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A Love Supreme – A Criação do Álbum Clássico de John Coltrane

11 de setembro de 2012

 

Em “Acknowledgement” John Coltrane pulsa rápido seu sax tenor e Elvin Jones retine o metal em uma introdução forte, simples e curta. É uma conclamação, um chamado. Um aviso. Saberemos logo em seguida o que significa. Enquanto o tema se impõe, Coltrane sola e aos poucos as quatro notas se repetem, falam a frase-título, ‘a-love-su-preme’, como um mantra, o reflilhão da liturgia jazzística que está a se impor. O som cala fundo. É, ao mesmo tempo, calmante, reflexivo, introspectivo, indagador, experimentador. Há controle e fuga, viagem e condução, reflexos da busca de Coltrane, que volta com o mantra, experimentando-o em diversos tons, fôlegos, aspirações, até mesmo com a voz, a de Coltrane e de mais alguém.

Em ‘Resolution’, o segundo movimento da suíte de Coltrane, há de novo outra conclamação no inicio, mas desta vez é uma verdadeira tomada de posição, é o próprio vigor da emoção dos músicos se manifestando. O que havia de discreto e simples no movimento anterior aqui explode. Para mim, é o momento mais fascinante, a ponto de me arrepiar o cabelo. Depois de muito tempo, aquela melodia ainda persegue a memória. MacCoy Tyner toma conta do tema com seu piano e logo volta à bola para o líder, que a retoma com mais emoção ainda.

Segundo nos mostra Ashley Kahn (“A Love Supreme – A Criação do Álbum Clássico de John Coltrane“, editora Barracuda) ao ouvir as gravações originais dos takes de estúdio, houve normalmente algumas tentativas, voltas e retomadas, como era natural. Coltrane podia retornar várias vezes, como o fez nos dois primeiros movimentos (‘Resolution’ teve seis takes falhados ou imperfeitos, antes dele se contentar com o sétimo) (e é sempre interessante, quando ouvimos somente o resultado final, como poderia ser realmente diferente daquilo que foi; é claro, não poderia). ‘Pursuance’, o terceiro movimento, foi levado de uma só vez, um único take. Para mim (e isso está longe de ser uma avaliação fria e objetiva) é o momento mais nervoso, mais agitado, mais viajante. Sem dúvida, é a bateria de Elvin Jones e seu “estilo ‘bastante ativo”, e sua forma toda particular de misturar e trazer os ritmos “africanos e caribenhos para a bateria de jazz tradicional”, ao abrir o movimento, dá o tom geral. Pelo menos, é como aparece para mim. Jimmy Garrison com seu baixo dá um breque, puxa o tom para baixo, soa solene, profundo.

Quase não sentimos a transição para o quarto movimento, o ‘Psalm’, pois Coltrane pega o tom intimista de Garrison e o aprofunda ainda mais. E aqui é preciso respirar fundo. O sublime acontece. Coltrane se fecha, seu sax se aquieta, os sons se acalmam. Os demais músicos o acompanham, mas servem somente como pano de fundo. Pois Coltrane assume um tom de oração. Neste momento, através do Jazz, ele está orando, conversando com Deus.

“A Love Supreme” é uma composição, uma suíte jazzística, criada no apogeu da capacidade artística de John Coltrane e seus companheiros McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria), como uma elegia, uma canção de louvor ao Senhor. Não é blues (embora, uma ponta aqui e acolá apareçam por conta da extrema versatilidade das influências e do conhecimento de Coltrane), nem gospel (a inspiração existe, é claro, mas somente como inspiração). É jazz, no seu extremo. Feita para tocar o sentimentos humanos, beirando no sublime religioso.

Talvez, para quem me conhece, até estranhe minha referência e o meu fervor em uma composição que possui tal grau de dedicação religiosa. Fico sinceramente ofendido com este tipo de pensamento. É como se meu ateísmo me impedisse de reconhecer a beleza e a cultura dos que cultivaram sua veia religiosa e conseguiram expressá-la com fervor e arte (como quando um amigo, grande amigo aliás, ficou um tanto chocado ao saber que eu curtia e apreciava o ‘Messias’, de Haendel; até pensei em responder que o pensamento rasteiro e o preconceito estavam vindo dele e não de mim, mas deixei quieto).

Portanto, se como ateu posso me impressionar e me comover até ás lágrimas com um ‘Messias’ ou com ‘A Love Supreme’, mesmo sem compartilhar de suas convicções tão intimas (e, de certa forma, até devo fazê-lo, pois o que me pega é sua música, sua arte, tão genuinamente humanas e belamente realizadas), não se pode deixar isso de lado quando se pensa em sua formação, em sua construção, em seu objetivo. Claro, para um rapaz de poucos anos atrás que estava se iniciando em sua formação musical e havia se impressionado com o disco ‘Standards’, de Thelonious Monk (foram as primeiras notas de ‘Memories of You’, que me conquistaram definitivamente para o jazz), e com o ‘Pithecanthropus Erectus’, de Charles Mingus (e tinha acabado de assistir a biografia de Charlie Parker, ‘Bird’, do Clint Eastwood, e se encantado), demorei um bom tempo para conhecer e apreciar de verdade este trabalho de John Coltrane.

Me lembro vividamente até hoje o exato instante da coisa: havia decidido saber, afinal de contas, qual o grande X deste tal Amor Supremo, preparei meu lugar com cuidado, me fechei para o mundo, acionei o braço da agulha e a rotação do disco dando um ligeiro tranco para a direita, ligando assim o aparelho (no ‘toca-disco’, aquele aparelho ancestral e longínquo que tocava o long-play, a mídia da época, que até se parecia com um cd dos de hoje, só que preto e bem maior), sentei, relaxei, ouvi e fiquei estupefato com a minha própria estupidez em não tê-lo ouvido com a devida atenção há muito tempo atrás!

O impacto de “A Love Supreme” foi absurdamente tremendo na época do seu lançamento. Até hoje, é o disco de jazz mais popular de todos os tempos e um dos mais vendidos (mesmo levando-se em conta a péssima condição das estatísticas relativos ao mercado de jazz e o virtual desconhecimento de cifras e números que reflitam o montante real de suas vendas; o que se pode fazer é uma avaliação aproximada). Lançado em 1965, influenciou e foi reverenciado não só pelos músicos, mas, na prática, pelos movimentos sociais e políticos (década de sessenta, lembre-se, momento dos grandes movimentos de afirmação negra norte-americana e pelos direitos civis), religiosos, e no plano artístico em específico, deixou marcas profundas em todo o universo musical, e não somente jazzístico. Ashely Kahn ajuda a rastrear esse impacto e essa influência, neste livro que eu teria pago com um pedaço da minha existência para poder ter lido na mesma época que estava começando a ouvir jazz (e ao qual fiquei cobiçando desde o primeiro instante que soube que fora editado nos Estados Unidos; sentimentos que chegaram a uma verdadeira aflição quando soube seria editado aqui no Brasil pela Barracuda).

Ashley Kahn escreve sem frescuras, sem pedantismos, sem demonstrações de gíria de músico-escrevendo-para-músico, e ao mesmo tempo sem didatismos infantis dirigidos para um ‘grande público’, sobre como foi o nascimento desse disco, sua gênese e repercussões. Com estilo claro, simples, de um apaixonado pelo jazz, com farta documentação (entrevistou músicos ainda sobreviventes do grupo de Coltrane e pessoas ligadas ao redor, assim como à viúva do saxofonista e seu filho, também músico, Ravi Coltrane), com trechos de entrevistas ainda inéditas do próprio Coltrane (ele não era muito dado a dar entrevistas, acreditava que sua música falava por si mesma e por ele, portanto não falava muito; Kahn aproveita um pouco disso), e muito material fotográfico também inédito.

Portanto, essa edição da Barracuda é uma delicia de se ler, visualmente linda, informativamente embasada, serve tanto para os que já conhecem todos os detalhes (para renovar sua devoção) quanto para os calouros que estão chegando e ainda não sabem o tamanho desse universo.

Para esses, eu diria o seguinte: esqueça o jazz. É, simplesmente deixe de lado. Pegue esse livro e curta-o como um pequeno romance, um artigo de jornal (um ótimo artigo de jornal) um pouco maior do que o comum. Se você tiver o disco ou o cd à mão, ainda melhor, mas deixe-o somente como um pano de fundo, bem baixinho. Não preste atenção na música, neste primeiro momento, não tente entendê-la. (certa vez, Coltrane disse que bastava ouvir a música, não era necessário compreendê-la, não adiantava tentar explicar, o ‘sentir’ vinha primeiro e era mais importante). Portanto, deixe-a de fundo, não a ouça. O que estou tentando dizer, ao final, é: não force a percepção. Leia e deixe fluir.

Ao término da leitura, você pode ter sentido um êxtase religioso ou tomado um novo rumo em seus gostos musicais e ter decidido até se tornar um saxofonista. Ou não. Tenho certeza absoluta que terá tido, pelo menos, uma leitura extremamente agradável, eu garanto.

