Posted tagged ‘Musas’

O vestido vermelho de Penélope Cruz

29 de junho de 2012

 

Sem dúvida, a contínua produção anual de Woody Allen cobra um preço na irregularidade de seus filmes. Não há dúvidas igualmente de que, após um belo  “Meia-noite em Paris”, seria muito difícil acompanhar o fôlego. No entanto, a máxima se mantém: um filme de Woody Allen, mesmo fraco, ainda assim traz um nível de qualidade digna e natural que muitos outros labutam com muito esforço para alcançar. E a maioria não consegue.

E, se mais não fosse, “Para Roma, com Amor” traz Penélope Cruz, explodindo em um vestido vermelho, como há muito tempo não se via.

Ah, Penélope!

 

 

 

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Brigitte Bardot: um pequeno exercício de Olhar

31 de maio de 2012

Perceba-se que a percepção se dá em camadas. Brigitte Bardot, na parede e em pé.  Perceba-se mais: o que estamos a ver são pessoas que observam uma fotografia de Bardot ao lado de sua fotografia na parede. Desejo, ilusão e fantasia. Onde terminam uns e começam outros, eis a questão.

 

 

 

 

um momento romântico neste nosso desconcerto

6 de maio de 2012

Jane Birkin e Serge Gainsbourg

“Je t´aime, Mois non plus” é o nome da música que arrasou na década de 70, fez ferver as cabecinhas adolescentes e de jovens ‘descolados’ da época, passou como um tsunami pelas ondas de musiquinhas bem-comportadas, horrorizou pais e mestres, e nos países onde não chegou a ser proibido foi, pelo menos, extremamente criticado. Até o Papa tachou-o de ‘imoral’. O que, claro, só fez aumentar o sucesso.

Je t’aime je t’aime Oh oui je t’aime – Moi non plus – Oh mon amour – L’amour physique est sans issue Je vais je vais et je viens Entre tes reins Je vais et je viens Je me retiens – Non ! maintenant viens…

Eu te amo, Sim, sim eu te amo Eu mais ainda Oh, meu amor O amor físico é sem saída Eu vou e eu venho Por entre teu dorso E eu me detenho Não! Agora! Vem!

Em tempos de rappers explícitos e funkers desbocados e rockers nem um pouco politicamente corretos, talvez uma letra dessas seja até infantil (‘eu vou e eu venho’, ‘eu vou e eu venho’, entendeu, entendeu?) (e hoje em dia, esse ‘por entre seu dorso’ seria dito uma forma bem diferente…). A questão é que, na época, isso era verdadeiramente escandaloso e, além do mais, vinha com a voz sussurrante e rouca de prazer de uma deusa do cinema, sex simbol absoluto, a Jane Birkin (aliás, duas: a música foi composta por Serge Gainsbourg para sua então namorada, a Brigitte Bardot, que gravou a primeira versão; a com Birkin veio depois e foi com ela que a música explodiu mundialmente) (aliás, esse Serge era um filho-da-puta: baixinho, feioso, cineasta, músico, cantor, roteirista, diretor e mais umas coisinhas, fazia de tudo e comia todas: Bardot, Birkin, Catherine Deneuve, Isabelle Adjani, Francoise Hardy, só para citar algumas).

Quando comecei a frequentar os cinemas pornôs da Rua Aurora, no centro de São Paulo, entre uma sessão e outra havia shows de strip-tease (o ingresso valia para as duas sessões e o strip-tease). A trilha sonora da maioria absoluta das apresentações era “Je t´aime, Mois non plus”, por motivos mais do que óbvios.

Na minha memória afetiva, a versão que me pega ainda é a com Jane Birkin. Mas como acabei encontrando no youtube a versão com a Bardot, ora por que não relacioná-las? Ainda prefiro com a Birkin, mas reconheço que a Bardot até que se esforça.

