Posted tagged ‘São Paulo’

crônica de um suposto governo de um certo estado paulistano brasileiro

28 de março de 2015

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– Sr. Governador, os professores estão em gre…

– Não.

– Não?

– Não.

– Desculpe, Sr. Governador, mas não estou entendendo. “Não” o quê?

– Não está tendo falta de água em São Paulo.

– Ok… e os professores?

– Professores? Não são aqueles que dão aula, coisa assim?

 

——

 

– Prepara o papel e a caneta.

– Pronto, Sr. Governador.

– Ótimo. Escreve aí: NÃO ESTÁ TENDO GREVE.

– Nao … Es… Tá … Tendo… Greve. Assim está bem?

– Muito bem. Agora escreve mais cinco mil cartazes desses e distribua nas escolas.

– Cinco mil, senhor? Eu, eu não vou conseguir fazer isso sozinho.

– Isso é o que dá ficar tomando água o dia inteiro, fica preguiçoso! Tá bom, tá bom. Manda uns professores aí em cada escola e os diretores também, e colem nas paredes.

– Tem escola que não vai ter professor pra isso, Sr. Governador.

– Então, coloca os alunos, ora essa. Não estão fazendo nada mesmo.

– Mas, teoricamente, eles estão em aula, né?

– Exatamente! Você entendeu tudo.

– Pra dizer a verdade, não entendi, não, Sr. Governador. Os professores não estão em gre…?

– Não.

– Não?

– Não vai ter rodízio de água em São Paulo.

– ãhn…

(suspiro) – Vamos começar de novo: NÃO ESTÁ TENDO GREVE. E escreve com o til, dessa vez.

 

———–

 

– Sr. Governador, trinta mil professores na Avenida Paulista, hoje.

–     ….

– Sr. Governador…?

–     …

– Trinta mil…  na paulista…

–    …

– ‘Tão perguntado pelo senhor.

–    …

– Eu vou tomar um copo d’água.

 

————

 

– Senhor! 60 mil professores na Paulista! E estão prometendo cem mil na semana que vem. Votaram a continuidade da greve e tudo.

– 60 MIL? Como você ficou sabendo disso? Quem foi que teve o descaramento de dizer isso? Passou na televisão? Naquele nosso telejornal? Ou a Folha resolveu fazer jornalismo justamente agora?!

– É claro que não, senhor! Tá tudo na interneti, imagens, vídeos. Se o senhor calcular a quantidade de pessoas pelo tamanho da avenida…

– Não importa. Fala para os calculistas da PM dizerem que havia 20 mil, no máximo.

– Eles já disseram que havia dez mil.

– Melhor ainda. Que mais?

– O senhor vai dar alguma declaração à nossa imprensa?

– Meu filho, eu não faço declarações. Não fui eleito governador para ficar dando declarações! Mas, enfim, se eu for obrigado (suspira) digo algo simples, anota aí:

– Pode falar, senhor.

– “Greve? Que greve? POR QUE NÃO ME AVISARAM ANTES QUE ESTÁ TENDO GREVE DE PROFESSORES?!”

 

claudinei vieira

 

‘Dessalinização da água do mar’, mais um projeto a nos chamar de Otários, Imbecis.

12 de fevereiro de 2015

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Acredito que, por mais bizarra e estúpida que a situação possa chegar, é sempre , sempre, possível piorar. Dessalinização da água do mar para salvar uma cidade regada por dois grandes rios. Uma cidade que foi construída, que nasceu, ao longo, e por causa de, dois grandes rios. Rios entupidos de poluição e que servem de desculpa para desvios escancaradamente vergonhosos de dinheiro para sua presumida despoluição há mais de duas décadas. Tudo o que São Paulo precisa é justamente mais uma obra faraônica que, todos sabemos, nunca será construída, todos sabemos servirá para mais um enorme escoadouro de dinheiro público que sumirá em leitos desconhecidos, todos sabemos.

Enquanto os rios continuarão poluídos, enquanto os paulistas continuarão sofrendo de seca ao lado dos seus rios, enquanto os paulistas continuarão pagando a conta cada vez mais cara mesmo que não tenha água, enquanto os tubarões da água continuarão lucrando e lucrando e rindo das nossas caras, e certamente enquanto se dão tapinhas nas costas e se regozijando por conseguir ideias para arrancar cada vez mais dinheiro dos trouxas, devem estar nos chamando (todos os dias, todos os dias) de Imbecis, Ignorantes, Otários, Otários.

Com toda a razão.

http://sao-paulo.estadao.com.br/…/geral,dessalinizacao-de-a…

 

Quando o Governador Chuchu decretar Estado de Calamidade Pública Seca em São Paulo…

7 de fevereiro de 2015

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Quando o DesGoverno do Estado de São Paulo, o nosso querido Governador ‘Chuchu Seco Mais Seco de Todos os Tempos’ Geraldo Alckmin ao final e ao cabo, finalmente for obrigado a decretar Estado de Calamidade Pública por conta da Gestão Criminosa e Irresponsável dos recursos hídricos do Estado,

 

Quando a população mais carente e mais desprotegida começar a morrer, ou por doença de água contaminada ou pura e simples falta de água;

 

