Archive for the ‘Crônica’ category

Somos assassinos

3 de março de 2017
Somos uma nação de assassinos. É necessário, mais do que nunca, assumirmos nossas características básicas, deixar nos esconder em palavras bonitas ou sentimentos nobres, parar de hipocrisia (aliás, perceber-se o quanto se é hipócrita), se quisermos realmente modificar alguma coisa desse mundo que nos rodeia, ou esse mundo que somos cada um de nós.

Somos uma nação de assassinos. Idolatramos o ódio, somos uma nação fundada pelo ódio, pela prepotência, pelo extermínio de populações, pela cultura da exploração, do roubo, da miséria moral, somos cria e resultado de uma sociedade calcada na escravidão e só isso já diz tudo. Admiramos os que conseguiram ‘vencer na vida’ e, quase sempre, são os agressivos, os que se impõem, os que se colocam melhor do que os demais e, mesmo quando caem (são presos ou , no mínimo, intimidados) ressurgem, re/batizados.

Somos uma nação de assassinos. Racistas. Machistas. Misóginos. Homofóbicos. Arrogantes. Prepotentes (ou com toda a propensão, todo o desejo, de pisar). Somos uma nação onde um segurança do Habib’s mata um garoto negro com um soco e não há uma comoção social. Onde um criminoso psicopata assassino condenado é solto e imediatamente colocado como uma espécie de ‘herói’ nacional. Ídolo. Condenado por matar, trucidar, e enterrar a mulher. Ídolo! Onde a máfia definitivamente se instalou no poder, de onde, na verdade, nunca tinha saído; a diferença é que agora perdeu a vergonha, as estribeiras e qualquer pose de moralidade ou desculpinha básica. Não é mais necessário se esconder.

Somos uma nação de assassinos. Onde uma barragem se quebra, mata pessoas, mata rios, mata trabalhos, mata cidades, e tudo bem. Onde os negros, os jovens, os pobres são mortos diariamente, diariamente!, repetidamente, em chacinas diárias repetidamente, e tudo bem. Onde as mulheres são rebaixadas, reprimidas, caladas, estupradas, violentadas, agredidas, diariamente, minutamente, repetidamente, e tudo bem.

Somos uma nação de assassinos. O grande choque não é perceber que os Brunos surgem (e, camaradas, estamos entupidos de Brunos nessa nossa nação, agindo, estuprando e matando, em todas as classes sociais, em todos os níveis, inclusive em todas as ideologias políticas). A questão é que eles não são a exceção. São a regra. São a norma. São o comum. São o cotidiano. E estamos repletos de cotidiano. Não nos importamos mais. Não vale mais a pena. Como se algum dia tivesse valido.

Somos assassinos. Racistas. Machistas. Podemos não levantar uma mão e nos dizermos limpos. Podemos não abrir a boca e nos dizermos limpos. Podemos não olhar, fingir que não vemos, e nos dizermos limpos. Mas é justamente nisso que os assassinos de pleno fato se apoiam. Pois ao não falarmos, ao não agirmos, ao não observarmos, simplesmente nos colocamos no mesmo patamar. Estamos todos no mesmo nível. E, convenhamos, há tantas formas de matar. Tantos modos de humilhar. Tantas maneiras de destruir.

Somos uma nação de assassinos. Mas podemos mudar. Ainda acredito nisso. Mas a operação é profunda, mais dolorida, mais impactante, do que nossa pretensa sobriedade pode recear. Pois não é uma simples doença, com alguns comprimidos a curar. Não são somente alguns doentes excepcionais, incomuns, a se tratar. A faca tem que cortar, fundo e extensamente. Mas qualquer dia, a qualquer momento, a operação será obrigatória e inevitável. Se ainda quisermos nos chamar de ‘seres humanos’