 

 

 

 

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Loving Strangers

31 de agosto de 2012

oh…

I’ve got a hole in my pocket
where all the money has gone
and I’ve got a whole lot of work
to do with your heart
cause it’s so busy, mine’s not

Loving strangers, loving strangers,
loving strangers, oh…

It’s just the start of the winter
and I’m all alone
and I’ve got my eye right on you
give me a coin and I’ll take you to the moon
give me a beer and I’ll kiss you so foolishly,
like you do when you lie, when you’re not in my thoughts,
like you do when you lie and I know it’s not my imagination

Loving strangers, loving strangers,
loving strangers, oh…

Russian Red

 

 

Celso Blues Boy

6 de agosto de 2012

 

Não sei da experiência e das vivências de outras pessoas, em especial das que conhecem música em geral e blues em particular muito mais do que eu jamais conheci ou saberei. Posso dizer da minha experiência pessoal e, para mim, o que me restará é o traço fundamental de que comecei a ouvir Blues e a apreciá-lo de verdade com Celso Blues Boy.

Este Celso que acabou de morrer nesta segunda-feira de manhã, de câncer na garganta.

Eu continuo fumando na escuridão. Não por ele. Por mim, por meu gosto. Mas sabe-se lá (pensei nisso neste momento em que escrevo, percebo agora que não sei dimensioná-lo) o quanto desse gosto veio com um sopro e um solo de blues.

 

 

Charles Mingus, Saindo da Sarjeta

27 de junho de 2012

 

A narrativa como Jazz.

Ralph Ellison, um dos mais importantes escritores norte-americanos (e é bom especificar: escritor negro norte-americano) disse certa vez que costumava encarar sua escrita como uma espécie de música: quando empacava, quando a história parecia que não queria andar, ele se soltava e deixava sua mão correr como um solo de jazz ou um improviso de blues. Ler seus livros traz mesmo essa sensação fluida, corrente, e ao mesmo tempo, densa, profunda. Vôo de imaginação com segurança e controle, liberdade e mestria. Jazz.

De outro grande autor negro norte-americano, Chester Himes, não cheguei a ler alguma declaração parecida, mas nem é necessário: suas histórias violentas, seus romances policiais passados no Harlem, seus personagens locais, estas figuras, os tiras e gangsters e viciados e prostitutas e empresários negros vítimas ou algozes de uma sociedade profundamente corrompida, alterada, racista, são todos regados a bebidas, drogas, sexo, discriminação e muita música, soul, blues, calipso. Jazz.

Creio que nenhum dos dois fosse músico ou tivesse alguma intimidade maior com instrumentos musicais (até onde sei). Sua arte era a escrita. Tão influenciada, regrada e convivida com o jazz até a medula. Eram considerações do tipo que remoíam minha mente ao começar a ler a autobiografia de Charles Mingus, obra quase tão famosa e mítica quanto o seu próprio trabalho musical. Bastam alguns parágrafos para perceber que uma acompanha a outra. Sua escrita é jazz.

Tanto que, na verdade, tentei uma certa experiência pessoal. Coloquei ‘Pithecanthropus Erectus’ no som e abri o livro.

Mesma cadência, mesma batida, o nervosismo sísmico, a experimentação, a busca, a descoberta de sonoridades tão inusitadas, a empolgação em cada nota e em cada letra. A música bate no coração, imprime uma profunda inquietação. ‘Pithecanthropus Erectus’ tem a capacidade de me deixar inquieto, sedento, desassossegado, jazz sempre fez isso comigo, e com Mingus atinge graus máximos de adrenalina. Nunca precisei realmente de drogas para viajar, me tirar do eixo. Livros faziam por. Música alucina.

Mingus poderia contar de sua vida e já seria algo de extraordinário, sua luta, dores e música são o suficiente para impressionar e fazer pensar. Ele vai além do que, simplesmente contar sua vida. Gosta de inventar, de buscar, tanto em um quanto em outro. Não basta simplesmente narrar. Ele ousa, plaina, voa, inventa, sola, deixa a mão correr. Para começar, o livro é em terceira pessoa.

Uma autobiografia! em terceira pessoa é, no mínimo, uma novidade. De imediato cria uma sensação de estranhamento e de reflexão. Mas é só o começo. Longos planos narrativos, monólogos e escrita quase automática (solos?) se alternam com momentos em que muitas vozes se acompanham e se interpenetram, em um jogo narrativo fascinante e palpitante.

Veja-se, por exemplo, o capítulo quando ele conhece o pianista Art Tatum: sem fazer nenhuma interrupção, cada parágrafo é um ‘diálogo’ com pessoas diferentes, que se substituem, criando um efeito de fluidez impressionante. A conversa com o pai (onde reafirma sua opinião de que existe sangue branco na família, eles seriam descendentes diretos de Lincoln!) ao desabafo com a mãe: voleios amplos, solos de um instrumento, de uma voz. O nascimento do primeiro filho, a rapidez das situações, pequenos trechos detonando e exibindo um virtuosismo pleno, e com poucas notas, frases, distinguindo nuances e insinuações; com poucas linhas, revela todo o fracasso de um relacionamento.

Cada capítulo, portanto, tem um movimento diferenciado, é uma experiência renovada, pois nunca se sabe não só o que será narrado, mas principalmente, o compasso. Mingus se revela um escritor extraordinário tanto quanto músico!

Minha experiência, no entanto, foi um fiasco. Frustrado, não conseguia ler seu livro enquanto ouvia sua música. Tentei outro disco, mas o resultado foi o mesmo. Não entendi. Ok. Deixei rolando uma rádio de jazz e a deixei de fundo. Concentrado na leitura, só depois de algum tempo percebi que a coisa fluía e, curioso, parei para prestar atenção no que estava tocando. Chet Baker. Chet Baker?! Entenda-se, nada contra Chet, mas nunca imaginaria que sua voz ‘aveludada’ pudesse ser um contraponto perfeito a Mingus.

Porém, pensando um pouco, até que faz um certo sentido. ‘Pithecanthropus Erectus’ mexe com as sensações e exige atenção, tornando impossível uma aproximação média. Tal qual sua obra musical em si (nem pensar em simplificações e deixar ‘Pithecanthropus Erectus’ como exemplo-mor e/ou único de sua mestria, como já vi alguns fazerem…), há um trânsito intenso e constante entre as raízes e as experimentações, resgatando a história e prenunciando um free jazz, por exemplo, compassando momentos até líricos com fervorosa e feroz plataforma política contra a discriminação e o racismo.

A primeira edição de ‘Beneath the Underdog’ (“SAINDO DA SARJETA” até que é uma boa solução para o título, mesmo que transversal) é de 1971, uma época relativamente calma em sua vida, depois do inferno pelo que passou na década de 60. Altos e baixos, interrupções na carreira, tratamentos médicos (inclusive psicanálise) e saltos de genialidade, foram sempre sua marca, nunca poderia ser ‘normal’ e foi assim até sua morte em 1979. ‘Saindo da Sarjeta’ é uma obra-prima literária escrita por um artista que não se conformaria em fazer por menos.

 

 

um momento romântico neste nosso desconcerto

6 de maio de 2012

Jane Birkin e Serge Gainsbourg

“Je t´aime, Mois non plus” é o nome da música que arrasou na década de 70, fez ferver as cabecinhas adolescentes e de jovens ‘descolados’ da época, passou como um tsunami pelas ondas de musiquinhas bem-comportadas, horrorizou pais e mestres, e nos países onde não chegou a ser proibido foi, pelo menos, extremamente criticado. Até o Papa tachou-o de ‘imoral’. O que, claro, só fez aumentar o sucesso.

Je t’aime je t’aime Oh oui je t’aime – Moi non plus – Oh mon amour – L’amour physique est sans issue Je vais je vais et je viens Entre tes reins Je vais et je viens Je me retiens – Non ! maintenant viens…

Eu te amo, Sim, sim eu te amo Eu mais ainda Oh, meu amor O amor físico é sem saída Eu vou e eu venho Por entre teu dorso E eu me detenho Não! Agora! Vem!

Em tempos de rappers explícitos e funkers desbocados e rockers nem um pouco politicamente corretos, talvez uma letra dessas seja até infantil (‘eu vou e eu venho’, ‘eu vou e eu venho’, entendeu, entendeu?) (e hoje em dia, esse ‘por entre seu dorso’ seria dito uma forma bem diferente…). A questão é que, na época, isso era verdadeiramente escandaloso e, além do mais, vinha com a voz sussurrante e rouca de prazer de uma deusa do cinema, sex simbol absoluto, a Jane Birkin (aliás, duas: a música foi composta por Serge Gainsbourg para sua então namorada, a Brigitte Bardot, que gravou a primeira versão; a com Birkin veio depois e foi com ela que a música explodiu mundialmente) (aliás, esse Serge era um filho-da-puta: baixinho, feioso, cineasta, músico, cantor, roteirista, diretor e mais umas coisinhas, fazia de tudo e comia todas: Bardot, Birkin, Catherine Deneuve, Isabelle Adjani, Francoise Hardy, só para citar algumas).

Quando comecei a frequentar os cinemas pornôs da Rua Aurora, no centro de São Paulo, entre uma sessão e outra havia shows de strip-tease (o ingresso valia para as duas sessões e o strip-tease). A trilha sonora da maioria absoluta das apresentações era “Je t´aime, Mois non plus”, por motivos mais do que óbvios.

