Posted tagged ‘Artes Plásticas’

Grafite que Gilberto Kassab não mandou apagar

22 de março de 2012

Em um muro velho, no centro da cidade.

Claro que é na Place Pigalle, em Paris. Se fosse em São Paulo, o Kassab já teria mandado derrubar o muro. Ou apagar primeiro, para depois derrubar o muro. Para ter certeza absoluta de que o grafite desapareceria por completo, nenhum sinal da arte.

Pelo menos, o Kassab ainda não mandou fazer isso com os próprios artistas. Por enquanto.

 

 

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Gauguin ‘ao vivo’

29 de fevereiro de 2012

 

 

H.R. Giger – Feliz Aniversário, Hans!

5 de fevereiro de 2012

(“Lili II (1975, work #251), is a portrait done by H.R. Giger for his beloved girlfriend (late)’Li’, who passed away in 1975. The original painting measures 200 x 140 cm and includes a number of element symbolizing death. According to Giger, the oversized head ‘is decapitated and fed intravenously.’ The painting was purchased by the Arthouse of Buenden (Switzerland) and can be viewed only on very rare occasions. This fact induced him to reproduce the painting in order for it to be displayed for public viewing at the Museum HR Giger , Chateau St. Germain in Gruyeres (Switzerland).”)

(http://xalwaysxinxvainx.deviantart.com/art/Li-II-H-R-GigerLL-136956657)

05 de fevereiro:

H. G. Giger

A Beleza está nas ruas

7 de outubro de 2011

Em 1968, Paris queimou pela Revolução. Os jovens tomaram o destino pelas mãos, reviraram a ordem de pernas para o ar, lutaram, amaram e se entregaram à paixão, por um novo mundo. Os políticos se horrorizaram, os patéticos partidos de esquerda, comunistas e socialistas, brigaram contra, os trabalhadores foram à reboque, insuflaram-se com o mesmo entusiasmo e sofreguidão e ajudaram a queimar Paris.

A Revolução não aconteceu, mas as chamas ainda queimam e Maio de 68 continua para sempre como símbolo máximo da força e capacidade da juventude. Quando os estudantes se revoltam no Chile ou os jovens e desempregados tomam Wall Street ou protestam na Espanha, os ecos de 68 se fazem ouvir.

Além do eminentemente político e social, 68 também foi uma explosão de criatividade, arte e beleza. Os posteres, os grafismos, as palavras de ordem, os desenhos, as pixações, as faixas. Entre outros pontos, o Atelier Populaire foi um centro de reuniões e criação, os cartazes eram bolados, manufaturados, copiados, reproduzidos a mão, para serem distribuídos na manhã seguinte e espalhados por toda a cidade.

Dois pesquisadores, Johan Kugelberg e Philippe Vermès, reuniram os cartazes produzidos durante o Maio de 68 e publicaram uma compilação de pouco mais de duzentos exemplos, do que foi a Revolução imaginada e concretizada em Arte.


Beauty is in the Street: A Visual Record of the May ’68 Paris Uprising, Johan Kugelberg e Philippe Vermès

Gotas de água e arte

12 de setembro de 2011

A artista Andrea Laybauer não faz fotos de gotas de água: ela transforma este momento infinitesimal único e irrepetível e o transforma em arte. Capta o reflexo congelado de uma imagem refletida e moldada pelo corpo da gota e transmuta-o em beleza.

A questão aqui não é de técnica (mesmo que ela seja fundamental para a concretização da arte), é de sensibilidade e prazer.

Muito menos há utilização de photoshop ou qualquer programa de computador para saturação ou colorização da imagem. O processo é artesanal na prática: as cores são geradas pelo pote em que a água está pousada e pelo fundo pintado na parede. Imagens não abstratas são captadas pela gota que funciona como uma lente invertida.

O formato da dança da gota de água é o sentido de um mero instante, rápido demais para um olhar comum. Capturar o exato microssegundo em que se conjugam a foto, as cores, a forma, o clima, o impacto, é o fôlego da artista.

 

 

 

No seu site (Arte em Gotas D´água), Andrea Laybauer traz mais fotos, vende seu trabalho como quadros, e ainda trouxe uma idéia diferente, no mínimo inusitada, charmosa e muito bonita: imãs de geladeira gigantes! Achei isso sensacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A musa chapada na galeria, hoje; O desconcerto na mercearia, amanhã!