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A escola em livros

3 de fevereiro de 2017
Uma grande amiga, desanimada com a situação que estamos passando atualmente, e sem saber como lidar com a tarefa de dar aulas no recomeço do semestre ou de como retomar contato com seus alunos, fez um pedido de indicações de livros que pudesse trabalhar com seus alunos que tivessem a escola como temática. Mais do que pensar em simples material de leitura, no entanto, que fosse como uma forma de retomar o pé, imaginei. Como ela diz, fomentar ações que ajudem a reanimar.
heheh- o problema comigo é que sou um pessimista há muito, quase um profissional. E tentei responder algo nesse sentido. Mas aí fui escrevendo e o comentário acabou ficando enorme. Virou um post, que se segue:
– De certa forma, eu tenho umas sugestões, mas, receio que estou impregnado também por esse pessimismo generalizado que fica difícil pegar entusiasmo e esperança. Bueno, na verdade, ‘estou’ pessimista há tempos, mas, como não sou professor, não carrego essa tremenda responsabilidade de tentar monstrar esperanças (sorry…).
Por outro lado, quando penso no tema ‘escola’ na literatura em geral, creio que ela é retratada como algo definitivamente maléfico, ditatorial, retrógrada, ou no mínimo, inadequada. Alguém citou aí ‘As Aventuras de Tom Sawyer’ que é simplemente uma delícia e um dos melhores livros que li na vida, muito engraçado e gostoso de ler. Mas a escola é vista como um limitador da imaginação, das aventuras, da vida livre. Quando Huck Finn, o amigo de Tom, um garoto criado na rua, um espírito rebelde, é finalmente ‘acolhido’ em uma família estável e adotado, ele precisa ser ‘formalizado’: usar roupas decentes, parar de falar palavrões, … e ir pra escola. Em um outro clássico, ‘David Copperfield’, de Charles Dickens, fala-se da escola como verdadeiros pequenos matadouros infantis da Inglaterra mais brutal da Revolução Industrial com descrições de arrepiar: definitivamente, nada muito otimista, eu diria.
Nesse espírito, portanto, eu lembro de um livro espetacular “O Aprendizado de Pequena Árvore”, de Forrest Carter; trata do tempo que um garoto8501039691 é criado pelo seu avô indígena que é um fabricante de uísque falsificado no interior dos Estados Unidos, bem no meio da época da Lei Seca. O garoto vai aprendendo lições de vida e sentimento com seu avó, até o momento em que é obrigado pelo governo a frequentar a escola ‘normal’ e aí , portanto, vêm o contraste, como bem pode imaginar. Surya, garanto, é um livro lindo, lindo, dos melhores da minha vida de leitor. Muitos anos depois de tè-lo lido pela primeira vez, fiquei sabendo que o autor, que eu sempre imaginava que fosse o garoto do livro, na verdade, é um grande filho-da-puta, com inúmeros problemas bem sérios! Tanto mais chocante que tenha escrito um livro tão belo.
Mas, eu estava nessa levada mais pessimista e aí fui lembrando de dois exemplos, afinal, bacanas. ‘O Gênio do Crime’, de João Carlos Marinho Silva, um clássico infanto-juvenil brasileiro; é uma turma de colegas de uma escola paulistana que se tornam detetives amadores ao enfrentar um supergênio que está falsificando as figurinhas de um álbum de figuras de jogadores de futebol. A ambientação, os personagens, o enredo, tudo é uma delícia. Vem sendo reeditado há décadas e nada perdeu seu vigor, é absurdamente bom.
E tem ‘Os meninos da Rua Paulo’, de Ferenc Molnar, outro clássico infanto-juvenil que _88cb455f39ca9340f75fbfdcdba1511cde2bf246também funciona até hoje. São garotos de um mesmo bairro, colegas de escola, que lutam para defender um espaço de convivência livre do lugar onde moram, e onde montam seu clube, seu ponto de reuniões, seu ponto de encontro e diversão. Brigam com a turma de garotos de outro bairro que pretende tomar esse espaço para si e, como são mais fortes fisicamente, precisam ser enfrentados mais com astúcia e esperteza e força de caráter do que com força bruta. Diferente o-genio-do-crime-jc-marinho-silva-d_nq_np_14556-mlb4119415748_042013-fde ‘O Gênio do crime’, no entanto, que é levado no tom de tremenda aventura divertida e agitada (mas que tem no cerne a camaradagem e a formação de uma turma de amigos de uma mesma localidade e ponto escolar), ‘Os meninos da Rua Paulo’ é um drama, é um romance de formação, que, ao lado de cenas empolgantes e emocionantes, também fica triste e carregado. É sério: é um dos poucos livros na vida que me fazem chorar, literalmente.
Nestes dois livros, a escola não é o predominante, mas está lá, presente, importante para a formação destes amigos, e onde se passam algumas cenas hilariantes.
Acho que é do que consigo lembrar, no momento.

uma borboleta morta

27 de março de 2015

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Eu topei com uma borboleta morta hoje. E fiquei chocado com isso. E fiquei chocado, até mesmo irritado comigo por ter ficado chocado e por não entender por que, diabos, isso me impressionou.

Entendo que, no meio de tantos assuntos prementes, urgentes, e fundamentais, clamando por um texto, por uma opinião, por uma posição, falar de borboletas mortas é praticamente um anticlimax, um nonsense, uma falta de consideração. Que seja. Foi o que vi e foi o que senti.

Até que, afinal, entendi (eu acho) o choque. Não foi pela cena do pequeno corpo, pois nada de bizarro ( na prática, era somente um pequeno pedaço de tela colorida, meio mofado, no chão). Nem pelo término de uma indeterminada Vida em geral, idealizada, formal, ou de Beleza (também generalizante).

Eu simplesmente não sabia, nem nunca sequer pensei isso na minha vida, que as borboletas também morriam…

 

Aos cultores do Ódio: a morte de um garoto de 14 anos adotado por um casal gay é um assassinato. E a culpa é sua.

10 de março de 2015

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Aos cultores do Ódio: a morte de um garoto de 14 anos adotado por um casal gay é um assassinato. E a culpa é sua.

Claudinei Vieira

Aos cultores do ódio (sob a fachada pretensiosa do amor ‘universal’);

Aos cultores do preconceito e do ódio (sob a desculpa pretensamente brilhante de um livro ou outro supostamente divino, interpretado sempre conforme as conveniências do tal cultor);

Aos cultores da violência e da morte, da humilhação, da prepotência, e do ódio (enquanto fingem pregar a paz e a tolerância) (enquanto tal tolerância for permitida para seu próprio culto);

Aos cultores de uma Moral (enquanto enchem seus próprios bolsos de ouro dos incautos inocentes, enquanto tomam banho em banheiras de ouro forradas do sangue do tais inocentes, enquanto corrompem, adulam, e compram quantas moralidades quiserem);

PARABÉNS!

Vocês mataram mais um.

Devem estar se dando tapinhas nas costas uns dos outros, comemorando. Ou, pensando agora, não devem nem estar sabendo do assassinato que cometeram. Ou, caso saibam, nem se importem.

Não foram suas mãos que sufocaram a vida de Peterson Ricardo de Oliveira. Não foram seus pés que chutaram as costelas de Peterson Ricardo de Oliveira. Não foram suas bocas que tornaram a vida de Peterson Ricardo de Oliveira mais difícil pelo fato de ter como pais um casal gay. Não foram seus ataques físicos que feriram Peterson Ricardo de Oliveira, o deixaram em coma, e afinal morreu.

Mas vocês são tão assassinos quanto.

Vocês são tão psicopatas quanto.

Vocês são tão indiferentes à verdadeira vida ou ao Amor autêntico quanto os criminosos que infernizaram o cotidiano de Peterson Ricardo de Oliveira.

Não lhes importa que um garoto de 14 anos teve a sorte (que quantos mais não possuem) de seres humanos se importarem tanto com ele, de terem tanto amor dentro de si, a ponto de adotá-lo, de formar uma família, de tentar lhe garantir um futuro. Não lhes importa que esse futuro tenha sido destroçado, morto, assassinado.

O que lhes importa é que os pais de Peterson Ricardo de Oliveira são um casa gay e , aos seus olhos, eles não são humanos. Ou, pior, vivem em pecado. Pior, não fazem parte do seu culto.

