Archive for the ‘Poemagem’ category

Yürei, Caberê

15 de setembro de 2015

Yürei, Caberê

de Claudinei Vieira

ed. Patuá

 

em Outubro

capa yurei

 

 

 

banquete

8 de setembro de 2014

Formigarei por sua pele,
comerei suas pétalas,
me banquetearei de suas ventanias,
suas florestas, seu âmago.
Trocaremos sumos úmidos alongados,
deslocaremos puros murmúrios anoitados,
dormiremos com a janela em túnel escancarada
e esgotaremos todos os pecados,
nos fartaremos de todos novos pecados,
esqueceremos a sobriedade e os sonhos lá fora,
mesmo os mais sensatos.
Tomará minha mão.
Abrirá meus olhos.
Tocará meu sossego.
Um sussurro no meu ouvido.
Formigas pelo meu ouvido.
Comerá minhas pétalas,
e se apossará de minhas ventanias,
todas, todas as minhas ventanias.


banquete
claudinei vieira

 

1512746_10152708769754759_1408852408600752450_n

nove balas

31 de agosto de 2014

09a

foram nove balas

na segunda, o corpo caído ainda reclamava vida,

mas os bandidos uniformizados responderam

– vida é uma mera abstração,

não caia na conversa de sartres, deleuzes e toulouse-lautrecs,

a liberdade de ser não é realmente sua.

 

foram nove balas

na terceira, o corpo já não se identificava,

mas os bandidos uniformizados contemporizavam

da inutilidade da resistência moral,

que o universo é maior do que a existência,

que o esforço é também somente mais uma ilusão.

 

foram nove balas

na quinta, o corpo até quase que gozava

e os bandidos uniformizados saborearam o momento

de que o estoicismo estava sendo afinal deixado de lado

e abraçava-se à plenitude epicurista:

assim, tudo seria mais fácil.

 

foram nove balas

na oitava, os bandidos uniformizados se conscientizaram

da pouca munição, do pouco salário, das muitas horas de trabalho,

do pouco anseio pelas respostas transcendentais

que o corpo caído (que, quando vivo, tinha um nome)

já não mais buscava.

 

foram nove balas

e a nona foi pura displicência.

serviu somente para irritar um dos bandidos uniformizados

ao sujar sua bota de sangue.

 

a décima bala, no sexo do corpo caído, não conta.

esta foi por diversão.

 

ps. atenção

este é um poema de ficção

não se baseia em um caso real

não se remete a um caso real

não vivi (e nem morri) esse caso real

e qualquer semelhança com casos reais,

com quantidade de balas valsando em mortes reais,

com bandidos uniformizados soltando nove balas

em corpos caídos sujando canos de botas alheias,

e inclusive semelhanças com a crescente perda

na crença das transformações espirituais

através da busca filosófica,

serão pura e simplesmente

coincidência poética.

claudinei vieira

09

amores centrais

17 de agosto de 2014

o amor se perde nas voltas de umas vielinhas

do centro de São Paulo, encarquilhado,

sorumbático pedinte de sentimentos alheios,

solitárias transversais.

 

os amores se viram e descem as ruas augustas

do centro de São Paulo, indistinguíveis atores mutantes,

correntes de subterrâneas amargas emoções transfiguradas

insinceras e universais.

 

os grandes amores se curam e se encontram em praças roosevelts

do centro de São Paulo, quando não são detidos por policiais montados,

também buscadores dos seus próprios grandes amores refugiados,

quando se permitem sair de suas cascas uniformes de metais.

 

somente eu sei que o verdadeiro amor é você,

solta pelas ébrias gélidas ruas chuvosas

do centro de São Paulo,

e quando o encontrar,

acredite-me,

São Paulo nunca mais será a mesma.

claudinei vieira

46_n

saberá da morte

5 de agosto de 2014

284_n

 

saberá o dia em que morra?

saberá o instante-zunido em que fumaça por fumaça

pesará por sobre almas

para sujar sua incontinência?

desejará o dia em que morra?

em que sangue por sangue, detrito por detrito,

aluviarão os corpos inconsistentes,

as consciências deformadas,

os párias acostumados?

suportará o dia das perguntas?

sufocará o enredo das desditas?

se enforcará com o tecido das mentiras?

desprezará a marca de ser humano,

a inconformidade de que, apesar de tudo, é ser humano,

a necessidade de, com tudo, menosprezará ser humano?

jogará com o revide?,

com a chuva ácida, com a luz demonha?

chorará, sim, chorará, pelo menos uma vez,

uma solitária vez?

acompanhará seu dever cumprido e dormirá

em seu travesseiro de pedra e metal?

