essa pequena ferida

 

Tenho essa pequena ferida em mim, sabe não?

Incomoda, persiste, enfurinha.

Começa na nuca, dor fina, continua na costela,

perfura minha alma, machuca meu dedão do pé.

É constante, mais do que alguns amores que tive

ou que proporcionei.

 

Ninguém enxerga essa minha ferida, sabe?

Dizem que sou chato, inconveniente, impertinente,

e, quando querem me magoar de verdade:

que sou repetitivo. Clichê.

Não me importo.

Não me interesso.

Não quero, inclusive, que a ferida se vá.

Ela, percebi há tempos, me instiga, me força.

Dói. Define minha humanidade.

 

Os que não compartilham dessa ferida

(ou pensam não possuir)

(ou entopem-na de pomadas odoríferas),

estes, coitados, só andam, coluna empertigada,

obesos ocos orgulhosos arrogantes

de sua insignificância,

e pensam que vivem.

 

 

claudinei vieira

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