Hedy Lamarr e ‘Ekstase’: o primeiro grande escândalo do cinema

 

Eva Hermann está sozinha e completamente à vontade em um banho no lago quando percebe que uma pessoa (um homem a cavalo) se aproxima e, pior, suas roupas não estão ao alcance. Ela corre, se esconde atrás de uns arbustos, e espera passar desapercebida, mas não consegue. Ele a notará, brincará com a situação e ao final lhe passa as roupas.

Depois, já vestida, ela o conhecerá direito, e se apaixonará, o que lhe possibilita uma retomada de uma vida com sentido, uma alternativa para o casamento fracassado com um marido negligente e potencialmente violento.

A nudez, embora perceba-se seja total, é somente entrevista em cena rápida. Isso é bem suficiente para um bom escândalo, mas há mais: a própria história é imoral, por essência: trata dos desejos sexuais de uma mulher, deixada insatisfeita pelo marido, e que encontra o prazer fora do casamento, e por conta disso, até procurará se libertar da situação através de um divórcio! Mais para frente, o filme insinua que Eva está se masturbando. E em outro momento, em uma cena de sexo, seu rosto em close transmite o prazer que está sentindo e suas mãos se agitam, se abrem, se fecham, se mexem rapidamente, se fecham com muita força e de repente param e se acalmam. Em outras palavras, também pela primeira vez, percebemos que ela acabou de ter um orgasmo!

O filme se chama ‘Êxtase’, do diretor Gustav Machatý, e a atriz é uma jovem austro-húngara que se radicará nos Estados Unidos com o nome de Hedy Lamarr e será adotada por Hollywood, impulsionada, obviamente, pelo impacto de sua imagem como mito sexual. Sua carreira, no entanto, será construída solidamente, muito além de ‘escândalos’ passageiros, e ficará reconhecida como uma das atrizes mais bonitas de todos os tempos, e uma mulher com forte personalidade independente e invulgar.

‘Ekstase’ é de 1933. Filme mudo e preto-e-branco, com temática séria e produção solene, com boa direção e atores competentes. Ano que vem bem que merece um post especial pelos oitenta anos; por enquanto, não deixa de ser deprimente notar o quanto a ‘civilização’ moderna e avançada é tão retrógrada e se libertou tão pouco de suas amarras hipócritas e mesquinhas.

Quase oitenta anos!, e ainda hoje, mesmo nas artes, no cotidiano, e mesmo em redes sociais pela internet, é impressionante o quanto ainda é escandaloso quando se entrevê o bico de um seio.

 

 

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2 Comentários em “Hedy Lamarr e ‘Ekstase’: o primeiro grande escândalo do cinema”


  1. Moralismo babaca esse que cede mais à religião do que a beleza inerente das coisas.

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    • Claudinei Vieira Says:

      moralismo e religião são ligados umbilicalmente, Marcio. Estão pouco se lixando para beleza, liberdade, pensamento, verdade, já que os moralistas e religiosos se consideram os donos absolutos dessas coisas. É triste e não muda, impressionante.

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