 

claudinei vieira

 

poema urbano para aquecer chuva

3 de agosto de 2014

 

Quero lhe dizer

não, Preciso lhe dizer

– cuidado, deixa o carro passar -,

não pretendo lhe atrasar mais,

porém, é muito importante

– cuidado, deixa a moto passar,

deixa o sinal abrir,

cuidado, deixa meu coração transbordar -,

o pingo da chuva gelada

não acalenta seu rosto:

 

Gostaria de lhe dedicar um poema urbano,

uma trilha de palavras paulistanas

que lhe ajudem a atravessar o dia,

a secar o pingo gelado na testa,

a pisar pelas listras molhadas da faixa de pedestre.

 

Quero que sinta este poema

como o primeiro gole do café da padaria,

como a primeira onda do cheiro da manteiga

do pãozinho na chapa,

como a primeira lembrança morna

de nossos corpos ávidos de calor noturno.

 

E lembre que o primeiro sorriso que lhe acordou

nesta madrugada aturdida de frio paulistano,

o sorriso de uma boca torta ainda sonolenta

já saudosa dos agasalhos insuficientes,

este sorriso que lhe aquecerá durante este dia inteiro

mais do que aqueles agasalhos insuficientes,

aquele meu sorriso, ainda que torto, ainda que meio-frio,

foi a primeira letra do primeiro verso

deste poema urbano que lhe dedico.

 

claudinei vieira


051_n

descongelar ruas

3 de agosto de 2014

 

 

o frio envelhece as ruas de São Paulo,

já encarquilhadas de ventos gelados passados

incrustados nas torrentes de mendigos descobertos

por folhas de linho desbotadas.

 

falta poesia em São Paulo, talvez?

não

falta poesia em São Paulo

talvez

 

A meteorologia diz

neste ano, passamos pela tarde mais fria

A meterologia não diz

que assim esteve congelada a poesia

e pessoas de rua.

Tecnicamente falando,

a meteorologia esqueceu das pessoas de rua,

ela sempre esquece.

Assim como São Paulo.

 

A poesia, porém, não aquece as avenidas e praças, sinto dizer.

Podemos, deveríamos, saltar por prédios.

Podemos, deveríamos, plantar montanhas.

Podemos, deveríamos, descongelar ruas.

Inclusive, o poeta.

 

claudinei vieira

uma fábula de passarinho

30 de julho de 2014

02383_n

 

Os avôs permitirão que os netos

durmam naquela cama naquela casa.

Os netos, jovens cavoucadores,

descobrirão, vez por outra, pedacinhos de ossos,

nos fundos, no chão, nas bases, daquela casa,

e os avôs suspirarão, revirarão os olhos,

“ossos de passarinhos” “estão por toda parte”.

Os netos, porém, têm a tendencia de crescerem,

e de tanto dormirem naquelas camas daquelas casas

perceberão que os ossos não são de passarinho,

lembrarão de conversas de adultos,

murmúrios sobre uma espécie esquisita

(uma espécie antiga, extinta, exterminada)

de seres humanos chamados ‘crianças palestinas’,

outrora teriam dormido naquelas mesmas camas,

daquelas mesmas casas,

recolhendo seus próprios ossos.

Os avôs suspirarão de impaciência,

revirarão os olhos pela impertinência

“ossos de passarinho”

“ossos de crianças terroristas malignas”

“ossos de bebês terroristas malignos”

“ossos de filhos de mães terroristas malignas”

“ossos de passarinho terrorista”

“qual a diferença?”

“continuemos a dormir nesta cama desta casa”

 

claudinei vieira

 

0383_n

brown pigeon Cream-coloured Courser (Cursorius cursor) – pássaro palestino

essa pequena ferida

30 de julho de 2014

 

Tenho essa pequena ferida em mim, sabe não?