Woody Allen e Elas

27 de março de 2012

Woody

Woody e Penelope Cruz

Woody e Mira Sorvino

Woody e Meryl Streep

Woody e Diane Keaton

Woody e Scarlett Johansson

Angelina – Anybody Seen My Baby

26 de março de 2012

Brigitte Bardot e Jane Birkin in Don Juan ou Si Don Juan était une femme…

12 de março de 2012


Brigitte Bardot e Jane Birkin in Don Juan ou Si Don Juan était une femme… (Roger Vadim, 1973)

“Jeanne (Brigitte Bardot) est une jeune femme séductrice et sensuelle. Dès la fameuse première scène où elle allume sa cigarette à la bougie d’une église, lors de l’enterrement d’un célèbre travesti de ses amis, on devine sa proximité avec le diable. Amoureuse de son cousin, prêtre (Mathieu Carrière) qu’elle entraine dans une débauche incestueuse, elle court de proie en proie: Maurice Ronet, professeur qu’elle entraine en Suède, paradis de l’amour libre en ces années 70, pour le perdre, Robert Hossein et sa femme, la fragile Jane Birkin, qu’elle charmera dans une cabine du Night Ferry entre Paris et Londres, un guitariste (Robert Walker, fils de Jennifer Jones) qui se suicidera pour elle…Bien sur les flammes l’attendent, comme son modèle, le vrai Dom Juan. Dernier “grand” film de Bardot, baroque, souvent incompris, voire moqué, d’un érotisme stylisé très “Harley-Davidson”, avec de superbes musiques (Michel Magne), il dégage une envoutante tristesse devant les joies promises et décevantes de la Révolution sexuelle”. (Don Juan 73 ou si Don Juan était une femme)

 

 

Sharon Stone, pretty girl on train, e Woody Allen

7 de março de 2012

A primeira aparição de Sharon Stone no cinema foi em um filme de Woody Allen, ‘Memórias‘ (Stardust Memories), de 1980. Allen está no vagão de um trem, rodeado de pessoas mortalmente sérias e sisudas, e observa uma garota bonita no trem ao lado, divertindo-se com amigos. Ela percebe seu olhar e brinca com ele, mandando um beijo pela janela, antes do seu trem partir da estação e da vida do personagem.

‘Memórias’ faz parte daquela insuportável fase de Allen, onde ele tentava fugir do estereótipo de diretor e ator de comédias, e imitava o estilo e os trejeitos do seu cineasta preferido, Ingmar Bergman. É uma de suas obras mais criticada e achincalhada, competindo com ‘Interiores’ (de 1978) o posto de filme mais chato de sua carreira.

A estréia de Sharon Stone (cujo papel é descrito na ficha somente como ‘Garota Bonita no Trem’) não dura nem um minuto; sua ‘perfomance’ fica, assim, perdida em um filme fraco de um grande diretor, e ainda faria muita figuração até sua carreira estourar de verdade.

Não que uma coisa tenha, necessariamente, a ver com a outra, é óbvio.

 

 

 

O Expresso de Marlene Dietrich

21 de fevereiro de 2012

Quero falar da cena de um filme. Ao separar um fotograma da cena para ilustrar o texto, como costumo fazer, percebi que a foto (parada, inflexível) não fazia jus ao que eu pretendia demonstrar. Peguei o filme, recortei a cena (de poucos minutos, era mais curta do que me lembrava), até poderia colocar no youtube, ficaria fácil de ver no post. No entanto, fiquei surpreso com o modo como a cena ficou deslocada. Não vazia, nem menos bonita ou significativa. Mas finita, sem dimensão. Ou, talvez a questão seja somente comigo, e a experiência particular de cada leitor (ou espectador) pudesse se aproximar da minha, mais do que imaginei. Não sei. Escolhi uma foto um pouco mais neutra, sem relação direta com a cena específica, mas com Marlene e do filme.

O filme é ‘Expresso de Xangai’ (Shanghai Express), de 1932, de Josef von Sternberg, mestre da narrativa elegante e esplendorosa, que contava suas histórias não somente através do enredo, mas em principal pelo eminentemente visual, pela brilhante trabalho de fotografia, a rebuscada direção de arte, cenografia ricamente detalhada, até entulhada, que proporcionavam o clima e o ambiente para personagens cínicos, francos e envolventes, que transpiravam sexualidade e sedução, prazer ou perigo. E muito do que de melhor Sternberg alcançou foi com sua musa máxima, Marlene Dietrich, com a qual trabalhou várias vezes.

