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6 de outubro de 2012

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A Queda de Murdock

4 de outubro de 2011

Estamos em uma época em que, infelizmente, assistimos à queda, a pura decadência ou simples e pura demência, de um grande artista. É um espetáculo humilhante, embora impressionante, de total vergonha alheia. Dá até um certo medo, inclusive, de que toda uma nova geração de leitores vá conhecê-lo somente pelos seus últimos e ridículos trabalhos e simplesmente descarte o que foi feito antes. Já percebi pelos fóruns e discussões pela net o quanto seu nome está sendo execrado e colocada em questão sua suposta qualidade de narrador e quadrinista.

Não é para menos e, na verdade, nem mesmo condeno quem tenha dúvidas: é muito difícil, por exemplo, assistir a versão cinematográfica de ‘Spirit’ e acreditar que esse diretor foi o responsável por um terremoto na cultura popular na década de 80 e que revirou os conceitos de histórias de super-heróis, tornando-os mais brutos, mais sensacionais e emocionantes, através de uma narrativa firme e pulsante, repleta de ideias novas e bem articuladas, misturadas com toda sorte de influências e fontes, inclusive orientais. Boa parte de tudo o que está acontecendo atualmente de bom (e do pior, por certo) em cinema, quadrinhos, literatura e televisão, é por conta dos caminhos que Frank Miller divisou e começou a trilhar.

De todos os grandes artistas de HQs da atualidade, de Stan Lee a Alan Moore, de Neil Gaiman a Art Spiegelman, entre vários outros, Miller é o que melhor sabia mesclar suas propostas criativas e inovadoras, aliadas a uma técnica refinada (tanto no desenho quanto na escrita), travestidas e misturadas com o apelo comercial e com as necessidades de uma indústria de massas. Parece, no entanto, que nem ele mais acredita de que foi capaz de realizar aquilo; hoje em dia o que produz é de uma mediocridade absurda. Ou puro lixo.

O que torna, portanto, ainda mais importante e muito bem-vinda a recente publicação pela Panini em edição de luxo d’A Queda de Murdock, reconhecida como a melhor história já realizada sobre o Demolidor, uma das mais clássicas HQs de todos os tempos e, na minha opinião, a obra-prima de Frank Miller.

É preciso contextualizar a frase, claro. Para o mundo dos quadrinhos e pela força do impacto e de suas conseqüências, o seu trabalho mais importante e marcante é, sem dúvida, o ‘Cavaleiro das Trevas’ que (junto com seu ´Batman Ano 1’, publicado em seguida, e ‘Piada Mortal’ e ‘Watchmen’, de Alan Moore), explodiu, chacoalhou, balançou, desestruturou e redefiniu para sempre o universo dos quadrinhos, provando que era possível construir histórias potencialmente fortes, profundas e com enorme conteúdo narrativo e artístico a partir dos mesmos personagens superdotados e sobre-humanos, antes considerados infantis e rasos, destinados a uma massa de público amorfo e acrítico. Não mais, não depois de ‘Cavaleiro das Trevas’. Batman, manchado por anos como piada infame por culpa daquele seriado de tv dos anos 60, voltou a ser o personagem sombrio e melancólico, psicótico e violento, inteligente e brutal de suas origens, dentro de um contexto no qual Frank Miller se aproveita e faz uma sátira corrosiva, genial e ácida contra a sociedade, a mídia, a guerra, a violência desmedida, a juventude, a política, a corrupção, além de reinventar e recriar velhos personagens, com um viés muito mais adulto. De uma certa forma, Miller ‘humaniza’ (com muitas aspas nesta palavra) os super-heróis. Ou, talvez seja melhor dizer que ele traz os personagens inatingíveis para uma realidade próxima (ou ao menos factível) ao leitor. Torna-os, não reais ou possíveis, mas coerentes.

A narrativa é primorosa: fragmentada, nervosa, pulsante, irônica, pontuada e comentada o tempo todo por inserções de notícias televisivas (a sátira é poderosa e nada sutil), as páginas pulsam emoção. Mesmo em cenas de pouco ou nenhum movimento, há uma vibração, há sempre ‘algo’ acontecendo, a tensão é constante e onipresente.