Incomoda, persiste, enfurinha.

Começa na nuca, dor fina, continua na costela,

perfura minha alma, machuca meu dedão do pé.

É constante, mais do que alguns amores que tive

ou que proporcionei.

 

Ninguém enxerga essa minha ferida, sabe?

Dizem que sou chato, inconveniente, impertinente,

e, quando querem me magoar de verdade:

que sou repetitivo. Clichê.

Não me importo.

Não me interesso.

Não quero, inclusive, que a ferida se vá.

Ela, percebi há tempos, me instiga, me força.

Dói. Define minha humanidade.

 

Os que não compartilham dessa ferida

(ou pensam não possuir)

(ou entopem-na de pomadas odoríferas),

estes, coitados, só andam, coluna empertigada,

obesos ocos orgulhosos arrogantes

de sua insignificância,

e pensam que vivem.

 

 

claudinei vieira

No dia em quem todas as crianças palestinas estiverem mortas

25 de julho de 2014

0ni

 

Dia virá (não se apresse, já está chegando)

não falaremos mais das mortes de crianças,

aos nossos olhos, de Gaza.

Não choraremos o horror do genocídio

visto em rede de satélites online,

aos nossos olhos, ouvidos e estômagos,

das crianças de Gaza.

Não ficaremos estúpidos paralisados constrangidos

a observar o monstro-míssil sublimar em fumaça e sangue

tantas e tantas crianças de Gaza.

Não comentaremos, muito menos observaremos,

não teremos mais olhos.

De que havia crianças em Gaza.

Em um tempo quando corriam pelas ruas de areia

sem saber que seriam suas tumbas,

sem saber soletrar a palavra Hamas.

Em um tempo quando jogavam futebol em campinhos de areia

sem consciência de que cometiam o último gol,

pois não sabiam que era proibido

ser criança palestina em Gaza.

Ou nem corriam ainda,

nem tinham saido da barriga palestina, ainda

nem soletravam Tumba, ainda

(embora já fossem consideradas terroristas),

Ficaremos pisando pungentes

as lembranças de crianças-vísceras,

de crianças-ossos,

de crianças-sugadas.

Porque estarão mortas.

Serão História.

E poderemos, por fim, construir

lindos memoriais em sua homenagem,

escrever teses inteligentes sobre a estupidez da chacina,

exigir animadas resoluções internacionais ridículas

e suspiraremos aliviados por sabermos:

continuarão a ser animadas e ridículas,

nunca serão respeitadas, sequer ouvidas,

como nunca foram.

E deixaremos escorrer lágrimas de saudades

por aquelas que um dia foram

as crianças mortas de Gaza.

Pois afinal isso é absurdamente mais fácil,

mais bonito,

mais poético,

do que impedir que elas continuem sendo mortas

Agora.

claudinei vieira

 

0ni2

Poesia Exponencial

23 de julho de 2014

 

02_n

Poesia é a busca permanente

da Dança Primordial,

não importa se versa sobre

a borra de café derramado na pia,

ou do brilho das asas do anjo celestial,

da ânsia do amor perene do dia-a-dia,

da porosidade dos grãos da manteiga de cacau,

ou da melosidade venenosa e enfadonha do seu frias.

 

Poesia pode ser sobre a camiseta verde,

ou sobre o próprio verde da camiseta,

ou sobre o verde deitado no cinza do palestino morto

enquanto procurava outros cadáveres nos escombros,

mais do que nunca seus parentes.

Pode ser do verde sobre rosa

da copa de árvores a encobrir nascer do sol.

 

Não se pode dizer, no entanto, que Poesia não mentiria.

Na verdade, é a Mentira Primordial,

em busca da Dança Suprema.

Enquanto estamos vivos, poetamos.

Você poeta enquanto lê, sonha e deseja.

Nós poetamos, sim, eu e você,

em uma cumplicidade sorrateira

que nem imaginava existir.

Estamos aqui, eu e você, queira ou não,

cúmplices de Vida,

cúmplices de Morte.