Quando o comércio e a indústria começarem a paralisar por conta de medidas que não foram tomadas (e que podiam ter sido tomadas, e as quais todos os responsáveis estavam plenamente conscientizados);

 

Quando afinal o caos estiver instalado, tenham certeza de algumas coisas simples:

 

– o Governador Chuchu jamais admitirá o Estado de Calamidade, que seria uma mancha em suas pretensões à Presidência ou outros caminhos ainda mais chuchuzentos que quiser trilhar. Portanto, no máximo, dirá que adotou Medidas de Contenção das Vidas dos Paulistanos. E mandará a querida Polícia Assassina Militar Paulista bater e arrebentar quem ousar fazer reclamações ou manifestações;

 

– Tenham certeza de que , quando o Estado de Calamidade (ou qualquer que seja o eufemismo ridículo e hipócrita que adotem), nem será o próprio Chuchu a divulgá-lo: será por seu secretário ou porta-voz ou mesmo pela imprensa babona subserviente paulistana. Ele mesmo terá tido uma ausência ou férias estratégicas. Tudo para não manchar sua ascensão e suas pretensões a se candidatar a algum cargo presidencial brasileiro que estiver sobrando;

 

– Tenham certeza que os acionistas nunca terão seus direitos aos lucros contestados, mesmo que isso signifique a plena instauração do Estado de Calamidade Pública. Mesmo porque eles já sabem que seus lucros estão vindo do sangue dos pobres;

 

– Tenham certeza de que, quem não estiver morrendo, estará pagando pela conta da crise total, os lucros dos acionistas não serão compartilhados para amenizar a situação, nem as grandes indústrias terão seus privilégios ‘aquíferos’ tocados. E quem não se conformar e tentar resistir, sempre haverá a Polícia Assassina Militar Paulista a postos.

 

– Independente de quantos estiverem morrendo por conta da Crise Criminosa da água, os 30% de água que estão sendo até agora desperdiçados (jogados fora!) por causa dos vazamentos dos canos podres continuarão sendo 30% jogados continuamente, diariamente, fora. Provavelmente, aumentarão.

 

– Geraldo Chuchuzinho Alckmin continuará intocável. A culpa é do PT, sempre foi do PT, sempre será. E o PT continuará com sua cara de sonso bobo alegre deixando-se levar a culpa de toda a incompetência e corrupção (as suas e as dos outros). Se é que não vai chegar a acordos espúrios (tão constantes, tão nojentos, tão inúteis) para garantir uma coisa chamada… como era mesmo… ‘governabilidade’, é isso, PT?

 

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A volúpia da repressão

29 de janeiro de 2015

– Depois de manifestação pacífica, POLÍCIA MILITAR JOGA BOMBAS DE GÁS DENTRO DE ESTAÇÃO DO METRÔ –

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Além de tudo, existe a volúpia da repressão, da porradaria. Da expressão do poder físico através do prazer da violência. Não só o o treinamento, o condicionamento da inconsciência, da falta de sentimentos. Sim, a repressão precisa despersonalizar os corpos arrebentados, sufocados, presos, torturados, precisa vê-los (é treinada para isso) não como seres, mulheres ou homens, e sim como carne para ser batida, humilhada, pisoteada. Mas também é necessário que os agentes da repressão assassina, sinta (e solte, extravase) o seu sentido de prazer, de gosto. Bater, sufocar, prender, matar (a polícia militar paulistana é uma das forças de repressão mais assassinas do mundo, mata mais do que todas as forças policiais dos Estados Unidos) deve poder dar ao agente uma forma de gozo.

Truculência, destruição, falta de empatia, falta de consciência, e sadismo. Os elementos constituintes da força da repressão.

Os policiais militares soltaram bombas de gás DENTRO da estação de metrô, deu para entender? Pois eu estou até agora tentando absorver a notícia. A avalanche de policiais militares não seria suficiente para coibir os poucos manifestantes que se expressavam lá dentro?

Não. Porque a polícia militar quer sangue. O seu sangue. Não importa se de homens, mulheres ou crianças. Não importa quem estava na frente, dentro ou fora dos vagões, dentro ou fora da manifestação, dentro ou fora da estação. A polícia militar quer bater. Quer se divertir. Não importa quem está na frente, ou abaixo, do cassetete, quem está sendo sufocado pela fumaça da bomba de gás, seja homem, mulher ou criança.

 

http://mais.uol.com.br/view/e0qbgxid79uv/na-maior-parte-do-tempo-tranquila-manifestacao-acaba-em-tumulto-e-bombas-0402CC1A326AD4995326?types=A&

Quem vive no mesmo planeta (seco) de Geraldo Alckmin?