Se ‘Cavaleiro das Trevas’ é um petardo, um chute histórico no estômago da mídia cultural e na forma como construímos e absorvemos os super-heróis, Alan Moore foi por outro lado com ‘Piada Mortal’, revelando, num corte preciso e fino, a íntima ligação entre as loucuras do Batman e do Curinga, e o quanto uma depende da outra. Com ‘Batman Ano 1’, Miller muda completamente o foco e o estilo em outro belo exercício de narrativa, ao recontar a origem do Morcegão com uma narrativa enxutíssima e naturalista, quase documentarista, demonstrando como seria possível a existência e a origem desse herói dentro de uma realidade prosaica. A aproximação e a identificação do leitor com a história atingem aqui o ponto máximo. E, por fim, para fechar o arco do que eu chamo ‘os anos de trovão’ dos quadrinhos (a grosso modo, a segunda metade da década de 80), aconteceu ‘Watchmen’, onde Alan Moore chuta todos os baldes, revira todas as ordens, realiza a sátira absoluta e, alegremente, liquida esse universo, brinca e reinventa todos os clichês, criando a obra definitiva.

‘A Queda de Murdock’ é praticamente da mesma época dos anos de trovão, embora não carregue o mesmo sentido histórico dessas obras citadas. Sua importância, no entanto, vai além de simplesmente trazer em seu bojo todos os elementos que apareceriam posteriormente e de sedimentar as bases para os petardos seguintes. Como escritor, Miller realiza aqui sua obra mais bem acabada, sem os excessos histriônicos / farsescos e lúdicos do ‘Cavaleiro das Trevas’ ou os exageros minimalistas, sem nenhuma contenção, de ‘Sin City’. A narrativa naturalista, direta e linear é ao estilo do que seria o ‘Batman Ano 1’, mas enquanto esta é uma história de fantasia e aventura, em ‘Murdock’ é um drama / thriller de suspense psicológico denso e complexo. E, ao mesmo tempo, divertido!

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Pode parecer engraçado, mas nunca considerei o Demolidor como um ‘deficiente físico’. A primeira vez que pensei nestes termos foi com a propaganda do execrável filme baseado no personagem (“o primeiro super-herói deficiente físico da história, um cego”). Claro, Matthew Murdock ficou cego na adolescência por conta de um acidente com um caminhão que carregava lixo radioativo. A cegueira, no entanto, foi acompanhada por um superdesenvolvimento dos demais sentidos (no gibi, eram descritos com riqueza de detalhes em várias páginas cada um dos acréscimos de sua sensibilidade superaguçada) a ponto de poder lutar, vingar-se dos assassinos do seu pai e combater o crime pelas ruas de Nova Iorque. Além do que, era bonitão (sua figura era calcada no Robert Redford), inteligentíssimo (formou-se advogado com brilhantismo), era cobiçado por todas as mocinhas (e catou várias), era respeitado pela população e pelos outros super-heróis, e sua alcunha era o ‘Homem sem medo’. Quando eu era criança, babava por ser um ‘deficiente’ assim! Obviamente, eu não era o Kick Ass, não me joguei em frente a nenhum caminhão de lixo atômico, mas tive muita vontade disso, pode ter certeza! (embora eu não tenha procurado; penso agora que foi bom nunca ter passado por um caminhão desse tipo na época…)

O Demolidor foi criado por Stan Lee em 1964 e chamou bastante atenção, mas apesar do inegável carisma do personagem e da ótima premissa nunca chegou a ser um herói de primeira linha e, depois de um certo tempo, ficou meio sumido, praticamente um coadjuvante de outros personagens mais importantes, como o Homem-Aranha. No começo da década de 80 chega Frank Miller, primeiro como desenhista e depois, como escritor, e o revigora de tal forma que não só alavancou o personagem como a sua própria carreira. As premissas básicas criadas por Lee com a origem, a história pessoal de Murdock, os poderes específicos, a atuação como advogado a par de sua luta como herói e, detalhe muito importante!, a estreita ligação com a cidade de Nova Iorque e mais especificamente com a região mais barra pesada do Hell´s Kitchen foram mantidas. Miller aprofunda essas características, imprime um ritmo e uma densidade às histórias de um modo como ainda não tinha sido visto, redimensiona outros personagens secundários e os eleva a patamares muito mais elevados (Fisk, o Rei do Crime; o Mercenário), fortalece a relação do Demolidor com as faixas mais miseráveis e violentas da população e do bairro, e a criminalidade do submundo. E cria a mais perfeita assassina, a grega Elektra Natchios, o que por si só já valeria para Frank Miller qualquer tributo de genialidade!

