As curiosas capas do curioso Benjamin Button

O site The Book Design Review é um curioso espaço dedicado aos projetos gráficos de livros, ou mais especificamente à arte de suas capas. Da mesma forma como em cartazes de filmes ou de peças de teatro, o visual, mesmo que não determine a qualidade de seu conteúdo (longe disso na maior parte dos casos) é um componente sensitivo indispensável para a completa fruição da obra. Em outras palavras, um livro ruim não vai melhorar por conta da capa, mas não se pode deixar de lado que sua apresentação é um chamativo tremendo. 

A princípio, considerei um tanto exagerado um espaço dedicado somente para a questão das capas, mas quando vi o ranking que o site apresentou das melhores capas de livros do ano passado, mudei completamente de opinião. Então, com a produção do filme ‘O curioso caso de Benjamin Button’, baseado na obra do Scott Fitzgerald, aproveito para mostrar este post interessante e apresentar o site.

Acontece que a obra do Fitzgerald já caiu em domínio público, ou pelo menos este ‘Sete Contos da Era do Jazz’ (do qual o ‘Benjamin Button’ faz parte) e houve uma verdadeira avalanche de reedições do livro, por conta (claro!) do filme. É um exercício extremamente interessante observar como cada um tentou traduzir a expressão do livro em suas capas. Dá para fazer uma comparação e pensar qual foi a que mais lhe chamou a atenção. A história do conto todo mundo já está sabendo, mas é melhor lembrar: Benjamin é uma história de cunho surreal (no livro, é uma farsa humorística e irônica, sarcástica até; no filme, virou um drama romântico) onde o camarada supracitado já nasce um homem velho e ao longo dos anos vai rejuvenescendo até morrer como um feto (no conto, ele nasce realmente um homem velho; no filme, é uma criança com corpo de homem velho). Vejamos como as editoras vizualizaram isso.

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benjaminbuttonhqNo Brasil, a reedição do livro, há muito esgotado, vai ser feita pela José Olympio. Uma pena que já não tenha sido feito, eu colocaria a capa aqui, estou muito curioso para saber o que farão. No entanto, há outra versão, esta em quadrinhos, publicada há pouco pela Ediouro, o que por si já traz uma tremenda variação de enfoque no modo como as visões pessoais se diferenciam. 

No mínimo, o que se pode dizer é que a história em quadrinhos (escrita por Nunzio deFilipps e Christina Weir e desenhada por Kevin Cornell) respeita e segue muito mais fielmente o conto, seu enredo e espírito crítico, do que o filme de David Fincher.

– Só para terminar o caso do filme, caso você ainda não tenha assistido, mas já tenha visto Forrest Gump, talvez nem precise ir ao cinema de novo. A não ser que faça questão de assistir à interpretação da maquiagem do Brad Pitt. O filme de David Fincher, na realidade, é praticamente uma refilmagem do Forrest Gump! O fato de ser o mesmo roteirista não é um simples detalhe. Veja este vídeo que compara as duas produções e veja se não faz sentido:

http://www.collegehumor.com/video:1897317

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5 Comentários em “As curiosas capas do curioso Benjamin Button”

  1. Rei Says:

    Teu blog é uma merda hein. Babaca

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  2. Tati Says:

    Cá, fabuloso esse comentário seu! Exatamente, 6 por meia dúzia. Querido, estive hoje na minha mae, meu padrasto faleceu, o que me impediu de te ligar hoje cedo. Vamos nos ver amanhã? Entro em contato, ok? Um café? Quero o livro e um certo DVD… Beijao, Tati

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  3. akio Says:

    Realmente as cenas são idênticas. Acontece com muitos artistas. Os compositores de música às vezes plagiam a si próprio inconscientemente. Creio que também aconteça com os escritores, artistas plásticos e nesse caso, roteiristas. Acredito também que cada artista por ter uma fórmula própria, um estilo forte acabe se repetindo.
    E é difícil hoje em dia porque parece que já fizeram de tudo. O roteirista imagina uma cena de avião, de barco, de explosão, perseguição, luta e no finalzinho, nota que há milhares de cenas que foram exibidas. E é assim em outras áreas.
    Não sei se é impressão só minha, Claudinei.
    Abraço
    Akio

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    • Claudinei Vieira Says:

      Não, não é só impressão sua, Akio. Acho que a questão aqui não é de cópia nem de plágio, é a da repetição de uma fórmula de se contar histórias da qual hollywood é mestra em fazer. Pode-se mudar os cenários, os atores, inventar histórias mirabolantes, mas o eixo principal vem mesmo de tiques consagrados que eles sabem que funcionam. e daí pode-se fazer ficção científica, drama romântico, drama histórico, faroeste, comèdia, não importa, a base é a mesma. Esse vídeo deixa isso completamente escancarado, não é mesmo? Grande abraço, camarada.

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