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A burrice dos metroviários

10 de junho de 2014


Recebi um comentário interessante em post meu, no facebook, sobre Catraca Livre na greve dos metroviários. O comentário discorre sobre a ‘burrice’ dos metroviários. Resgato-o aqui, pois considero-o extremamente elucidativo sobre como pensa e age boa parte dessa nossa querida população paulistana; e diz muito sobre quem é realmente burro nessa história. Para além da minha humilde resposta, faço questão de apontar um texto excelente, um histórico de como e porque aconteceu a greve que, por ser simples, esclarecedor, objetivo, deveria ser lido bem antes de começarmos a dizer bobagens ignorantes. Ou, simplesmente, burrices.

comentário: “Essa é a solução que os metroviários deviam ter adotado. Atrapalhar a vida de 4,5 milhões de pessoas que precisam do transporte para viver é de uma burrice que não tem tamanho. Era só não colocar gente controlando as catracas. Só conseguiram fazer com que a população ficasse com raiva deles em vez de receber apoio contra a companhia. Chega de burrice!!”

Claudinei Vieira: sim, é verdade. os metroviários é que são burros por atrapalharem sua locomoção, a sua vida, não é? Por lutarem por suas reinvidicações, eles é que são burros por se proporem a dem2trabalhar de graça se o Metrô liberasse a catraca, e o Alckmin impediu. De lutar pela readmissão dos 42 grevistas, o Metrô ser a favor, e o Alckmin impedir. Você é inteligente. Pode até apoiar alguma greve, desde que você não seja incomodado, não é mesmo? Pena que os metroviários, esses burros, não levaram isso em consideração.

Os 4,5 milhões de pessoas realmente precisam do transporte. O metrô continuará sendo sucateado, os usuários continuarão a ser humilhados e espremidos, as verbas continuarão a ser desviadas, os milhões de pessoas continuarão a reclamar e pedir que tudo melhore. A novidade? O Alckmin continuará a impedir. Tudo por conta da burrice dos metroviários.

Um Breve Histórico da Greve do Metrô em São Paulo
(https://poucodeprosa.wordpress.com/2014/06/09/um-breve-historico-da-greve-do-metro-em-sao-paulo/)

 

metroo

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Feicibuque, Sexo e Censura

14 de setembro de 2012



A primeira imagem foi uma foto clássica do século 20, muito conhecida e publicada várias vezes inclusive no Facebook. Em 1974, durante uma aula de fotografia e erotismo ministrada por Imogen Cunningham, a aluna Judy Dater focaliza a professora junto da modelo nua Twinka Thiebaud. Milhares de definições e interpretações e histórias são possíveis e foram feitas a partir desta fotografia, das mais cruas às bizarras, inclusive místicas, o que só prova que ela comporta inúmeras camadas. Prefiro a primeira sensação que eu tive: a brincadeira, a ironia, o bom humor tirado do constraste entre as duas mulheres, entre o nu e o recato, entre a liberdade e a contenção. Praticamente um comentário sobre a reação das pessoas em geral ao erotismo.

A segunda imagem que tive censurada no Feicibuque foi a que apresentei para o Dia do Nu organizado pelo poeta Claudio Daniel: uma cena do filme ‘Don Juan ou Si Don Juan était une femme…’, com Brigitte Bardot e Jane Birkin, ícones e musas do cinema e da beleza feminina, deitadas juntas completamente à vontade. Para amenizar o preto-e-branco da imagem original que eu tinha, acrescentei um tom azulado fazendo com que, na minha opinião, a imagem ficasse ainda mais bonita e delicada, suave, sem nenhuma agressividade.

Logo em seguida, outra cena de filme apagada sem apelação e que me proporcionou mais alguns dias de ‘castigo’. De ‘L’Apollonide – Souvenirs de la maison close’, vê-se várias mulheres se arrumando, trocando de roupa, em um cenário do que parece ser um casarão vitoriano. A iluminação pastel, os corpos lânguidos e sem pressa, remetem diretamente à imagens de quadros do final do século 19, o que foi a óbvia intenção do diretor do filme, com belo resultado.