Em 1986, após um tempo afastado da Marvel (quando produziu, pela DC, o magnífico ‘Ronin’), retoma o Demolidor, e decide arregaçar de vez: escreve a ‘Queda de Murdock’.

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Karen Page trabalhou como secretária do escritório de advocacia de Matt Murdock e teve um caso com o advogado cego. Largou o emprego e o namoro (não lembro agora em qual ordem), tornou-se uma estrela de filmes pornôs, ganhou muito dinheiro, afundou nas drogas e perdeu tudo. Jogada num canto qualquer do México, para tentar manter seu vício não consegue nem se prostituir, pois está tão destruída que não arranja clientes. De tudo na vida, possui somente uma única coisa de valor, além das lembranças do homem que amou: um segredo. Um nome. Karen vende a identidade do Demolidor, o Homem sem medo, em troca de heroína.

A partir daí, os acontecimentos se sucedem de forma inexorável. Pois o segredo acaba parando aos ouvidos da pior pessoa possível: Wilson Fisk, um rico empresário que, atrás de uma fachada de honestidade e abnegação, na verdade controla boa parte dos negócios sujos da cidade, e que vai aproveitar bem dessa informação privilegiada para se vingar daquele que insiste em atrapalhar suas atividades ilegais. Para Fisk, o Demolidor não é exatamente um grande problema, nada que ameace de verdade o seu poder, é mais um incômodo, um aborrecimento, uma chatice.

O que importa aqui é o modo como Fisk, conhecido nas baixas rodas como o Rei do Crime, realiza sua vingança mesquinha: ele não ataca o Demolidor (que agora sabe ser o advogado Matthew Murdock) diretamente, abertamente. Ao contrário. Sem que Matt desconfie, as bases de sua vida vão sendo minadas: seu trabalho é posto em xeque quando o acusam de comprar o voto de um jurado; sua licença é revogada, perde o escritório e fica desempregado; seus cartões de crédito e sua conta no banco são bloqueados; os amigos e clientes se afastam; sua casa, seu único refúgio de tranquilidade e sossego, é destruída, e é obrigado a alugar quartos de motel com os últimos trocados que lhe restam no bolso.

Fisk percebe, deliciado, que Matt, ao não conseguir entender como tantos infortúnios acontecem em seguida, começa a perder não só sua base material, como também seu equilíbrio mental. A paranóia se instala, sente que todos (o universo inteiro) estão em uma grande conspiração contra ele. Sem poder identificar qual o verdadeiro responsável, seus sentidos superdesenvolvidos de nada lhe valem. Matt soçobra e o ‘Demolidor’ é de uma completa inutilidade.

Frank Miller, como em nenhum outro momento de sua carreira, escreve um roteiro primoroso. A lenta destruição da sanidade mental de Matthew Murdock é descrita com minúcias, acompanhamos os pensamentos e os sentimentos cada vez mais confusos e deprimentes, a sensação de acuamento, a solidão, a paranóia (ou psicose?; nunca sei o termo técnico correto), o sufocamento, a indecisão, a impotência. A maior luta, a mais renhida e sofrida, não é com nenhum supervilão ou planos mirabolantes, é consigo próprio, sua capacidade ou não de se manter são. Miller nos faz penetrar na mente atormentada de Murdock com tal maestria que participamos e sofremos juntos, percebemos o desconforto dos lençóis ásperos, sentimos os cheiros de mijo e sexo ao redor do quarto de motel ou das latas de lixo, nossos ouvidos são penetrados pelo chiado do rádio em má sintonia.

‘A Queda de Murdock’ é a descida ao inferno de uma pessoa outrora forte e centrada, firme e determinada, ao mais baixo que um ser humano pode alcançar.  Ou quase. O limite é a morte. E, é claro, óbvio e natural, que Miller também tratará da redenção, da recuperação, da superação. O Demolidor voltará, sem dúvida, com a força renovada, ‘nascido novamente’, como diz o título original.