Na minha memória afetiva, a versão que me pega ainda é a com Jane Birkin. Mas como acabei encontrando no youtube a versão com a Bardot, ora por que não relacioná-las? Ainda prefiro com a Birkin, mas reconheço que a Bardot até que se esforça.

Sax Appeal para Hitchcock. Quando ainda não era Hitchcock.

24 de abril de 2012

 

Parece que está havendo uma onda interessante de projetos que envolvem o mestre do suspense. Já comentei de um filme em produção neste exato momento com o Anthony Hopkins no papel principal, o do próprio diretor. Agora soube de uma viagem bacana promovida por um jovem saxofonista inglês chamado Soweto Kinch, jazzista que está balançando o ritmo musical britânico com uma mistura inusitada de jazz e hip hop, com resultados muito inovadores e agradáveis. Kinch está montando um disco, compondo uma trilha sonora para o filme mudo de Alfred Hitchcock, THE RING, de sua fase inglesa em preto-e-branco, quando o diretor ainda não havia formatado sua identidade cinematográfica, e transitava entre comediazinhas e melodramas românticos.

Como é o caso aqui de The Ring, um drama de boxe que foca um triângulo amoroso. Mesmo tão cedo, podemos reconhecer no jovem Hitchcock muito dos maneirismos que lhe fariam a fama mais tarde, como os jogos de câmeras diferenciados, excelente trabalho de iluminação, roteiros instigantes. Não é exatamente um bom filme, mas já chamava a atenção, mesmo na época, o que lhe permitia fazer algumas experimentações até nesses filmes bobinhos e populares.

Soweto Kinch se diz bem consciente da distância entre um melodrama de 1927 de um diretor já talentoso mas ainda inexperiente, e o mundo do jazz mais-que-arquimoderno de 2012 e, no entanto, o projeto é ainda maior: ele convidou vários músicos para comporem trilhas para outros filmes do Hitch (segundo a reportagem da BBC News: Nitin Sawhney para The Lodger, de1926, Neil Brand para Blackmail 1929, o compositor de música eletrônica experimentalista Mira Calix para Champagne, de 1928, e um novato para o primeiro filme de Hitchcock, The Pleasure Gardenum, de 1926, Daniel Patrick Cohen).

O que vai sair disso, não faço a menor ideia. Pode dar em algo divertido e diferente, um tanto irreverente. Ou uma merda retumbante. Mas devo dizer que gostei dessa irreverência, da vontade de fazer coisas novas em cima de velhos trabalhos artísticos. Gosto da maneira respeitosa com que estão tratando esse material (ou, ao menos, pelo que transparece na reportagem, espero que seja assim). Pode resultar uma salada intragável, mas por conta dessa vontade de experimentar, pra mim já tá valendo.

http://www.bbc.co.uk/news/entertainment-arts-17769800

 

 

 

Sinead O’Connor e o Grammy

21 de março de 2012

 

Para quem viveu a cultura pop dos anos 80, o nome da cantora irlandesa Sinead O’Connor significa alguma coisa. Sinônimo de uma música diferenciada e fora dos padrões, voz cristalina e de muito fôlego, para um trabalho e performances de palco que beiravam o punk (pelo menos, era como parecia para mim, ignorante de música em geral), mas que vejo hoje possuía uma tremenda qualidade e competência musicais. Podia não curtir seu estilo, mas apreciava sua atitude, cheia de lances polêmicos e altivos.

O que mais me marcou de Sinead, porém, não foram esses lances polêmicos, como o gesto de rasgar a foto do papa na televisão, como protesto contra a pedofilia e os abusos sexuais praticados dentro da igreja católica (provocando uma reação indignada do público religioso contra ela tão grande que praticamente fez um breque na sua carreira, a qual nunca mais recuperou) ou as idas e vindas, subidas e descidas, de uma vida cheia de detalhes dramáticos (alguns até trágicos). Certamente, seu visual chamava a atenção: uma garota franzina, realmente muito magra e baixinha, com a cabeça raspada careca, com uma voz potente e roupas rasgadas, mas meu cinismo desconfiava do quanto isso seria sincero e marca de uma personalidade forte ou somente propaganda e marketing.

O que eu lembro perfeitamente foi de uma apresentação em um desses eventos de premiações transmitidos pela televisão que os norte-americanos adoram, creio que era um Grammy, embora nenhuma certeza se ela estava concorrendo em alguma categoria. Para mim, acostumado a assistir o Oscar, mas nenhuma vez tinha visto outra cerimônia do estilo, estava achando tudo um porre inominável, quando vejo Sinead entrar no palco e pensei que aquilo poderia ser interessante.

Ela está sozinha (no máximo, um ou dois músicos a acompanham), sem nenhuma parafernália eletrônica ou superprodução que as demais bandas faziam questão de trazer, e o palco vazio fica, portanto, enorme, destacando ainda mais a magreza, a estatura e a careca da cantora. Quando canta, a música explode. Ela não alivia na canção, ela é pesada, gritada e cantada com vigor. Ela mexe os braços e as pernas, embora sem sair do lugar.

O contraste daquela música daquela cantora naquele espaço tão formal e antiquado foi fenomenal.

Da platéia (disso eu me lembro muito bem!) não voltava nenhum pio, nenhuma resposta, nenhuma palma ou gritos, era uma onda de gelo silencioso, enfatizado pelo fato da câmera em nenhum momento mostrar qualquer rosto do público, ou algum tipo (qualquer tipo) de reação, focava somente na cantora.

Ela acaba a apresentação, agradece as palmas (não houve vaias, nem entusiasmo nas palmas, mas pelo menos foram educados) e sai. Ninguém emitiu algum grande suspiro de alívio (ao menos, não em voz alta), mas era tão presente que era quase palpável.

Não acompanhei sua carreira (não curtia sua música, como disse, e além do que, logo mais ela seria jogada no ostracismo). Mas amei sua impavidez, sua força, sua coragem até, seu formidável tapa musical naquela cerimônia quadrada, previsível e estupidamente aborrecida, típica dos norte-americanos e que não mudou nada até hoje.

Neste momento, nesta sua apresentação em específico, eu amei essa mulher.

 

 

Ecad. Piada cara e de mau-gosto.

11 de março de 2012

Ecad. Sabe o que é mais engraçadinho nessa história do Ecad querer cobrar (e cobrar muito!) de blogs que inserem vídeos do Youtube? Não é a sua estranha interpretação legal de arrecadação de direitos de execução pública de obras musicais em nome dos artistas (mesmo porque a própria legislação de direitos autorais no brasil é uma zona). Não é o fato de ser uma empresa privada encarregada desse serviço sem fiscalização do poder público (se estou entendendo bem, o Ecad não tem obrigação de mostrar seu balanço de atividades, para que se saiba exatamente o quanto os artistas estão realmente recebendo dos seus direitos arrecadados, é isso mesmo?).

Não é nem mesmo as histórias bizarras de sua atuação que vão se avolumando (como a de cobrar a execução de músicas em casamentos!) ou como essa agora de cobrar de blogs sem fins lucrativos, que não arrecadam porra nenhuma pelos seus posts, uma taxa mensal de quase 400,00 rs!

Não. O engraçado, a grande tiração de sarro macabra, é o cinismo, a cara de pau.

Durante os dias em que esta discussão correu forte e quente pela internet, até parar nas páginas internacionais da revista Forbes, o Ecad esteve impávido, solenemente ignorando o argumento de que o Google já está pagando para o Ecad sua taxinha mensal. Para a empresa, qualquer execução na internet é uma exibição pública nova e deve ser cobrada, e pronto.

E o que aconteceu? Ah, finalmente o GOOGLE se manifestou. Finalmente, o Google (e ninguém mais importava para o Ecad, como ficou patenteado) disse que isso era errado. Que o Ecad era um menino mau que precisava parar de fazer traquinagem.

E o Ecad voltou atrás (pelo menos, por enquanto). Disse que não era bem assim, que ele ‘cometeu um erro’, que houve uma confusão com regras anteriores, que os blogs são bonitinhos, e não deverão ser mais depenados (pelo menos, por enquanto).

Não é uma verdadeira gracinha?

Dessa forma, um tremendo problema de proteção aos direitos dos músicos neste país transforma-se em uma gigantesca piada de puro mau-gosto.

Ação do Ecad contra blogs ameaça liberdade de expressão, diz Google: Em post assinado por Marcel Leonardi, diretor de políticas públicas e relações Governamentais do Google Brasil, o gigante da internet afirma que “vê com surpresa e apreensão o atual movimento do Ecad”. Leonardi anota que embora reconheça o papel do Ecad na cobrança de direitos autorais, existe um acordo assinado entre eles. O acordo garante que o Ecad não pode coletar pagamentos de usuários do YouTube, o que tornaria a ação ilegal.” http://info.abril.com.br/noticias/internet/google-exige-que-ecad-retire-reclamacoes-09032012-44.shl

Ecad diz que cobrança de blogs foi ‘erro isolado’. : A instituição (…) não possui estratégia de cobrança de direitos autorais voltada a vídeos embedados. Explica que, desde 29 de fevereiro, as cobranças de webcasting estavam sendo reavaliadas e que o caso noticiado nos últimos dias ocorreu antes disso. Mesmo assim, decorreu de um erro de interpretação operacional, que representa fato isolado no universo do segmento”, diz a nota (http://economia.ig.com.br/ecad-diz-que-cobranca-de-blogs-foi-erro-isolado/n1597677475565.html)

 

 

 

7 Seconds – Neneh Cherry e Youssou N’Dour

14 de fevereiro de 2012

Havia uma contradição nessa música que, durante muito tempo, me incomodou. O tema é sério, a letra é de uma intensidade poética de beleza raramente encontrada, o clip denso acompanha as palavras. Mas as interpretações vigorosas e a melodia… tão vibrantes, tão poderosas. Não me conformava que tal música não me fizesse abaixar a cabeça de melancolia raivosa (um panfleto político muito bem escrito me proporcionaria isso). Ao contrário: faz o coração bater, faz querer levantar o corpo, é inconformista. Era Poesia, não entendia isso, em alto grau. Era estranho.

