O verdadeiro legado da Copa

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Estado de exceção. De repente, ele chegou, se instalou, e está gostando da situação.

Não que nada disso tenha sido surpresa. Não, mesmo. Era o que todos esperávamos. Por conta de um importante evento esportivo, regras democráticas não estão mais valendo, deram um surto, estão dando um tempo.
Este está sendo, desde já, o maior legado dessa Copa. De repente, o que era realizado na surdina, onde todos sabiam o que acontecia mas tinham um certo ‘respeito’ ou simplesmente era abafado, agora está escancarado, aberto. Não para os olhos do mundo todo verem (oh, que vergonha), mas para nós mesmos, para aqui dentro.

Demissão sumária de grevistas, manifestante preso e torturado, jornalistas detidos ilegalmente e na calada da noite, artistas performáticos detidos por carregarem materiais para sua performance (latas de spray, arames; podiam ser perigosos manifestantes indo realizar sua perigosa manifestação); polícia federal realizando prisões ‘preventivas’ no Rio de Janeiro, no dia anterior da estreia da seleção brasileira, policiais não identificados disparando armas letais, ruas de Belo Horizonte tomadas e controladas pela Polícia Militar, não sei porque ainda não instauraram toque de recolher.

Não há inocentes nessa história. Não é uma questão de Aécio x Dilma. Não é um simplificação estúpida de coxinhas x petralhas. Os governos estaduais e municipais têm sua autonomia e estão fazendo sua parte direta na instituição do Estado de Exceção de fato, independente de qual partido responda, e o governo federal está aí para garantir que isso aconteça, jogando o exército na rua se tal for necessário, quem duvida disso?

Estado de Exceção.

Mas a Copa está bonita, os jogos estão bons, vários gols por partida, não é mesmo?

E o Chico, hein? 70 anos!

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão
Se eu demorar uns meses
Convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo
E pode me esquecer
Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)

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