‘Prometheus’, a retomada da franquia Aliens, começa como imitação de Kubrick. E termina como filme B de terror fajuto

‘Prometheus’ possui várias pretensões; em si, nenhuma delas é tola ou impossível de ser realizada: a retomada da carreira como diretor para Ridley Scott (já que como produtor tem participado de vários bons projetos, principalmente na televisão, mas como diretor foi se tornando cada vez mais ralo e insípido); dar novo fôlego à franquia ‘Aliens’, que havia se afundado em um poço do qual ninguém mais acreditava poderia sair; levantar discussões sobre assuntos sérios, até mesmo transcendentais; E fazer um filme divertido, que também servisse para agradar multidões e aos antigos fãs da série.

Em todos esses pontos, Scott escorrega, fica no meio do caminho, fica na triste posição de mero pretensioso. Há um nível mínimo de qualidade garantida, o que torna o filme assistível, e faz perdurar uma falsa sensação de que assistiremos algo extraordinário. Alguns bons momentos (e alguns ótimos momentos) perdem-se, no entanto, em um roteiro arrogante, vazio, e repleto de buracos. O tamanho das pretensões iniciais torna o resultado mediano uma verdadeira frustração.

Há dois movimentos claramente delimitados, com fortes demarcações propositais de Scott: o primeiro é a emulação de ‘2001 – Uma Odisséia no Espaço’ e a tentativa de discutir e provocar ideias entre religião e ficção científica, entre a Bíblia e aos pensamentos específicos cristãos, e Erich Von Daniken, que defendia a ideia de que a humanidade foi criada por extraterrestres com tecnologia muito superior que teria deixado suas marcas e sinais por todo lado, como em representações de desenhos pré-históricos.

Todo o primeiro arco de ‘Prometheus’ (na verdade, até quase metade do filme) é uma recriação, uma adaptação, de Scott para ‘2001’. No lugar do monolito negro de Kubrick (que fez surgir a inteligência nos primatas primitivos), agora é um alienígena (muito) branco que se desfaz na água primordial, misturando assim seu DNA com o resto do planeta e, presumivelmente, criando a própria humanidade. Essa apresentação é magnífica e soberbamente bem filmada, com impressionantes tomadas aéreas da gélida paisagem da Islândia. Em pouco tempo, somos levados ao espaço, em busca do planeta original destes extraterrestres (aqui chamados de ‘Engenheiros’), da mesma forma como Kubrick com os monolitos; idem com a apresentação da nave, dos tripulantes adormecidos em suas câmaras particulares, e ao andróide solitário que toma conta do lugar (não é nenhum segredo dele ser um robô, isso não é spoiler), tudo reprodução direta da obra kubrickiana. Scott até exagera na ‘homenagem’ quando, na primeira frase pronunciada na nave por um computador de bordo, utiliza a voz do HAL 9000!

O ritmo é lento, os personagens são mostrados com vagar, sem nenhuma pressa, a missão científica é revelada, alguns pequenos conflitos já vêm à tona, como os propósitos dos cientistas envolvidos (que inclui suas dúvidas e anseios religiosos) que bate de frente com a lógica mercantilista da empresa capitalista que financia a viagem (que, obviamente!, esconde interesses escusos). A chegada ao planeta, a descida à superfície, as primeiras explorações, o contato com os restos da civilização alienígena, e a lenta constatação de que ela foi massacrada por alguma ameaça não identificada.