Demorei a perceber que a contradição estava em mim, não na música, e compreender que se pode ressoar e permitir o contraste. Que dizer ‘I’ll be waiting‘ não significa adotar uma postura passiva. Não aqui.  ‘I’ll be waiting‘ pode ser uma palavra de ordem forte e de impacto, a qual a Poesia toma conta.

7 Seconds

Boul ma sene, boul ma guiss madi re nga fokni mane
Khamouma li neka thi sama souf ak thi guinaw
Beugouma kouma khol oaldine yaw li neka si yaw
Mo ne si man, li ne si mane moye dilene diapale

Roughneck and rudeness,
We should be using, on the ones who practice wicked charms

For the sword and the stone
Bad to the bone
Battle is not over
Even when it’s won
And when a child is born into this world
It has no concept
Of the tone the skin is living in

It’s not a second
But 7 seconds away
Just as long as i stay
I’ll be waiting
It’s not a second
7 seconds away
Just as long as I stay
I’ll be waiting
I’ll be waiting
I’ll be waiting

J’assume les raisons qui nous poussent de changer tout,
J’aimerais qu’on oublie leur couleur pour qu’ils esperent
Beaucoup de sentiments de race qui font qu’ils desesperent
Je veux les portes grandements ouvertes,
Des amis pour parler de leur peine, de leur joie
Pour qu’ils leur filent des infos qui ne divisent pas
Changer

7 seconds away
Just as long as I stay
I’ll be waiting
It’s not a second
7 seconds away
Just as long as I stay

I’ll be waiting
I’ll be waiting
I’ll be waiting

And when a child is born into this world
It has no concept
Of the tone the skin is living in
And there’s a million voices
And there’s a million voices
To tell you what she should be thinking
So you better sober up for just a second

7 seconds away
Just as long as I stay
I’ll be waiting
It’s not a second
7 seconds away
Just as long as I stay
I’ll be waiting

It’s not a second
7 seconds away
Just as long as I stay
I’ll be waiting

And when a child is born into this world
It has no concept
The tone the skin is living in

Chorus

There’s a million voices
There’s a million voices
To tell you what you should be thinking
So you better sober up for just a second

7 Segundos

Não vê-me à distância, Não vê meu sorriso
E pensa que não sei O que está abaixo e atrás de mim
Não quero que você me olhe e pense O que está em você está em mim
O que está em mim para ajudá-los

Brutalidade e rudeza,
Nós deveríamos usar contra aqueles que praticam feitiços maldosos

Pela espada e a rocha
Mal até os ossos
A batalha não acabou
Mesmo quando se ganhou
E quando uma criança nasce neste mundo
Ela não tem preconceitos
Pela cor da pele em que está vivendo

Não é um segundo
Mas 7 segundos além
Apenas enquanto eu estou
Eu esperarei
Não é um segundo
7 segundos além
Apenas enquanto eu estou
Eu esperarei
Eu esperarei
Eu esperarei

Eu assumo as razões que possuímos para mudar tudo
Eu amarei quem esquecer a cor daqueles que tem esperança
Há muito sentimento de racismo que faz com que eles se desesperem
Eu vejo as portas largamente abertas,
De amigos para falar de suas dores, de suas alegrias
Porque eles lhes deram as informações que não os dividem
Mude

7 segundos além
Apenas enquanto eu estou
Eu esperarei
Não é um segundo
Mas 7 segundos além
Apenas enquanto eu estou

Eu esperarei
Eu esperarei
Eu esperarei

E quando uma criança nasce neste mundo
Ela não tem o preconceito
Pela cor da pele em que está vivendo
E há milhões de vozes
E há milhões de vozes
Para dizer a você o que ela deveria estar pensando
Então é melhor que você fique sóbrio por apenas um segundo

7 segundos além
Apenas enquanto eu estou
Eu esperarei
Não é um segundo
São 7 segundos além
Apenas enquanto eu estou
Eu esperarei

Não é um segundo
7 segundos além
Apenas enquanto eu estou
Eu esperarei

E quando uma criança nasce neste mundo
Não tem preconceito
Pela cor da pele que está vivendo

Refrão

Há milhões de vozes
Há milhões de vozes
Para dizer a você o que ela deveria estar pensando
Então é melhor ficar sóbrio por apenas um segundo

Whitney

12 de fevereiro de 2012

 

 

 

 

Etta

20 de janeiro de 2012

Fala sério! Que começo de ano zicado, hein???

Hurt – Johnny Cash

26 de dezembro de 2008

eu ia postar algo completamente diferente; mas de repente lembrei de ‘Hurt’ e tive de mudar de planos; em outra hora, lhes apresentarei o Héctor Camillo.

Vi e ouvi pelo blog do Fábio Brum. Também não estou conseguindo parar de ouvir. Brum imagina que a mulher de Cash, June Carter, teria morrido poucos dias antes.

É de rasgar o coração de tão doloroso e absurdamente bonito.

I hurt myself today

to see if I still feel

I focus on the pain

the only thing that’s real

the needle tears a hole

the old familiar sting

try to kill it all away

but I remember everything

 

what have I become?

my sweetest friend

everyone I know

goes away in the end

and you could have it all

my empire of dirt

I will let you down

I will make you hurt

 

I wear this crown of thorns

upon my liar’s chair

full of broken thoughts

I cannot repair

beneath the stains of time

the feelings disappear

you are someone else

I am still right here

 

what have I become?

my sweetest friend

everyone I know

goes away in the end

and you could have it all

my empire of dirt

I will let you down

I will make you hurt

 

if I could start again

a million miles away

I would keep myself

I would find a way

 

E como disse o Fábio: “Merry Christmas… Bah!”

De livros e música: um exemplo rápido do que a internet pode oferecer

13 de dezembro de 2008

cartaSem entrar no mérito da questão, já embolorada e inútil, sobre ‘livros de papel x livros no computador’, não é possível deixar de reconhecer a enorme quantidade de dados e documentos que podem ser acessados, reconhecidos, estudados e lidos pela net. Dias desses, esbarrei nesta lista de sites que oferecem livros para download gratuitamente. Creio que é um verdadeiro serviço de interesse público compartilhar estes endereços.

Só peço desculpas à pessoa ou o pessoal que organizou essa lista, pois depois que copiei os dados, acabei perdendo o link de onde a tirei; com certeza, quem a organizou merece ser citado e elogiado. Eu só estou repassando, o verdadeiro trabalho foi deles.

Sites para baixar livros gratuitos

Bartleby, eles têm uma das melhores coleções de literatura, versos e livros de referência com acesso gratuito.

Biblomania, uma grande coleção de textos clássicos, livros de referência, artigos e guias de estudo.

Books-On-Line, um diretório com mais de 50 mil publicações (a maioria grátis). A busca pode ser feita por autor, tema ou palavra-chave.

Bookstacks, conta com cerca de 100 livros de 36 autores diferentes. Os livros podem ser lidos on-line ou baixados em formato PDF.

Bored.com, milhares de livros clássicos para ler ou fazer download. É possível encontrar livros de música, jogos, culinária, ciências e viagens.

Classic Book Library, uma biblioteca gratuita que contém romances de mistério, ficção científica e literatura infantil.

Classic Bookshelf, biblioteca eletrônica de livros clássicos. Tem um programa de leitura que permite a visualização mais fácil dos arquivos.

Classic Reader, coleção de clássicos de ficção, poesia, contos infantis e peças de teatro. Mais de 4 mil obras de centenas de autores.

Ebook Lobby, centenas de ebooks gratuitos ordenados em categorias que vão desde técnicas empresariais e arte até informática e educação.

EtextCenter, mais de 2 mil ebooks gratuitos procedentes da Biblioteca Etext Center da Universidade da Virgínia. Inclui livros clássicos de ficção, literatura infantil, textos históricos e bíblias.

Fiction eBooks Online, centenas de peças de teatro, poemas, contos, livros ilustrados e novelas clássicas.

Fiction Wise, obras de ficção científica gratuitas. Além disso é uma loja de livros.

Full Books, milhares de livros completos dos mais diversos assuntos, ordenados por título.

Get Free Books, milhares de livros gratuitos de quase todos os temas imagináveis. Encontram-se disponíveis para download imediato.

Great Literature Online, vasta coleção de títulos ordenados por autor. Além de fornecer textos em formato HTML, proporciona uma linha de tempo biográfica e lista de links sobre o autor consultado.