28 de janeiro de 2015

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é isso. Depois de tanto tempo dizer que nunca faltaria água em São Paulo, depois de tanto repetir que não faltaria água em São Paulo, depois de falar que não haveria racionamento, depois de mentir dizendo que não estava havendo racionamento na surdina, depois de ignorar durante DÉCADAS as advertências dos técnicos, depois de se esquivar repetindo babaquices como consumo restrito, depois de delirar em projetos de reformas que somente serão funcionais daqui a vários anos e do qual não se ergueu nem Uma simples vírgula do papel, depois de continuar implementando uma criminosa INgestão INadministrativa dos recursos hídricos da cidade, além de continuar não fazendo nada contra o constante desperdício de água jogada fora diariamente, depois de demonstrar que não possui a menor ideia, absolutamente a menor ideia, do que fazer para o descalabro imediato que acontecerá logo, logo, OBVIAMENTE, as duas (2) únicas medidas que um governo do seu naipe sabe tomar são as duas (2) únicas que tomará:

em primeiro, Multas pesadas para a população mais carente e mais desprotegida (e, de quebra, garante uns trocos para não prejudicar os lucros dos acionistas);

e, em segundo, como antes não regularizou um racionamento ‘racional’ e inteligente, será obrigado agora, por conta das secas condições, a realizar o racionamento cem vezes piorado:

RACIONAMENTO DE ÁGUA EM SÃO PAULO SERÁ DE CINCO DIAS SEM ÁGUA PARA DOIS DIAS COM ÁGUA.

E, se você está achando que isso será realmente o pior ou que tudo melhorará quando as chuvas, um dia, voltarem ou acredita que a culpa de toda a crise é porque há pessoas lavando os carros na calçada, cara, eu preciso perguntar:

Em que planeta você vive?

Solução Alckímica? Polícia Militar.

20 de janeiro de 2015

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Para São Paulo, a solução Alckímica repressora-místico-política-assassina.

Para calar a boca (a cabeça, espinha, dignidade) de manifestações políticas legítimas: Polícia Militar.

Para proteger as valiosas vitrines de burgueses proprietários da sanha destruidora dos manifestantes: Polícia Militar.

Para assassinar diariamente a população negra (e ainda posar de coitadinha): Polícia Militar.

Para assassinar crianças e impor, na prática, a redução da maioridade penal: Polícia Militar.

Para assassinar a periferia e ‘elementos suspeitos’ indiscriminadamente e impor, na prática, a execução da pena de morte: Polícia Militar.

Para atiçar e fazer gozar a mentalidade proto-fascista da população paulstana: Polícia Militar.

Para curar resfriados, diminuir o calor, recuperar amores perdidos, acertar na loteria? : Polícia Militar, por que não?

Surpreendentemente (ou não) a Polícia Militar não tem servido para : Solucionar a criminosa gestão irresponsável de um governo que resultou na pior crise hídrica de uma das maiores metrópoles do planeta (e ainda posa de coitadinho) (mas vai servir para reprimir com toda sua meiguice habitual quando a população paulistana perceber que estrá entrando em um caos seco);

a Polícia Militar não tem servido para solucionar o escandaloso caso de corrupção no Metrô (e convenientemente meio esquecido pela tal mídia) (mas servirá para reprimir qualquer manifestação ou greve de funcionários que ousarem questioná-los);

e a Polícia Militar não tem servido para melhorar a cara de sorvete de chuchu do nosso querido governador que nunca parece realmente se importar com todas essas questões (ou, então, a marca do óleo de peroba que utiliza é realmente poderosa).

Enfim, à nossa poderosa, portentosa, brilhante, meiga, gentil, assassina, repressora, encapacetada, inidentificável, e sorridente (por baixo do capacete) POLÍCIA MILITAR do Estado de São Paulo, um pequeno lembrete: amanhã, dia 20, tem mais manifestação contra o aumento dos ônibus e pela tarifa zero (portanto, contra as máfias do transporte paulistano) e pela real valorização do povo.

Nos encontramos lá.

um beijo.

 

Votação em Tiririca, Maluf, Feliciano, e Alckmin, demonstra o quanto os paulistanos são coerentes

18 de setembro de 2014

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Pois então, assim como muitos, também fiquei espantando, aturdido até, quando fomos informados do páreo dos deputados com maior intenção de voto em São Paulo: em primeiro lugar, Tiririca. Em seguida vem Celso Russomano, Paulo Maluf, Baleia Rossi, e Marco Feliciano.

Surpreso? Não exatamente. É mais como um gosto amargo do que sabíamos estar podre e, mesmo assim, temos esperança de que a podridão não fosse tanta, tão mal cheirosa, tão encardida. Mas, no final, sim, está tão podre quanto temíamos.

Um comentário em um post alheio me fez pensar (peço desculpas ao comentarista, não guardei o nome) de que uma coisa que, na verdade, não se pode culpar os paulistanos é que não sejam coerentes. E ele tem toda razão.

Os que vão votar em Feliciano, Paulo Maluf, Tiririca, são os mesmos que aplaudem a repressão às manifestações de rua, são os mesmos que chama de vagabundos os sem-tetos que foram enxotados para a rua de prédios que ficarão vazios para especulação, são os mesmos que apoiaram a ação da Polícia Militar em Pinheirinho e não vê realmente grandes problemas na mortandade de jovens negros e pede, quase com desespero, que a idade para penalidade criminal seja diminuída (e, ao mesmo tempo, não se indigna que um criminoso internacional reconhecido pela Interpol e que não pode por os pés fora do país concorra e possa ganhar novamente um cargo político). São os mesmos que não se importam com ataques a homossexuais, e acreditam que incriminar pessoas por racismo é um exagero.