O segundo movimento (que possui seu próprio ritmo e prerrogativas, uma delas a imprescindível aceleração da história) é a retomada dos signos específicos da série Aliens, com a tentativa de tensão do perigo que se aproxima cada vez mais, o suspense de quem será morto (ou, mais precisamente, como será morto), e a presença dos seres (ou monstros) que, invisíveis ou inofensivos à primeira vista, vão se tornando mortais e os obrigam à luta pela sobrevivência. Em outras palavras, o filme B de terror padrão. Nada fora do prevísível, na realidade até esperado, desejado, de um filme assim. E isso, de forma alguma, é uma expectativa ruim. Basta lembrar que o próprio ‘Alien’ original, de 1979, o clássico do suspense de terror conhecido por todos, fundador de uma das mais famosas franquias do cinema, é um assumido filme B que se tornou cult por conta da quentíssima mente criativa de Scott, na época no seu auge (que logo depois proporcionaria outros clássicos, como ‘Blade Runner,’ sua obra-prima, ‘Chuva Negra’, o clássico do chauvinismo norte-americano, e o belíssimo libelo feminista ‘Thelma e Louise’; dai pra frente, uma infeliz ladeira de queda livre…). Scott foi ‘ajudado’, obviamente, pelas limitações de orçamento que obrigavam a rebolar para encontrar as soluções mais simples, criativas, baratas e eficientes possíveis.

Pois bem, o que engana o expectador em ‘Prometheus’ são o ritmo lento da narrativa no começo e a espetacular direção de arte. Esta acredito ser uma das mais bem feitas, coerentes e bonitas que conheço: o visual esplendoroso, a beleza sombria, os detalhes minuciosamente trabalhados, promovem uma aproximação e um reconhecimento saudáveis para os que já viram todos os filmes anteriores, ao mesmo tempo que cria uma realidade completamente nova, muito própria e coerente. Desse modo, a assepsia, a ordem e o tamanho dessa nave de cunho científico que nem possui equipamento bélico, formam o contraste perfeito para a arquiconhecida, apertada, claustrofóbica nave mineradora do filme de 1979. Da mesma forma, os pequenos sinais, as ilustrações dos novos monstrengos espalhadas ao longo da narrativa nos remetem ao Alien clássico sem nunca cair na armadilha de realizar uma mera repetição (o que seria um erro muito sério) (muito embora, Scott caia em outros tipos de armadilha, desperdiçando esse apuro visual).

Outro bom exemplo desse cuidado e atenção pode ser encontrado nas várias representações da cruz ou o modo como ela é filmada. Assim, a figura de um alien com os braços estendidos na posição de Jesus Cristo crucificado, ou a simplicidade enganosa do crucifixo da cientista crente, são muito mais impactantes e trazem muito maior significado do que as pseudo-discussões filosófico-religiosas dos personagens.

Reside nesses achados da representação visual, na exuberância sombria da direção de arte, o que há de melhor em ‘Prometheus’. Porque o roteiro é de uma indigência absurda.

Diálogos risíveis de tão ridículos, frases de efeito vazias, sem efeito algum, discussões bisonhas pretensamente intelectuais com a profundidade de um livro de ciências para crianças imbecis, argumentos tirados de algum panfleto das Testemunhas de Jeová… Ao ser perguntada se a descoberta dos tais ‘Engenheiros’ não invalidaria séculos da teoria darwinista, a cientista-chefe responde que não sabe, ‘Mas foi o que escolhi acreditar’. A frase remete à lembranças de infância da personagem (o que só é sabido pelo andróide e pelo espectador) mas no contexto do filme, naquele momento da discussão, e por não ser mais desenvolvida, sequer lembrada, a frase fica simplesmente solta, vazia, ridícula, infantil. Ainda mais vindo de quem se esperaria um nível intelectual e um conhecimento científico um tanto mais elevado. Em outro momento, ela é instada a abandonar o seu crucifixo, depois de comprovar que o DNA dos Engenheiros foi a origem do DNA humano. ‘E porque eu faria isso?’ ‘Ora, porque foram eles quem nos criaram, não foram?’ ‘Sim, mas quem foi que Criou a eles?’ Uau! Isso é que é argumento científico!

Aliás, esse é o conjunto de cientistas mais idiotas, irresponsáveis e inconsequentes que já vi em muito tempo. Diga: se em planeta desconhecido, onde até então não se descobriu ainda sinais de seres vivos, de repente aparece uma espécie de cobra naja alienígena no meio de um lodo muito esquisito e ela vai crescendo, ficando mais alta do que você, qual seria sua reação? A consideraria muito engraçadinha e até faria carinho na cabeça dela? Imagino que não. Eu não faria. Eles fazem. E não é preciso ter assistido nenhum filme Alien, não é preciso ter assistido nenhum filme de ficção científica ou de terror, para saber o que vai acontecer em seguida.