Há dois pontos principais a se tirar dessa lógica censitória exercida pelo Feici: um matemático e um social, que refletem não somente as idiossincracias de um milionário garoto norte-americano (até há pouco tempo) bastante virgem, mas igualmente as da sociedade em que vivemos. E os dois pontos dão medo.

O matemático tem a ver com o desenvolvimento da tecnologia, com o reconhecimento eletrônico de imagens por dados de computador que possibilita, por exemplo, mais rapidez e eficiência no reconhecimento de pessoas em documentos oficiais, ou a busca de detalhes e melhor organização de arquivos imagéticos. Já é possível fazer uma programação onde se lance um dado específico (imagens de seios ou pênis, por exemplo) e rastrear tudo o que relacione ou se assemelhe. Embora ainda não funcione com toda a potencialidade que se deseja (principalmente com base de dados tão extensa e pesada como a proporcionada pelos usuários feicibuqueanos), mesmo assim já possibilita a existência de sites que fazem busca de imagens pela web do mesmo modo como o google o faz através de palavras.

O social é mais preocupante. Porque estamos falando de uma sociedade que está sabendo mexer com altas e refinadas tecnologias científicas e possui, ao mesmo tempo, uma mentalidade moral e psicológica da Idade Média. Que tem medo da palavra Corpo e do que ela implica. Que concebe os mais avançados e práticos modelos de roupas e uniformes para todos os esportes olímpicos, mas não tem certeza se permite a participação de mulheres no Atletismo ou nadadoras de maiô (ou somente se estiverem de burca). Que amarga centenas, milhares de anos, de repressão religiosa e regimes políticos intolerantes fazendo com que os traumas e os recalques acumulados por tanto tempo explodam continuamente; observamos isso a todo momento e, pior, sem solução de continuidade à vista. Uma sociedade que planeja e organiza ir à Marte e ainda não sabe lidar com o orgasmo feminino.

Estamos no século 21 e o Nu ainda é encarado com constrangimento, com falta de sentido, como provocação. Como Imoralidade.

A contradição hipócrita moralista de uma sociedade doente e recalcada é ainda mais chocante (exposta e visível) em um ambiente tão pretensamente livre como as redes sociais da web. Pois os algoritmos matemáticos e o preconceito são cegos e burros e não distinguem Seios ou Sexo como Pornografia da Arte ou da expressão livre do ser humano. São Seios. E Sexo. E para o recalcado moralista com traumas mentais escondidos é tudo feio, inumano, deve ser proibido e censurado pois, já que eles não o praticam, ninguém mais deve praticar.

 

 

texto integral, publicado pela revista eletrônica de poesia e debates, ZUNÁI, capitaneada por Claudio Daniel, para um especial de discussão sobre a censura ao Nu no Facebook. O especial ( “A Beleza será convulsiva – A Subversão da nudez no Facebook“), organizado pela poeta Célia Musilli, reuniu textos e depoimentos de alguns dos usuários que passaram pela decepcionante situação de verem suas imagens postadas (tantas de cunho artístico e erótico) censuradas, bloqueadas, e ‘castigadas’ com a ameaça de novos bloqueios e, quem sabe, até a desativação da conta. A abertura do espaço proporcionado por Claudio Daniel e a excelente organização da Célia Musilli tornam ainda mais honrosa a publicação de um texto meu na bela revista ZUNÁI.

 

 

 

 

 

Os motivos porque Henri Cartier-Bressson tem que ser banido do Facebook ou A diferença entre Arte e Imoralidade, segundo o Facebook

21 de julho de 2012

 

E o Facebook, este singelo recanto de encontro virtual criado por um estudante universitário norte-americano virgem que tinha raiva de sexo porque sua namorada não queria dar para ele, continua sua cruzada contra a imoralidade e a falta de decência, combatendo e censurando os usuários que ousam postar imagens mais ‘atrevidas’, independente de suas ‘pretensas’ intenções artísticas.