As exatas condições da violência que matou este garoto ainda precisam ser esclarecidas. Mas Peterson é somente um dos assassinatos cometidos pelo seu Ódio. Sua baba está em cada um dos ataques que homossexuais vêm sofrendo neste país, em cada tentativa frustrada de casais gays adotarem crianças que, de outro modo, não teriam absolutamente nenhuma família ou amor ou futuro (mas, isso não é responsabilidade sua, não é?, crianças sem amor, futuro ou família não lhes importa, não pagam dízimos). Sua baba escorre de prazer quando atacam terreiros de umbanda ou tentam impedir seus cultos. Sua baba banha seus queixos de prazer quando realizam cultos (os seus cultos!) em locais políticos públicos que, pretensamente, deveriam ser laicos.

Portanto, mais uma vez, Parabéns! O seu ódio (em nome do amor, de deus, da pátria, seja lá qual a desculpa) matou mais um ser humano. Desta vez, um garoto de 14 anos que havia encontrado o amor que vocês lhe negaram.

 

claudinei vieira

 

três puros anjos

10 de março de 2015

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ah, os três indubitáveis anjos modernos: impolutos, incorruptíveis, ‘insujáveis’, ‘inlistáveis’, inimputáveis, inigualáveis, infurnáveis, puros, somente puros, que nenhuma divina mácula hsbciana atinge, para todo o sempre: Príncipe-Arcanjo Fernando Henrique Cardoso, Geraldo ‘Arcanjo Chuchu’ Alckmin, Aécio Neves, ah, neves…

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‘O GLOBO’ vomita suas entranhas no Dia Internacional da Mulher

8 de março de 2015

 


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Singela homenagem de O GLOBO, justamente e exatamente, no Dia Internacional da Mulher.

Dilma de joelhos aos pés de um terrorista que remete ao Estado Islâmico e seus atos de degolamentos públicos.

Perceba-se que é mais do que deixar de joelhos. O que a charge sugere é que Dilma está prestes a ser degolada. Não está forçando um ato de submissão, está sugerindo um assassinato (seja metafórico, político, ou até mesmo pessoal).

Para o Dia Internacional da Mulher, isso não é um tanto nojento, isso não é um tanto escroto, isso não foi além de uma simples charge ‘engraçadinha’ e se tornou um torpe, vil, ataque filhodaputa à toda e qualquer mulher?

Acima da minha ojeriza e repulsa pela pessoa de Dilma Rousseff e de sua política que já deixou de ser de esquerda há muito tempo (se é que algum dia realmente chegou a ser) está o meu profundo repúdio, a minha profunda náusea de repúdio, a esse vômito desumano, a essa merda desenhada, pretensamente humorada, machista e sugestiva de assassinato.

Talvez, por um outro lado, devamos agradecer ao GLOBO.

Pois ontem mesmo, postei sobre uma jovem na Arábia Saudita que, após ser estuprada por sete homens, ela foi condenada a receber 200 chibatadas e ficar presa por seis meses porque no momento do ataque ela mesma estava cometendo o imenso crime (abjeto pelos padrões sauditas) de estar dentro de um carro sozinha com um homem, um colega de estudos, que não era seu parente!

Alguns comentários ao post, horrorizados com a atitude do estado contra a jovem e às mulheres em geral, destacaram a falta de democracia e o machismo escroto, diferentes do Ocidente, onde a situação é um tanto mais aliviada, pelas mulheres terem conquistado algumas vitórias.

O que fiquei pensando é o quanto a ‘democracia’ ocidental consegue esconder suas perfídias. Sem dúvida, não há como comparar a situação de uma jovem adolescente na Arábia Saudita com uma jovem européia da mesma idade ou até mesmo no Brasil. Mas me pergunto se na tal democracia as formas de controle, de opressão, de violência, só mudam de sentido, de configuração. Afinal, a violência (a violência concreta, física, direta, além da ideológica ou da opressão midiática) só vem aumentando. As penalidades para as mulheres que tentam controlar seu próprio corpo (nas tentativas de realizar um aborto, de andar com roupas confortáveis, tal como os homens andam, de recusar a beijar ou acompanhar homens estranhos em ocasiões festivas) as penalidades vão desde às penais (ser presa por realizar um aborto) às sociais (conviver com maridos ou companheiros violentos que as reprimem e atacam cotidianamente) às ideológicas (ser tachada de ‘piranha’ ou de incitar ao estupro por ‘usar roupa indecente’).

Talvez a grande diferença é que as chibatadas árabes são sim realizadas aqui no tal Ocidente democrático. Só tomam outra forma, outros meios.

E talvez por isso devamos agradecer ao GLOBO. Por escancarar suas entranhas, por deixar claro o que pensa, por não usar sutilezas obtusas. Pela sua estupidez aberta, pela sua misoginia criminosa. Por desejar que as mulheres sejam tratadas, sejam presidentas, executivas, donas de casa ou jovens adolescentes, como realmente eles desejariam: de joelhos, implorando por suas vidas, prestes a serem degoladas.

 

As camisetas pedófilas de Luciano Huck fazem parte da naturalização da violência contra a mulher e as crianças

4 de março de 2015

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Pessoas, não há algum nível, alguma linha absoluta, algum limite que está sendo ultrapassado? Menosprezado, amesquinhado?

De um lado, um ignominável Alexandre Frota declara em um programa de televisão (do igualmente desprezível Rafinha Bastos) que estuprou uma mâe-de-santo enquanto fazia uma matéria para a Rede Globo, assumindo de uma só tacada os crimes do estupro, de racismo e de preconceito religioso. E é aplaudido e ovacionado pela platéia. E continua sendo aplaudido e ovacionado.

Do outro lado, um assim-chamado apresentador de televisão, sempre cegado pela absoluta necessidade de ideias idiotas, racistas e preconceituosas, para ganhar dinheiro, sempre com uma fachada bonitinha, divertidinha e boçal, conseguiu extrapolar,  e inventou uma camiseta para ser usado por crianças que, na prática e objetivamente, é um convite para pedofilia (mas, olha, tá em letras coloridas!) (além, de camisetas femininas nojentamente misóginas, que depreciam, rebaixam as mulheres que porventura usem tais camisetas divertidinhas, e algumas incentivam o assédio sexual).