Hans Christian Andersen, coleção maravilhosa de histórias e contos de fadas de Hans Christian Andersen.

Internet Public Library, fundada por um grupo da University of Michigan’s School of Information e Michigan SI students. Contém uma antologia com mais de 20 mil títulos.

Literature of the Fantastic, pequena coleção de ficção científica e livros de fantasia, com links para grupos de discussão.

Literature Project, coleção gratuita de textos clássicos e poesia. Esse site tem um programa de leitura em voz que pode ser baixado.

Magic Keys, contos ilustrados para pessoas de todas as idades.

Many Books, mais de 20 mil ebooks gratuitos para PDAs, iPods e similares.

Master Texts, base de dados gratuita que contém obras-primas da literatura, as quais podemos buscar por título, tema e autor.

Open Book Project, site orientado à comunidade educativa. Proporciona livros didáticos gratuitos e outros materiais educativos on-line.

Page By Page Books, centenas de livros clássicos que podem ser lidos página por página.

Project Gutenberg, mais de 25 mil títulos gratuitos estão disponíveis no Projeto Gutenberg. Adicionalmente há outros 100 mil títulos através de seus afiliados.

Public Literature, uma enorme coleção de literatura de grande qualidade que mostra autores clássicos e obras modernas do mundo inteiro.

Read Print, biblioteca on-line com milhares de livros, poemas e peças de teatro para estudantes e professores.

Ref Desk, seleta compilação de enciclopédias e outros livros de referência.

The Online Books Page, lista com mais de 30 mil livros grátis da Universidade da Pensilvania.

The Perseus Digital Library, projeto criado pela Biblioteca Virtual da Universidade de Tufts que possui textos clássicos e renascentistas.

Sites pra baixar audiobooks grátis

Audio Literature Odyssey, versões na íntegra de novelas, poemas, contos e obras literárias lidas na voz do ator Nikolle Doolin.

Audio Treasure, Audio Bíblia gratuita em formato Mp3. Inclui links para audiobooks cristiãos (aprecie com moderação, conteúdo perigoso).

Classic Poetry Aloud, podcasts de poemas clássicos e literatura inglesa.

Free Classic Audio Books, dúzias de clássicos para baixar e ouvir no mp3, mp4 e iPods.

Learn Out Loud, diretório que contém mais de 500 títulos em áudio e vídeo. Inclui audiobooks, discursos e conferências.

Librivox, um dos melhores sites com audiobooks de dominio público.

Lit2Go, coleção de autores clássicos e literatura infantil digitalizados pela Florida’s Educational Technology Clearinghouse.

Literal Systems, lista de audiobooks para download.

Spoken Alexandria Project, livraria sob licença Creative Commons com obras clássicas e atuais.

Classics Podcast, contém links para podcasts de leituras em latim e textos em grego antigo.

Isso sem contar com o atual avanço do Google e sua pretensão de digitalizar todos os livros do mundo, inclusive atuais e com pleno vigor de direitos autorais, e disponibilizá-los online, através de acordos com escritores e editoras. A idéia é que a obra digitalizada não compete com o livro publicado de papel, ou até mesmo serve de estímulo para a compra do livro. Depois de muita polêmica e discussão, acordos vários estão sendo realizados. Mas ainda há muito o que vir por aí, esperemos.radio

– Agora, se você procura por rádios online de seu interesse, não precisa se preocupar mais, seus problemas acabaram! Recém-descobri o RADIOBETA, um site que trabalha como um autêntico google dirigido especificamente para rádios que transmitem sua programação pela internet ou diretamente emissoras virtuais.

Já pela página de abertura, mostra-se a que veio, opta-se por procura de rádios por gêneros ou por região do planeta (as regiões vão afunilando por continente e por país, o Brasil, claro, muito bem representado). Para testar, fui atrás do que gosto e vejo que Jazz tem mais de duas centenas de opções.

Uma grande vantagem desse site, ou pelo menos uma tranquilidade, não há encheção de saco para preencher formulários ou se cadastrar de alguma forma. É só entrar, clicar e ouvir.

O endereço : http://www.radiobeta.com/

Giovanna Batini, Wilson Neves, Edson Tobinaga

7 de dezembro de 2008

giovanna-batini1wilson-neves1edson-tobinaga1

Acho que vai demorar muito para esquecer a expressão das pessoas quando acabou o recital do Desconcertos na Paulista, com a Giovanna, o Wilson e o Tobinaga. Havia um misto de incredulidade (‘como assim? já acabou?!’), e o desejo de mais, que continuasse, mais música, mais texto (houve quem sugerisse que eles bisassem a apresentação).

Gratificante e lindo. Posso dizer, com orgulho e sem falsa modéstia, que fui eu quem sugeriu que os textos e a presença da Giovanna Batini tinham tudo a ver e fariam uma mistura fantástica com os sons e os improvisos profundamente pessoais das flautas e clarineta do Wilson e o violão do Tobi. E eles concordaram e corresponderam à expectativa. Ou não. Na verdade, foram além do que eu esperava e, pelo que vi, de todos os que assistiram.

Alguns ajustes necessários (afinal de contas, foi a primeiríssima vez que se apresentaram em público) e podem ter certeza que no ano que vem essa formação se repetirá, dando oportunidade para que mais pessoas possam apreciar uma das apresentações lítero-musicais mais bonitas dos últimos tempos.

Enquanto isso, algumas fotos no Fotoblog do Desconcertos (http://www.flickr.com/photos/desconcertos/), sempre lembrando que estas fotos são sempre no sentido de registro visual de momentos especiais, sem pretensão (ou ilusão) de arte fotográfica.

VAleu.

Desconcertos na Paulista – Especial Rave Cultural na Casa das Rosas – com Giovanna Batini, Wilson Neves e Edson Tobinaga

2 de dezembro de 2008

convite-rave-2008O Desconcertos na Paulista deste sábado, dia 06 de dezembro, 17:00, na abertura da RAVE CULTURAL NA CASA DAS ROSAS, celebra a apresentação inédita de improvisos de letras e sons, a partir da bela prosa poética da escritora Giovanna Batini acompanhada da música e melodia de Wilson Neves (clarinete, flauta), e de Edson Tobinaga, (violão clássico, percussão). Literatura, prosa, poesia, música, se misturando e reinventando para proporcionar uma experiência sensorial única e emocionante.

Giovanna Batini, nascida e criada em São Paulo, cresceu em meio aos livros de seu pai escritor, formou-se em Marketing, mas sua paixão pela literatura a fez retomar a faculdade. Agora estudante de letras, escreve para os blogs: http://www.madamemim.zip.net e http://www.soprodamorgana.com.br e tem em seu PC um romance sendo finalizado e outro iniciado.

Wilson Neves é artista plástico, webdesigner, músico. Autodidata em todas suas manifestações artísticas, evoluiu do lápis e papel para o computador como suporte e ferramenta de criação. Ilustrador dos escritores: Lima Trindade, Sandro Ornellas, Yara Camillo, etc. Webmaster da revista digital VERB021.

Edson Tobinaga é compositor, músico e arte-educador; autor da música original para as peças “Play Strindberg” e “Hilda Hilst – Noviciado da Paixão”, ambas de 2008.

RAVE CULTURAL 2008

Casa das Rosas completa quatro anos e se consolida como pólo de difusão da poesia e literatura

Lanny Gordin, Neuza Pinheiro, Madan e Quarteto Kroma se apresentam durante a noitada. São nada menos do que 12 horas de programação gratuita, que começa no dia 6 de dezembro, às 17 horas, e segue pela madrugada do dia 7 até as cinco horas da manhã.

A Rave Cultural foi criada pela Casa das Rosas para comemorar, todos os anos, o aniversário de sua transformação em Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Em sua quarta edição, o evento traz uma programação voltada inteiramente à poesia, com shows, recitais e projeções. “Seguindo a linha de atuação pluralista do espaço, foram convidados para esta edição artistas muito respeitados que se mantêm um tanto distantes dos holofotes da mídia. Esta é a nossa missão: abrigar todas as tendências poéticas e artísticas e iluminar o que há de bom se escondendo por aí”, diz Frederico Barbosa, diretor executivo da Poiesis, Organização Social que administra a Casa das Rosas, subordinada à Secretaria de Estado da Cultura.

O lendário Lanny Gordin, que se apresentará com sua banda às duas e meia da manhã, é a principal atração da noite. No início dos anos 70, Lanny era a grande sensação da guitarra no país. Escolhido pelo maestro tropicalista Rogério Duprat para gravar a maioria de seus arranjos e experimentações de estúdio, Lanny também era disputado por astros da MPB e do pop nacional – de Elis Regina a Erasmo Carlos, numa lista que ainda passa pelo soulman Tim Maia, Gal Costa e Jards Macalé.

Quem gosta de ler poemas poderá subir no palco para ler textos próprios ou de outros autores no Saraokê, e ainda acompanhado por um time de músicos que farão um fundo musical para as leituras. O músico Madan, que transforma poemas em belas canções, fecha a noite com um show às 4 da manhã. José Paulo Paes, Haroldo de Campos, Ademir Assunção e Arnaldo Antunes são alguns dos poetas que já tiveram seus versos cantados por Madan. Uma mostra com filmes baseados nas obras de William Burroughs, Andy Warhol e Derek Jarman e um recital de poesia erótica também fazem parte da programação.