Era o primeiro filme que eu veria da Marlene, mas minha cabeça estava abarrotada pelo tanto de fotogramas vistos, histórias e lendas de bastidores lidas e devoradas, influenciado pela aura de glamour e beleza que somente o seu nome já prenunciava. Era apaixonado por Marilyn Monroe, fascinado por Brigitte Bardot, havia assistido pouco antes Louise Brooks em ‘A Caixa de Pandora’ e me chocado com a surpreendente explosão de sensualidade que uma atriz do cinema mudo poderia proporcionar, e depois disso não esperava nenhuma grande surpresa.

E não houve exatamente ‘surpresa’. O filme é um produto de sua época e assim deve ser entendido para ser apreciado. Em 1931, durante uma viagem de trem no território chinês, todos os tipos de pessoas, de diversas classes sociais, de prostitutas, milionários a militares, padres e revolucionários, se encontram no mesmo espaço e convivência, como um microcosmo da sociedade contemporânea. No trem, encontra-se uma famosa cortesã, Shanghai Lily (Marlene), conhecida por ‘torrar’ a fortuna de homens muito ricos e depois jogá-los fora. Durante o trajeto, ela se depara com um capitão do exército inglês que fora seu amante anos antes e, sem que confessem para si ou para o outro que, lá no fundo, ainda se amam, explode a guerra civil chinesa. É, portanto, uma espécie de história de amor cínica, com personagens disfuncionais envolvidos por um forte ambiente de cores políticas e ideológicas, com visual rebuscado, iluminação clássica e direção fenomenal. É um filme de Josef von Sternberg em seu ponto máximo.

Dizer que Marlene Dietrich está soberba é um clichê horroroso, mesmo que verdadeiro, e raso demais, não dá conta do quão marcante ela é ou como todo o filme se ilumina toda vez que ela aparece. Na verdade, é até um tanto mentiroso, pois não transmite a sensação que eu tinha. O que mais me espantava não era sua presença faiscante ou sua beleza: era a absurda naturalidade com a qual sua sensualidade passava pelos poros, pelos olhos, pelas frases curtas e roucas. Sem esforço, sem afetação, sem sequer ‘interpretação’. Ela, simplesmente, era.

Mas devo dizer que, para escrever este texto, eu tive que consultar a internet para me lembrar dos detalhes da história e dos caracteres, pois não me lembrava de nada disso. Porque em determinado momento do filme, eu me desliguei, e minha memória ficou estacionada. Shanghai Lily / Marlene Dietrich caminha no vagão, entra em sua cabine e fica alguns minutos sozinha. Ela não faz grandes gestos, nem dramatiza algum conflito, nem demonstra alguma grande emoção. Ela olha ao redor, levanta os braços, as mãos vazias não seguram nem um cigarro ou qualquer objeto, desce os braços, dá alguns passos, acho que toca o pescoço ou a gola do vestido, e sai da cabine.

Narrativamente, a cena não acrescenta nada ao filme. Não apresenta nenhum gancho ou reviravolta, a história segue normal, sua falta não se faria sentir. É uma cena feita para ela, da Marlene, para exibir sua existência para o universo. Ela sobe e desce os braços, fica com as mãos na cintura, e sai da cabine. Ela quase não se mexe, quase nem respira, e eu embasbacado perco a minha própria respiração.

Como uma deusa, com pleno conhecimento plácido do seu poder, desceria à terra? Para os padrões modernos, seria entre explosões e trovôes hipercoloridos; para sex symbols, sobram a sexualidade escancarada, a exposição crua do corpo, a extrema falta de sutileza. Precisam fazer isso para que, do exagero, pense-se que haja substância; que do choque e da crueza, aconteça prazer. E acontece o prazer, por certo, não direi o contrário; mas é tão efêmero e ligeiro que necessitam de mais outras explosões para manter a atenção.

Marlene Dietrich não precisa de nada. Ela é. E sabe disso. E nós (eu) sabemos disso. Ela sobe e desce os braços. E meu mundo se completa nesse gesto.

