300 mortos e 1000 feridos em Gaza: Israel continua assassinando e os líderes mundiais se calam

abre29122008

do blog “O Biscoito Fino e a Massa”, de Idelber Avelar:

“A chacina começou a ser preparada há seis meses. Isso, por si só, desmantela qualquer uma das desculpas usadas por Israel para justificar o pior massacre da história de Gaza, desde o começo da ocupação ilegal da Palestina, em 1967. Enquanto durou a “trégua” (entendam as aspas: trégua na Terra Santa significa que os palestinos continuem vivendo calados, sem reagir, numa realidade de ocupação militar brutal, demolições de casas, cerco naval, terrestre e aéreo de Gaza, checkpoints humilhantes, colonização constante de suas terras na Cisjordânia, espancamentos em mãos de colonos fortemente armados, monopolização dos recursos hídricos, proibição de observadores internacionais etc.), Israel teve várias oportunidades de suspender o verdadeiro crime de guerra que é o bloqueio à entrega internacional de alimentos e remédios aos habitantes de Gaza. Quatro de cada cinco habitantes de Gaza dependem dessas entregas para sobreviver. Somente durante essa “trégua”, dezenas de palestinos foram assassinados por Israel.

A estratégia é conhecida: forçar a população da maior prisão ao ar livre do mundo ao desespero e à destituição para, num segundo momento, usar suas reações como pretexto para mais um massacre. Afinal de contas, há eleições em Israel em fevereiro e, no estado sionista, assim como nos EUA, bombardeios às terras árabes rendem votos fáceis. Antes, os “terroristas” com os quais não se podia negociar era a OLP (atual Fatah), excluídos por Israel e pelos EUA da última rodada de conversações de paz que tiveram alguma chance real, as de Madri em 1991. Agora, o “terrorista” da vez já não é o humilhado Fatah, mas o Hamas. Para a ocupação colonial, interlocutor bom é interlocutor morto.

O crime israelense foi perpetrado na hora do rush, em que as crianças ainda não haviam voltado da escola. Bombardearam até a universidade. Tudo cuidadosamente planejado para matar o maior número de gente possível. O máximo que os jornalistazinhos conseguem dizer sobre a chacina — com honrosas exceções — é que se tratou de uma “reação” “desproporcional”. Eis aqui a “reação desproporcional” (vejam depressa, porque há uma verdadeira operação de censura sionista sobre o YouTube; vários vídeos já foram retirados):

Na Síria, na Turquia, no Líbano, na Indonésia, até em Londres, aumenta a cada dia a revolta contra os repetidos massacres que sofre o povo palestino. A cada dia, fica mais longe a solução biestatal com que a comunidade internacional e os palestinos já concordaram há tempos: uma partilha ao longo das fronteiras de 1967, que desse aos palestinos o direito de viver em 22% da sua terra original. O crime não é somente contra os palestinos. É também – não se iludam, jornalistazinhos que racionalizam cada chacina sionista – um crime contra as crianças israelenses, pois não há ocupação colonial que dure para sempre. Israel tem hoje todas as cartas na mão, dada a esmagadora diferença de forças.

Mas são 7 milhões de israelenses, dos quais 20%, árabes, jamais defenderiam o estado sionista. Em volta dele, 1 bilhão de muçulmanos. Essa irresponsabilidade do país que se recusa a ser adulto ainda custará muito caro a toda a humanidade.

Porque a vingança virá.

Este blog considera que o jugo criminoso sob o qual vive o povo palestino é a questão humanitária definitiva do nosso tempo. Ela tem ramificações em todas as facetas da política internacional. É importante se informar sobre ela. Aqui vão alguns links, infelizmente quase todos em inglês.

Para uma documentação diária dos crimes perpetrados pela ocupação militar, acompanhe o International Middle East Media Center. Também é possível ter notícias diárias do horror no Palestine Information Center. Para uma coleção atroz de vídeos dos massacres em Gaza, consulte o Israel’s Crimes e o Palestine Video. Se você quer dedicar 50 minutos a se informar sobre a catástrofe palestina, assista ao imperdível filme Palestine is still the issue. Para ler depoimentos terroríficos sobre o cotidiano em Gaza e na Cisjordânia ocupada, assine o feed do Electronic Intifada. No Facebook, você pode demonstrar solidariedade e ouvir um pouco das histórias dos palestinos que resistem à ocupação, trocando a foto do seu perfil, por alguns dias, por essa aqui, cuja inscrição em árabe diz “somos todos Gaza”. Se você é membro de alguma associação profissional, confira se ela já faz parte do boicote a Israel. O boicote foi uma arma poderosa contra o Apartheid sul-africano e é um dos poucos instrumentos que temos para ajudar aos que lutam contra a infinitamente mais perversa ocupação sionista.

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Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama

As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:

1)No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.

2)As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.

3)Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.

Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.

4)Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.

5)Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.

6)A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.

7)Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.

8)Na ausência de tudo isso, todas as “negociações de paz” são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de “Annapolis” são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.