A festa atravessará a madrugada, celebrando a poesia e a vitória de quatro anos dedicados à difusão da literatura no Brasil. “Com o trabalho desenvolvido nesses quatro anos, a Casa das Rosas tornou-se um dos principais espaços culturais de São Paulo e um pólo de difusão da poesia e literatura brasileira e internacional”, celebra Claudio Daniel, diretor adjunto da Casa das Rosas.

Confira a programação:

 

17h

Desconcertos na Paulista

Coordenação: Claudinei Vieira

Convidados: Giovanna Batini, escritora acompanhada dos músicos Wilson Neves (clarineta e flauta) e Edson Tobinaga (violão e teclado)

Entrevista pública com prosadores contemporâneos em que cada convidado lê um texto de algum autor que o tenha influenciado, além de um texto próprio e de um autor novíssimo.

18h

Show com o quarteto Kroma

Com Heraldo Paarmann, Alexandre Spiga, Alexandre de Orio, Igor de Bruyn

O quarteto Kroma tem como proposta desenvolver a música de câmara com quatro guitarras, executando obras eruditas e populares.

20h

Recital de poesia erótica

Com Glauco Mattoso, Luiz Roberto Guedes, Antonio Vicente Pietroforte e outros

21h30

Show com Neuza Pinheiro

Neuza Pinheiro – violão, viola e voz; Tonho Penhasco – violão e guitarra; Ronaldo Gama – baixo; Mauro Sanches – percussão

Neuza Pinheiro é cantora, compositora e poeta, interpretou músicas de Arrigo Barnabé e integrou a banda Isca de Polícia, de Itamar Assunção. Em 2007, lançou seu primeiro CD, Olodango.

23h

Saraokê

Com Frederico Barbosa, André Parisi, Calê Narman e André Kurchal

Recital aberto ao público, em que os participantes lêem poemas de outros autores ou textos próprios, com fundo musical ao vivo, escolhido pelo leitor.

0h30

Live performance e música lounge

Live performance com o VJ Fábio Vietnica e música lounge para dançar no hall da Casa das Rosas.

2h30

Show com Lanny Gordin Trio

Lanny Gordin, guitarra; Guilherme Held, guitarra; Fábio Sá, baixo; Zé Aurélio, percussão

Nascido em Xangai, na China, em 1951, Lanny foi considerado o “Jimi Hendrix brasileiro” nas décadas de 1960 e 1970, devido ao seu estilo ousado e agressivo. Na década de 1990, Lanny foi redescoberto e transformado em ídolo cult, realçando ainda mais o fato de que a boa música brasileira precisa ser resgatada.

4h

Madan, no show ‘A ópera do rinoceronte’

Neste show, o compositor, cantor e violonista paulistano Madan (violão e voz) mostra composições de seus quatro CDs lançados. No repertório, parcerias com Arnaldo Antunes, José Paulo Paes, Adélia Prado, Ademir Assunção, Frei Betto e Haroldo de Campos.

* Todos os shows serão abertos com leitura de poemas

RAVE CULTURAL 2008

Evento Gratuito

Local: Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista – próximo à Estação Brigadeiro do Metrô

São Paulo – SP

Tels: (11)3285-6986 ou (11) 3288-9447

http://www.poiesis.org.br

Estacionamento conveniado PATROPI: Al.Santos, 74

Alguns toques desconcertantes

2 de dezembro de 2008

grumos_02Somente alguns toques (alguns já prementes, inclusive), infelizmente sem chance para poder comentar cada um com a atenção e a profundidade merecidas (é o que dá ter tanta gente boa, tantos amigos talentosos, fazendo coisas tão bacanas) (e em geral coincidindo quase tudo no mesmo período de tempo…), mas para registrar e não deixar passar totalmente em branco.

Toques já atrasados, também. Já faz um tempo saiu a edição de 2 anos do maior frequentador de botecos etulipiolasanha11 camarada de bebidas e xavecador fracassado, o Tulípio, mas como já disse não posso simplesmente deixar de citar. Não faço a menor idéia se ainda é possível conseguir um exemplar, duvido muito, mas não custa prestar atenção no seu bar preferido e ver se algum bêbado esqueceu em cima da mesa. Assim tal e como a última edição da revista eletrônica Lasanha (http://www.revistalasanha.bravehost.com/) capitaneada pelo escritor multi-instrumentista MaicknuclaR que sempre consegue montar um time de escritores e um impressionante material de leitura.

GRUMO   Paloma Vidal avisa da Grumo, a publicação que realiza com garbo e beleza uma ponte impecável entre línguas e culturas tão próximas e, ao mesmo tempo, com distâncias tão incríveis (claro, não estou falando de distâncias físicas, não são metros ou quilômetros), postura assumida desde o início (‘Grumo es un proyecto que comenzó a gestarse en 2002 y que se piensa como un emprendimiento entre lenguas y culturas. Realizada entre Buenos Aires, Río de Janeiro y San Pablo, dedicó sus primeros números a la cultura argentina y brasileña. Nuestro último número y los siguientes, sin perder nuestro específico lugar de enunciación, abordaron y abordarán diferentes aspectos de la cultura latinoamericana). Paloma: “Esta edição traz poemas de solange rebuzzi e gabriela marcondes, um ensaio de magalys fernández pedroso, uma crônica de joca wolff e reseñas de daniel link e cátia dos santos”. O endereço é http://www.salagrumo.org/.

“Um show de música a partir da literatura”    Nesta próxima quarta-feira, vai acontecer uma interessante experiência de música e literatura. A escritora Maria José Silveira conta: “Na próxima  quarta-feira, dia 3 de dezembro, na Choperia do Sesc Pompéia, às 20 horas, vai ter um show de música a partir de um romance meu, ‘A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas.’ É de um grupo de pesquisadores e músicos que têm a proposta de montar shows a partir de obras literáiras, e para esse espetáculo, escolheram o meu romance. A entrada é franca pois eles contam com o patrocínio dos Correios.”

É interessante observar como vem crescendo essa tendência de aglutinar a palavra da literatura com a sonoridade da música e o visual do espetáculo. O que tem proporcionado algumas momentos extraordinários, realizados por gente do calibre do Ademir Assunção, do Marcelo Montenegro, do Marcelino Freire, do Chacal, e como também tenho tentado realizar igualmente, nos meus encontros Desconcertos de Poesia e como o que vai acontecer neste sábado na Casa das Rosas. Mais pra baixo, reproduzo o release desse evento na Choperia, mas já ficam aqui o meu prazer antecipado, os meus parabéns e a convicção de que iniciativas desse gênero ainda estão só começando

– E estou ouvindo. Em verdade estou praticamente viciado. De vez em quando, tenho que impor para mim: tempo-instavel‘não, não ouvir agora; vou deixar espaço para outros tipos de música, outros músicos; depois, eu volto, não se preocupe’. Mas, nem sempre me obedeço.

Fazia um bom tempo que eu não era tomado por uma composição musical tal como estou sendo agora (e posso contar nos dedos, os discos que realmente fizeram minha cabeça). ‘Tempo Instável’ reproduz boa parte das músicas que já ouvíamos pelos cantos de São Paulo, já estávamos embalados por esse som. Mas é impossível não se impressionar com a qualidade técnica e a artística, com essas letras francas e abertas, pura poesia urbana e moderna, essa mistura e essa aparente extrema facilidade com que eles mesclam jazz, blues, e rock.

Claro, se você não gosta de rock, nem de blues, e nem de jazz, é melhor nem passar perto.

Se trombar a qualquer com o Mário Bortolotto é só comprar direto com ele, sempre carrega alguns cds pelos bolsos do capote. Caso não, pelo Sebo do Bac, é igualmente tranquilo.

sesc-pompeiaDiálogos Sonoros – música e literatura
Com Susanna Ventura, Márcia Accioly, Clóvis Tôrres e Kátya Teixeira
 
Encontro com a escritora Maria José Silveira
 
Uma das escritoras brasileiras mais instigantes da atualidade, a goiana Maria José Silveira, com vasta obra publicada, escolheu para este diálogo trechos de seu livro Mãe da Mãe de Sua Mãe e Suas Filhas que serão lidos e comentados,  tendo como mediadora a professora de literatura Susanna Ventura
 
Curadoria e elaboração de textos
Márcia Accioly e Susanna Ventura
 
Direção Musical
Kátya Teixeira e Márcia Accioly
 
Susanna Ventura – leitura e comentários dos textos
Clóvis Tôrres – interpretação e diálogos
 
Músicos
Kátya Teixeira – voz, violão
Ricardo Vignini – violão e viola caipira
Cássia Maria – percussão e vocais
Produção
Andrea Gatto e Tôrres Produções Artísticas
 
Assessoria de Imprensa
Luciene Balbino
 
Realização
SESC/SP
Tôrres Produções Artísticas
 
SESC POMPÉIA
Choperia
Rua Clélia, 93
tel.: (11) 3871-7700
www.sescsp.org.br

Quarta-feira, 3 de deazembro, às 20h

ENTRADA FRANCA

Pra Hoje, na corrida

18 de novembro de 2008

Opa, ainda me recuperando da noite sensacional de ontem.

