Peluso. Ana Peluso.


“perseguia um signo masoquista que teimava em não fugir”

 

——–

 

“e se não sair uma palavra? e se sair, mas não voltar? e se voltar, mas esquecer? e se lembrar, mas não quiser? e se quiser, mas não encontrar?”

————–

 

diria “lua”,  dirias “pálida”, diria “pétala”, dirias “frágil”, diria “dama”, dirias “tal qual negras”, diria “duplo sentido”.
diríamos “dane-se”.

 

 

Eu bebo sempre que eu posso. Tequila, rum, champanhe, vinho tinto, doce, seco, água, chá, charuto diluído em álcool. Eu bebo sempre que eu posso só pra ter coragem de encarar o mar à noite. Por ser noite. Porque o mar é sem sentidos. Porque eu não sei o que é um mar sem sentidos, sem anestesia. E um cais pode me lançar. Até que você me esqueça. Até você me esquecer, eu bebo em um mar sem sentidos sempre, que eu posso. Eu bebo pra fugir de você. E se eu coloco os pés na água, e ela é feita de você, indomável, é como o seu olhar naquele dia. No fundo do fundo, naquele dia. Em uma outra dimensão, eu não existia. Tudo tão surrado, tão, como era mesmo? Esquece, esquece, bebe. Eu também aprendi a desamar.

 
——————

 

A vida é solidão bruta, sólida, ante o impacto de um martelo de concreto. Ou, já de cara, se dilui cheia de gente, sob o impacto de mil martelos de concreto.

Pedra que bate em pedra.

Pó.

 

——–

 

Ana Peluso (http://anapeluso.tumblr.com/)

 

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