Ou então você é um cientista altamente respeitável em um planeta desconhecido repleto de possíveis doenças também desconhecidas e, de repente, percebe que está com sintomas de uma doença estranha, inesperada e Muito desconhecida. O que você faz? Vai correndo consultar sua namorada (que, por acaso, é médica) e faz todos os exames possíveis e imagináveis para tentar entender o que está acontecendo? Ou esconde os sintomas (inclusive de sua namorada médica, com quem acabou de fazer sexo na noite anterior) expondo todos os outros seres humanos a sua volta a uma toxina desconhecida, quem sabe mortal? Adivinhe o que esse cientista faz.

Mas, esses são exemplos bobos, simples tropeços, pois o problema é muito
mais estrutural. Não há personagens em ‘Prometheus’. Há somente tipos. A chefe durona e sem coração. O capitão da nave descolado e carismático. Os cientistas inteligentes deslocados da realidade imediata. O andróide que também possui suas dúvidas existenciais e um desejo secreto de ser humano (e que pode ser ou não uma grave ameaça aos demais). O cientista covarde e que vai ser morto logo. O cientista bobalhão (o da cobra alienígena) que vai ser morto logo. O resto da tripulação sem nome ou rosto e que estão lá somente para serem mortos logo. O longo tempo de exposição e o ritmo lento da primeira metade do filme não constrói suas personalidades, não faz com que os conheçamos, muito menos que nos importemos com suas vidas.

Os atores são bons, ótimos mesmo, e tentam dar o melhor de si, percebe-se isso, porém são atropelados pela insuficiência e indigência do material. A linda e excelente atriz Charlize Theron é a fria e loira representante da empresa financiadora da missão; tão fria, gélida, que é confundida como mais uma andróide. Idris Elba é o carismático capitão. Michael Fassbender protagoniza o andróide, consegue a melhor atuação em todo elenco ao imprimir vivacidade e interesse, para um personagem que, até onde entendo, não deveria exprimir nem vivacidade nem interesse, nem demonstrar sentimentos, muito menos ressentimentos… Noomi Rapace é a cientista-chefe crente que, na prática, substitui Ripley, a mulher forte e corajosa dos demais filmes Alien.

Se na primeira metade do filme (a parte da ‘reflexão’) o pior são os diálogos pobres e a falta de desenvolvimento dos personagens, na segunda metade é a parte da ação, do movimento acelerado, da caçada e fuga, da luta pela sobrevivência, das mortes tolas e divertidas, dos monstros gosmentos. Ridley Scott deixa de lado qualquer questão metafísica e parte pro pau. É quando os problemas da narrativa e os furos de roteiro tornam-se verdadeiras crateras.

Situações mal-explicadas, atitudes sem sentido, cenas confusas e mal resolvidas. Veja-se bem: todas são plasticamente bem montadas, visualmente bacanas. E acéfalas. Sem continuidade, sem explicações. São quase duas horas de filme e a dignidade e respeito que Scott tentou adquirir na primeira hora e meia (sem sucesso) se esfacelam na meia-hora final. Qual o sentido e o objetivo do androide Fassbender fazer um experimento em um ser humano com uma gota de sangue alienígena? Por que os ‘Engenheiros’ deixam tantos avisos e sinais se não queriam ser encontrados? Ou, se ao contrário, desejavam sim serem encontrados, porque esperar os humanos chegarem para só então tomar uma atitude que estavam prontos há séculos? Por que cargas d´água um dos cientistas mortos reaparece como zumbi?!

Por outro lado, dependendo do seu ponto de vista, é aqui também que aparece uma cena que pode ser categorizada, sim, como um momento Clássico de filme de terror trash, do mais puro gore: a auto-operação cirúrgica! De tão absurda e ridícula, de tão exagerada e nojenta, eu digo: merece ser vista!