Acredite. Pois se é Poesia.

Portanto Mentira fundamental,

beleza existencial,

Dança exponencial.

 

  •  

     

    claudinei vieira



    10509581_10152604041584759_4418249025191147202_n

    Tempo

    18 de julho de 2014

     

    Natural, vez por outra, tentarem agarrar o tempo

    (como se pudera encaixotar o Fluido).

    Isso já não é mais possível

    pois carrego eu o tempo,

    dentro de mim.

    Sopro-o pelas narinas e rugas.

    Ressuscito-o pelas retinas e rusgas,

    o tempo me come e regurgita-me todas as manhãs.

    Corta-me a carne, com olhares desconfiados;

    corta-me a carne, como velhos amigos que somos,

    ineludíveis um do outro, como sempre fomos.

     

    Natural, vez por outra, que ele pare. O tempo para,

    a sussurrar, ansioso:

    “Já não se foram todos os dias?

    Já não devemos arrotar os volumes de areia?

    Já não gozamos o puro e simples?

    E se andássemos?”

    assim meio acanhado, quase amedrontado.

    “E se andássemos?”

     

    Eu o carrego, como vêem.

    E, sim, quem sabe coubéssemos de andar,

    desencaixotássemos o fluido,

    desenrugássemos o ser.

     

    Haverá a hora, haverá a hora.

     

     

    TEMPO

    claudinei vieira

    foto: ‘The Old Man #5’ – Muhamad Saleh Dollah

    70_n

    azul nas calçadas do Rio

    16 de julho de 2014

    105_n

     

    Ainda há resquícios de azul

    nas calçadas do Rio de Janeiro.

    A fumaça azul das bombas de gás especiais

    metabolizou e se agarrou

    nas calçadas do Rio de Janeiro.

    O novo terror mudou de cor, agora é azul, e não larga

    das calçadas do Rio de Janeiro.

    O azul, dizem alguns passantes, está mais difícil de limpar

    do que o sangue vermelho de manifestantes,

    do que a consciência esbranquiçada de governantes,

    do que a falta de consciência dos policiais militares

    que chutam cabeças de jornalistas caídos

    nas calçadas do Rio de Janeiro.

     

    O azul é o sinal, a cor-símbolo dessa deliciosa nova democracia.

    É psicodélico, é moderno. É bonitinho.

     

    Por favor, não apaguem esse azul. Não lixem essa lembrança,

    pois nada mais foi deixado de lembrança,

    os carros estão circulando de novo,

    os passantes estão passando de novo,

    e o vermelho já foi lavado.

    Permitam que este seja o mais novo recordatório carioca,

    tal como um maracanã novinho, novinho,

    tal como um cristo redentor velhinho, velhinho

    (embora, emoldurado pelo sol de final de tarde vermelho-alaranjado).

    Mas estamos cansados de vermelhos-alaranjados.

    Vermelhos-alaranjados estão ultrapassados, são old style.

     

    No entanto, eu compreendo.

    Do azul das bombas de gás especiais

    das calçadas do Rio de Janeiro

    sobraram somente resquícios

    e algumas fotos.

    E, logo logo, até mesmo estes pequenos vestígios azuis

    acabarão encobertos e esquecidos.

     

    Até explodirem e azulejarem novas e fresquíssimas calçadas.

    Não faltarão calçadas.

    Nem azuis, nem laranjas, nem pretos cassetetes

    (os cassetetes são pretos?).

    Não faltarão calçadas.

     

    (claudinei vieira)

     

    106_n

    Medo e

    14 de julho de 2014

    Deixaremos desabar os cabelos e os sonhos?
    Por que não?
    Porque nada nos obriga a parar de flutuar, talvez.
    O medo de cair nos impede de flutuar, talvez.
    O medo de tocar seu beijo me nega de que te ame, talvez.
    E assim minhas únicas certezas são o medo
    e o talvez.


    claudinei vieira

     

    740113 (cópia)

    Abstrair a trajetória da gota de água na espada do samurai

    11 de julho de 2014

    abstrair?

    observar,

    acompanhar a trajetória de uma gota de água

    no fio da navalha de uma espada samurai.

    gorgolejar?

    não resistir,

    sentir na pele das costas da mão

    o sopro gelado da brisa da primeira manhã.

    envolver?

    dançar,

    perceber que, por mais que o dia se esgote,

    ainda estarei pleno. Por você.

    claudinei vieira

    tat

    Mergulhar

    7 de julho de 2014

     

    É como mergulhar,

    sondar no escuro, lembrar seus olhos,

    tatear suas coxas,

    lambuzar sua vagina,

    brincar seus seios,

    os bicos dos seios.