Não só isso. São também os mesmos que sofrem exatamente todas essas ignominias e segue impávido, como se nada disso fosse com ele. Sofrem com a repressão, com a violência, com o descalabro dos transportes, com o racismo, da mesmíssima forma que todos os outros. Vai morrer de sede como todos os outros. Mas é paulistano. Isso acontece com os outros, não consigo, não com seus familiares. “Aquele bicha merecia morrer, mesmo; eu não tenho filho gay”, e se tiver “a igreja pode curar”. “A falta de água é porque não tá chovendo”, “é porque o povo joga lixo na rua”. Os corruptos são sempre os outros. Os racistas são sempre os outros.

O modo como uma população pode assistir o colapso de um sistema de fornecimento de uma das maiores cidades do planeta e, mesmo assim, vai eleger exatamente o responsável por isso acontecer (“A falta de água é porque não tá chovendo”) é uma das incógnitas maiores do universo e não tenho a menor pretensão de realmente entendê-la. Há várias respostas sendo oferecidas, e quem souber a resposta ganha um copo de água. Ou de lodo, a preferir.

Sadomasoquistas? Proto-fascistas? Ignorantes? Um pouco de tudo e tudo ao mesmo tempo.

Seja o que for, não se diga que não são coerentes. São.

ps. uma nota especial em relação ao Tiririca:

Não tenho exatamente grandes críticas a ele , não. E também achei um absurdo a forma vergonhosa, preconceituosa, de tentarem lhe negar o direito de concorrer. Sempre tive certeza absoluta que ele, como político, seria exatamente como foi: presença constante no trabalho (acredito que seja o político com menos falta de todo o país), embora irrelevante como força política. Anódino. O meu post foi sobre os eleitores. Quem o coloca como primeiro das intenções de voto não se diferencia ideologicamente em nada dos que também votam nos outros quatro colocados e no Alckimin para governador. Sua eleição (e, pelo visto, sua reeleição) nunca foi um voto de protesto; evidenciou muito mais o vazio (psicológico, social, político) dessa direita reacionária paulistana niilista que, quando é ‘séria’, ‘assumida’, vota nos malufs, felicianos e etc.

 

os despejados de São Paulo e a lógica capitalista da felicidade

17 de setembro de 2014

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A lógica capitalista é simples, nem precisa muita matemática:

– prédio parado, abandonado há dez anos, no centro de uma das cidades mais caras do mundo, é ótimo para especulação, dinheiro para o dono;

– oitocentas pessoas morando neste prédio não proporciona o lucro para o dono do prédio;

– oitocentas pessoas precisam ser despejadas;

– o poder judiciário se rende à essa simples equação;

– o poder militar age para garantir essa equação;

– o dono fica feliz;

– as pessoas que ocupavam o prédio e que não terão nenhum lugar para ficar (a não ser ao ar livre) não ficarão felizes (mas isso não interessa ao poder judiciário, ao poder militar, ao poder do capital;

– perfeito, o prédio está pronto para ficar mais dez, vinte anos, parado, abandonado, rendendo lucro na especulação financeira imobiliária capitalista

e há os que aplaudem, delirantes de alegria com a eficiência do capitalismo paulistano

Pelo menos desta vez, negros não foram presos, mortos ou desaparecidos por terem tido a ‘ousadia’ de comprarem um tênis

3 de setembro de 2014

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Imagem emocionante. Resultado de uma história horrorosa. Tanto mais horrível quanto comum, cotidiana, corriqueira. Não corriqueira foi a reação:
Pai está comprando tênis com seus dois filhos. São enquadrados por policiais militares que receberam, segundo dizem, uma denúncia de roubo. O pai se revolta, contesta, protege os filhos com os braços, o policiais militares avançam com o conhecido modo ‘gentil e delicado’ de tratar cidadãos que são ‘suspeitos’ a priori por serem negros, ameaçam prendê-lo por desacato. Forma-se uma multidão ao redor que rapidamente compreende o que está acontecendo e se revolta, apoiando os cidadãos e esculachando os policiais.

A imagem mostra o momento (separado por mim do vídeo postado pelo Nicolas Faria (http://on.fb.me/1A1npQQ, espalhado pelo facebook) em que o pai brande no ar o recibo da compra dos tênis. Observem o momento de triunfo, de desafogo. Observem os policiais tensos, assustados até (inclusive, um deles está com a mão na arma, preparado para … o que? atirar na multidão?). E a multidão (que não é pequena, conforme se vê no vídeo) grita ‘Preconceito!’ ‘Preconceito!’

E se não houvesse testemunhas? E se não fosse pelo apoio da multidão? E se os celulares não estivessem gravando a cena? E se não tivessem entregue ao pai o recibo da compra dos tênis naquele exato momento? Como bem disse Ana Maria Gonçalves em seu perfil no facebook: “É bem provável que os três seriam apenas estatísticas, vítimas de mais um auto de resistência, se a abordagem tivesse sido feita sem testemunhas.”

A imagem me é emocionante. É triste, revoltante. Mas, pelo menos desta vez, três cidadãos brasileiros não foram presos, mortos ou desaparecidos, pelo crime de serem negros e cometerem a ‘ousadia’ de comprarem tênis.

 

amores centrais

17 de agosto de 2014

o amor se perde nas voltas de umas vielinhas

do centro de São Paulo, encarquilhado,

sorumbático pedinte de sentimentos alheios,

solitárias transversais.

