O digno ‘O Palhaço’ é o candidato brasileiro ao Oscar

 

Bom filme. Boa escolha. De um ano produtivo do cinema nacional que, entre várias porcarias, conhecidas e já discutidas, teve sim boas produções muito interessantes. Dentre os 16 filmes considerados para essa escolha, eu havia sentido falta do ótimo “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, de  Beto Brant e Renato Ciasca, que me surpreendeu muito positivamente e deveria ter sido colocado na roda. No entanto, a decisão final foi bem acertada.

‘O Palhaço’ é um filme digno. Longe de ser um clássico da cinematografia brasileira. Mas também longe de ser um produto ingente derivado de telenovelas globais ou zorras boçais.

O bacana é acompanhar Selton Mello e ver seu crescimento como cineasta, como criador, cada vez mais maduro, independente e consistente. E ‘O Palhaço’ traz, como sua maior pérola, a atuação de Paulo José em estado de graça, o que  já faz valer o trabalho por inteiro e a ida ao cinema.

Se este é O filme que vai fazer os gringos finalmente reconhecerem o Brasil como ‘digno’ de receber seu afago e reconhecimento e estatueta, não me interessa. É uma preocupação que nunca tive. Não carrego esse sentimento de vira-lata nacional que vive lambendo as feridas e choramingando por nunca termos recebido um tal prêmio norte-americano. O fato de ‘O Palhaço’ ter sido bem recebido e com ótima bilheteria dentro dos nossos próprios cinemas, já é o maior valor adquirido.

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2 Comentários em “O digno ‘O Palhaço’ é o candidato brasileiro ao Oscar”

  1. Fernanda S. Says:

    Pois é, Claudes, quando vi o filme enquadrei-o justamente nesta categoria: é um filme bonitinho, destes que poderiam entrar na lista de melhor filme estrangeiro dos Oscar da vida. Politicamente correto, com moral da história, o retorno no filho pródigo, aquela solução tipicamente hollywoodiana: o segredo está em suas raízes, autênticas e interioranas. E o pior é que como filme nacional enquadro-o justamente nesta categoria. Pra quem gosta de palhaços e de Paulo José, realmente é um filme digno. Não mais que isso. De toda forma, ainda fico feliz em ver nossa realidade suja e rota retratada nas telas. Acho bem mais interessante do que aquele ar blasé e europeizado retratado nas películas argentinas, daquele tipo super enquadrado pra receber Oscar de melhor filme estrangeiro.
    Abraços, amigo.

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    • Claudinei Vieira Says:

      É bem por aí, Fernanda. Concordamos.
      Eu acho que o cinema brasileiro está em formação, em busca de uma identidade. Até poderia dizer que está em fase de transição, um longo período de transição, entre a indigência criativa e produtiva de décadas passadas para o que estamos vendo atualmente, essa salada que mistura bons temperos com resultados uns terríveis e outros interessantes. Se vai se reerguer mesmo ou decair novamente precisamos esperar para ver.
      E, Fê, sinto um certo tom de impaciência sua (heheh, digamos assim, para dizer o mínimo) para com o cinema argentino. Eu gosto dos filmes argentinos. Até concordo com o que você diz do ‘ar blasé e europeizado’, mas acho que se pode dizer com uma certa tranquilidade que estão, pelo menos, coerentes com o que almejam em relação ao que produzem.
      bjs

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