8 de dezembro de 2008

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O roubo da Mona Lisa, O que a arte nos impede de ver

18 de junho de 2008

Em agosto de 1911, um modesto operário italiano, um pintor de paredes chamado Vincenzo Peruggia, radicado em Paris, entrou no Louvre, desatarraxou os parafusinhos que prendiam o vidro colado ao quadro, colocou-o em um canto, desprendeu o painel de madeira, enfiou-o debaixo do capote que vestira especialmente para isso e, andando com o passo duro e obviamente desajeitado, saiu para a rua, chegou em sua casa, um quartinho pobre na Rue Hôpital Saint-Louis e escondeu seu roubo em um nicho já preparado de antemão. O roubo ainda levaria um dia inteiro para ser descoberto. A segurança, ao encontrar o vidro, pensou que o quadro teria sido levado a uma dependência em separado onde passaria a noite (prática comum e revezada, tomada para evitar roubos…). No dia seguinte, o mundo artístico e a policia francesa estavam em polvorosa. Atrapalhada e perdida, digna de uma verdadeira comédia pastelão, ainda levaria mais de dois anos para a recuperação do objeto de arte! Mesmo porque, durante este tempo, Peruggia fez questão de não mostrá-lo a ninguém. Nenhum dos seus amigos nunca suspeitou do seu ato; ele nunca fez questão de vendê-lo ou tentar negociá-lo, não era realmente um ladrão profissional, não lhe interessava um lucro financeiro. Em verdade, nem mesmo a olhava, deixava-a simplesmente quieta e escondida. E quando tentou vendê-la, dois anos mais tarde, acabou sendo preso.
Por si só, este fato já seria o suficiente para uma boa história (como foi contada em muitos diversos estudos e livros) e proporcionaria discussões diversas (como realmente proporcionou). No entanto, Darian Leader (“O ROUBO DA MONA LISA, O que a arte nos impede de ver”, editora Campus) toma um outro caminho: a partir da noticia do roubo, as pessoas começaram a freqüentar o museu como nunca antes. Filas e filas se formaram, e logo multidões se aglomeravam para ver um… buraco vazio na parede, o espaço onde estivera Mona Lisa. A tal ponto, que quando se dispuseram a colocar outra obra no lugar, tiveram que retirá-la!
Como assim? O que as pessoas queriam ver? Qual era sua expectativa, o que buscavam? Talvez nem mesmo elas sabiam. “Como podemos explicar esse grande fenômeno da arte do século XX, a convergência de legiões de homens, mulheres e crianças franceses para o Louvre para ver, não uma pintura, mas a ausência de uma pintura? Era por causa do espaço vazio deixado pela desaparecida Mona Lisa que as pessoas afluíam e se aglomeravam para ver. Era menos o caso de ir ver uma obra de arte porque ela estava ali para ser vista do que, pelo contrário, o caso de ela ali não estar”. E a coisa continuou de forma progressiva.