Quem irá nos salvar? O Exército Evangélico da$ Força$ Infernai$ do seu Macedo?, doidos para baixar borracha (eita) nos pecadores (isto é, homossexuais, mulheres que fizeram ou pretendem fazer um aborto, mulheres que pensam que podem pensar, pobres que não sejam evangélicos, isto é, pobres de qualquer outra religião e por aí vai…).

Entre a naturalização da violência contra a mulher e as crianças, e o aumento vertiginoso da intolerância política, social, religiosa (que tal o cara que subiu no apartamento de duas senhoras para arrancar as bandeiras vermelhas que elas haviam hasteado?), do acúmulo de tensões ideológicas ao massacre cotidiano, recorrente, da população negra, PESSOAS, a linha está sendo ultrapassada, pode não haver volta.

Falta saber se já não ultrapassamos.

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O azeite vem da azeitona

13 de fevereiro de 2015

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Lembrei de quando comi azeitona pela primeira vez na vida. não faço a menor ideia de quantos anos tinha, posso dizer que eram poucos (e, portanto, posso dizer, faz bastante tempo!). adorei o gosto, me regalei, e até hoje é das coisas que mais gosto.

Quem me apresentou às azeitonas (meu pai ou meu tio, talvez), percebeu meu regozijo e aproveitou para acrescentar na conversa de que era daquilo que era feito o azeite.

Olhei para a azeitona, olhei para a informação. O adulto percebeu minha pequena confusão e insistiu que era verdade, era daquilo que realmente era feito o bendito azeite, mas sentiu que eu continuava não acreditando nele. Desistiu e continuamos comendo azeitonas.

Não sei se foi daqui que já trazia em mim uma pontinha da minha posterior (e cada vez maior) desconfiança nos adultos e em sua pretensa sabedoria (e, extrapolando, na pretensa sabedoria de qualquer tipo de autoridade). O que sei é que naquela tarde, fiz questão de não me render ao fato que me foi colocado e que não afetou meu conhecimento ou prazer sensorial tão intenso.

E também havia um certo detalhe (que senti plenamente no momento, mas que só pude racionalizar, obviamente, tempos depois ) : o de não querer dar o braço a torcer, de não admitir de que não sabia de coisa tão óbvia, tão natural, do azeite vir da azeitona, oras. Portanto, mantive minha cara desconfiada, me calei e continuei comento e apreciando as azeitonas do meu prato.

Mesmo porque, naquela época, naquele instante, eu nem sabia o que era azeite.

 

‘Dessalinização da água do mar’, mais um projeto a nos chamar de Otários, Imbecis.

12 de fevereiro de 2015

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Acredito que, por mais bizarra e estúpida que a situação possa chegar, é sempre , sempre, possível piorar. Dessalinização da água do mar para salvar uma cidade regada por dois grandes rios. Uma cidade que foi construída, que nasceu, ao longo, e por causa de, dois grandes rios. Rios entupidos de poluição e que servem de desculpa para desvios escancaradamente vergonhosos de dinheiro para sua presumida despoluição há mais de duas décadas. Tudo o que São Paulo precisa é justamente mais uma obra faraônica que, todos sabemos, nunca será construída, todos sabemos servirá para mais um enorme escoadouro de dinheiro público que sumirá em leitos desconhecidos, todos sabemos.

Enquanto os rios continuarão poluídos, enquanto os paulistas continuarão sofrendo de seca ao lado dos seus rios, enquanto os paulistas continuarão pagando a conta cada vez mais cara mesmo que não tenha água, enquanto os tubarões da água continuarão lucrando e lucrando e rindo das nossas caras, e certamente enquanto se dão tapinhas nas costas e se regozijando por conseguir ideias para arrancar cada vez mais dinheiro dos trouxas, devem estar nos chamando (todos os dias, todos os dias) de Imbecis, Ignorantes, Otários, Otários.

Com toda a razão.

http://sao-paulo.estadao.com.br/…/geral,dessalinizacao-de-a…

 

“Negra, cubra seus cabelos!”

5 de fevereiro de 2015

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No Alabama, Estados Unidos, houve a época em que as escravas foram obrigadas (por lei, além de sacramentado pela conduta diária da repressão) a cobrir seus cabelos, no que foi conhecido como ‘Tignon Law’. A razão é que seus cabelos eram bonitos demais, excitantes demais, provocantes demais, desdenhavam, rebaixavam, humilhavam, da tal dita beleza das mulheres brancas donas de escravas.

Além de, no mínimo, ser uma forma simples, eficiente, direta e pública de identidade cultural.

As escravas cobriram os cabelos. E o fizeram com tanta criatividade e esforço, dedicação e vontade, que transformaram a proibição em arte. E o que não era para chamar atenção, seus turbantes coloridos, montados e recriados, continuaram a chamar atenção, a provocar, e marcar sua identidade.

 

http://blackgirllonghair.com/2014/07/shocking-history-why-women-of-color-in-the-1800s-were-banned-from-wearing-their-hair-in-public/

 

A volúpia da repressão

29 de janeiro de 2015

– Depois de manifestação pacífica, POLÍCIA MILITAR JOGA BOMBAS DE GÁS DENTRO DE ESTAÇÃO DO METRÔ –

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Além de tudo, existe a volúpia da repressão, da porradaria. Da expressão do poder físico através do prazer da violência. Não só o o treinamento, o condicionamento da inconsciência, da falta de sentimentos. Sim, a repressão precisa despersonalizar os corpos arrebentados, sufocados, presos, torturados, precisa vê-los (é treinada para isso) não como seres, mulheres ou homens, e sim como carne para ser batida, humilhada, pisoteada. Mas também é necessário que os agentes da repressão assassina, sinta (e solte, extravase) o seu sentido de prazer, de gosto. Bater, sufocar, prender, matar (a polícia militar paulistana é uma das forças de repressão mais assassinas do mundo, mata mais do que todas as forças policiais dos Estados Unidos) deve poder dar ao agente uma forma de gozo.

Truculência, destruição, falta de empatia, falta de consciência, e sadismo. Os elementos constituintes da força da repressão.