E, por final, ‘Prometheus’ acaba a última cena do último diálogo com uma última frase-de-efeito idiota.

Ao reler o que escrevi acima, entendo que minha visão possa parecer um tanto pessimista… Então, para deixar a minha posição a mais explícita possível, faço-me a pergunta: considero ‘Prometheus’ um filme execrável, pior de todos, que faça o espectador sair xingando do cinema? E me respondo: Não, não considero. É uma obra interessante, visualmente deslumbrante que por vezes nos faz imergir naquele universo e, se você conseguir deixar o cérebro um pouquinho de lado, pode até ser divertida. Ainda mais, a direção de Ridley Scott, longe de ser brilhante, longe de ser genial, pelo menos segura os desastrosos problemas de roteiro. (Além do que, dificilmente algo poderia ser pior do que o atoleiro de ‘Aliens x Predador’!).

E, prepare-se: uma das únicas coisas que este roteiro fez bem feito foi de construir um universo paralelo coerente e independente dos demais da franquia ‘Aliens’. A linha dos ‘Engenheiros’ deixou ganchos óbvios para serem preenchidos. E, como o filme foi bem de bilheteria nos cinemas norte-americanos, então, logo, logo, aguarde-se: ‘Prometheus II’ e ‘Prometheus III’ e sabe-se lá o que vão aprontar.

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7 Comentários em “‘Prometheus’, a retomada da franquia Aliens, começa como imitação de Kubrick. E termina como filme B de terror fajuto”

  1. @drunkwookie Says:

    Realmente o filme tem altos e baixos…
    Tenho algumas teorias sobre o filme, os engenheiros, e a criação do Alien.
    http://drunkwookieblog.wordpress.com/2012/07/04/prometheus/

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  2. gsc03 Says:

    Quando um filme badalado e tão aguardado começa a ser exibido na telas, acontece o que percebo aqui: uns amam, alguns gostam e outros odeiam. – E isso, na minha ótica, é muito bom e positivo!

    Nota-se, posso estar enganado, que os comentários feitos aqui são de pessoas que “entendem muito de filme”. E, sinceramente, gostei de ler as opiniões e saber os pontos de vistas de cada um.

    Não sei interpretar dessa maneira como fazem aqui. Parece-me de uma ótica e nível intelectual acima da média.

    Mas, se me permitem (já dando-me permissão…rs), assim mesmo vou me atrever a exercer a “Opinalogia Pitakológica”, que é a arte de dar pitakos sobre algo que não conhecemos bem, ou, para ser sincero, nada mesmo!

    Para não cair na armadilha de “falar demais” e tropeçar na minha ‘linguaruda’, eu resumo assim: de forma geral gostei do filme.

    Mas, porém, todavia, entretanto, ao menos para mim, só consigo definir bem “do que gostei e não gostei” em um filme, após assisti-lo três ou quatro vezes.
    Penso ser muito “arriscoso” comentar detalhes de um filme que nos convidam, provocam e incitam-nos a reflexões amplas e às vezes profundas.

    Bom, não sei quantas vezes você (Claudinei), e o ED, assistiram Prometheus, e nem se são críticos de cinema e/ou cinéfilos de carteirinha.
    Passam-me a ideia de que são astutos o bastante, e muito inteligentes.
    E isso fica claro na exposição das ideias.

    Pra mim o que dizem aqui é, sim, coerente e até sensato.
    Mas, sabemos que a compreensão e a percepção das coisas estão ligadas, e unidas a: “com que olhos vejo o mundo e as coisas”?

    Tirando as partes lógicas e obvias das cenas, as previsíveis ações-e-reações dos personagens, os exageros que 90% dos filmes cometem, sobram o que importa: a mágica do conjunto da obra.

    O que quero dizer com isso?

    Como dizem aqui, por tais obras provocarem e incitarem discussões e debates que, respeitados os ‘pontos de vistas’, podem ajudar os desatentos, como eu, a extraírem o proveitoso e o prazeroso dos filmes que assistimos.