Mais do que isso, aliás. Foi a partir daí que a verdadeira mística e o extraordinário sucesso pop da obra de Leonardo da Vinci realmente começou. Estamos tão acostumados hoje em dia a considerá-la como um dos quadros mais charmosos e importantes da humanidade, um ícone das artes plásticas, um símbolo da Arte, que nem nos damos conta que não foi sempre assim. Teve um inicio, foi em agosto de 1911. Segundo Darian Leader, antes do roubo, ela não era ato considerada assim, mesmo sendo famosa, o primeiro posto era da “Fornarina”, de Rafael, ou de sua “Madonna” da Sistina. De repente, o rosto da Mona Lisa começou a ser veiculado em todos os pontos de comunicação, dos jornais diários às especulações de ruas, em filmes de cinema, charges e caricaturas, debates e colóquios, começou a ser adorada, idolatrada, ridicularizada, ficou nas bocas e nas mentes do mundo. O próprio hábito de se visitar museus, pelo menos com esta magnitude, começou também daí.
Desse intrigante e instigante ponto de partida, Leader realiza uma viagem para tentar entender o relacionamento das pessoas com a arte. O que se espera ver ou sentir ou descobrir ao se contemplar uma pintura (e, por extensão, as demais manifestações artísticas?). Psicanalista, membro fundador do Centro para Análise e Pesquisa Freudianas de Londres é por meio da utilização do pensamento de Lacan, como por exemplo quando trata de Sublimação, que ele começa a tatear uma resposta. Portanto, “Roubo da Mona Lisa” não é um livro sobre história da arte, muito menos sobre assaltos inusitados, mas sobre as motivações internas que agitam os indivíduos no seu dia-a-dia, no seu cotidiano e que, em geral, passam despercebidas, levadas à luz somente no caso de momentos e de espaços artísticos diferenciados e / ou bastante originais, pelo choque de sensações contrastantes e imediatas. Ou por um roubo sensacional.
Em outros momentos, isto é, em outras obras sobre a relação da psicanálise (ou da psicologia em geral) com a arte, as explicações são em sua maioria meio forçadas e exageradas. O grande mérito de Leader, além de escrever muito bem e possuir uma fluência muito gostosa de ser lida, é de apresentar suas idéias como propostas de encaminhamento e não como verdades absolutas. Ele joga as pistas, lança estas idéias, compara-as e trabalha-as com grande quantidade de exemplos, para então fazer novos questionamentos. A Sublimação é uma pista; termo originalmente usado pelos alquimistas na Idade Média, foi re-utilizado por Lacan para proporcionar nova forma de encarar os símbolos artísticos e da necessidade de preencher os vazios. O Vazio é outra pista (que vem na cola da outra, é evidente), pois não significa um vácuo puro, não é sinônimo de Nada, exige uma construção mental ou uma pressuposição. Pode-se tentar, por exemplo, compreender não somente a imensa afluência para ver o buraco na parede do Louvre (muita gente, inclusive, não acreditava que o quadro tivesse sido realmente roubado; talvez estivesse guardado ou perdido no meio de algum outro quadro e bastaria procurar bem para encontrá-lo), mas a impossibilidade de que o mesmo fato pudesse ser repetido de novo através do mesmo fato. Não é o roubo que provocou a súbita e assombrosa valorização da obra de Leonardo da Vinci, mas a conscientização do buraco, ou a necessidade de preenchê-lo.
A discussão é vasta e esta resenha não tem a pretensão nenhuma de preenchê-la, mas somente indicar que o modo de Darian Leader de fisgar o leitor, começando por este roubo, funciona. E vale a pena.

desconcertos rapidinhos, uma volta daqui, outras de lá

8 de maio de 2008

 

O Desconcertos na Paulista deste sábado vai ser um pouco diferente do habitual: será um bate-papo com duas pessoas que se relacionam com os quadrinhos.

 

Com a escritora Índigo, vou conversar sobre a experiência que ela teve em adaptar, junto com Bira Dantas, o “Memórias de um sargento de milícias”, de Manuel Antônio de Almeida. Sempre achei, desde o primeiro momento que soube dessa produção, que fazia o maior sentido. Para quem conhece a obra original (é um texto delicioso, extremamente divertido) e sabe do trabalho da Índigo (uma das melhores escritoras brasileiras da atualidade, que sabe mesclar com enorme felicidade uma escrita tão lúdica, tão saborosa e divertida, com profundas e muito bem humoradas considerações sobre, e para, o universo adolescente infanto-juvenil, além de uma pegada satírica e séria, que serve a qualquer idade), concordará comigo.

 

Wilson Vieira é quadrinista antigo, isto é, está há mais de trinta anos na carreira, reconhecido mundialmente, em especial na Itália (onde me parece que montou sua segunda pátria) e agora está trabalhando mais com roteiros mesmo, em parceria com o desenhista Fred Macedo.

Claro que, por se tratar de uma arte eminentemente visual, a questão das imagens é primordial e falaremos dela, mas o que desejo pegar é pelo lado da Escrita e perceber a partir daí como ocorre essa transformação naquela tal imagem, nesta linguagem tão específica das Novelas Gráficas. Entender um pouco desse processo, saber um pouco de como foram essas experiências, vai nos ajudar até a entender um tanto da arte que conhecemos ao nosso redor, mas o principal é que será uma conversa muito divertida!

