Fotos GigantoPanorâmicas

A princípio, me parecia até que interessante, embora um tanto quanto bobo. Ano passado, meu amigo Akio me mandou um link para um site fotográfico, uma visão panorâmica enormemente grande de uma Paris noturna, onde se pode viajar por cima dos prédios, chegar mais perto e destacar detalhes da imagem, entrar literalmente por algumas janelas e captar cenas ampliadas. Me dava dor de cabeça só de pensar o trabalho que o fotógrafo deve ter tido para realizar isso. O resultado é bem bonito e o senso voyerístico próprio muito bem comtemplado. Agradeço ao Akio por ter mandado o link de novo, pois eu o havia apagado inadvertidamente.

http://www.hyper-photo.com/grandes/paris.html

Percebo, no entanto, as possibilidades que um trabalho desse tipo pode proporcionar, além do mero paisagistício de superfícies bonitas. Fui me tocando que há uma verdadeira onda dessas fotografias panorâmicas.  Segundo entendi, o processo para se conseguir uma montagem desse tipo não é exatamente complicado. Só muito, muito, muito trabalhoso. Vi em um site umas dicas para se fazer algo caseiro desse gênero. Digamos a paisagem de um descampado, tirada de cima de um morro. Clica-se a imagem, mantém-se a mesma altura, gira-se a câmera alguns centímetros para o lado, clica-se de novo, e quantas mais vezes se quiser. Depois faz-se a montagem, no sentido mais literal, como em um quebra-cabeça, pelo computador, tirando-se as sobras. Claro, a habilidade do fotógrafo, a qualidade do equipamento, da câmera e do computador contam demais, mas concordemos que não é nada difícil de se entender qual o processo.

Ok, digamos que tenha sido esse o caminho que tenha sido seguido para se tirar essa foto da posse de Barack Obama. Nesse caso, foram centenas de máquinas fotográficas ao mesmo tempo. Não é a dificuldade da coisa. É a profundidade, o tamanho, a possibilidade dos detalhes. Se aquela imagem de Paris já era interessante, isso aqui é simplesmente estonteante, de tirar o fôlego. Dá para ver os detalhes da caixa no colo da Michelle, por exemplo.

Posse de Obama

http://gigapan.org/viewGigapanFullscreen.php?auth=033ef14483ee899496648c2b4b06233c

Pois bem, só com estes dois exemplos (e há muitos pela internet) já dá para quebrar a cabeça com algumas questões.  Saindo do âmbito da imagem em si e da tecnologia para que seja realizada, estou é pensando na tecnologia com que ela pode ser visualizada. Estas fotos não existem fora da internet. Essa possibilidade de escolher o canto para se aprofundar e captar os detalhes com tal destreza e facilidade não existe fora da internet. Qual o tamanho da parede que seria necessária se quiséssemos imprimi-la? Caso fôssemos megalomaníacos o suficiente (e com dinheiro sobrando), como passar de um canto da foto para o outro em milésimos de segundo, só com a força da mente e do dedo indicador? Mais: como fazer para que essa mesma parede seja visualizada, explorada e trabalhada por qualquer pessoa da face da terra, ao mesmo tempo?

Não respondo nada, só tou jogando lenha virtual.

E, no entanto, não são essas as verdadeiras questões, pelo menos não para mim.

Precisamos voltar às fotos em si. E perceber que independente da diferença da tecnologia, do tamanho das imagens, ou da boniteza dos detalhes, elas compartilham talvez uma característica mais importante: falta alguma coisa. Não sei se vou conseguir explicar, mas vou tentar dizendo que estas imagens começam e terminam ao mostrar sua superfície. Os ‘detalhes’ que estou insistindo em repetir são somente pedaços de uma mesma imagem (grande, bonita, que seja) chapada. Única e horizontal. Não nos dizem mais nada, fora sua primeira impressão. Pode-se pensar no significado total do momento histórico da posse de um presidente norte-americano negro e divertir-se oberservando adolescentes conversando entre si, não dando a menor importância (ao menos, naquele instante) ao que está se passando, ou observar o olhar preocupado de guardas de trânsito ou passar horas tentando descobrir os agentes do FBI à paisana neste enorme jogo de Wally amplificado, mas o sentido volta-se somente ao significado maior e absoluto, de que nos tomamos consciência de novo quando voltamos à imagem inicial de conjunto. E termina-se aí.

Pois, quero propor outra imagem, que provoca considerações maiores do que o mero registro jornalístico ou paisagístico.  Aqui, tecnologicamente falando, acredito que está no meio termo entre estas imagens de Paris e a da posse. São ‘somente’ cem metros de extensão com as fotos de mais de 170 pessoas tiradas de uma ponte de Berlim, em um período de 20 dias. A câmera neste caso é uma só, montada ao longo da ponte, as imagens é que se multifacetaram e foram montadas como um único painel que teria, assim, uma extensão de cem metros.  

http://www.simonhoegsberg.com/we_are_all_gonna_die/slider.html

Como o próprio fotógrafo Simon Hoegsberg explica, poucas pessoas ali pareciam saber que as fotos estavam sendo tiradas, e menos ainda ‘interagiram’ com a máquina, como o garoto que mostra o dedo para a câmera. 

Não sei quanto a outras pessoas. A mim, impacta mais, me chama mais a atenção, fico mais intrigado e curioso sobre essas pessoas que possuêm um mesmo pano de fundo, mas que são tão tremendamente diferentes e únicas. Cada ponto desta imagem é mais vivo e interessante do qualquer uma das pessoas que assistiram à posse. E nem era necessário esse título melodramático de ‘Vamos todos morrer – 100 metros de existência’ com o qual Hoegsberg força o meu foco.

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3 Comentários em “Fotos GigantoPanorâmicas”


  1. Queremos Desconcertos! Queremos Desconcertos! Queremos Desconcertos!
    Bêjo!

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  2. Tati Says:

    Ufa… voltou!!! Meu, que show de Paris… Vou copiar e por no meu blog, pra variar. Beijo, Tati

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  3. akio Says:

    Ôpa! Claudinei apareceu!
    Realmente, essas panorâmicas desses fotógrafos modernos são impressionantes. Pena que na internet, o nome dos autores não são mencionados ou simplesmente apagados na hora do repasse.
    E não sabia que você entendia tão bem essas técnicas.
    Nota-se que é um grande pesquisador nato. Eu que fui fotógrafo há muito tempo, nem curiosidade tive de buscar esse conhecimento.
    Obrigado por mencionar o meu nome no Desconcertos, fique bem claro, não sou o autor da foto, sou repassador.
    Abraço
    Akio

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