Mas não posso deixar de dar um toque, mesmo que em cima da hora, eu sei. Tou correndo agora para prestigiar o lançamento do livro do meu querido amigo, Fernando Carneiro. Do que eu li desse cara, seus contos me entusiasmam muito, é muito bom ver seu livro chegar finalmente. Chama-se ‘Desconforto’, o lançamento é daqui a pouco, na Livraria da Vila, na Fradique Coutinho, 915. Gostaria de colocar aqui o convite, mas o computador não está ajudando e tenho que sair já. Fica o toque assim.

Após, há o encontro no X. Teatro X. Com os Animais. Fábrica de Animais. Alguns posts atrás já falei deles, da voz e beleza da Fernanda D´Umbra, da gaita do Flavinho Vajman, e os demais. Os Shows são de terça-feira. Hoje é terça-feira. Com o detalhe de hoje é o penúltimo show. Fora esse só mais um, entende? De qualquer forma, para garantir, assista esse e o outro. Para garantir sua terça de forma plena.

Esse eu consigo colocar o convite. Acho. A arte do Kitagawa, fodida. Pra variar.

Não, sem convite. Pegue aqui no blog da Fernanda, link aí do lado.

De qualquer modo, é no Teatro X, Rua Rui Barbosa, 399, a partir das 22 hs

As Poetas na Galeria. Coletivo Galeria. Coletivo Mulher. Hoje.

17 de novembro de 2008

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Será uma noite de emoções tremendas. Beleza em altíssimo grau. Poesia.

Quer apostar?

Ontem, o dia 15

16 de novembro de 2008

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Um dia escaldante, o sol saiu para quebrar ânimos de sair de casa. Quando já eram quatro horas da tarde e muitos não tinham vindo, inclusive alguns convidados, pensei ‘Porra, aconteceu. Finalmente, chegou um dia em que não teremos ninguém, a data foi mal calculada, o tempo não permitiu, os boêmios não enfrentaram o sol quente, e só ficaremos eu e o Bac fazendo sala para dois gatos pingados’. Eu não olhava para o Bac, mas tinha certeza que ele também pensava o mesmo.

Por volta das quatro horas e dez minutos todos chegaram. O equipamento foi afinado e começamos. E foi um dos melhores Desconcertos que já tivemos. Divertido, irônico, sossegado, passeamos por entre literatura, música, poesia, piadas, brincadeiras, cervejas (geladas, inclusive), muita gente, cadeiras lotadas.

Na hora de terminar, pensei que era pena, tinha sido muito rápido, e não dava para convocar mais convidados, assim em cima da hora. Mas percebi que tinham sido quase duas horas de evento que passaram como cinco minutos.

Aos que não foram, só posso dizer: vocês perderam. Melhor sorte da próxima.

Para visualizar alguns momentos, o Fotoblog do Desconcertos em ação: http://www.flickr.com/photos/desconcertos/.

Um desconcerto pelo Rio. E mais.

10 de novembro de 2008

Amigos cariocas, amigos não-cariocas radicados no Rio de Janeiro, amigos de qualquer Estado que de repente estejam pela Cinelândia no dia 24 de novembro, aguardem-se: farei uma comemoração na Livraria Odeon, lançando meu livro de contos, o ‘Desconcerto‘!

Caras, vai ser um imenso prazer reencontrá-los, colocar o papo em dia, e tomar umas e outras. Logo mais trarei mais detalhes e divulgarei o convite mais diretamente, mas já fica aqui o aviso. Claro, será bacana se eu vender alguns livros; no entanto, vocês sabem, o importante será matar esse tremenda saudade de todos vocês.

Enquanto dia 24 não chega, por aqui as ondas paulistanas estão ferventes. E o Desconcertos estão pulando de um lado para o outro. Muito bom isso. De terça-feira, as 21:00, no Teatro X o ‘Fábrica de Animais’ continua estourando o coração de emoção. Não é somente os vocais da Fernanda D´Umbra (que está cantando cada vez melhor, com maior interpretação, ainda com mais calor) ou a gaita de Flávio Vajman, a guitarra de Sérgio Arara, o baixo do Rubens K, a bateria do Cristiano Miranda. É o rock, é o blues, é o soul também se imiscuindo pelas notas, é a empolgação e um senso, não estou encontrando palavra, de compartilhamento, de conspiração, talvez. Creio que é isso. Estão todos conspirando para que as noites de terça-feira no X sejam de arrepiar. O Daniel, o Cavana, vulgo Danny Boy (ou Demon Boy, como o Paulo de Tharso diz) tem filmado e fotografado as terças. Dá para ver aqui: http://ancestral.zip.net/. O teatro fica na Rua Rui Barbosa, 399.

Enquanto o dia 24 não vem, o Desconcertos vai até a Galeria. No Coletivo Galeria (Rua dos Pinheiros, 493) no dia 17, eu e o Anselmo ‘Bac’ Luis montamos uma noite especial com vozes femininas. Isso aqui vai ser simplesmente demais. Convidamos a Dani Angelotti, a Greta Benitez, a Andréa Del Fuego, a Mariana Leme, a Paula Cohen, a Fernanda D´Umbra, é o ‘Coletivo Mulher – As Poetas na Galeria’. Entre escritoras, poetas, atrizes, cantoras, seis das mais belas expressões femininas da atualidade. Para fechar a noite, em versão pocket, o ‘Fábrica de Animais’ vai mostrar um pouco do que eles estão fazendo lá no X. O Danny Boy, aliás, também tem um gravação do que eles fizeram no lançamento do meu livro.

image002Nessa terça, aliás, dia 11, um pouco mais cedo, 19:30, o camarada Sérgio Telles lança o segundo volume do seu ‘O Psicanalista vai ao cinema’, na Livraria All Brooks (Rua Simão Álvares, 1020). Na quinta, dia 13, é a vez do grande Guedes, o Lanuncio-meu-mestre1uiz Roberto Guedes, a lançar ‘O Meu Mestre de História Sobrenatural’. Isso promete (“Viagem aos mundos da literatura fantástica. Meu Mestre de História Sobrenatural mescla o fantástico, o sobrenatural e a ficção científica num caleidoscópio de histórias, um bazar bizarro que evoca a magia da literatura e celebra os vôos da imaginação”. Gil Pinheiro). Sim, isso promete.

Mas, uma hora o dia 24 vai chegar. E estarei comemorando o lançamento do meu livro e bebericando umas e outras pelo Rio. Aguarde-se.

Semana desconcertante. Começa hoje.

5 de setembro de 2008

fábrica de animais, saco de ratos, livraria da esquina, poetas na galeria, noite Bukowski, desconcertos na paulista, Randall Neto, casa das rosas

cada nota, tocata e fuga, blues e literatura

cada passo, uma letra de desconcerto

Este, o convite da Fernanda D´Umbra: “Caros amigos da Fábrica de Animais, Voltamos a fazer shows. Eu ando trabalhando como louca e tenho até crachá e bilhete único agora. Sou praticamente uma cidadã. Por isso faltou tempo para enviar esta mensagem antes. A parada é que nesta sexta-feira, dia 05 (quando você provavelmente estará lendo este e-mail), a Fábrica de Animais toca na formidável Festa de Merda, que o Carcarah organiza, mas nega. Ele diz que todo mundo ajuda, mas a verdade é que ele agiliza bem a parada. Além de botar um som responsa na pista. Com a gente, na mesma noite, estão as bandas: Cicrano, Saco de Ratos e Vermes do Limbo. Vai bem. Sem gelo e sem açúcar. A festa rola a partir das 22h na Livraria da Esquina, na Barra Funda. Anexo mapa feito por André Kitagawa. Caros, a sério: só tem nego bom envolvido na história. Então, apareçam. Eu estou com saudade. Se é que isso importa.

 Um beijo enorme a todos, Fernanda D´Umbra.”

(http://semgelo.zip.net/index.html)

Já no dia 08, terei o prazer de sentar ao lado desse camarada, Pierre Masato, e de mais algumas grandes figuras, para beber, poetar e declamar Bukowski, neste evento idealizado e orquestrado pelo ‘Don Bactone’ Anselmo Luis, no Coletivo Galeria. Diz Pierre: “Desde o começo, o começo que eu digo é aquele momento que você começa a sacar alguma coisa sozinho, eu percebi que estava indo pra um lugar solitário. Não falo do espaço físico, é claro, falo de um lugar dentro da cabeça. Quando falo de solidão, falo também de algo dentro daquele lugar que alguns costumam chamar de coração. Acontece que você começa a seguir nessa direção, não como uma escolha ou opção, você segue nesse caminho porque ele é o único pra você. Então comecei a pensar que estava realmente isolado do mundo, dentro da minha maneira de pensar e sentir o que se passava. Um engano da minha inexperiência. Porque um dia me deparei com Charles Bukowski, e percebi que não estava tão sozinho quanto imaginava. Mas muito melhor foi encontrar meus amigos, que também caminham “contra a corrente, Baby” (Salve, La Carne!). Pra fechar um textinho de bar, escrevi essas palavras apenas porque não posso sentar ao lado dele e beber uma cerveja em silêncio.”

