Sax Appeal para Hitchcock. Quando ainda não era Hitchcock.

 

Parece que está havendo uma onda interessante de projetos que envolvem o mestre do suspense. Já comentei de um filme em produção neste exato momento com o Anthony Hopkins no papel principal, o do próprio diretor. Agora soube de uma viagem bacana promovida por um jovem saxofonista inglês chamado Soweto Kinch, jazzista que está balançando o ritmo musical britânico com uma mistura inusitada de jazz e hip hop, com resultados muito inovadores e agradáveis. Kinch está montando um disco, compondo uma trilha sonora para o filme mudo de Alfred Hitchcock, THE RING, de sua fase inglesa em preto-e-branco, quando o diretor ainda não havia formatado sua identidade cinematográfica, e transitava entre comediazinhas e melodramas românticos.

Como é o caso aqui de The Ring, um drama de boxe que foca um triângulo amoroso. Mesmo tão cedo, podemos reconhecer no jovem Hitchcock muito dos maneirismos que lhe fariam a fama mais tarde, como os jogos de câmeras diferenciados, excelente trabalho de iluminação, roteiros instigantes. Não é exatamente um bom filme, mas já chamava a atenção, mesmo na época, o que lhe permitia fazer algumas experimentações até nesses filmes bobinhos e populares.

Soweto Kinch se diz bem consciente da distância entre um melodrama de 1927 de um diretor já talentoso mas ainda inexperiente, e o mundo do jazz mais-que-arquimoderno de 2012 e, no entanto, o projeto é ainda maior: ele convidou vários músicos para comporem trilhas para outros filmes do Hitch (segundo a reportagem da BBC News: Nitin Sawhney para The Lodger, de1926, Neil Brand para Blackmail 1929, o compositor de música eletrônica experimentalista Mira Calix para Champagne, de 1928, e um novato para o primeiro filme de Hitchcock, The Pleasure Gardenum, de 1926, Daniel Patrick Cohen).

O que vai sair disso, não faço a menor ideia. Pode dar em algo divertido e diferente, um tanto irreverente. Ou uma merda retumbante. Mas devo dizer que gostei dessa irreverência, da vontade de fazer coisas novas em cima de velhos trabalhos artísticos. Gosto da maneira respeitosa com que estão tratando esse material (ou, ao menos, pelo que transparece na reportagem, espero que seja assim). Pode resultar uma salada intragável, mas por conta dessa vontade de experimentar, pra mim já tá valendo.

http://www.bbc.co.uk/news/entertainment-arts-17769800

 

 

 

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