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Favela do Moinho. 20 de setembro de 2012. A especulação imobiliária vigia e goza.

21 de setembro de 2012

A imagem não diz tudo? A imagem é insuficiente? Então, permitam-me acrescentar:

Morram.

Morram queimados. Em um dos vários incêndios, das dezenas que, ‘por coincidência’, estão acontecendo em seguida em São Paulo. Se do fogo escapar, morra no SEGUNDO incêndio. E se mesmo assim sobreviver, que seja impedido de retomar sua vida, que os guardas, policiais, os funcionários da ordem e da manutenção do bem público (desde que, bem entendido, por Bem Público não esteja se referindo aos Seus bens ou a sua Vida) estejam a postos para para impedir que reconstrua seu miserável barraco.

Morram. Pelo descaramento, pela desfaçatez, pela Ousadia de tentar existir ao lado de terrenos valorizados. Que valem Dinheiro. E sua presença está impedindo que eles continuem ganhando Dinheiro.

São Paulo está queimando. Está sendo higienizada. Purificada pelo fogo. Por uma das gestões mais bizarras, irresponsáveis e (se revelando cada vez mais) criminosas que esta cidade já teve (e olha que São Paulo é especialista em políticos bizarros e catastróficos).

São Paulo queima. E a especulação imobiliária ri, agradece, vigia e goza.

ps – para acrescentar mais um toque de bizarrice, veja-se esta página da Globo online: noticia a ação da Guarda Civil Metropolitana de impedir os favelados de reconstruírem seus barracos na Favela do Moinho e coloca do lado uma caixinha de marketing imobiliário… Chamar de ‘ato falho’ é pouco, muito pouco.

 

 

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Quem se importa com favelas queimadas em São Paulo?

28 de agosto de 2012

 

Um ou dois incêndios são horríveis (além de causarem desconforto para os moradores de São Paulo e atrapalharem, ‘complicarem’, o trânsito, segundo a revista Veja). Três ou quatro incêndios em favelas talvez demonstrem algo mais sério, quem sabe as péssimas condições de habitação dos favelados, talvez o tempo seco e o clima, talvez a indiferença geral por bolsões de miséria. Talvez, aliás, não seja coincidência, três ou quatro incêndios.

Centenas de favelas incendiadas nos últimos anos em São Paulo, 28 SOMENTE EM 2012 (mais do que em todo ano de 2011, 24 incêndios). O que é necessário para configurar que uma onda de crimes odiosos dirigidos contra uma parcela particularmente pobre da cidade de São Paulo está acontecendo?! O que é necessário para, pelo menos, realizar uma investigação séria e começar a tratar esses acontecimentos não somente como tragédias, mas como Atos Criminosos constantes e repetidos?!

Mas, talvez não seja importante investigar isso. Talvez não para os interesses paulistas (aliás, quantas destas favelas estão ao lado de bairros de zona ‘nobre’ ou de terrenos com interesses imobiliários?, só para saber). Talvez sejam somente, e ao final, favelas.

E quem se importa com favelas? O ‘poder público’?, prefeituras, governo de estado?

Aliás, quantas faltam para serem queimadas?