Tempo

 

Natural, vez por outra, tentarem agarrar o tempo

(como se pudera encaixotar o Fluido).

Isso já não é mais possível

pois carrego eu o tempo,

dentro de mim.

Sopro-o pelas narinas e rugas.

Ressuscito-o pelas retinas e rusgas,

o tempo me come e regurgita-me todas as manhãs.

Corta-me a carne, com olhares desconfiados;

corta-me a carne, como velhos amigos que somos,

ineludíveis um do outro, como sempre fomos.

 

Natural, vez por outra, que ele pare. O tempo para,

a sussurrar, ansioso:

“Já não se foram todos os dias?

Já não devemos arrotar os volumes de areia?

Já não gozamos o puro e simples?

E se andássemos?”

assim meio acanhado, quase amedrontado.

“E se andássemos?”

 

Eu o carrego, como vêem.

E, sim, quem sabe coubéssemos de andar,

desencaixotássemos o fluido,

desenrugássemos o ser.

 

Haverá a hora, haverá a hora.

 

 

TEMPO

claudinei vieira

foto: ‘The Old Man #5’ – Muhamad Saleh Dollah

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