A grama do vizinho da Fabiana

fabianaFabiana Vajman não vale muita coisa, ama de loucura, odeia com paixão, sente felicidades absolutas e sofrimentos universais. Ou vice-versa.

O que sei é que, de qualquer modo, não há como ignorar Fabiana Vajman, apesar do seu tamanho gnominal. Pois ela não chama a atenção. Ela agarra a atenção, sacode-a, pisa em cima, dá um peteleco. Ela carrega uma energia tão forte, tão vibrante e explosiva, que de repente, caso não se esteja preparado (ou for um ‘uspiano’) pode se machucar.

Eu acho sensacional, me faz bem, me sinto tomado pela força e a beleza dessa mulher, e todas as vezes que nos encontramos ou a vejo atuar ou estamos a beber em algum bar das redondezas rodeados de amigos, ou ouço esta sua risada fenomenal ou a vejo brincar com a filha da Luana se reconhecendo como sua ‘irmã gêmea’, bueno, realmente sinto que isso me faz muito bem.

Talvez a conheça há pouco tempo demais. Talvez não tenha reconhecido ou visto momentos de depressão e tristeza explícitas e isso me assuste quando acontecer. Seria simplesmente muita bobagem minha, ela não esconde este seu lado, ao contrário, ela faz a prática do escancaramento, do jogar-para-fora, não se aguentar e não comer-palavras.

Ela não come as palavras em seu blog (http://agramadovizinho.zip.net/) (um dos blogs que preciso, necessito, visitar todo dia), em tudo e por tudo, a plena materialização por escrito da pessoa que conhecemos ao vivo. De vez em quando, ela solta umas verdadeiras granadas-de-mão de puro humor cáustico e sarcástico; em outros momentos, desabafos profundos. Há alguns posts, inclusive, que acredito poderiam até ser trabalhados e desenvolvidos e funcionariam muito bem para sair do formato de blog.

Este post aqui, por exemplo, do dia 12 (de nov/08) eu li tantas vezes que eu precisei, necessitei, colocar aqui. Apesar da minha condição de uspiano-ffelechiano-de-carteirinha pleno que sou, creio que entendo muito bem o tipo de pessoa a que se refere.

Independente de qualquer coisa, isso aqui é muito! engraçado, convenhamos. E humor, por mais desbragado que seja, não quer dizer que não seja sério.

As organizações Pega Aqui e Balança têm o orgulho de apresentar a cartilha

Para Entender Fabiana Vajman

É assim: você está na sua, não pediu nada pra ninguém, só quer sossego lá no seu cantinho, quando chega um gnomo meio estranho, que fala meio alto demais bobagens demais. O que fazer?

Bom, isso vai depender de como você se sente com a chegada desse ser. Se você se acha culto demais, inteligente demais e se faz blasè demais o tempo todo para dar atenção às bobagens desse microorganismo, é melhor ignorar a presença do Playmobil saltitante. Não tenha a péssima idéia de justificar a sua cara de cu com explicações do tipo: “Nós, Uspianos não gostamos muito desse tipo de assunto.” O Playmobil é meio burrinho, gente, a despeito das tiradas espirituosas que faz (que aliás são meramente intuitivas, jamais foram raciocinadas). Com certeza, a um argumento desses o chaveirinho lhe perguntará: “O que é Uspiano? Só conheço os piano, moça”. Pior pra você suspirar e olhar do alto nessa hora. Aquela porrinha fez uma pergunta sincera: como ela iria saber que alguém teria o mau gosto de justificar seu mal humor alegando que estudou na USP? Melhor abrir o coração e contar que não trepa faz tempo por pura falta de candidatos, que aquela alegria sem fundamento incomoda e que gente estridente enche o saco. Garanto pra você que assim obterá muito mais respeito do pequeno roedor que se retirará em seguida lhe deixando sozinho com seus complicados pensamentos.

Ficar alfinetando com classe também não resolve, pelo mesmo motivo: a pintora de rodapés é meio burrinha e jamais vai entender suas lantejoulas. E se resolver ser mais direto e provocar até que surja uma reação violenta do tal Gremlin, tome cuidado: Ice Pop não puxa cabelo. Ice Pop soca. Ice Pop segura pela nuca e bate a testa do catucador na mesinha mais próxima. Ice Pop é pequena mas não tem senso de noção.

Repito, Uspianos: saiam de perto dessa filha pródiga de Lilliput. Fiquem na sua, olhando de longe com ar de desprezo, que ela os deixará em paz.

Porém, se a chegada dessa merdinha alegra de alguma maneira o seu coração, seja porque ela te faz rir da cara dela o tempo todo, seja porque ela te faz esquecer de se levar à sério, seja porque você acha que ela tem belos peitinhos, seja porque ela sempre tem na bolsa alguma coisa bacana pra compartilhar com você, ou simplesmente porque você vai com a cara dela e pra essas coisas não há explicação, então apenas lhe dê um sorriso aberto e um abraço apertado. Tome uma cerveja com ela. Fale de banalidades, ria de suas bobagens, tente achar alguma coisa pra elogiar e o faça. Em Lilliput se come elogios, são vitais para mini pessoas. Porém, não a leve à sério porque essa imbecilzinha fala as coisas sem pensar. Se ao perguntar “Tem fogo?”, ela usar sua voz mais sensual (ou o que ela considera sensual, o que pode ser ri-dí-cu-lo) e responder: “Eu sempre tenho fogo, garotão”, não vá achando que ela quer dar pra você. Ela pode até querer, mas não será assim que ela o demonstrará. E, se ao se animar e chegar junto ouvir um “ih, mizinfio, nem vai dar, vou dar pra você, não”, pode acreditar que é de coração que ela o falou. Mas não é nada pessoal e por favor não se ofenda. Ria e tome mais um gole com ela e tá tudo certo.

Fabiana Vajman é um ser simples e sem requintes. Não vale muita coisa, ama com loucura e odeia com convicção. Não tem muito talento, não se iludam com seu sobrenome, ela foi adotada, sua mãe não é sérvia. Ou talvez seja. Não sabe muita coisa e desistiu da maioria dos livros que começou a ler depois de terminar a “Coleção Vaga Lume”, porque acha tudo muito complicado e jamais teria a pretensão de ser uma Uspiana. Tem grandes mágoas, muitas dores e um filho que é seu elo com o mínimo de sanidade que consegue manter em meio a tantas tribulações. Ainda espera encontrar um grande amor, embora morra de vergonha de assumir isso. Então passeia pelos lugares errados, onde essa chance é nula, pagando mico e dando vexame. E conquistando grandes amigos.

(Se não te interessa entender Fabiana Vajman, eu é que não entendo por que você leu até aqui. Você também é Uspiano?)”

Explore posts in the same categories: Sem categoria

Tags:

You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.

One Comment em “A grama do vizinho da Fabiana”


  1. Meu querido, tô sem saber o que dizer. Minhas dores mais frequentes nascem justamente por eu ser desse jeito. Mas ter sido vista com tanta generosidade, e ainda por cima por você, me fez feliz e me manterá assim por muito tempo. Agora me segura, orgulhei! rs
    Beijo enorme dessa sua criada.

    Curtir


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s