Ao lado do grande painel da história completa, Miller também é um especialista (pelo menos, era) em nos proporcionar momentos específicos especiais, de absoluto impacto emocional. Para cada um, existe o seu. Em ‘Cavaleiro das Trevas’, quando Bruce Wayne, velho, amargo e desgastado, resolve vestir outra vez o velho uniforme aposentado, e sente-se reviver ao vento da noite e à pulsação das veias e se pergunta espantado para onde foram as dores, o desânimo e a fraqueza… Aquilo é genial! Em ‘Batman Ano 1’, meu momento preferido é a cena quando Gordon está sentado ao pé da cama, no meio da noite, ao lado da esposa grávida adormecida, sente o peso do revolver na mão e se pergunta se vale a pena lutar sozinho para mudar a situação de crimes de sua cidade. Em ‘Martha Washington’, quando a personagem principal se revolta e decide que não vai, de forma alguma, morrer abandonada no meio da floresta.

Quando Wilson Fisk decide acabar com a brincadeira, o pobre Demolidor leva uma surra homérica, é colocado dentro de um carro, encharcado de álcool e jogado para dentro do rio. Com tranquilidade, Fisk espera o carro ser descoberto e a morte do advogado ser considerada consequência natural dos acessos de delírios e depressão que todo mundo já tinha presenciado e lamentado. No entanto, quando três dias depois o carro é afinal resgatado, não há nenhum cadáver. Esta cena, estas duas páginas do prenúncio da virada, em que o Rei do Crime começa a sentir a pontada de uma coisa que nunca tivera antes, medo, estas duas páginas são as mais emocionantes que já li na vida.

Devo dizer que estou até arrepiado neste momento em que escrevo estas linhas.

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Não é possível saber se um dia o próprio Frank Miller também vai conseguir a redenção e a recuperação proporcionada a Matt Murdock, o advogado sem medo. Ele é muito novo ainda, tem pouco mais de cinquenta anos, há tempo para se recuperar. Porém, tem cometido uns pecados tão graves que fazem duvidar dessa possibilidade. Demorou muito, por exemplo, para concordar em fazer uma continuação de sua obra mais popular, justamente o ‘Cavaleiro das Trevas’, uma idéia por si só absurda. É provável que a pressão das editoras tenha sido tanta quanto ao tentar novas histórias com a personagem Elektra, mesmo depois de sua morte, um marco na história do Demolidor e das HQs. Creio que devia ser inimaginável para os executivos deixar de utilizar uma personagem que foi crescendo de importância e popularidade. Miller resistiu até um certo ponto, até que produziu ‘Elektra Vive’, um álbum com uma história frouxa e sem força mas graficamente muito bonito. Ao menos, Miller fez valer sua vontade e manteve Elektra morta.

Com o ‘Cavaleiro das Trevas’ a pressão deve ter sido muito maior! Quando afinal Miller sucumbiu, a esperança era que seguisse a linha da Elektra: sem pretensão de alcançar a qualidade da história original, mas pelo menos mantivesse a dignidade e a integridade do personagem e do autor. Nada, nada! A merda produzida em ‘Cavaleiro das Trevas 2’ é tão retumbante, a história tão idiota, a arte tão coloridamente fake (e mais não falo, para manter um certo decoro neste texto), que custa a acreditar que o 1 e o 2 foram feitos pela mesma pessoa.

Agora

Porém

Elektra é uma criação de Miller. Ele não criou o Batman, mas sua reinvenção com o ‘Cavaleiro das Trevas’ é tão forte que forçou uma espécie de co-criação, digamos assim. Se ele quer estragar ou destruir seu próprio trabalho, o único que podemos fazer é entristecer e lamentar sua falta de senso.

No entanto, com ‘Spirit’, a coisa é completamente diferente. O que Frank Miller fez com a criação do mestre Will Eisner é de um absurdo escroto. E indigno, porque realizado por um quadrinista!, que sabe bem o que significa trabalhar com quadrinhos e o quanto é difícil passar por cima dos preconceitos estabelecidos há tantos anos.

Ou, talvez, não saiba. Quem sabe, Miller tenha se tornado somente um bobo alegre perpetuamente deslumbrado com as imagens da magnífica versão cinematográfica de ‘Sin City’ e do meia-boca ‘300’, e fique perseguindo essa ‘glória’ de ser cineasta. Enquanto esquece o que é ser escritor e quadrinista.
Como disse acima, Miller ainda é muito jovem. Dá tempo de fazer muita besteira. Ao leitor, a besteira seria deixar de conhecer (ou reler, sempre) e degustar o que ele soube fazer de melhor: ‘Ronin’, ‘Cavaleiro das Trevas’, ‘Batman Ano 1’, ‘Martha Washington’, ‘Hard Boiled’, (nem tudo, mas boa parte de) ‘Sin City’.