Os policiais militares soltaram bombas de gás DENTRO da estação de metrô, deu para entender? Pois eu estou até agora tentando absorver a notícia. A avalanche de policiais militares não seria suficiente para coibir os poucos manifestantes que se expressavam lá dentro?

Não. Porque a polícia militar quer sangue. O seu sangue. Não importa se de homens, mulheres ou crianças. Não importa quem estava na frente, dentro ou fora dos vagões, dentro ou fora da manifestação, dentro ou fora da estação. A polícia militar quer bater. Quer se divertir. Não importa quem está na frente, ou abaixo, do cassetete, quem está sendo sufocado pela fumaça da bomba de gás, seja homem, mulher ou criança.

 

http://mais.uol.com.br/view/e0qbgxid79uv/na-maior-parte-do-tempo-tranquila-manifestacao-acaba-em-tumulto-e-bombas-0402CC1A326AD4995326?types=A&

Quem vive no mesmo planeta (seco) de Geraldo Alckmin?

28 de janeiro de 2015

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é isso. Depois de tanto tempo dizer que nunca faltaria água em São Paulo, depois de tanto repetir que não faltaria água em São Paulo, depois de falar que não haveria racionamento, depois de mentir dizendo que não estava havendo racionamento na surdina, depois de ignorar durante DÉCADAS as advertências dos técnicos, depois de se esquivar repetindo babaquices como consumo restrito, depois de delirar em projetos de reformas que somente serão funcionais daqui a vários anos e do qual não se ergueu nem Uma simples vírgula do papel, depois de continuar implementando uma criminosa INgestão INadministrativa dos recursos hídricos da cidade, além de continuar não fazendo nada contra o constante desperdício de água jogada fora diariamente, depois de demonstrar que não possui a menor ideia, absolutamente a menor ideia, do que fazer para o descalabro imediato que acontecerá logo, logo, OBVIAMENTE, as duas (2) únicas medidas que um governo do seu naipe sabe tomar são as duas (2) únicas que tomará:

em primeiro, Multas pesadas para a população mais carente e mais desprotegida (e, de quebra, garante uns trocos para não prejudicar os lucros dos acionistas);

e, em segundo, como antes não regularizou um racionamento ‘racional’ e inteligente, será obrigado agora, por conta das secas condições, a realizar o racionamento cem vezes piorado:

RACIONAMENTO DE ÁGUA EM SÃO PAULO SERÁ DE CINCO DIAS SEM ÁGUA PARA DOIS DIAS COM ÁGUA.

E, se você está achando que isso será realmente o pior ou que tudo melhorará quando as chuvas, um dia, voltarem ou acredita que a culpa de toda a crise é porque há pessoas lavando os carros na calçada, cara, eu preciso perguntar:

Em que planeta você vive?

Como se não houvesse pena de morte no Brasil…

20 de janeiro de 2015

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Quem diz que no Brasil não há pena de morte é tremendamente (absurdamente) ingênuo ou criminosamente hipócrita. No Brasil, ela corre solta, impera, é executada vezes por dia (ou à noite). Bate recordes internacionais (Tem alguém que ainda não saiba que a Polícia brasileira é uma das forças de repressão mais assassinas do mundo? E das que mais morre, inclusive).

Estamos em uma plena guerra civil não declarada, mas presente, concreta, objetiva. As balas voam. Só não está colocada em letras no Código Penal, mas quem liga para isso? Quem fica indignado ou consternado? Rasga-se a democracia, mata-se Pessoas. Quem fica indignado ou consternado? Pena de morte, maioridade penal, presunção de culpa, é toda a nossa realidade. Quem fica indignado ou consternado? Não está na letra, está na prática, está nas mortes cotidianas, está na cor da pele dessas mortes. QUEM FICA PENALIZADO OU CONSTERNADO COM A PENA DE MORTE QUE É PRATICADA CONSTANTEMENTE NO BRASIL?

 

ACUSADO: Patrick Ferreira Queiroz, 11 anos

ACUSAÇÃO: Tráfico de drogas

INVESTIGAÇÃO: era negro

INVESTIGAÇÃO: era de menor (pivete, portanto) (e negro)

INVESTIGAÇÃO: sem grande necessidade, todos ‘sabiam’ que era traficante

PRISÃO: Para quê? Com que fim? Não ia adiantar mesmo.

JULGAMENTO: Para quê? Era culpado.

PROVA: carregava uma arma (‘disseram’) (só não estava do lado do corpo quando chegou o delegado, mas isso é um detalhe, certo?)

PROVA: era negro

SENTENÇA: MORTE

EXECUÇÃO: Sumária

MÉTODO: três balas pelas costas

 

Solução Alckímica? Polícia Militar.

20 de janeiro de 2015

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Para São Paulo, a solução Alckímica repressora-místico-política-assassina.

Para calar a boca (a cabeça, espinha, dignidade) de manifestações políticas legítimas: Polícia Militar.

Para proteger as valiosas vitrines de burgueses proprietários da sanha destruidora dos manifestantes: Polícia Militar.

Para assassinar diariamente a população negra (e ainda posar de coitadinha): Polícia Militar.

Para assassinar crianças e impor, na prática, a redução da maioridade penal: Polícia Militar.

Para assassinar a periferia e ‘elementos suspeitos’ indiscriminadamente e impor, na prática, a execução da pena de morte: Polícia Militar.

Para atiçar e fazer gozar a mentalidade proto-fascista da população paulstana: Polícia Militar.

Para curar resfriados, diminuir o calor, recuperar amores perdidos, acertar na loteria? : Polícia Militar, por que não?

Surpreendentemente (ou não) a Polícia Militar não tem servido para : Solucionar a criminosa gestão irresponsável de um governo que resultou na pior crise hídrica de uma das maiores metrópoles do planeta (e ainda posa de coitadinho) (mas vai servir para reprimir com toda sua meiguice habitual quando a população paulistana perceber que estrá entrando em um caos seco);

a Polícia Militar não tem servido para solucionar o escandaloso caso de corrupção no Metrô (e convenientemente meio esquecido pela tal mídia) (mas servirá para reprimir qualquer manifestação ou greve de funcionários que ousarem questioná-los);

e a Polícia Militar não tem servido para melhorar a cara de sorvete de chuchu do nosso querido governador que nunca parece realmente se importar com todas essas questões (ou, então, a marca do óleo de peroba que utiliza é realmente poderosa).

