um eterno desconcerto em Rio?

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Mantenho uma relação ambígua em relação à cidade do Rio de Janeiro que, pessoalmente, não entendo. Não digo que já devesse ser nomeado carioca-honorário mas, pela quantidade de vezes que já vim para cá, a quantidade de coisas que já fiz por aqui, pelas pessoas que conheço, talvez não devesse me sentir tão estranho, tão fora do contexto, cada vez me surpreendendo sempre com as mesmas coxinhas de fora.

Digo isso e faço questão de ressaltar de que o digo antes de se realizar o lançamento do livro daqui na Livraria Odeon. Não quero que se confunda o que estou dizendo com quaisquer circunstâncias (momentâneas, por definição) sejam elas positivas ou não. Não tenho ilusões sobre um evento de um lançamento novato, de um primeiro livro, de um autor paulistano, e se isso já é complicado em águas paulistanas, imagino bem que ondas cariocas ainda seja o pouco mais difícil. Por isso agradeço a preocupação do Scott que fez uma bela convocação em seu blog, com a extrema gentileza de especificar que em São Paulo lançamentos são diferentes do Rio. Beleza, não tenho problemas, o que vier está bem, já estou bem, Valeu, Scott.

A ambiguidade vem de antes, bem antes. Disse: sinto que deveria estar praticamente integrado. De vez em quando, um carioca ou um radicado por aqui me pergunta porque não moro no Rio. As respostas são várias, a maioria óbvia, mas pra mim mesmo insuficientes. Sou paulistano empedernido (ufa, faz tanto tempo que eu queria usar esta palavra: ‘empedernido’!) (espero ter usado certo, pelo menos) que não abro a consciência para outras possibilidades.

O que sinto é que ainda não aprendi o código, o signo ainda está distante. Se me reconheço em São Paulo, talvez seja por já conhecer os meandros, sei das brincadeiras, já passei pelos túneis vezes sem conta, e ali sempre estou eu, autênticos espelhos de asfaltos. No Rio, faltam-me ainda os sentidos que sei se abrirão somente com um bom tempo e maior aproximação.

Enquanto me faltam ainda as adequações, ainda me surpreendo em passar pelas ruas que já percorri tantas vezes ao longo dos anos e sempre são novas , quando volto.

E talvez não queira perder esse senso de surpresa, quem sabe.

De qualquer modo, já que não estou conseguindo expressar o que penso, fique-se com dois textos sobre essa cidade que li há pouco e me fizeram algum sentido, mesmo que não me expliquem nada (embora reconheça, o problema realmente sou eu). No mínimo, são belamente escritos, o que para o Claudinei-escritor já é razão mais do que suficiente e perfeita. E melhor ainda por serem textos de não-cariocas, esse olhar de fora é do que estou precisando no momento.

Gosto muito da sensibilidade e simpatia do texto da Tatiana Carlotti “Rio, um agradável sedutor(http://tcarlotti.blogspot.com/2008/04/flerte.html), e sei que nos sabemos irmãos, paulistanos que somos. Por outro lado, a crônica bêbada, surreal e genial do Ademir Assunção (Por Que o Cristo Redentor Nunca Cruza os Braços – Uma crônica totalmente fora da realidade” (http://zonabranca.blog.uol.com.br/) vai por outro caminho estilístico. Diferentes mas próximos por conta de uma certa perplexidade?

– E dito o não dito, reaviso: o lançamento é daqui a pouco. 18:30, Livraria Odeon.

VAleu

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2 Comentários em “um eterno desconcerto em Rio?”

  1. Claudinei Vieira Says:

    Pois eu já linkei o seu aqui no Desconcertos! VAleu, Lau. Grande abraço.

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  2. lau siqueira Says:

    Bom demais ler vc, Claudiney. Agora que encontrie teu bog, vou linkar no meu (com a sua permissão, óbvio) pra ter mais facilidade no acesso, Um grande e afetuoso abraço!
    Lau

    PS. O RJ é como se fosse um rito de passagem. Sampa, parece que chupa a gente pras suas entranhas. Adoro Porto Alegre, mas prefiro o paraíso do mar logo ali… João Pessoa é uma cidade interessantge,

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