 

Só para lembrar: no sábado, dia 10, 17:00 hs, na Casa das Rosas, Avenida Paulista, 37.

 

– opa, atenção. Se elas já não se continham nos seus respectivos recantos e soltavam o verbo à vontade, nem dá para imaginar todas juntas no mesmo espaço. Caramba! Luana Vignon, Paula Klaus, Camilla Lopes, Fabiana Vajman. Já falavam pelos cotovelos, agora então:  http://falandopeloskotovelus2.blogspot.com/.

 

– uma turma muito boa se reuniu para produzir e se trocar textos, prestem atenção e podem entrar neste Motel, à vontade: http://mothel.blogspot.com com Bianca Rosolem, Rodrigo Mello e Emerson Wiskow.

 

Quadrinhos poéticos pelo metrô de Barcelona. Entre os dias 14 e 21 acontecerá o 12° Festival de Poesia na cidade de Barcelona e, entre as várias atividades, muitas mesmo, uma das mais interessantes sem dúvida alguma será o dos ‘comics-poemas’, los ‘poemas-viñetas’. Poemas curtos ilustrados que serão afixados nas janelas de algumas linhas do metrô. Literatura, quadrinhos, modernidade, urbanidade, mesclados de forma tão direta e … poética contemporânea, não consigo encontrar outra expressão mais adequada. Não entendi na notícia se essa exposição será permanente ou se ficará somente na época do Festival, mas pelo menos por algum tempo os usuários de Barcelona não estarão enxergando propaganda de banco ou de chocolate ou de universidades picaretas, coisas não tão poéticas, digamos assim, a que os paulistanos estamos acostumados.

  

Sexo dos filósofos. Esta é a da revista Lire. Diz aí: como os filósofos fazem amor? Não o que eles pensam e escrevem sobre sexo, mas o Como eles fazem sexo? O modo como eles trepam ajuda a esclarecer o sentido de seus pensamentos?

 

Tudo bem, no primeiro instante também achei que isso era uma bobagem tremenda, mas confesso que à medida que fui lendo o texto o negócio acabou me parecendo bem interessante. Das relações com a questão carnal é possível se tirar todo um contexto histórico que permeia o fundo de suas respectivas filosofias. Tanto pelo lado dos provocadores ativos (como um Diógenes, da escola Cínica, que se masturbava em público) quanto pelos que renegavam a carne, como Pascal e Spinoza (que preferiam o Amor de Deus ao amor terrestre). “Matéria pouco filosófica”, escreveu Voltaire para a definição de ‘Amor’ em seu Dicionário Filosófico. Em outros tempos, Reich diria praticamente o extremo oposto, sobre o amor e a sexualidade. Isso sem falar, claro, de Sartre e Simone de Beauvior, um capítulo bem especial sobre filósofos comedores.

 

Tudo bem, acho que continua sendo bobagem. Mas é divertido, vá lá. Para ler em momentos de descontração (ou de tensão, sei lá) sexual. Filosoficamente falando.

 

– demorei para dar o devido destaque ao belíssimo visual novo do site Verbo 21. Um dos melhores sites brasileiros sobre literatura e cultura, criado e tocado pelo escritor Lima Trindade (figura que mora em Salvador, tem três livros lançados, e participou de um dos meus Desconcertos lá na Casa das Rosas) agora ficou com um lindo projeto gráfico, o que valoriza ainda mais a qualidade e a densidade do seu material. Parabéns, Lima!

 

– não tenho vergonha de admitir minha ignorância, ela é tremenda e vasta. Somente agora conheci o trabalho extraordinário da artista plástica Isabel Guerra.

 

É de deixar cair o queixo de tão bonito. E de saber que isso é pintura, não fotografia. E que ela é autodidata. Isabel Guerra é uma monja que fica enclausurada em seu mosteiro em Saragoza e que só sai de lá de três em três anos, mais ou menos, para expor em Madrid os trabalhos que realizou nesse período. Suas mulheres (adultas e crianças) transmitem uma calma e tranquilidade (quase ao ponto da languidez, quase) e uma beleza tremendas.

 

A tentação (será que dá para usar essa palavra aqui?) de colocar um monte de seus quadros neste espaço desconcertábil é grande, mas vou me conter. Deixo dois exemplos