Poema Branco

Deixe-me fazer esta canção,
preciso lembrar de ti.

Deixe-me estrangular-te, sufocar-te,
jogar-te na horizontalidade fria
desta página para que eu possa,
de alguma forma, dizer que vivo.

Deixe-me recordar tua voz através
destas letras mudas, sofrer teu
coração despedaçado, tocar teu
gesto aéreo.

(a memória é este pedaço podre
de cérebro, caco de espelhos partidos
a refletir sombras queimadas,
gastas e destruídas)

Tu permanecerás morta aqui,
mesmo que vivas lá; o lá, por ser tão longe,
não importa, não existe!
Interessam este segundos, estes riscos brancos,
que também não existem
e por isso são fundamentais.

E, se tu tiveres existido algum dia,
então viverás para sempre, morta e marcada
por este punho vacilante
e pelo meu cérebro
carregado
entupido
de vidro moído.

Deixe-me fazer esta canção como
uma tentativa besta
de alguma coisa.

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