    Como eu disse, ‘pitakos são pitakos’ e, quem os exercem não ‘deveriam’ sofrer ataques e retaliações….rs!

    Brincadeira à parte, gostei muito do filme e vou assistir mais uma cinco vezes.
    Muito bacana ter lido os comentários aqui.

    Abraço.

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    • Claudinei Vieira Says:

      deste lado, são igualmente pitacos, impulsionados principalmente por amor ao cinema e pela sua infinita capacidade de proporcionar prazer e reflexão. ‘Prometheus’ merece ser visto mais de uma vez, sem dúvida!

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  3. Ed Junior Says:

    Sobre alguns “errinhos” DO ROTEIRO:
    1)A nave não estava mapeada quando os cientistas se perderam lá, aliás não havia nem sido descoberto que a caverna era um nave! As sondas ficam quase todo o filme mapeando o lugar q é imenso e cheio de caminhos…
    2) o capitão larga tudo pra dar uns pegas na Charlize. Nao é errinho né…
    3) Os co-pilotos resolvem se sacrificar junto com a nave e seu capitão, nada mais normal! Isso é clássico.
    4) sim, o capitão sabe q tem q destruir a nave, ele é um militar, e é superlúcido quanto ao uso de armas químicas, biologicas, isso fica claro como a água no filme.
    5) o cientista se deixa hipnotizar pela “naja”, que veio das larvas, certo, conhecço cinetistas que fizeram\fazem é pior na vida real quando querem provar algo ou entram em contato com seus objetos!
    6) os personagens, os cientistas em especial, nao agem com verosssimilhança, são superficiais, aqui acho que temos um pulo do gato do filme que até agora não vi ninguem comentar, e me lembrou muito o Blade Runner: ESTAMOS NO FUTURO!!! NAO SABEMOS AO CERTO COMO É O IMAGINARIO E A PSICOLOGIA DAS PESSOAS, EM ESPECIAL DOS CIENTISTAS, HÁ UM CLIMA SIM DE SUPERCIALIDADE E PRAGMATISMO DOS PERSONAGENS, QUASE TODOS, MAS ISSO ACREDITO EU PODE SER ENTENDIDO COMO UMA CARACTERISTICA DE UM MUNDO MAIS FRIO E DESUMANO, UM MUNDO MAIS SEM VALORES E MAIS FRIO E NILISTA DO QUE O NOSSO ATUAL. É preciso q lembremos dos filmes do Scott, Alien e Blade Runner, onde os personagens são geralmente céticos e cínicos, e neste sentido “superficiais”, há um clima nos dois de mundo vazio q retorna nesse Prometheus. Alías, pessoas superficiais e frias são uma tônica da ficçao cientifica quando fala da humanidade no futuro (1984, Admiravel Mundo Novo, Gattacca, Farenheit 451, AI, 2001, os do Scott e por aí vai…) ESSA VISAO DE CIENTISTAS COMO SUPERDOTADOS NAO É MAIS ACEITAVEL EM TEMPOS “PÓS-MODERNOS’ AO CONTRARIO OS CIENTISTAS ESTÃO MAIS PERDIDOS DO QUE CEGOS E TIROTEIO, CADA UM NA SUA ÁREA E COM SEUS ESTERIÓTIPOS E PRECONCEITOS, IMAGINE NISSO EM 2090…
    7) As cenas de ação do final nao são verossímeis, cenas de ação no cinema nunca são criveis! por isso chamam-se cenas de ação. quem não gosta não gosta e quem gosta gosta, e pronto, nao ha o que fazer… eu gosto e torci muito para que as duas não morressem no final.
    8) no site http://www.juliansanchez.com/2012/06/11/whats-wrong-with-prometheus-a-partial-list/#more-5019 é dito que o filme devia ser mais narrativo do que simbolico, bingo!! o filme é mais simbolico, por isso algumas coisas sao mais corridas, isso pra mim foi acerto, não erro!
    9) cada um tem sua opinião sobre o filme e isso fará o que é acerto ser erro e vice-versa, eu acho q maioria das cenas está no lugar, somente 3 ou 2 cenas eu editaria melhor com o resto do filme, o que é muito pouco… O fime é econômico em termos de tempo, é tudo muito rápido, muitas coisas acontecem em pouco tempo q eles estão lá, gostei disso, não me soou falso, mas isso é minha opinião. Mas uma coisa é certa o filme provoca o debate! Ah provoca. Em especial provoca o debate sobre quem assiste o filme! Grandes filmes fazem isso… né.