 

os amores se viram e descem as ruas augustas

do centro de São Paulo, indistinguíveis atores mutantes,

correntes de subterrâneas amargas emoções transfiguradas

insinceras e universais.

 

os grandes amores se curam e se encontram em praças roosevelts

do centro de São Paulo, quando não são detidos por policiais montados,

também buscadores dos seus próprios grandes amores refugiados,

quando se permitem sair de suas cascas uniformes de metais.

 

somente eu sei que o verdadeiro amor é você,

solta pelas ébrias gélidas ruas chuvosas

do centro de São Paulo,

e quando o encontrar,

acredite-me,

São Paulo nunca mais será a mesma.

claudinei vieira

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poema urbano para aquecer chuva

3 de agosto de 2014

 

Quero lhe dizer

não, Preciso lhe dizer

– cuidado, deixa o carro passar -,

não pretendo lhe atrasar mais,

porém, é muito importante

– cuidado, deixa a moto passar,

deixa o sinal abrir,

cuidado, deixa meu coração transbordar -,

o pingo da chuva gelada

não acalenta seu rosto:

 

Gostaria de lhe dedicar um poema urbano,

uma trilha de palavras paulistanas

que lhe ajudem a atravessar o dia,

a secar o pingo gelado na testa,

a pisar pelas listras molhadas da faixa de pedestre.

 

Quero que sinta este poema

como o primeiro gole do café da padaria,

como a primeira onda do cheiro da manteiga

do pãozinho na chapa,

como a primeira lembrança morna

de nossos corpos ávidos de calor noturno.

 

E lembre que o primeiro sorriso que lhe acordou

nesta madrugada aturdida de frio paulistano,

o sorriso de uma boca torta ainda sonolenta

já saudosa dos agasalhos insuficientes,

este sorriso que lhe aquecerá durante este dia inteiro

mais do que aqueles agasalhos insuficientes,

aquele meu sorriso, ainda que torto, ainda que meio-frio,

foi a primeira letra do primeiro verso

deste poema urbano que lhe dedico.

 

claudinei vieira


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descongelar ruas

3 de agosto de 2014

 

 

o frio envelhece as ruas de São Paulo,

já encarquilhadas de ventos gelados passados

incrustados nas torrentes de mendigos descobertos

por folhas de linho desbotadas.

 

falta poesia em São Paulo, talvez?

não

falta poesia em São Paulo

talvez

 

A meteorologia diz

neste ano, passamos pela tarde mais fria

A meterologia não diz

que assim esteve congelada a poesia

e pessoas de rua.

Tecnicamente falando,

a meteorologia esqueceu das pessoas de rua,

ela sempre esquece.

Assim como São Paulo.

 

A poesia, porém, não aquece as avenidas e praças, sinto dizer.

Podemos, deveríamos, saltar por prédios.

Podemos, deveríamos, plantar montanhas.

Podemos, deveríamos, descongelar ruas.

Inclusive, o poeta.

 

claudinei vieira

A Carne da Praça Roosevelt

2 de julho de 2014

 

Dia 01 de Julho: A noite do ataque.

Uma reunião ao ar livre, reunindo algumas centenas de pessoas, com mesas abertas e discussões, pedindo o fim da prisão arbitrária de ativistas, ocorridas há poucos dias.

Não houve passeata, não houve quebra-quebra, não houve blackbostas, não atrapalhou ruas, não fechou acessos.  O único propósito explícito, escancarado, descarado, da presença da Polícia Militar, com tropa de choque, cavalos, e tudo, foi a da repressão, pura e simplesmente, da democracia, da liberda1048de de expressão, da garantia de integridade do ser humano. Neste dia 01 de julho, a Polícia Militar declarou, com suas ações, que não há Democracia nesta parte do sistema político brasileiro. Neste momento, quem manda em São Paulo é a POLÍCIA MILITAR. Ordenada pelo governo estadual, referendada pela prefeitura, consentida pelo presidência.

Seis pessoas presas, algumas espancadas até à inconsciência, revista insultuosa de mochilas e pessoas, falta de identificação de qualquer policial, filmagem agressiva dos manifestantes, sem nenhuma provocação, sem nenhum tumulto, sem nenhum motivo. E, mesmo assim, houve as prisões, houve o cerceamento, houve a tortura psicológica, houve as pancadas, e houve explosão de bomba de 103_ngás. Se tudo não degenerou para a porradaria ainda pior costumeira, foi pela organização do evento que conseguiu acalmar e equilibrar a indignação dos presentes para não cairem na provocação dos policiais e poderem continuar as discussões.

Quem puder não ver, não veja; quem puder não ouvir, não ouça. Mas entenda, nada disso acaba aqui. Entenda, o pior sequer começou. Só está se instalando. Ou melhor dizendo, só está assumindo que já instalado.

O antigo pretexto de se manter a ordem para garantir a realização da Copa do Mundo é agora somente uma desculpa de luxo. Entenda: daqui para frente (se algo realmente sério não acontecer para impedir) Qualquer manifestação será proibida, de atos de contestação a churrasquinhos com amigos; Qualquer aglomeração será perigosa; Qualquer pensamento será subversivo. E a querida plateia, que aplaude e goza abertamente, ou os que sorriem pra si mesmos às escondidas, seja de qual partido ou agremiação política que for, deveria saber que quando a Besta-Fera se instala, se acomoda e aprende a comer carne, é carne e sangue que quererá continuar comendo. E carne não tem diferenciação de partido ou agremiação política.

