‘expandida’ e espalhada pela cidade.

Para o jornal ‘O Estado de São Paulo’ “Alckmin, Kassab e comando da PM não sabiam de início de ação na cracolândia”. A ‘reportagem’ do Estadão tem passagens preciossíssimas:

“O governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as cúpulas da Segurança Pública, Assistência Social e Saúde das duas esferas de governo estavam acertando tudo para que o trabalho começasse em fevereiro, depois da abertura de um centro de atendimento com capacidade para 1,2 mil usuários de drogas na Rua Prates, no Bom Retiro. Eles queriam evitar, por exemplo, que os dependentes se espalhassem pela cidade depois do cerco à cracolândia. Outro objetivo era evitar que a operação focasse apenas políticas de segurança pública, ampliando-a para as pastas sociais.”

Não é comovente essa tal ‘ampliação para as pastas sociais’? Não é terrível que, por conta de subordinados atrapalhados, essa preocupação tremenda pelos usuários de drogas (que durante décadas ficou um tanto escondida, confessemos) tenha se desfacelado?

Mas, não se preocupem! Eles não estão brigados entre si, Kassab, Alckmin e a cúpula da Polícia Militar continuam amigos e vão passar por cima dessa ‘rusga’, digamos assim (“No governo, há a tentativa de afinar o discurso de que, independentemente do que ocorreu, o que importa é que daqui para frente todos trabalharão juntos”)

O Jornal da Globo indica, de verdade, qual é a real preocupação (‘deles’): “Cracolândia, a terra do crack, mudou. Não tem mais território fixo, mas os habitantes ainda estão todos por aí. Como farrapos humanos desalojados, perambulando.” Esse é o cenário, acrescento eu, de Walking Dead: zumbis (feios, sujos e malcheirosos) que, pior do que tudo!, agora estão mais visíveis e espalhados do que antes.

Pois o que as ‘pessoas-de-bem’ menos desejam é sentir justamente a proximidade e a visibilidade das doenças sociais, feias, sujas e malcheirosas.

 

 

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,alckmin-kassab-e-comando-da-pm-nao-sabiam-de-inicio-de-acao-na-cracolandia,819527,0.htm

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2012/01/acao-na-cracolandia-em-sp-da-poucos-resultados-concretos.html