Chinaski no Banco ao Lado

Hey Henry,

posso sentar aqui ao seu lado?

prometo não falar em poesia.

ontem à noite sonhei com cavalos,

montei um sistema maluco

não ganhei nada no turfe

Hey Henry,

a solidão do bar me atrai,

desencontro as mulheres.

não escuto Mahler,

nada de poemas suculentos

como lanches de presunto

Hey Henry,

vou sentar e beber uma cerveja,

uma dose de uísque barato.

quero quebrar a cara de alguém,

apagar essas palavras com gin,

sorrir pro barman. pedir outra dose”.

(http://speakeasiesjukebox.blogspot.com/)

E no dia 13, encontro o Randall na Casa das Rosas, no Desconcertos na Paulista. Isto é, literatura e bate-papo, sempre de alto nível. Vai ser duca, claro.

No fundo de um sonho – A longa jornada de Chet Baker

23 de agosto de 2008

A vida de Chet Baker é carregada de mitos, lendas, mentiras, contradições, preconceitos, terror, suspense, beleza e arte. James Gavin levou sete anos pesquisando, conversando e viajando pelo mundo inteiro para conseguir separar um pouco este emaranhado. Ele investigou do nascimento de Baker em Oklahoma, em 1929, ao atestado de óbito e os boletins policiais na Holanda, local de sua enigmática morte em 1988. O resultado é este “No Fundo de Um Sonho”, de James Gavin, um mergulho no inferno pessoal de um dos mais carismáticos músicos do século XX.
É preciso coragem e estômago para ler este livro. As descrições são vívidas e sem retoques. Trata-se da vida de um homem torturado e complexo, um doente, um viciado cuja droga favorita era a heroína, da qual consumia quantidades absurdas por dia; se fosse misturada com cocaína (formando o coquetel chamado speedballs), melhor ainda. O livro descreve as tortuosas e desesperadas buscas pela droga, os roubos praticados para conseguir dinheiro para o pagamento dos traficantes, as falsificações de receitas médicas, as crises de abstinência, as prisões, as overdoses.
No entanto, Baker demorou a realmente se viciar em drogas pesadas. Ele descamba, de verdade, quando, em sua primeira tournée pela Europa, seu grande amigo Dick Twardzik um promissor pianista que fazia parte de sua banda e prometia ser um futuro gênio da arte, morreu no primeiro mês de apresentações. Isso foi em 1956.
Em 1959, Baker estava no ponto de consumir uma droga chamada Palfium que, na época, pensava-se que não fosse tão viciante e que, na prática, servia como substituto da heroína. Era barata e legalizada. A questão era a quantidade. Para chegar perto da força da droga à qual estava acostumado, Baker esmagava centenas de pílulas de Palfium, esmagava-as, acrescentava água e injetava na veia. Era uma média de 250 pílulas por dose. Esmagava, diluía e se picava, várias vezes em seguida. Gavin calcula que, entre setembro e outubro deste ano, Baker tenha consumido por volta de dez mil dessas pílulas.
Há momentos de sangue e horror, como quando Baker, completamente chapado, não consegue achar a veia para se picar e vai furando o corpo. Quando o encontraram caído no chão, havia sangue até nas paredes.
Se isto está parecendo forte, saiba que estou suavizando a descrição. Gavin não mede esforços para descrever as reais e minuciosas sensações de dor e desespero.
Nem mesmo o autor esteve preparado quando começou a pesquisar. Ele conta que um dos seus primeiros entrevistados, Orrin Keepnews, antigo dono da Riverside Records, pára no meio da conversa e lhe pergunta se ele tinha alguma idéia de onde estava se metendo. Gavin responde: “Claro”. Mas não, ele estava bem longe de imaginar toda a profundidade da feiúra.
Tudo isso em contraste absoluto com a música, suave, doce, leve, instigante, um tanto enigmática. Distante, quase fria. Em outras palavras, cool. “Cool” era muito mais do que um simples estilo de tocar. Significava um jeito de se vestir, de se portar, de falar, de se posicionar perante o mundo. Mesmo que esse posicionamento fosse somente mais uma forma de se usar, ou não, um boné. Em 1953, então com 24 anos, Baker foi votado como o melhor trompetista do mundo, passando por cima dos gigantes Louis Armstrong, Miles Davis e Dizzy Gillespie. Nunca teve uma formação musical formal, era autodidata, nem sabia ler partitura, aprendia as musicas de ouvido e detestava ficar ensaiando. Era capaz de decorar uma musica ouvindo-a somente uma vez.
Mas, acima de tudo, havia a sua aparência. 
Ele era branco. Bonito. Tímido e reservado. Foi um autêntico galã do jazz. E isso foi soberbamente explorado por um jovem fotógrafo fanático de jazz, Willian Claxton, mais tarde um consagrado retratista de artistas famosos, principalmente músicos. De tal forma que, é mais que certo, boa parte dos discos de Baker na década de 50 foi comprada na sua maioria por causa das fotos na capa. Claxton soube capitalizar desde cedo esta beleza, extraiu toda uma sensualidade onde não faltava um certo ar de menino desprotegido e inocente. Foi um estouro. Seu rosto rivalizava com os dos atores de Hollywood, saiu na capa do Time. Ele foi a “Grande Esperança Branca do Jazz” (Gavin diz que isso penetrou tanto na mentalidade norte-americana que muitas pessoas não conseguiam ler seu livro, porque não se conformavam com aquele rosto devastado pelas doenças, drogas e brigas mostradas em sua velhice).
Sem dúvida nenhuma, nada disso o ajudava a ser popular entre os mais antigos, respeitados, e negros, jazzistas. Mais uma vez, eles sentiam que estavam sendo passados para trás somente por causa da cor da pele. A ponto de menosprezarem as suas qualidades que, em momentos menos conflituosos, eles mesmos reconheciam. Sua música seria fraca, sem imaginação, uma reles imitação malfeita de Miles Davis.
Para Gavin, isso tem muito de verdade. Sem desqualificar a arte de Baker e a força de sua música, o autor faz o diagnóstico de que, se não fosse pela sua brancura e beleza, ele não teria sido o estouro que foi. Sabe-se lá que caminhos teria tomado, mas sua história seria, inevitavelmente, diferente.
Essa duplicidade, essa aparência ingênua e doce que escondia uma existência tumultuada e complexada; o ataque à originalidade do seu trabalho, em contraste com a defesa da suavidade e beleza do seu som; o charme pessoal que atraía as pessoas e fazia com que as mulheres se apaixonassem constantemente, alternando com explosões de fúria e violência inauditas, Baker carregaria até sua morte.
James Gavin tenta o quanto pode manter um tom de distanciamento e neutralidade. Ele não quer fazer pré-julgamentos, não deseja montar uma acusação inquisitorial, deixa de lado questões moralistas. Isso levou uma articulista do New York Times, Michiko Kakutani, a dizer que Gavin detestava Baker e, por isso, fazia questão de levantar de forma exagerada o lado mais pesado e escatológico do músico.
Besteira. Gavin deixa que os fatos falem por si, simplesmente não se esconde deles. É lógico que a escolha da apresentação destes fatos implica em uma atitude consciente e selecionadora. O que importa é que ele não tenta impor seus pontos de vista.
Há a discussão, por exemplo, de uma possível homossexualidade reprimida de Baker. Gavin deixa que todos opinem e mostra fatos que substanciam e outros que negam esta idéia. Sentimos que, no fundo, ele acredita sim nisso, mas no final quem decide se concorda ou não é o leitor.
A própria morte de Baker é famosamente controversa. Ele caiu de um prédio em um bairro barra-pesada da Holanda. Impossível saber se foi suicídio, acidente, assassinato, conseqüência de uma alucinação causada pelas drogas. Gavin alinha todas as possibilidades.
Em “No fundo de um sonho – A longa noite de Chet Baker”, o que sobra, portanto, é o retrato completo e sem meias-palavras de um ser humano que era, ao mesmo tempo, um viciado terminal, um junkie aloprado e complexo, e um músico genial do século XX.

Mr. Isaac Hayes

10 de agosto de 2008

That’s a sex machine to all the chicks?
(Shaft!)
You’re damn right

Who is the man
That would risk his neck for his brother man?
(Shaft!)
Can ya dig it?

Who’s the cat that won’t cop out
When there’s danger all about
(Shaft!)
Right on

You see this cat Shaft is a bad mother–
(Shut your mouth)
But I’m talkin’ about Shaft
(Then we can dig it)

He’s a complicated man
But no one understands him but his woman
(John Shaft)

Ricardo Carlaccio

25 de junho de 2008

Anselmo Luis, do Sebo do Bac, e Desconcertos teremos o prazer de recepcionar o lançamento do novo livro desse camarada valente, o poeta, escritor e andarilho Ricardo Carlaccio. E, pela lista de convidados, onde a proposta é lermos um pouco de nossa própria letra e algo do nosso caro amigo, percebe-se que não é somente um simples lançamento, é um verdadeiro evento! Prestenção aqui: presenças de Ademir Assunção, Claudinei Vieira (eu! eu!), Daniel Cavana, Fabiana Strambio, Fernanda D´Umbra, MaicknucleaR, Marcelo Montenegro, Pierre Masato, e o som de Flavinho Vajman, Edinho e Paulo de Tharso! Caramba! Sábado, dia 28 de junho, no Sebo do Bac, Satyros II, Praça Roosevelt, 124, as 16:00 hs.