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COPA DAS TROPAS

18 de junho de 2014

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É isso.
No Cambuci, em São Paulo, famílias comemoravam o resultado do jogo do Brasil. Famílias faziam o que era comum acontecer em dia de jogo do Brasil, em qualquer campeonato, principalmente em Copa do Mundo. Festejavam. Se divertiam. Haviam pintado ruas, pendurado bandeirinhas.
Não pode mais. Não se deve mais. A não ser que a PM goste. E a PM não gosta. Não o povo.
Polícia Militar está gostando do clima. Agora não estão parando mais. É como vício. Precisa bater. Precisa reprimir. Aliás, como sempre foi. Como sempre fizeram. A diferença está sendo a ampla divulgação, a exposição. Não estão com vergonha de mostrar o que sempre cometeram.
No Cambuci, em São Paulo, não era manifestação, não era protesto, era festa.
“depois das 22h não tem festa, som aqui tá proibido”, disseram.
E contra som alto, como todo mundo sabe, como a PM sabe, a única atitude, a única providência, é bater, atirar balas de borracha, jogar bombas de gás.
É isso.
Copa das Copas.
Copa das Tropas.

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http://bit.ly/1uDBwt1

Favela do Moinho. 20 de setembro de 2012. A especulação imobiliária vigia e goza.

21 de setembro de 2012

A imagem não diz tudo? A imagem é insuficiente? Então, permitam-me acrescentar:

Morram.

Morram queimados. Em um dos vários incêndios, das dezenas que, ‘por coincidência’, estão acontecendo em seguida em São Paulo. Se do fogo escapar, morra no SEGUNDO incêndio. E se mesmo assim sobreviver, que seja impedido de retomar sua vida, que os guardas, policiais, os funcionários da ordem e da manutenção do bem público (desde que, bem entendido, por Bem Público não esteja se referindo aos Seus bens ou a sua Vida) estejam a postos para para impedir que reconstrua seu miserável barraco.

Morram. Pelo descaramento, pela desfaçatez, pela Ousadia de tentar existir ao lado de terrenos valorizados. Que valem Dinheiro. E sua presença está impedindo que eles continuem ganhando Dinheiro.

São Paulo está queimando. Está sendo higienizada. Purificada pelo fogo. Por uma das gestões mais bizarras, irresponsáveis e (se revelando cada vez mais) criminosas que esta cidade já teve (e olha que São Paulo é especialista em políticos bizarros e catastróficos).

São Paulo queima. E a especulação imobiliária ri, agradece, vigia e goza.

ps – para acrescentar mais um toque de bizarrice, veja-se esta página da Globo online: noticia a ação da Guarda Civil Metropolitana de impedir os favelados de reconstruírem seus barracos na Favela do Moinho e coloca do lado uma caixinha de marketing imobiliário… Chamar de ‘ato falho’ é pouco, muito pouco.

 

 

Quem se importa com favelas queimadas em São Paulo?

28 de agosto de 2012

 

Um ou dois incêndios são horríveis (além de causarem desconforto para os moradores de São Paulo e atrapalharem, ‘complicarem’, o trânsito, segundo a revista Veja). Três ou quatro incêndios em favelas talvez demonstrem algo mais sério, quem sabe as péssimas condições de habitação dos favelados, talvez o tempo seco e o clima, talvez a indiferença geral por bolsões de miséria. Talvez, aliás, não seja coincidência, três ou quatro incêndios.

Centenas de favelas incendiadas nos últimos anos em São Paulo, 28 SOMENTE EM 2012 (mais do que em todo ano de 2011, 24 incêndios). O que é necessário para configurar que uma onda de crimes odiosos dirigidos contra uma parcela particularmente pobre da cidade de São Paulo está acontecendo?! O que é necessário para, pelo menos, realizar uma investigação séria e começar a tratar esses acontecimentos não somente como tragédias, mas como Atos Criminosos constantes e repetidos?!

Mas, talvez não seja importante investigar isso. Talvez não para os interesses paulistas (aliás, quantas destas favelas estão ao lado de bairros de zona ‘nobre’ ou de terrenos com interesses imobiliários?, só para saber). Talvez sejam somente, e ao final, favelas.

E quem se importa com favelas? O ‘poder público’?, prefeituras, governo de estado?

Aliás, quantas faltam para serem queimadas?

 

 

 

Policial Militar pode ganhar gratificação se matar menos. Se matar MENOS!, entendeu?

9 de agosto de 2012

 

PM que matar menos poderá ganhar gratificação em SP. Que matar Menos! ‘Brilhante’ estratégia do comandante-geral da Polícia Militar, Roberval Ferreira França, para reformar a corporação.

O impressionante aqui não é nem a entusiástica acolhida que o governador Alckmin deu a essa ideia (que, na prática e de fato, diz o seguinte: vocês não precisam ser treinados para serem policiais de verdade e proteger as pessoas, basta um biscoitinho para ficarem contentes), nem mesmo a mensagem que passa para a população (eles podem continuar matando e matando, só estou pedindo para que matem um pouquinho menos, por favor…).