Dessa forma, não importando se a imagem é uma foto da playboy norte-americana ou um quadro renascentista ou uma instalação de arte plástica ou mães dando de mamar para seus bebês, desde que mostre Peitos (femininos, of course), é imoral, é feio, é provocativo, e deve ser extirpado, os usuários ameaçados ou castigados, e suas contas canceladas. O mais novo exemplo de que soube foi de minha amiga Célia Musilli, uma recalcitrante que insiste em suas tentativas de impor suas manias de arte e beleza com nus, desta vez com uma imagem do consagrado fotógrafo Henri Cartier-Bresson.

(esses meus amigos, aliás, são todos uns imorais, todos!)

Na tentativa, pois, de ajudar a entender a lógica da cruzada moralista do Facebook, Desconcertos montou esta simples, mínima e didática cartilha usando imagens do próprio Cartier-Bresson, para separar, de uma vez por todas, o que é Arte e Pornografia:

Momento tocante de um casal de idosos: Arte

Marilyn Monroe por Cartier- Bresson? É sempre Artístico! (desde que ela não esteja nua, obviamente)

Motivo simples, minimalista, quase abstrato, sem um sentido objetivo aparente: praticamente a definição de Arte ‘Artística’, com A maiúsculo.

Aqui começa a apelar para o erotismo e motivação sexual. Não é artístico Artístico, com A Maiúsculo. Mas, pelo menos, é discreto.
Por enquanto, passa.

Corpos nus e à vontade, transmitindo calma e tranquilidade? Seios, coxas e pentelhos à mostra? Imoralidade e Devassidão, sem-vergonhice pura e simplesmente. Henri Cartier-Bresson era só um velho safado e quem ajuda a divulgar essas imagens deve ser banido do Feicibuque, jogado no fogo do Inferno e condenado a comer amendoim mofado pelo resto da eternidade!

Facebookianas: Flor Garduño e ‘Amigos do Wikileaks’

27 de maio de 2012

 

Eu pensei bastante em terminar minha experiência na grande rede social internética mundial interplanetária Facebook, desanimado com os bloqueios e as censuras diretas, idiotas e imbecis (toda censura é imbecil), que não distingue expressões artísticas, manifestações pessoais ou ataques morais. Estava relutante, pois com todos os seus problemas, o Feici ainda assim proporciona algumas experiências interessantes (bem diferentes e com pegada bem próprias do que levar um blog, ou ter uma conta no twitt, propostas e espaços muito diferenciados). Encontrar pessoas com os mesmos sentimentos de exasperação ajudou a criar um pouco de fôlego.

O meu pensamento agora é bem diferente. Não vou sair. Eles que me expulsem. Vou continuar fazendo e pensando o que já faço e penso, e com o qual acredito que pessoas e amigos se identifiquem (não falo em concordância a priori, mas em discussão aberta, franca, sem preconceitos idiotas). Compartilhar as lindas fotos de Flor Garduño que postadas pela Célia Musilli (que lhe valeram um novo bloqueio) e que igualmente coloquei como nova capa, acho sinceramente que é o mínimo a se fazer. Como disse alguém em um comentário, se cada bloqueio provoca cem compartilhamentos, mais pessoas ficarão cientes.

Por outro lado, um motivo para não se sair desta tal grande rede social internética mundial interplanetária é a falta de opções. De repente, percebe-se como esse universo não é tão vasto e infinito como se coloca. O orkut é uma experiência passada, que valeu o seu tempo. E, sério!, rede social do Google?! Alguém realmente acredita que tem alguma coisa de diferente do que encontramos no feici e talvez pior?

E aí aparece essa proposta do pessoal do Wikileaks. FoWL: Friends of WikiLeaks. (https://wlfriends.org/) Devo dizer que me chamou a atenção. Bastante. Está ainda se estruturando e montando o espaço, mas começou a angariar ‘amigos’. É uma ideia. Tudo pode vir a ser mais do mesmo. Pode afundar e ser ainda mais frustrante do que antes. Quem sabe. Tem que se dar um tempo e ver o que acontece. Mas é uma ideia.