E, naturalmente, ‘A Queda de Murdock’.

texto publicado originalmente no site VERBO 21

Flatmates, Maeve. Desconcertos flanando pela net.

24 de junho de 2008

De vez em quando, por mais que eu me acautele, acabo entrando em uma discussão boba que me aborrece muito, quando alguém diz que não tem nada que preste na internet. Eu suspiro e, quando percebo, digo que basta um pouquinho de paciência para perceber que há sim muita porcaria nas ondas virtuais, digamos coisa muito ruim mesmo!, mas o que existe de interessante compensa em muito. Em geral, recebo uma resposta condescendente de que, ‘como fonte de Informação’, a ‘internet é imbatível’ (embora ‘não confiável’, veja-se ‘os erros da wikipédia’); no entanto, como ‘fonte de criação’ é uma miséria, não existe nada de novo, e etc. Eu suspiro de volta, e geralmente digo que a relação é a mesma de se entrar em qualquer biblioteca (de ‘livros’, de ‘papel’) de qualquer lugar do mundo: a quantidade de merda ao lado de momentos sublimes de literatura deve estar no mesmo nível de comparação com sites de cultura e blogs confessionais.

Sempre me arrependo de discutir isso, pois a questão, no final das contas, não é de encontrar coisa boa ou não pelo mundo virtual. É o próprio gosto de viajar pela net, de descobrir, de garimpar, de procurar. As vezes, topamos com coisas espetaculares (e novas, sim, criativas, sim, mesmo que ainda estejamos no estado primário de aproveitamento, as possibilidades são infinitas, nem raspamos a superfície do que pode vir por aí), e as merdas fazem parte também, algumas são até divertidas, mesmo que a maioria seja simples perda de tempo. No entanto, é pela procura e pesquisa que selecionamos, encontramos e escolhemos o que nos importa, o que nos afeta, o que nos faz bem e tem a ver conosco.

Todos os links relacionados aí do lado eu acompanho e leio, na medida do possível, diariamente, e quase todo dia encontro espaços novos. Também na medida do possível dou notícia disso para que os que, como eu, gostam de compartilhar essas descobertas. Para minha sorte, nem todos atualizam com constância diária, pois teria enorme dificuldade de estar a par de tudo (e considere, inclusive, que muitos links não coloco aqui, pois entro pelos blogs em si, alguns são verdadeiros portais, como o Mário Bortolotto, ou do Marcelino Freire).

Exemplo do que descobri há pouco, estou muito entusiasmado com uma webcomic, uma história em quadrinhos escrita diretamente para a internet chamada FLATMATE, de Maeve Clancy. A autora (aliás, imagino que seja uma mulher e que seja esta aqui do lado, não consegui achar referências sobre ela no google) (tá, tudo bem, também não fiz uma pesquisa exaustiva, mas de imediato não teve nada, quem souber alguma informação pode me passar) assume esse trabalho como um experimento, para ver como funciona. Simples, traços diretos sem frescuras, desenhado em azul e branco bonitos e tranquilos que valorizam tremendamente os diálogos e a criação de um clima de conversa e troca de idéias, tem como subtítulo “um comic semanal sobre amizade, vida urbana e conversa fiada” e traz exatamente isso. Os personagens são dois cachorros, Sean e Paul, um deles, Sean, com veleidades artísticas, isto é, é escritor, e uma garota de classe média chamada Shelly. Na primeira olhada que dei, sem ler o texto, fiquei receoso de ser mais uma bobagem, mas o desenho limpo me atraiu, comecei a ler e agora fiquei viciado. O melhor de tudo são os diálogos, como disse, muito bem conduzidos, que tratam sobre trivialidades do dia-a-dia quase clichês, e os trata com leveza e sem preocupações de ser ‘engraçado’ ou fazer piadas. E os personagens são tão bem delineados e com personalidades próprias e com suas próprias idiossincracias que se revelam e se aprofundam a cada semana. Vou colocar uma tira aqui, para sentir o clima. Esta trata de uma manhâ de ressaca, após uma noite de muitos coquetéis e batidas.