Não.

O pior mesmo é o nível e o tom dos comentários que reagem a essa notícia, onde a maioria revoltada com o governador diz que deveria ser o contrário, os pms deveriam ganhar mais por matar o máximo possível!
Eu sei. Estou sendo implicante. Não há nada de surpreendente com a profundidade das inclinações fascistas, racistas e violentas de uma boa parte da população paulistana. Mas não posso evitar: quando o lôdo humano se agita, é sempre um espetáculo nojento que me revira o estômago.


http://br.noticias.yahoo.com/pm-matar-poder%C3%A1-ganhar-gratifica%C3%A7%C3%A3o-sp-141100609.html

 

 

Polícia Militar e São Paulo: uma cidade em estado de coma

3 de agosto de 2012

 

“Foda-se você e sua quimioterapia”
Não se use mais gorros em São Paulo!
Não se sofra mais câncer em São Paulo!
Não tente parecer ser usuário de drogas em São Paulo!
É provocação! É querer ser humilhado pela nossa gloriosa e portentosa Polícia Militar.
Careca após químio, homem é confundido com criminoso.
Obrigado a ficar de pé durante duas horas com uma submetralhadora apontada para sua barriga, ouvindo “ladrão sem vergonha”, “careca safado” e “vagabundo”, Lecio Panobianco Jr tentava dizer que usava gorro por causa do tratamento da quimioterapia.
E quando esclarecido que não era criminoso, o PM mandou pegar o gorro caído no chão com um ‘dispensado, careca vagabundo’.
E assim se segue a vida, em uma São Paulo em estado de coma, protegida por essa nossa meiga, faiscante, esfuziante Policia Militar de São Paulo.

 

 

Tragédia mais-do-que anunciada no Metrô de São Paulo. E um filme francês.

18 de maio de 2012


‘O Ódio’ (‘La Haine’) é um filme francês de 1995 que acompanha as perambulações de um dia e uma noite de três adolescentes por uma Paris semidestruída por conta das violentas manifestações e da brutal repressão policial que aconteceram na noite anterior, que levaram um amigo deles ser espancado por policiais e ser internado em estado de coma, sem expectativas se sobreviverá ou não.

Uma história, uma anedota, contada logo no início, acompanha o filme, o de um suicida que ao saltar de um prédio vai contando os andares: ‘Décimo andar e, por enquanto, tudo bem’, ‘Nono andar e, por enquanto, tudo bem’, ‘Oitavo andar e, por enquanto, tudo bem’. Essa contagem é mostrada ao longo do filme e pontua as cenas, prenunciando que o final não será bom.

– Desta vez, não houve mortes no acidente do Metrô. Ainda. Podemos ficar contentes, portanto, que a população paulista só continuará a ser tratada como gado, cada vez mais espezinhada e humilhada, à espera do próximo acidente, da próxima confusão, e quem sabe, da próxima tragédia que todos sabemos acontecerá, mais cedo ou mais tarde, pois o descaso é histórico, é endêmico, parece genético aos nossos patéticos governantes.

A tragédia posta e prevista está mais, muito mais, do que anunciada! Está sendo praticamente construída aos nossos olhos, refinada, acumulada e garantida pela Incompetência, pela Estupidez, pela Ganância.

Em São Paulo está a se tramar uma versão brasileira, à la Paulistana, ao vivo, a cores e com sangue, do filme ‘La Haine’, cujo tradução em português está sendo: ‘Estação Vila Matilde e, por enquanto, tudo bem’, ‘Estação Tatuapé e, por enquanto, tudo bem’, Estação Sé e, por enquanto,…

 

 

Grafite que Gilberto Kassab não mandou apagar

22 de março de 2012

Em um muro velho, no centro da cidade.

Claro que é na Place Pigalle, em Paris. Se fosse em São Paulo, o Kassab já teria mandado derrubar o muro. Ou apagar primeiro, para depois derrubar o muro. Para ter certeza absoluta de que o grafite desapareceria por completo, nenhum sinal da arte.

Pelo menos, o Kassab ainda não mandou fazer isso com os próprios artistas. Por enquanto.

 

 

Morte às Estátuas Vivas?

14 de março de 2012

Pessoalmente, são personagens do cotidiano urbano que me incomodam um pouco. Fico agoniado só de pensar no trabalho e a dedicação que estes artistas precisam realizar (só a montagem da roupa e da maquiagem deve dar um suadouro danado), além das muitas horas debaixo de sol, para conseguirem alguns trocados (e imagino que ainda devam aguentar muita zoeira de passantes). Não gosto e, na verdade, acho até feio.

No entanto, muito mais feia, e me provoca agonia muito maior, é a mentalidade higienista de políticos, como o nosso caríssimo prefeito/quase/aliado/do/pt Kassab que agora proibiu o pessoal das Estátuas Vivas no centro da cidade. Só para lembrar rapidamente, ele tirou os letreiros e cartazes para limpar a poluição visual, proibiu artistas e atores de rua, tirou a feira de artesanato da praça da república, apagou grafites de artistas reconhecidos internacionalmente, queria tirar as bancas de jornais (pelo menos, da avenida paulista)! É um portento higienista este nosso prefeito!