Enfim, à nossa poderosa, portentosa, brilhante, meiga, gentil, assassina, repressora, encapacetada, inidentificável, e sorridente (por baixo do capacete) POLÍCIA MILITAR do Estado de São Paulo, um pequeno lembrete: amanhã, dia 20, tem mais manifestação contra o aumento dos ônibus e pela tarifa zero (portanto, contra as máfias do transporte paulistano) e pela real valorização do povo.

Nos encontramos lá.

um beijo.

 

Votação em Tiririca, Maluf, Feliciano, e Alckmin, demonstra o quanto os paulistanos são coerentes

18 de setembro de 2014

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Pois então, assim como muitos, também fiquei espantando, aturdido até, quando fomos informados do páreo dos deputados com maior intenção de voto em São Paulo: em primeiro lugar, Tiririca. Em seguida vem Celso Russomano, Paulo Maluf, Baleia Rossi, e Marco Feliciano.

Surpreso? Não exatamente. É mais como um gosto amargo do que sabíamos estar podre e, mesmo assim, temos esperança de que a podridão não fosse tanta, tão mal cheirosa, tão encardida. Mas, no final, sim, está tão podre quanto temíamos.

Um comentário em um post alheio me fez pensar (peço desculpas ao comentarista, não guardei o nome) de que uma coisa que, na verdade, não se pode culpar os paulistanos é que não sejam coerentes. E ele tem toda razão.

Os que vão votar em Feliciano, Paulo Maluf, Tiririca, são os mesmos que aplaudem a repressão às manifestações de rua, são os mesmos que chama de vagabundos os sem-tetos que foram enxotados para a rua de prédios que ficarão vazios para especulação, são os mesmos que apoiaram a ação da Polícia Militar em Pinheirinho e não vê realmente grandes problemas na mortandade de jovens negros e pede, quase com desespero, que a idade para penalidade criminal seja diminuída (e, ao mesmo tempo, não se indigna que um criminoso internacional reconhecido pela Interpol e que não pode por os pés fora do país concorra e possa ganhar novamente um cargo político). São os mesmos que não se importam com ataques a homossexuais, e acreditam que incriminar pessoas por racismo é um exagero.

Não só isso. São também os mesmos que sofrem exatamente todas essas ignominias e segue impávido, como se nada disso fosse com ele. Sofrem com a repressão, com a violência, com o descalabro dos transportes, com o racismo, da mesmíssima forma que todos os outros. Vai morrer de sede como todos os outros. Mas é paulistano. Isso acontece com os outros, não consigo, não com seus familiares. “Aquele bicha merecia morrer, mesmo; eu não tenho filho gay”, e se tiver “a igreja pode curar”. “A falta de água é porque não tá chovendo”, “é porque o povo joga lixo na rua”. Os corruptos são sempre os outros. Os racistas são sempre os outros.

O modo como uma população pode assistir o colapso de um sistema de fornecimento de uma das maiores cidades do planeta e, mesmo assim, vai eleger exatamente o responsável por isso acontecer (“A falta de água é porque não tá chovendo”) é uma das incógnitas maiores do universo e não tenho a menor pretensão de realmente entendê-la. Há várias respostas sendo oferecidas, e quem souber a resposta ganha um copo de água. Ou de lodo, a preferir.

Sadomasoquistas? Proto-fascistas? Ignorantes? Um pouco de tudo e tudo ao mesmo tempo.

Seja o que for, não se diga que não são coerentes. São.

ps. uma nota especial em relação ao Tiririca:

Não tenho exatamente grandes críticas a ele , não. E também achei um absurdo a forma vergonhosa, preconceituosa, de tentarem lhe negar o direito de concorrer. Sempre tive certeza absoluta que ele, como político, seria exatamente como foi: presença constante no trabalho (acredito que seja o político com menos falta de todo o país), embora irrelevante como força política. Anódino. O meu post foi sobre os eleitores. Quem o coloca como primeiro das intenções de voto não se diferencia ideologicamente em nada dos que também votam nos outros quatro colocados e no Alckimin para governador. Sua eleição (e, pelo visto, sua reeleição) nunca foi um voto de protesto; evidenciou muito mais o vazio (psicológico, social, político) dessa direita reacionária paulistana niilista que, quando é ‘séria’, ‘assumida’, vota nos malufs, felicianos e etc.

 

Auxílio-moradia para Juízes Federais? Em São Paulo, para sem-tetos, o ‘auxílio-moradia’ é Rua.

17 de setembro de 2014

Ministro do Supremo concede auxílio-moradia para todos os juízes federais.

Desculpe, peço licença para repetir isso para, quem sabe, absorver a notícia:

AUXÍLIO-MORADIA PARA OS JUÍZES FEDERAIS! TODOS OS JUÍZES!

Porque, segundo o Ministro do Supremo, “não é ‘justo’ que apenas uma parcela dos magistrados brasileiros receba os recursos. De acordo com a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), atualmente o auxílio é pago a juízes estaduais de 20 estados e varia de R$ 2 mil a R$ 4 mil.”

Enquanto isso, em São Paulo, 200 famílias, por volta de 800 pessoas foram despejadas para que especuladores continuem a especular com os prédios vazios! 200 famílias vão buscar auxílio-moradia na rua essa noite. E pelo resto de suas vidas, se depender da Justiça brasileira.

