Posted tagged ‘Ditadura Militar’

Eles riem. De nossa cara, de nossa pretensa democracia, de comissões de verdades. E continuarão rindo.

7 de setembro de 2014

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Eles riem dessa tal ‘democracia’, riem de nossa cara, riem.

Quando o Coronel Wilson Machado foi chamado para depor na Comissão da Verdade, esse grupo de pesquisas escolares sobre um período chamado de Ditadura Militar, ele protagonizou a reação perfeita, demonstrou a face da verdadeira relação de poder desta nossa assim chamada Democracia: ele riu.

Ele e o sargento Guilherme do Rosário iriam explodir uma bomba em um show de música popular em 1981, no Rio de Janeiro. A bomba explodiu no colo do sargento, que morreu, e o Coronel, então capitão, sobreviveu com ferimentos. Agora é Coronel. E a coitada da Comissão da Verdade quis que ele testemunhasse. Ele riu.

Riem. E continuam matando, perseguindo, torturando, escondendo provas, camuflando documentos. A estrutura da policia militar continua exatamente a mesma, suas práticas continuam as mesmas, o tratamento político e o desprezo às instituições civis continuam as mesmas. E os governos (todos os que vieram após a restauração das ditas ‘estruturas democráticas’ de direito que são tão constantemente desrespeitadas) todos assumem a característica de se abster e de não se aventurar em mexer em vespeiro. Todos tiveram e todos têm medo. E não há perspectiva nenhuma de que isso mude com quaisquer outros que estão por vir.

Porque o riso e o escárnio não precisam ser demonstrados somente por gargalhada ou pela face despreocupada do Coronel Wilson Machado. O riso e o escárnio rolam fácil, direto e reto nas periferias brasileiras, nas mortes diárias de pessoas colocadas à margem da sociedade, na postura racista e prepotente (reflexo de nossa sociedade racista, prepotente), nas salas de tortura das delegacias, na repressão às manifestações de rua, na criminalização das manifestações de rua, no desprezo de comissões de debate que penam buscar a tal Verdade (acredito na sinceridade dos membros dessa comissão, mas duvido que eles mesmos acreditem que alguma coisa será mudada; eles continuam e merecem nosso respeito; gostaria de acreditar que algo acontecerá por conta disso).

Enquanto isso, comemoremos nossa Independência, é isso?

Enquanto isso, façamos nosso dever cívico e marquemos cruzinhas, ou apertemos botôes em urnas, e satisfaçamos a fachada democrática é isso? E fiquemos satisfeitos, pelo menos até a próxima eleição, não é mesmo? Pois exercemos nosso dever.

Enquanto isso eles continuam rindo.

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ministro-da-defesa-defende-comandante-do-exercito,1553811

 

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“Quem acabou com a Ditadura Militar no Brasil foi o General João Figueiredo!”

14 de abril de 2012

 

Creio ser óbvio que essa menina não tinha idade para entender a profundidade do seu gesto nem a repercussão de sua recusa em cumprimentar o ditador Figueiredo. Devia estar de birra ou revoltada em estar em um lugar muito chato e sem diversão. Com certeza, ao crescer deve ter compreendido melhor o simbolismo de sua ação.

Imagino. Pelo menos, espero.

Pois as coisas que acontecem e o modo como pessoas atualmente pensam é de deixar espantados. Como esse comentário pinçado pela Ana Helena Tavares, da página do ‘Quem Tem Medo de Democracia’ no facebook:

Quem acabou com o regime militar? Não vai me dizer que foi a campanha das diretas e a Fafa de Belém, fala sério. Quem acabou com o regime militar foi o General Figueiredo (prometo fazer deste país uma democracia). Eu não sei quem tem medo da democracia, mas João Baptista de Oliveira Figueiredo certamente não tinha.”

Quem acabou com a Ditadura foi o General Figueiredo! O verdadeiro ‘defensor’ da democracia brasileira!

Impossível saber como reagir a isso. Gargalhar? (foi a minha primeira reação natural) Ter medo? Soltar um peido?

Não faço ideia da idade do infeliz que fez tal comentário, mas para contrapor essa babaquice teve a ação (surpreendente e inesperada) dos jovens (bem jovens, que sequer nasceram nas rebarbas da ‘redemocratização’ do país) que picharam, xingaram, zoaram e espinafraram os militares que tiveram a soberba e o descaramento de comemorarem a data do Golpe Militar, e os tais jovens ainda por cima exigiram que os torturadores a serviço do terror estatal brasileiro sejam, afinal, julgados e devidamente condenados. Vale dizer que ninguém, nem o governo, nem o PT, fez tanto barulho (e, nesse ponto, não há nenhuma surpresa, basta observar a lerdeza e a extrema má vontade com o que os governos petistas tratam, ou deixam de tratar, os horrores das feridas ainda abertas da ditadura).

É provável que o infeliz-que-fez-tal-comentário tenha visto as manifestações. Mais provável ainda: deve pensar que os ditadores e torturadores torturavam e matavam para ‘salvar’ a democracia. Guiados, obviamente, pelo paladino democrático, o general ditador João Baptista de Oliveira Figueiredo.