E a última é essa de querer matar as estátuas vivas. O medo é saber que ele ainda tem muitos meses para inventar muita coisa até o final do ano.

Brevíssimo curso sobre armas letais e não-letais em Pinheirinho

22 de janeiro de 2012

Breve curso sobre armas letais e não-letais em Pinheirinho:

Segundo estou entendendo, o comando da Polícia Militar que agiu hoje em São José dos Campos diz que sua invasão foi realizada ‘pacificamente’ e sem a utilização de armas letais, somente com armas de bala de borracha e bombas de efeito moral, essas coisas. Contrariando tudo o que foi observado hoje (ou, pelo menos, o pouco que eles permitiram que pudesse ser observado) pelos que estavam no local ou por aqueles que acompanharam pelas redes.

Quem sabe isso não seja realmente culpa do comando militar? Quem sabe, mais uma prova de sua ignorância? (parafraseando um amigo filósofo meu, Héctor Camillo, ‘nunca duvide da ignorância da Polícia Militar; ela não é conhecida exatamente pela sua inteligência’). Por isso, montei uma pequena explicação sobre armas de borracha e as não-de borracha (com imagens e tudo) para que até mesmo um ignorante funcional em relação à armas, como eu ou o sargento serginho, saiba distingui-las sem problema nenhum:

Pinheirinho : Reintegração de sangue

22 de janeiro de 2012

Domingo de manhâ, dia 22 de janeiro, helicópteros já sobrevoavam Pinheirinho a partir das 06:00. As balas são de verdade, e o terror também. Em São Paulo, rasga-se a democracia, fere-se e mata-se e desaloja-se mais de 1600 famílias para garantir a posse de terra (princípio mor capital do capitalismo o mais selvagem) para um bandido reconhecido, afamado e condenado, Naji Nahas.

Polícia Militar, o prefeito Eduardo Cury de São José dos Campos, o governador Geraldo Alckmin, a juíza Marcia Loureiro, os bandidos-cúmplices, alegres carrascos.

concentração para um massacre

Juiza Marcia Loureiro prefeito Eduardo Cury

A ‘providencial’ ignorância imbecil de Kassab, Alckmin e Polícia Militar

7 de janeiro de 2012

a higienização após o 'sofrimento e a dor'

Nem Kassab nem Alckmin nem o comando da PM sabiam de nada?? Foi tudo culpa da afoiteza e irresponsabilidade de subordinados??

É terrível e verdadeiramente aterrorizante a imbecilidade em relação à ação na cracolândia. A imbecilidade ‘deles’ e a que nos tentam impingir. O que deveria ser para eles a glorificação do aumento cada vez mais avassalador da truculência policial em São Paulo (a ferro e fogo, com sofrimento e dor!), de repente transforma-se em um show de palhaçadas e desculpas forjadas com rapidez e sem vergonhice. O ‘natural’ é que a classe média protofacista paulistana apoiasse com todo seu fervor característico a ação policial, mas o que não previram foi que o pavor fosse muito maior. Pavor pelos ‘viciados’, pelos ‘drogados’, pela cracolândia ‘expandida’ e espalhada pela cidade.

Para o jornal ‘O Estado de São Paulo’ “Alckmin, Kassab e comando da PM não sabiam de início de ação na cracolândia”. A ‘reportagem’ do Estadão tem passagens preciossíssimas:

“O governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as cúpulas da Segurança Pública, Assistência Social e Saúde das duas esferas de governo estavam acertando tudo para que o trabalho começasse em fevereiro, depois da abertura de um centro de atendimento com capacidade para 1,2 mil usuários de drogas na Rua Prates, no Bom Retiro. Eles queriam evitar, por exemplo, que os dependentes se espalhassem pela cidade depois do cerco à cracolândia. Outro objetivo era evitar que a operação focasse apenas políticas de segurança pública, ampliando-a para as pastas sociais.”

Não é comovente essa tal ‘ampliação para as pastas sociais’? Não é terrível que, por conta de subordinados atrapalhados, essa preocupação tremenda pelos usuários de drogas (que durante décadas ficou um tanto escondida, confessemos) tenha se desfacelado?

Mas, não se preocupem! Eles não estão brigados entre si, Kassab, Alckmin e a cúpula da Polícia Militar continuam amigos e vão passar por cima dessa ‘rusga’, digamos assim (“No governo, há a tentativa de afinar o discurso de que, independentemente do que ocorreu, o que importa é que daqui para frente todos trabalharão juntos”)

O Jornal da Globo indica, de verdade, qual é a real preocupação (‘deles’): “Cracolândia, a terra do crack, mudou. Não tem mais território fixo, mas os habitantes ainda estão todos por aí. Como farrapos humanos desalojados, perambulando.” Esse é o cenário, acrescento eu, de Walking Dead: zumbis (feios, sujos e malcheirosos) que, pior do que tudo!, agora estão mais visíveis e espalhados do que antes.

Pois o que as ‘pessoas-de-bem’ menos desejam é sentir justamente a proximidade e a visibilidade das doenças sociais, feias, sujas e malcheirosas.

 

 

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,alckmin-kassab-e-comando-da-pm-nao-sabiam-de-inicio-de-acao-na-cracolandia,819527,0.htm

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2012/01/acao-na-cracolandia-em-sp-da-poucos-resultados-concretos.html