Eu e Ele, Ainda Vivos

 

Descemos a Augusta, nem bêbados
Eu e Ele
Ríamos de piadas velhas,
cochichávamos segredos falsos,
mijávamos em esquinas escuras,
xingávamos quem nos proibia de fumar em bares
(cá sabemos bem o tipo).
Suspirávamos e lembrávamos de amigos passados
que já não desciam a Augusta
e de Maria Auxiliadora que nunca teve pena de nós
e não satisfez nossa libido juvenil
na época quando ainda tínhamos libido
e bebíamos Sangue de Boi tinto doce em garrafões de cinco litros.

Eu e Ele trocamos um abraço, satisfeitos com uma noite
que poderia ser pior
Estávamos vivos
Podia ser pior

Observei-o se afastar pela madrugada,
com a perna meio ruim mancando-o de leve.
Teve tempo de se virar, soltar um Cuide-se e dar uma risada sem fôlego,
antes de voltar para não sei onde.

 

 

 

 

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