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os despejados de São Paulo e a lógica capitalista da felicidade

17 de setembro de 2014

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A lógica capitalista é simples, nem precisa muita matemática:

– prédio parado, abandonado há dez anos, no centro de uma das cidades mais caras do mundo, é ótimo para especulação, dinheiro para o dono;

– oitocentas pessoas morando neste prédio não proporciona o lucro para o dono do prédio;

– oitocentas pessoas precisam ser despejadas;

– o poder judiciário se rende à essa simples equação;

– o poder militar age para garantir essa equação;

– o dono fica feliz;

– as pessoas que ocupavam o prédio e que não terão nenhum lugar para ficar (a não ser ao ar livre) não ficarão felizes (mas isso não interessa ao poder judiciário, ao poder militar, ao poder do capital;

– perfeito, o prédio está pronto para ficar mais dez, vinte anos, parado, abandonado, rendendo lucro na especulação financeira imobiliária capitalista

e há os que aplaudem, delirantes de alegria com a eficiência do capitalismo paulistano

Eles riem. De nossa cara, de nossa pretensa democracia, de comissões de verdades. E continuarão rindo.

7 de setembro de 2014

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Eles riem dessa tal ‘democracia’, riem de nossa cara, riem.

Quando o Coronel Wilson Machado foi chamado para depor na Comissão da Verdade, esse grupo de pesquisas escolares sobre um período chamado de Ditadura Militar, ele protagonizou a reação perfeita, demonstrou a face da verdadeira relação de poder desta nossa assim chamada Democracia: ele riu.

Ele e o sargento Guilherme do Rosário iriam explodir uma bomba em um show de música popular em 1981, no Rio de Janeiro. A bomba explodiu no colo do sargento, que morreu, e o Coronel, então capitão, sobreviveu com ferimentos. Agora é Coronel. E a coitada da Comissão da Verdade quis que ele testemunhasse. Ele riu.

Riem. E continuam matando, perseguindo, torturando, escondendo provas, camuflando documentos. A estrutura da policia militar continua exatamente a mesma, suas práticas continuam as mesmas, o tratamento político e o desprezo às instituições civis continuam as mesmas. E os governos (todos os que vieram após a restauração das ditas ‘estruturas democráticas’ de direito que são tão constantemente desrespeitadas) todos assumem a característica de se abster e de não se aventurar em mexer em vespeiro. Todos tiveram e todos têm medo. E não há perspectiva nenhuma de que isso mude com quaisquer outros que estão por vir.

Porque o riso e o escárnio não precisam ser demonstrados somente por gargalhada ou pela face despreocupada do Coronel Wilson Machado. O riso e o escárnio rolam fácil, direto e reto nas periferias brasileiras, nas mortes diárias de pessoas colocadas à margem da sociedade, na postura racista e prepotente (reflexo de nossa sociedade racista, prepotente), nas salas de tortura das delegacias, na repressão às manifestações de rua, na criminalização das manifestações de rua, no desprezo de comissões de debate que penam buscar a tal Verdade (acredito na sinceridade dos membros dessa comissão, mas duvido que eles mesmos acreditem que alguma coisa será mudada; eles continuam e merecem nosso respeito; gostaria de acreditar que algo acontecerá por conta disso).

Enquanto isso, comemoremos nossa Independência, é isso?

Enquanto isso, façamos nosso dever cívico e marquemos cruzinhas, ou apertemos botôes em urnas, e satisfaçamos a fachada democrática é isso? E fiquemos satisfeitos, pelo menos até a próxima eleição, não é mesmo? Pois exercemos nosso dever.

Enquanto isso eles continuam rindo.

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ministro-da-defesa-defende-comandante-do-exercito,1553811

 

Hipocrisia assassina

3 de agosto de 2014

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Ok. Vamos deixar de hipocrisia e falta de vontade em enxergar o óbvio estridente, que, nesse caso, significam descaso desumano e fúria assassina mal disfarçada?

Isso não é (nunca foi) autodefesa. Isso não é (nunca foi) retaliação por alguns israelenses mortos. Isso não é (nunca foi) resposta a ataques de um grupo pífio de extremistas, o Hamas.

Isso é (sempre foi) mais uma etapa do processo de extermínio de um povo. Isso é (sempre foi) mais uma etapa para o assassinato coletivo de uma população, a consecução de um processo de limpeza étnica. Isso é (sempre foi) o desbastamento de terras ‘desocupadas’. Isso é (sempre foi) pura e simplesmente conquista de território. E o povo desse território que se dane.

Isso é, sempre foi, está sendo, a consumação de Genocídio, Holocausto, levado a cabo com fria determinação. E só vai acabar quando o povo palestino tiver sido dizimado.

 

“Bombardeio israelense destrói única usina de energia da Faixa de Gaza”

CIDADE DE GAZA (Reuters) – Disparos de um tanque israelense atingiram nesta terça-feira o depósito de combustível da única usina de energia da Faixa de Gaza, interrompendo o suprimento de eletricidade para a Cidade de Gaza e várias outras partes do enclave palestino de 1,8 milhão de habitantes.

 

https://br.noticias.yahoo.com/bombardeio-israelense-destrói-única-usina-energia-da-faixa-102648150.html

 

Globo julga e condena os novos ‘subversivos; ‘Esquerda’ comemora

23 de julho de 2014

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Vozes de esquerda que usam reportagens da Globo, Veja, Folha de São Paulo, para atacar os manifestantes presos, e desta forma, referendar a forma de sua prisão e a criminalização, não, a Demonização, dos movimentos de liberdade de expressão. Gravações eletrônicas de conversas telefônicas liberadas a bel prazer para o Jornal Nacional!, e tomadas como provas de que Sininho, Eloisa e os demais fazem parte de uma verdadeira organização terrorista. Foi dito na Globo. Portanto, deve ser verdade, certo?

As mesmas vozes que são tão críticas e lúcidas, que pregam a desconfiança e o mínimo de ‘pé atrás’ quando se trata desses veículos de ‘informação’ e, realmente, no geral, conseguem separar o quanto há informação ‘séria’ e o quanto de grosseira manipulação de dados descolados de contexto e ideologicamente recortados. Sininho, Eloisa e os demais só não foram comparados à Osama Bin Laden porque ninguém pensou nisso, ainda. Ou, talvez, Bin Laden já esteja demodè, ultrapassado, uma velharia. A novidade talvez seja os Novos Terroristas Brasileiros e quaisquer semelhanças com o modo como agiam os órgãos de repressão e de ‘informação’ de tempos ditatoriais, são (muito convenientemente) esquecidas e deixadas de lado.

