poema urbano para aquecer chuva

 

Quero lhe dizer

não, Preciso lhe dizer

– cuidado, deixa o carro passar -,

não pretendo lhe atrasar mais,

porém, é muito importante

– cuidado, deixa a moto passar,

deixa o sinal abrir,

cuidado, deixa meu coração transbordar -,

o pingo da chuva gelada

não acalenta seu rosto:

 

Gostaria de lhe dedicar um poema urbano,

uma trilha de palavras paulistanas

que lhe ajudem a atravessar o dia,

a secar o pingo gelado na testa,

a pisar pelas listras molhadas da faixa de pedestre.

 

Quero que sinta este poema

como o primeiro gole do café da padaria,

como a primeira onda do cheiro da manteiga

do pãozinho na chapa,

como a primeira lembrança morna

de nossos corpos ávidos de calor noturno.

 

E lembre que o primeiro sorriso que lhe acordou

nesta madrugada aturdida de frio paulistano,

o sorriso de uma boca torta ainda sonolenta

já saudosa dos agasalhos insuficientes,

este sorriso que lhe aquecerá durante este dia inteiro

mais do que aqueles agasalhos insuficientes,

aquele meu sorriso, ainda que torto, ainda que meio-frio,

foi a primeira letra do primeiro verso

deste poema urbano que lhe dedico.

 

claudinei vieira


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