9)A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.

10)É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a “visão” de Bush, o “mapa do caminho”, Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.

11)Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).

12)Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.

13)Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:

a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.

b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a “Linha verde”). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.

c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o “Monte do Templo”) e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a cidade como uma unidade territorial.

d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo)

e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.

f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.

h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.

14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.

15)O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.

16)Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.

(esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset, soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz. A tradução ao português é de Idelber Avelar.) (Idelber Avelar: “O obrigado pelo envio do link vai ao Daniel do Amálgama. O pedido de divulgação vai a todos os que desejam uma paz duradoura, nos termos já reconhecidos pela comunidade internacional”).

in http://www.idelberavelar.com/

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De Robert Fisk, The Independent:

Why bombing Ashkelon is the most tragic irony

Tuesday, 30 December 2008

How easy it is to snap off the history of the Palestinians, to delete the narrative of their tragedy, to avoid a grotesque irony about Gaza which – in any other conflict – journalists would be writing about in their first reports: that the original, legal owners of the Israeli land on which Hamas rockets are detonating live in Gaza.

 That is why Gaza exists: because the Palestinians who lived in Ashkelon and the fields around it – Askalaan in Arabic – were dispossessed from their lands in 1948 when Israel was created and ended up on the beaches of Gaza. They – or their children and grandchildren and great-grandchildren – are among the one and a half million Palestinian refugees crammed into the cesspool of Gaza, 80 per cent of whose families once lived in what is now Israel. This, historically, is the real story: most of the people of Gaza don’t come from Gaza.

But watching the news shows, you’d think that history began yesterday, that a bunch of bearded anti-Semitic Islamist lunatics suddenly popped up in the slums of Gaza – a rubbish dump of destitute people of no origin – and began firing missiles into peace-loving, democratic Israel, only to meet with the righteous vengeance of the Israeli air force. The fact that the five sisters killed in Jabalya camp had grandparents who came from the very land whose more recent owners have now bombed them to death simply does not appear in the story.

Both Yitzhak Rabin and Shimon Peres said back in the 1990s that they wished Gaza would just go away, drop into the sea, and you can see why. The existence of Gaza is a permanent reminder of those hundreds of thousands of Palestinians who lost their homes to Israel, who fled or were driven out through fear or Israeli ethnic cleansing 60 years ago, when tidal waves of refugees had washed over Europe in the aftermath of the Second World War and when a bunch of Arabs kicked out of their property didn’t worry the world.

Well, the world should worry now. Crammed into the most overpopulated few square miles in the whole world are a dispossessed people who have been living in refuse and sewage and, for the past six months, in hunger and darkness, and who have been sanctioned by us, the West. Gaza was always an insurrectionary place. It took two years for Ariel Sharon’s bloody “pacification”, starting in 1971, to be completed, and Gaza is not going to be tamed now.

Alas for the Palestinians, their most powerful political voice – I’m talking about the late Edward Said, not the corrupt Yassir Arafat (and how the Israelis must miss him now) – is silent and their predicament largely unexplained by their deplorable, foolish spokesmen. “It’s the most terrifying place I’ve ever been in,” Said once said of Gaza. “It’s a horrifyingly sad place because of the desperation and misery of the way people live. I was unprepared for camps that are much worse than anything I saw in South Africa.”

Of course, it was left to Israeli Foreign Minister Tzipi Livni to admit that “sometimes also civilians pay the price,” an argument she would not make, of course, if the fatality statistics were reversed. Indeed, it was instructive yesterday to hear a member of the American Enterprise Institute – faithfully parroting Israel’s arguments – defending the outrageous Palestinian death toll by saying that it was “pointless to play the numbers game”. Yet if more than 300 Israelis had been killed – against two dead Palestinians – be sure that the “numbers game” and the disproportionate violence would be all too relevant. The simple fact is that Palestinian deaths matter far less than Israeli deaths. True, we know that 180 of the dead were Hamas members. But what of the rest? If the UN’s conservative figure of 57 civilian fatalities is correct, the death toll is still a disgrace.

To find both the US and Britain failing to condemn the Israeli onslaught while blaming Hamas is not surprising. US Middle East policy and Israeli policy are now indistinguishable and Gordon Brown is following the same dog-like devotion to the Bush administration as his predecessor.

As usual, the Arab satraps – largely paid and armed by the West – are silent, preposterously calling for an Arab summit on the crisis which will (if it even takes place), appoint an “action committee” to draw up a report which will never be written. For that is the way with the Arab world and its corrupt rulers. As for Hamas, they will, of course, enjoy the discomfiture of the Arab potentates while cynically waiting for Israel to talk to them. Which they will. Indeed, within a few months, we’ll be hearing that Israel and Hamas have been having “secret talks” – just as we once did about Israel and the even more corrupt PLO. But by then, the dead will be long buried and we will be facing the next crisis since the last crisis.

http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-why-bombing-ashkelon-is-the-most-tragic-irony-1216228.html

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