     

    É como se perder,

    rondar no escuro em caminhos torcidos,

    descobrir seu sono e sonhos somos irmãos,

    penetrar labirintos gozosos.

     

    É como. Amar.

     

     

    Claudinei Vieira

    mergulhar2

    Somente

    7 de julho de 2014

    somos eu e você

    estamos eu e você

    exalamos no universo

    certas moléculas

    na fúria e no desassombro

    em estouradas mentes, em cálices geminados

    no sopro dos ares

    na garganta e nos estômagos

    nas xavascas úmidas e nas toras entumescidas

    somente

    absolutamente

    eu e você

    claudinei vieira

    roxane2

    Cobrir

    7 de julho de 2014

    cobrir

     

     

     

    gostaria de lhe cobrir por inteiro

    assim como lhe cobre,

    nesta semi-luz,

    essa semi-escuridão.

     

    claudinei vieira

     

    Quedar-se

    28 de junho de 2014

    .

    ainda há muitas cicatrizes para serem feridas

    ainda para serem vividas

    tantos amores para serem sufocados

    sofreguidões a serem desbragadas

    lembranças magoadas

    cervejas bebidas

    torresminhos pururucas

    devidamente apreciados

    .

    No entanto

    por enquanto

    quedo-me aqui

    (Claudinei Vieira)

    quedar-se

    melancolia

    22 de junho de 2014

     

     


    tumblr_n7h80pNs101r2zs3eo1_500 (cópia)

    Existe um toque sensual na melancolia, um estado de tristeza lânguida, que transita (sem nunca tocar, chega perto, rodeia e se afasta) entre a euforia extrema, por um lado, e a depressão profunda, por outro. É um estado transitório e necessariamente de curto tempo, pois a sensualidade depende de um segundo de beleza, na transição do final de uma tarde preguiçosa, no minuto depois da transa, no gole de um café encorpado, na luz que penetra pela janela, no vento que brinca com suas pernas, ou na falta de vento que transpira na sua testa.

     

    claudinei vieira

     

    rastros

    20 de junho de 2014

    que do teu ser terno
    deixarás rastros;
    porém, que do teu amor soturno,
    levarei a memória.

    claudinei vieira

     

    10416593_10152528381659759_3975718456509814972_n

     

     

    tecido vermelho

    16 de junho de 2014

     

    O tecido se emaranha

    com o ar e forma

    a moldura escarlate que emparelha

    com meu fôlego e rouba

    minha atenção, motiva

    meu senso, aquece

    minha pele distante

    que só espera,

    que se arrepia

    com essa possibilidade

    (mesmo que também distante)

    de ajudar a emoldurar seu corpo.

     

     

     

    tecido vermelho

    claudinei vieira

    tecido vermelho234

    Mauina

    7 de junho de 2014

     

    Olena Mauina, me diz

    Onde estão teus olhos?

    Para onde estão teus filhos?

     

    Olena Mauina me diz

    Para dentro demais

    Para caminhos a mais

    O olho não crê na lonjura.

     

    O coração não se parte de novo?

    O corpo não se sente um estorvo?

    O horizonte não estará aqui?

     

    Olena Mauina se afasta de mim

    e nada diz.

     

    Mauina

    Luz na água

    3 de junho de 2014

    Gosto de jogos de luzes na água. Gosto que sejam jogos de luzes que refletem em um corpo nu. Jogos de luzes que iluminam o corpo, rebatem na água, rebatem no corpo, se dissolvem na água, me deixam sem fôlego, enlevam meus sentidos.

    Yara-Khmidan-Topless-In-The-Pool-Photographed-By-Leonardo-Corredor-06-900x675