Na sala dos passos perdidos de Lilian Aquino

“Convém que você conserve a pele grudada, cobrindo os ossos. É preciso – cada vez mais e mais – esconder o esqueleto. Na madrugada, os ossos ficam querendo se descobrir, se mostrar. Mas mantenha-os quentes. Só o pensamento sangra.”

 

A sala dos passos perdidos de Lilian Aquino está aberta. Ela nos convida a sentar e apreciar. Fique à vontade, parece dizer. E eu fiquei.

 

Último botão
para Diego Jock

Esperava
sacudida por soluços
mas não adiantava nenhuma
simpatia ou tomar água,
nada.

Na sala dos passos perdidos
eram renovadas, a todo momento,
as pessoas em volta
: um breve roçar de saias
e os sapatos conhecendo
aquele não-lugar,
um ar em redemoinho
impossível pegar com
as mãos.

Já ele inventava essências
nos corredores curtos, mas largos
só tentando não bater as pernas
E do seu casaco aberto apenas
no último botão tira um punhado de
folhas, atravessa até ela e diz:

– Alfazema, toma. Coloca no bolso.

 

Lilian: “(este poema faz parte do meu livro inédito Pequenos afazeres domésticos, que vai ser publicado este ano pela Patuá)”

 

Na sala aqui

 

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