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    • Claudinei Vieira Says:

      Ed, gostei do entusiasmo de sua defesa. Como você viu pelo meu texto, não compartilho do seu entusiasmo, mas respeito suas impressões e suas reações ao filme. Já que você curtiu, maravilha! Ele funcionou pra ti, então o filme alcança seu objetivo. Nem tenho muito o que responder ao seu primeiro comentário, pois é quase todo uma tomada de posição e de princípios, e nisso cada um na sua, numa boa. Só gostaria de reforçar que não detestei ‘Prometheus’, já que houve pontos que gostei muito, no principal a direção de arte (as ‘imagens’) infinitamene bela e bem cuidada. O ritmo em geral não é ruim, e isso se deve à direção de Scott, que (de novo) em geral é contida e coerente. Assim concordo contigo de que a primeira parte não é lenta demais, nem a segunda parte corrida demais. Eu acho que, nesse sentido, ele soube se manter. O resultado final para mim foi Mediano. Nem um lixo, muito menos uma obra-prima. Bacana.

      ah, mas no segundo comentário você se detem na questão do roteiro e aí, meu caro Ed, discordamos muito.
      vou pelos seus pontos:

      1) considero um detalhe sem importância, não considero um Grande Erro de roteiro. no entanto, você cita as sondas, só precisa lembrar que o caminho percorrido é mapeado antes deles começarem a correr. Além do que, eles estão sendo monitorados diretamente pela nave!

      2) não é um erro, é um clichê típico (arquetípico, batido e repetido) de filmes de terror B o lance das primeiras mortes acontecerem à parte, sem ninguém saber, enquanto o perigo mortal que ronda o filme ainda não é reconhecido como tal;

      3) clássico, isto é, outro clichê clássico. o maior problema aqui, no entanto, é o fato dos personagens não terem sido realmente desenvolvidos. não os conhecemos, não sentimos empatia por eles; bacana terem se sacrificado, mas e daí? muito mais empolgante teria sido eles também terem tentado fugir, deixando o capitão sozinho, e assim revelando um pouco de suas personalidades. na verdade, não sentimos piedade nem mesmo pelo capitão, só sentimos que ele ‘cumpriu seu dever’ de capitão. compare com a morte, e como ficamos arrasados emocionalmente, com a morte do capitão do primeiro ALIEN.

      4) a nave não era militar, era civil, era uma nave científica e que não levava armas. o capitão não estava preparado para entrar em combate (senão a nave teria armas, oras). Quanto ao capitão em si, o que aconteceu foi uma mudança abrupta na personalidade do capitão que, até então, se mostrara meio relaxado, um tanto indiferente, um mero empregado, que de repente, atinge consciência cósmica e senso de sacrifício para não deixar acontecer a destruição da Terra.

      5) Ed, o tal ‘cientista’ não fica hipnotizado pela ‘cobra’ alienígena: ele BRINCA com ela, faz CAFUNÉ na cabecinha dela; mesmo quando ela cresce e se mostra ameaçadora, mesmo assim, ele acha que não vai ter problema nenhum até ser atacado

      6) aqui eu acho que você mistura um pouco as coisas: se os personagens agem sem verossimilhança, com superficialidade, é porque não foram nem um pouco bem construídas pelo roteiro; se não sentimos empatia pelo que eles passam, se não nos importamos verdadeiramente pelos seus destinos, foi porque o roteiro foi incompetente para isso, e a direção também não ajudou nesse sentido, apesar de todo o tempo que se passa em ritmo lento até a metade do filme, o que eu definiria como uma perda de tempo e de espaço e de páginas de escrita. Eu poderia citar o primeiro ALIEN e o modo como em muito menos tempo do que Prometheus consegue criar um elo de ligação fortíssimo entre os personagens e o espectador, de tal modo que sofremos todas as mortes, mesmo as dos personagens mais desprezíveis. ALIEN é um filme de terror B que transcende sua pretensão inicial e se tornou um clássico. PROMETHEUS está entupido de pretensões, mas entrega um produto muito aquem do que poderia.

