As pedras não podem ser nem muito pequenas nem muito grandes

iran_stoning1Sabes como funciona? Em primeiro lugar, a mulher é enterrada até o ombro ou axilas (homens também são e podem ser condenados, mas a maioria absoluta é de mulheres). A população local se reúne e começa a jogar as pedras. No entanto, Atenção: as pedras não podem ser muito pequenas, para que causem dor; e não podem ser grandes demais, para que o castigo dure o máximo de tempo possível. Enquanto dure a execução, cânticos religiosos devem ser entoados.

Em março de 2002, uma mulher nigeriana, Amina Lawal Kurami, foi condenada por uma corte islâmica à morte por apedrejamento, seguindo as leis da Charia (ou Sharia, Shariah, Shari’a, Syariah: conjunto de leis do islamismo). Seu crime foi ter ficado grávida e ter uma filha sem estar casada, e isso é o equivalente, por aquelas regras, a ter praticado adultério. Detalhe: o pai da criança sequer foi preso, por ‘falta de provas’; para isso, ele teria que ter confessado ou então haver o testemunho de quatro pessoas; mais especificamente: as testemunhas teriam que ser homens que jurassem ter visto o ato sexual em ação. Na época, uma grande campanha internacional conseguiu reverter a sentença e Amina foi absolvida.

Em outubro de 2008 (o ano passado!), na Somália, Aisha Ibrahim Duhulow foi acusada de cometer adultério. Segundo seus pais, Aisha (não consegui saber com certeza sua idade, algumas fontes falam de treze anos, outro vinte e três), a acusação era falsa: ela teria sido estuprada por três homens, e quando tentou denuncia-los foi presa e submetida ao apedrejamento. Neste caso, a execução foi até o fim: ela foi vendada, amarrada, enterrada, e apedrejada por cerca de cinquenta homens, enquanto o povo assistia (por volta de umas cinco mil pessoas). Familiares tentaram salvá-la, mas a milícia que tomava conta da execução atirou de volta, matando uma criança. Por três vezes, Aisha foi desenterrada para se verificar se ainda estava viva, e enterrada novamente até constatar sua morte.

apedrejamentoEm abril de 2007, uma adolescente iraquiana curda (não consegui encontrar seu nome) cometeu o crime de se apaixonar e de fugir com um homem sunita. Seus pais conseguiram convencê-la de que havia cometido um erro. Ao voltar para casa paterna, uma multidão a aguardava. Para matá-la a pedradas. O linchamento durou cerca de meia-hora. E foi filmado por celulares. Repito: filmado.apedrejada Por celulares. Para quem tiver estômago, este é o vídeo AQUI. A qualidade da imagem é péssima mas o suficiente para perceber o que acontece, portanto, repito: tenha estômago.

Isso foi o que encontrei em meia-hora de pesquisa na internet. E o que me fez pesquisar foi este aviso de Esteban Beltrán, diretor da Seção Espanhola da Anistia Internacional, de que no Irã em dezembro passado duas pessoas morreram por apedrejamento e que mais dez pessoas estão na iminência de também serem mortas do mesmo modo. Imagino que sejam as mesmas pessoas dessa notícia que foi veiculada em julho de 2008 no site da BBC (“Irã sentencia nove a morte por apedrejamento“). Não confio neste site (a quantidade de bobagens que eu já vi eles postarem…!), mas não encontrei informações mais precisas. Segundo esta matéria, “oito mulheres e um homem foram sentenciados à morte por apedrejamento no Irã depois de terem sido condenados por adultério e outras condutas de natureza sexual consideradas crime no país, segundo informações da advogada e ativista de direitos humanos iraniana Shadi Sadr”.  

As acusações: “as oito mulheres, com idades entre 27 e 43 anos, foram condenadas por prostituição, incesto e adultério e o homem, um professor de música de 50 anos, foi condenado por ter relações sexuais com uma estudante.”

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9 Comentários em “As pedras não podem ser nem muito pequenas nem muito grandes”

  1. Priscila Says:

    Realmente é uma pena no mundo ter essas atrosidades!
    E ainda usar o nome de Deus para tal.
    E q o senhor Jesus tenha piedade de todos nós!

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  2. Bia Luk Says:

    Sei que acontece nas bandas de lá e mimimi, mas poxa essas mulheres tambem deixam! Eu sei que desde pequenas são doutrinadas à serem submissas mas já não é hora delas virarem a mesa e fazerem alguma coisa ao enves de esperar que o mundo tenha pena delas?

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  3. Joselita Says:

    Eu sei que isto sempre acontece pelas as bandas de lá, isso tem que acabar e muito doloroso. São tão perverso que uso o nome de Deus. O Maior preço o filho de Deus já pagou por nós. Até os animais que dizem irracionais protegem as as suas crias. E o racioanis dos seres humanos tem o prazer de causar no proximo.

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  4. marcia Says:

    claudinei, estou sem palavras.

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  5. fabiana vajman Says:

    Cara, vou ver o vídeo não. Não me consola ver que ser mulher no oriente é ainda pior do que ser por aqui. Mas o que acontece por essas bandas de cá já é o suficiente pra me embrulhar o estômago. Grande texto, meu querido. Beijo.

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    • Livia Says:

      Deixa de ser otária Fabiana, claro que no Irã é muito pior, pois tem o apoio da politica, lá a justiça é dessa forma, eles penalizam mulheres e crianças. Aqui no Brasil a vida da mulher é bem melhor, pois o que acontece não é por lei e sim pela crueldade dos homens.

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  6. Luana Vignon Says:

    Claudinei querido, nessa segunda de carnaval vamos fazer um churrasco em casa, acho que chamei (quase) todo mundo… rs… fale com o pessoal, ou se preferir me escreva pra eu te passar o endereço. beijo.

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  7. akio Says:

    Claudinei, a cena é de embrulhar o cérebro. É muita violência e barbaridade. Mas naquelas regiões de predominância muçulmana, essa brutalidade é considerada correta pela maioria da população. E olha que eles acreditam em Deus(Alá).
    A vida lá não vale nada. Lá é definitivamente, a visão do inferno.
    Abraço
    Akio

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