O preço da vida em Pinheirinho

 

Qual o preço da vida? Qual é o preço mínimo por seres humanos? Não falo de Custos ou de manutenção mínima de condições de sobrevivência. Digo do valor númerico, financeiro, em reais, para que uma pessoa tenha o direito a existir. Melodramático? Por mais macabra ou até mesmo um tanto tétrica a pergunta possa parecer, talvez possamos ter agora uma idéia mínima da resposta, em Pinheirinho.

187 milhões. Para começar. 187 milhões é o valor calculado para o leilão do terreno em São José dos Campos conhecido como Pinheirinho cuja reintegração de posse expulsou (em um show pirotécnico de violência, brutalidade e insensibilidade explícitas) centenas de famílias, mais de seis mil pessoas, diretamente para a rua.

Sem dúvida há toda uma série de fatores e cálculos plenos, legais, econômicos, históricos, que explicam e justificam a determinação deste número e que, por ser um leilão, imagino, seja somente o lance inicial. É muito dinheiro. Mais do que consigo conceber e entender, na verdade. Servirá para pagar dívidas do município, ajudará organizar a massa falida do cidadão Naji Nahas, e sei lá para onde mais. Ou para quem.

Foi um processo complicado chegar a esse leilão, pois para atrapalhar todo o intercurso natural capitalista havia um incômodo tremendo: Pessoas. Mais de 6.000. Que foram somente vistas e reconhecidas enquanto eram um incômodo. Agora voltaram ao estado ‘natural’ das pessoas pobres: escondidas, invisibilizadas, esquecidas. Não são mais incômodas, não são mais importantes. O terreno é mais importante. O lucro que se auferir do terreno é mais importante e vale a pena pagar por vidas.

187 milhões (alguém poderia dividir esse valor por seis mil?) é o valor inicial pela vida humana em Pinheirinho.

ps – o meu amigo Danilo Ferretti me dá um toque pelo Facebook:  “e constroe-se o silêncio em torno….”

– “Eliana Calmon recua e arquiva ação contra juízes do Pinheirinho; advogados, perplexos, vão recorrer

“Em junho, Eliana Calmon recebeu moradores e advogados do Pinheirinho. Todos estão surpresos com a decisão de ela arquivar a ação, logo após ter cobrado explicações dos juízes.
por Conceição Lemes

Seis dias após a Corregedoria Nacional de Justiça decidir cobrar explicações dos juízes envolvidos na violenta desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, SP, a ministra Eliana Calmon mandou arquivar tudo nessa sexta-feira 24. A Corregedoria é um dos órgãos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Calmon é a Corregedora Nacional de Justiça.”

http://www.viomundo.com.br/denuncias/eliana-calmon-recua-e-arquiva-acao-contra-juizes-do-pinheirinho-advogados-perplexos-vao-recorrer.html

Mais um passo do massacre, sua efetivação: soterre-se pelo esquecimento.

 

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2 Comentários em “O preço da vida em Pinheirinho”


  1. E o PSDB ainda tem votos no Brasil! E ainda tem gente que acredita na justiça…ingenuidade ou burrisse

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