      E quais personagens e cientistas em especial ‘frios’ tem neste filme? Nenhum dos cientistas é frio ou repete o clichê do cientista distante e indiferente: um é covarde e fujão, outro é um bobo alegre, a noomi é uma cientista crente e insegura, cujo único detalhe que sabemos com certeza de sua vida é de que era orfã de mãe quando criança, e seu marido é um ‘cientista’ arrojado e irresponsável que tira o capacete sem ter dados absolutamente conferidos de que não há doenças não perceptíveis no ar e ainda chama a noomi de ‘cética’.
      Os únicos personagens ‘frios’ da história não são cientistas: são o andróide e a chefona loira, e só tornam realmente interessantes por conta da atuação magnifíca do Fassbender e da Charlize Theron, por trazerem alguma emoção por baixo de sua capa de frieza, já que o roteiro não ajuda em nada

      (aliás, você comete um pequeno erro nesse ponto quando diz que “pessoas superficiais e frias são uma tônica da ficçao cientifica quando fala da humanidade no futuro (1984, Admiravel Mundo Novo, Gattacca, Farenheit 451, AI, 2001, os do Scott e por aí vai…)” Não exatamente. Frieza e superficialidade não são a mesma coisa. Frieza está sim presente nos personagens em todas obras que você citou, mas estão longe de ser superficiais, inclusive em suas adaptações para o cinema. Já em Prometheus todos os personagens são superficiais. Mesmo os ‘frios’)

      7) hhuuuuuuuuuuuummmm, não exatamente.
      acho que você foi muito afoito na defesa do filme. Claro que existem filmes onde a ação é montada impecavelmente e funcionam muito bem. Claro que existe filmes com buracos enormes na veracidade, mas são tão bem montados que relevamos esses ‘detalhes’. E há os que não são criveis, não são bem dirigidos nem bem montados e simplesmente não funcionam de nenhum jeito. Eu considero as cenas de ação em Prometheus muito bem montadas e dirigidas, com um monte de ‘detahes’ inverossímeis que, para mim, não atrapalham o prazer e o susto.

      8) você se equivocou na interpretação do texto de Julian Sanchez. Ele não diz que o filme deveria ser mais narrativo do que simbólico. Eles diz que as várias cenas bizarras (para ele) do filme até funcionam em um certo nível simbólico, alegórico, mas fracassam quando tentam fazer sentido na lógica do roteiro. Porque trabalhar com Alegorias, com Simbolismo, é muito complicado: é preciso que o história funcione nesse nível mais profundo sem prejudicar a fluição da experiência do espectador no nível mais imediato. Para Sanchez, os roteiristas devem ter decidido que ‘se a cena funciona alegoricamente, nem precisa fazer sentido narrativamente’.

      Não concordo com Sanchez. Acho que Ridley Scott joga muito bem e é muito rico em colocar simbolismos, cujos significados podem não ser apreendidos em um primeiro momento ou mesmo não serem explicados, mas não é isso que atrapalha o prazer sensorial do espectador.
      E não concordo contigo. ‘o filme é mais simbólico, por isso algumas coisas são mais corridas’?! Não sei nem se entendi direito sua frase.

      De qualquer forma, discutir simbolismo e alegoria no cinema é uma discussão enorme, que dá muito pano para manga, não cabe em um simples comentário.

      9) opinião é opinião, e as apreciações artísticas variam para cada pessoa. Mas não transforma um erro em acerto. Você pode não concordar que seja um erro ou mesmo considerar que não seja tão importante assim.
      Agora, filmes importantes provocam grandes discussões? Sem dúvida. Filmes ansiosamente aguardados e que frustram a maioria das expectativas, também.