Decepção? Não, exatamente. Dizer ‘decepção’ implicaria que, em algum momento, eu teria pensando que poderiam agir e pensar diferente. Nesse sentido, não estou ‘decepcionado’. Mas, confesso um certo grau de … frustração. Poderiam ser mais contidos, poderiam ser mais circunspectos, poderiam baixar o tom de comemoração com que ‘os terroristas’, os ‘iludidos’, os ‘subversivos’ estão sendo punidos.

Punidos! Porque a Globo, afinal de contas, já decidiu que eles são culpados. Na verdade, porque perder tempo em prendê-los ‘preventivamente’, depois recusar habeas corpus, e depois só depois julgá-los, passar Todo o tempo de julgamento, apresentação de ‘provas’, argumentos e contraargumentos, se o Jornal Nacional (e as tais vozes de esquerda) já decretaram que são culpados, de que organizaram a explosão do maracanã, a morte de milhares de palestinos e a queda do avião da Malásia?

Não acho que Elisa Quadros seja uma santa ou uma completa inocente ingênua, e não sei se ela é uma subversiva proto-terrorista internacional. Eu tendo a crer que não, mas isso é puramente um pensamento meu, à espera de que ela, Elisa e todos os demais tenham um Julgamento, e daí uma resposta jurídica legal. E não um linchamento midiático comandado pelo William Bonner e seguido por vozes outrora inteligentes e críticas, outrora de esquerda.

O texto de Mônica Mourão é um excelente material de reflexão e serve muito bem como aporte para discussão. Para os que ainda possuêm a pretensão de montar um pensamento independente.

http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/culpados-ate-que-se-prove-o-contrario-2643.html

Usar as palavras corretas. GENOCÍDIO PALESTINO.

21 de julho de 2014

 

Usar as palavras corretamente ajuda a definir o que você realmente pensa. Não há um ‘Conflito Israel-Palestina’. Não é uma ‘guerra’ Não há um ‘avanço’ . É um massacre. Limpeza étnica. Destruição e morte um povo inteiro.

É GENOCÍDIO.

Também conhecido como HOLOCAUSTO.

Veja como todas as outras considerações desparecerem ou se tornam pífias quando os termos são colocados em seu devido lugar.

GENOCÍDIO PALESTINO. Diante dos seus olhos. Em tempo real e à cores. Para o mundo todo assistir.

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Democracia sitiada, cercada, espezinhada, destruída, reprimida. Sufocada. Aprisionada. Aprisionada.

14 de julho de 2014

 

A verdadeira ‘democracia’ no Brasil se instalou e você, tolinho, nem percebeu.

Vá. Exerça sua democracia. Só não erga a voz, nem ouse falar em público, nunca cogite montar uma manifestação, não pense em pensar, não saia de passeata, não conteste, não proteste, não reaja, sequer respire (mesmo porque, não conseguiria com a fumaça da bomba de gás ou o spray de pimenta na cara).

Fora isso, viva feliz em sua democracia.

Os verdadeiros campeões!

Olhe e ouça: o que acontece (ou o que acabou de acontecer) dentro do campo e do gramado NÃO TEM A MENOR IMPORTÂNCIA.

Pois o Estado Sem Direito se impôs e se consolidou. Enquanto você se ufanava ou se agoniava com bolas diversas.

Não, para mim não basta votar. Eu quero ter o direito de expressar isso na rua também. Eu quero ter o direito de sair em passeata e quero ter a esperança de não ser espancado por isso. Isso não é tumulto. Ao contrário, é plena democracia! A força policial do dia 13 de Julho de 2014 não esteve ali para tomar conta da democracia, foi para espancar qualquer possibilidade ou espaço de expressão, de qualquer espécie. E os babacas que vaiaram a presidenta no estádio, bueno, sobre isso duas coisas: isso pode ser feio, bobo e mal-educado, e inclusive ridículo, mas mesmo isso é uma forma de expressão. E, em segundo, eles não tinham absolutamente nada a ver com as pessoas que estavam sendo espancadas do lado de fora.

E quebra-quebra? Caos na cidade? Qual foi o quebra-quebra de hoje, fora o dos cassetetes e das bombas de gás?

Democracia sitiada, cercada, espezinhada, pisada, destruída, reprimida.

Sufocada.

Aprisionada.

Aprisionada.

Data: 13 de julho de 2014. Local: Final da Copa.

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A verdadeira Lei Divina de Israel: Genocídio Palestino

9 de julho de 2014

Privilégios do Século 21: assistir ao vivo e à cores, em todos os satélites e ondas internéticas, em tempo real, o GENOCÍDIO de um povo.

Israel só vai parar quando o solo de Gaza já tiver secado do sangue dos palestinos, dos homens, mulheres, crianças, cultura e história palestinos. Pois a verdadeira Lei Divina seguida por Israel é a do massacre.

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Afinal, o Gigante acorda, indignado, revoltado contra a violência

4 de julho de 2014

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Não!! É agora que o Brasil se agoniza, se revolta, vai explodir! A violência atinge um nível inesperado. Você podia até pensar que poderia ser pelas várias e brutais repressões à toda e qualquer manifestação. Podia até ser no caso da garota desarmada e covardemente espancada pelo policial de tropa de choque. Podia até ser mesmo pela fraude das provas forjadas para prender pessoas inocentes e trancafiadas até agora. NÃO! O pior é que Neymar foi agredido! (e nem foi pela Polícia Militar, nem por bombas de gás, nem por balas de borracha que estão rodando à solta por este país tão democrático), e mais que pior, mais que horroroso, mais que terrível, treva das trevas (e nem estou falando da nova ditadura instaurada), o novo apocalipse:

NEYMAR ESTÁ FORA DA COPA!

O Horror! O Horror! O Horror!

E se o feicibuque, assim como todas as demais redes sociais, estavam insuportáveis, agora então…

e ah, obviamente, o mais novo vilão a ser execrado nacionalmente não será um policial militar psicopata, nem um governador ditadorial, nem mesmo presidentes nacionais impassíveis com a violência a rodo a sua volta, mas um jogador de futebol violento…

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