Respiro de Ana Cecília


Ana Cecília assobiava o corpo
balançava os cachos
sorria a rua

Ana Cecília saboreava madrugadas
mordiscava pescoços
sorria a rua

Ana Cecília estupidificava o cinza
zombava de mesquinhez
sonhava de mares e trovões coloridos
pensava em desejos tantos transcorridos
enquanto dava o sinal para o ônibus do trabalho
e
ninguém dava sinal para o ônibus como Ana Cecília

Soltava o peito, gritava vida, trepava fogo
tomava meu corpo como seu, dona de dentro
e brincávamos até latejarmos vulcões ardentes em uníssono
e perdermos a respiração em uníssono
para nossas peles nunca mais desgrudarmos, nunca, nunca mais, até o fim dos tempos

Deliciava-se Ana Cecília de recuperar o fôlego lentamente
pausadamente
Fazia parte do seu sentido
Pois, dizia, fumegantes vulcões ardentes
demoram a recuperar o fôlego

E eu, o idiota, eu, o imbecil, a deixei partir
Demorei a compreender que aquele respirar
o esfriamento e o fôlego
o aquietamento
também faziam parte da comunhão

Ana Cecília assobiava e balançava
sorria a rua
Ah, mas faz muito tempo.

clique na imagem para ampliar

Explore posts in the same categories: Sem categoria

Tags:

You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s