 

Muito simpática e bem-vinda a iniciativa do Lucas Pimenta e João Guilherme de Lima de montar um blog dedicado a esse personagem ícone das novelas gráficas, o KEN PARKER, sempre com notícias e dados novos interessantes. O blog vem coroar o fato da coleção completa desse herói do dia-a-dia-cão do final do velho oeste ter sido publicada há pouco tempo pela editora Tapejara. A notícia não é nada nova, o blog funciona desde o começo do ano, demorei aqui para dar os meus parabéns, mas está registrado. Ajuda a minorar também a falta de novas histórias do Ken, já que os autores Berardi e Millazzo já o aposentaram, o que valoriza ainda mais uma mini-série inédita em quatro edições lançada recentemente.

– Claro, nestas andanças pela internet, um link interessante sempre leva a outro ou a dezenas de outros, o que acaba ás vezes nos fazer perder a intenção original e o ponto de onde partimos. Dessa forma, sei que conheci esse BYROGLYPHICS, do inglês Russ Mills, por alguma indicação de algum outro site ou blog, mas de forma alguma vou conseguir lembrar qual foi. Que seja esta então a minha indicação para estes desenhos absurdamente bacanas e bonitos desse camarada. Deixo esses exemplos só para servir de instigação para conhecer a galeria do próprio espaço.

– e PRESTENÇÃO que esta semana está fogo e estas atividades aqui Não constarão do Guia da Folha Online! : começando por hoje, terça-feira, com o convite do poeta Claudio Daniel para o Recital da Caixa Preta na Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37, São Paulo) com a participação dos “poetas Horácio Costa, Virna Teixeira, Élson Fróes, Andréa Catrópa e Claudio Daniel. Além das leituras poéticas, serão lançados três novos títulos da coleção de poesia Caixa Preta, organizada por mim para a Lumme Editor: Pincel de Kyoto, de Wilson Bueno, Mergulho às avessas, de Andréa Catrópa, e Poemas diversos, de Elson Fróes. Os livros da Lumme podem ser adquiridos em livrarias ou pelo e-mail vendas@lummeeditor.com. O último chegar será a mulher do padre!”

Isso em São Paulo, pois no Rio hoje é dia de CEP 20.000 comandado pelo poeta Chacal, com o tema “ADMIRÁVEL MUNDO NOVO – 40 anos de maio de 68. e nós com isso?“. No Teatro do Jockey, rua bartolomeu mitre, 1110 / leblon, do lado do hospital miguel couto, as 20 hs, com uma porrada de gente bacana, como entre vários outros, Arnaldo Brandão e Tavinho Paes. Pegue maiores informações no blog do Chacal.

– Quarta-feira é que está complicada. Na Livraria da Vila, (Rua Fradique Coutinho, 915 – Tel: (11) 3814-5811, São Paulo) tem o lançamento do livro infanto-juvenil da querida Andrea Del Fuego, “Sociedade da Caveira de Cristal”, pela editora Scipione, o qual estou seco para ler. O lançamento vai ser marcado também por um debate sobre o tema “Literatura e mundo virtual” mediado pelo escritor Nelson de Oliveira e mais os convidados Sérgio Boggio, diretor de tecnologia aplicada à educação do Colégio Bandeirantes, e Rafael Kenski, editor de tendências do Núcleo Jovem da Editora Abril (e já fica aqui minha dúvida: ‘editor de tendências’?!). Clique na imagem para visualizar o convite.

– Nesta mesma quarta-feira, dia 25, tem lançamento e bate-papo do novo livro da Márcia Tiburi, “Filosofia em Comum: Para ler junto“, com apresentação de Flávia Rocha. Já falei desse livro e da minha expectativa em relação a sua leitura, de como me interessou sua proposta e idéia e de saber se a Márcia as correspondeu, é outro de minha lista de prioridades. Vamos ver. Farei questão de comentá-lo. O lançamento vai ser na AIC, Academia Internacional de Cinema, na Rua Dr. Gabriel dos Santos, 142, Higienópolis.

– Nesta mesma quarta-feira, dia 25, tem a apresentação da minha irmã-de-coração-e-coragem, a Claudinha Pérola, comemorando dois anos de sua parceria com Vânia Cosmo. Para quem conhece a voz, o talento e a beleza dessa menina, sabe que essa é uma ocasião imperdível. Eu sei, eu conheço, é imperdível. Vai ser no Hotel Cambridge, na Rua Álvaro de Carvalho, 35, Bela Vista (rua paralela à Avenida Nove de Julho, ao lado do metrô Anhangabaú). Entrada de R$ 20,00, sendo 10 de consumação.