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  4. Ed Junior Says:

    Incrível como Prometheus está dividindo opiniões; na sessão que assisti muitos jovens começaram a falar mal do filme gritando na última meia hora, quase não assisto direito, quase ele vaiam mesmo. E eu ENCANTADO com o filme. Adorei. Nas críticas muitos falam que a primeira parte é boa o final é fraco, outros falam exatamente o contrário. uns dizem q o roteiro é fraco, outros que é confuso e superficial, outros que é filosofico demais, q a historia explica demais, outros que não explica nada, uns dizem que tem muita ação, outros chamam de monótono kkkkkk. Filmaço na minha opinião justamente por isso, é filme! E filme, pra mim, não se faz com palavras se faz com IMAGENS E SONS. E nisso o filme é deslumbrante… Recordo que “2001: Uma odisseia no espaço’ (a quem o filme presta de fato uma baita homenagem, na minha opinião é a principal referencia muito mais do que o próprio Alien) e Blade Runner não foram bem aceitos de cara. E o filme tem mto, mas muito mesmo, dos dois. Fico pensando que nossa época é feita de muitos “sabe tudo” que desqualificam só por desqualificar, querem explicar tudo e não se deixam deslumbrar. Vi isso em muitas criticas, em especial no sentido de cobrarem “respostas”, uma “lógica interna’., “furos”… O filme tem sequencias únicas poéticas (só a musica ja valeria a pena o filme todo) e a galena nem se toca, kkkkk. Fica esperando uma “Historia” trivial. Nossa época é uma época que não tem imaginação espacial, apreço pelas estrelas que o filme exige do telespectador. Não olhamos mais para as estrelas…. De 1968 (ano do “2001”) pra cá regridimos! Nos anos 80 ainda, e principalmente nos anos 60 e 70, havia muito mais imaginação quanto as grandes questões do universo, a mente humana buscava o infinito. Hoje busca-se o que está no “meu quintal”. Questões cósmicas estão fora de moda e não encantam mais, são confusas e pretensiosas para alguns. O dia a dia venceu, por enquanto, o debate de cada um no seu canto, o universal está em xeque, cada um por si. Posso estar enganado mas isso é um dos motivos da polemica toda de Prometheus. Ele imagina outros mundos, tenta, e para mim consegue, nos jogar para o outro lado do universo, hj em dia o que se prega é cuidar de seu jardim.. Pena porque muitos perdem a chance de verem algo diferente e de muita qualidade, mas aposto que o filme será cultuado como Blade Runner e 2001 hoje são. Genética, terrorismos, colonizações e guerras, choque de civilizações, busca pelo infinito, relação criadores e criaturas, horror e vazio existencial, relação entre poder, fé e ciência, cenas brilhantes, está tudo lá em Prometheus. Não no roteiro, não é obvio, o filme voa, poderia mesmo aprofundar algumas cenas e conexões, mas ele corre tranquilo, sinal de que é bom, as peças se encaixam a partir de nossa leitura na curtição da narrativas feita através das imagens e sons. O filme amarra, com um ponto de vista mergulhado nas discussões de nossa epoca atual, sem procurar dar soluções, questões de “2001”, “Blade Runner”, até dos “X-Men”, e claro do próprio “Alien”. Aliás isso é uma das melhores coisas: O Alien deixa de ser um “monstro do mal” “pra ser visto numa complexa rede de sujeitos e interesses. Arma biológica, divindade, acaso, animais de estimação, tudo isso junto!!! A discussão do Alien ganha atualidade ligando-se a questão da manipulação genética-cibernética a e suas consequencias, brilhante! Ridley Scott procurou se reinventar e não viver do passado, procurou ressignifica-lo, o debate do nascimento e morte da vida e seus horrores e incertezas que já estava no primeiro Alien se reinventa e tem muito a dizer sobre nosso presente e futuro…As possibilidades se ampliaram, talvez quisessem o contrario… O que Prometheus oferece é “só” isso: IMAGINAÇÃO, o resto é por sua conta…

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