Olimpiadas e mulheres da Arábia Saudita

 

A noticia é até singela, de tão simples: Pela primeira vez, A Arábia Saudita vai mandar mulheres atletas para competir nas Olimpíadas. Duas. Wodjan Ali Seraj Abdulrahim, judoca, e Sarah Attar, corredora dos 800 metros. Naturalmente, nada é tão simples e singelo. Por isso, retomemos o fato em sua devida medida:

Pela primeira vez na história das Olimpíadas, a Arábia Saudita, país que proíbe aulas de educação física feminina nas escolas, onde as mulheres precisam da permissão dos homens (maridos ou filhos) para poder trabalhar ou abrir uma conta no banco, onde os líderes religiosos tinham receio de que jovens virgens rompessem o hímen se praticassem esporte e onde todas são proibidas de pratica-los em público, onde, enfim, nenhuma dessas atitudes mudou em nenhuma instância, este país anunciou a participação de duas (Duas!) atletas. Permissão ou condescendência?

Gostaria de pensar que foi resultado prático da pressão de grupos de direitos humanos que insistiam em pressionar o Comitê Olímpico para que não permitisse a participação da Arábia Saudita, caso não mudasse sua atitude. Gostaria de refletir o tom eufórico da reportagem da 6Cero (“Arabia Saudita, Brunei y Qatar enviarán mujeres deportistas,por primera vez, a Londres 2012“) (de onde tirei essas minhas considerações, assim como de inúmeras outras manifestações que acabei de conferir pela web) e de me emocionar com o fato igualmente inédito de que, desta vez, todos os países terão atletas de ambos os sexos. O ‘El Tiempo’ é ainda mais enfático: “La participación inédita de dos mujeres saudíes en los Juegos Olímpicos de Londres pone punto final a un tabú motivado por sectores religiosos conservadores.” (El Tiempo)

Tenho que reconhecer que qualquer passo, qualquer mudança, mesmo que tão minúscula desta forma, é estupidamente melhor do que nenhuma mudança. E que, mesmo sendo somente duas, só o fato de que elas participarão é, em si, uma notícia transbordante e dá espaço para que novas e mais profundas modificações aconteçam.

Mas devo ser um chato absurdo, meu sorriso fraco, meu entusiasmo é pífio. Não consigo tirar da cabeça o quanto é chocante vivermos em um mundo que precisamos comemorar a participação de duas mulheres (Duas!) em um país inteiro!

Duas!

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