Whitney

12 de fevereiro de 2012

 

 

 

 

De musas, vênus, evas

11 de fevereiro de 2012

Vênus de Milo, Louvre, Paris. Eva Green, ‘Os Sonhadores’, Bertolucci

Moulin Rouge, 1902

21 de janeiro de 2012

Moulin Rouge, dançarinas de can-can, 1902, Paris

Por certo que prefiro uma versão mais moderna (com a Nicole Kidman, por exemplo), mas não deixo de sentir um certo charme, um senso de saudade de um tempo que não vivi, de sentidos de sensualidade e exuberância antigas. Além de considerar interessante uma época quando esse tipo de espetáculo era realmente escandaloso.

Só não se caia na armadilha de acreditar que aqueles eram tempos de ‘inocência’ e ‘ingenuidade’. Não eram.

 

Até monstros?

12 de janeiro de 2012

Até monstros amam? Até monstros têm sentimentos? Até monstros e suas mãos bobas?

 

 

 

musas, vampiras, musas. Susan e Catherine

29 de dezembro de 2011

musas, vampiras, musas. Susan e Catherine.

Absolutas!

 

 

Marilyn & Ella

15 de dezembro de 2011

Marilyn Monroe era fã confessa e assumida de Ella Fitzgerald.

Eu sou fã / fanático / louco de pedra pelas duas.

Não faço idéia do que Ella pensava de Marilyn.

 

 

Bardot. Piano. Because.

4 de dezembro de 2011

CATHERINE para PS3 e X-Box 360

15 de agosto de 2011

Catherine é um personagem de um jogo adulto para videogame, nas plataformas do Playstation 3 e X-box 360. Em geral, o termo ‘adulto’ quando referido a qualquer produto cultural é um mero eufemismo para ‘erótico’ ou diretamente pornográfico. No entanto, acompanhando o avanço cada vez maior da tecnologia e sofisticação de imagem ao lado da densidade considerável dos enredos e a profunda interação entre o game e os jogadores, acaba proporcionando algumas experiências bem interessantes. O caso de ‘Catherine’ é descrito como jogo de ação e terror. Claro, vem acompanhado com o toque do erotismo.

A história conta de um rapaz, Vincent Brooks, que está em um relacionamento longo e meio crítico com Katherine, sem saber se continua ou se deseja aprofundá-lo. Em uma vadiagem por boates noturnas conhece uma garota muito bonita e misteriosa, com a qual acaba transando. Depois disso, toda vez que dorme começa a ser perseguido por pesadelos estranhos e aterrorizadores e tudo isso pode estar relacionado com uma onda de crimes e mortes que acomete a cidade.

Bueno, chegado a esse ponto, devo dar um breque e esclarecer que não sou um jogador de videogame, nem nunca fui, e apesar deste blog ser aberto para muitas vertentes e temas culturais, não vou começar agora a fazer resenhas sobre esse assunto. Não tenho absolutamente nada contra quem goste, e nenhum preconceito contra qualquer jogo ou os próprios jogadores em si. Acontece que nunca me interessei, nem fez parte dos meus gostos e prazeres, e a minha  experiência, portanto, é mínima, pífia e irrelevante.

O meu interesse por Catherine é somente e unicamente, como posso dizer, .. cultural. Sociológico. Acadêmico, até.

Cultural.

 

 

Bettie Page morreu.

12 de dezembro de 2008

Claro, quem morreu ontem, dia 11 de dezembro de 2008, já não era mais a BETTIE PAGE, mas um senhora de 85 anos que se mantinha sozinha e afastada das atenções desde a época do seu auge de atriz e modelo máximo do imaginário masculino, a representante máxima, a criadora total das pin-ups modernas na década de cinquenta, quando então provocou verdadeiros terremotos, quebrou tradições, arregaçou morais, inventou (ou foi inventada por) novos caminhos. 

Ao que sei, era uma senhora simples e simpática que não se recusava a dar entrevistas, mas desde que não se tirasse fotos. Sempre consciente da força de sua imagem, não queria que ela se quebrasse por conta de sua idade. E, portanto, mesmo não sendo A Bettie Page dos anos 50, continuou pin-up até o fim.

bettie-page