Sexo nesse mundo bizarro

papar1

Nesse universo infindável da internet, é comum os caminhos se alargarem de tal forma que, de um ponto de partida, nos levamos a caminhos insuspeitos. Natural, todos sabemos da sensação de uma informação levar a outra e outra e mais outra centena, e por aí.

Há alguns anos, fiquei sabendo da movimentação que havia de uma parte da juventude norte-americana de uma espécie de pacto pela virgindade antes do casamento. Não era um movimento capitaneado pelas igrejas católicas nem protestantes (embora, claro, elas devessem aplaudir, entusiasmadas), mais uma tomada de consciência espontânea, era esse o tom do artigo que eu estava lendo. Desconfiei um tanto dessa tal ‘espontaneidade’. Em sendo verdade, indicava no mínimo o cada vez maior moralismo e conservadorismo das novas gerações nos Estados Unidos. Os dados eram bem expressivos e vinham com mais alguns detalhes, como o costume (a obrigação) de se dar presentes de namoro, em especial anéis, tal qual aliança de noivado ou de casamento. Neste caso, servem como uma demonstração ao mundo de que aquele casal não transaria de forma alguma antes de se casarem. A matéria vinha inclusive com uma foto de uma manifestação com centenas de adolescentes.

Gostaria de entender isso melhor, portanto, comecei a ‘googar’.

De imediato, comecei a me distrair, pois a quantidade de coisas, notícias, acontecimentos, pensamentos, relacionados com sexo é tanta (e aqui acho bem explicitar, estou me referindo a sexo como comportamento, e não como pornografia, este sim um universo bem mais vasto) que é muito fácil se perder. A maioria absoluta é muito idiota e não valer a pena perder tempo (um exemplo de alguns títulos encontrados: “Homem afirma que já fez sexo com mais de mil carros“; “Cabeleireiro perde processo contra água que ‘destruiu sua vida sexual“; “Artista que usa pênis como pincel vira atração de feira de sexo na África do Sul“; dispenso maiores detalhes…). Alguns são igualmente idiotas, mas pelo menos são engraçados como a pesquisa divulgada pela BBC Brasil (uma fonte aparentemente inesgotável de cultura absolutamente inútil) realizada no começo do ano que diz que seis de cada dez europeus preferem futebol a sexo. Como a pesquisa foi feita em março havia a preocupação com a chegada da Eurocopa e da Olimpíadas e de como as pessoas se comportariam e se relacionaram com as emoções do esporte. Segundo a pesquisa, os mais fanáticos eram os suecos: 95% dos entrevistados responderam nunca ou quase nunca trocariam uma partida de futebol por uma relação sexual.

Tentei voltar à minha pesquisa anterior, mas logo encontro a história da norte-americana que ‘deu’ de presente ao marido aniversariante um ano inteiro de sexo direto. Até que conseguiram manter o ritmo, durante esse ano só interrompiam por motivo de viagem de um dos dois. Ao final, tiveram uma média de vinte e seis a vinte e oito dias de sexo a cada mês. Outro casal, também dos Estados Unidos, teve a mesma idéia, embora o compromisso fosse mais restrito: 101 dias direto, sem desculpa de viagem, doença, cansaço. Estes casais cumpriram o que queriam, ajudaram a quebrar sua rotina diária do casamento, ajudaram em seu relacionamento e ajudaram também no orçamento familiar, pois lembre-se estou falando dos Estados Unidos: eles escreveram livros contando sua experiência e parece venderam muito bem…

Tudo isso pode parecer bobagem, e provavelmente é. No entanto, o que me interessa não é essa fachada excêntrica e divertida, mas o que ela indica por trás. Não sei bem sobre o tédio do casamento e a necessidade de alternativas rebuscadas e a transformação disso em lucro financeiro, mas o que dizer da prática de cobrar favores sexuais como forma de pagar o aluguel da casa? E isso é na França, como nessa matéria intitulada “Prática do ‘sexo por aluguel’ expõe crise de moradia na França” e aqui não há graça. Franceses jovens e pobres são os que mais sofrem por conta de uma absurda crise onde os aluguéis são obscenamente caros (em um país reconhecido como um dos mais caros no custo de vida) e são sujeitos inclusive a esse tipo de exploração. Ondine Millot que fez a pesquisa durante seis meses demonstra o quanto isso é escancarado mesmo nos anúncios: “A frase que se procura é “em troca de serviços” – quando um quarto em um apartamento é oferecido, muitas vezes “de graça”, em troca de “serviços”. Às vezes o serviço é perfeitamente inocente – limpar o apartamento ou lavar as roupas, uma maneira de reduzir os altos custos de alugar o imóvel. Mas outras vezes as demandas são sexuais, degradantes, quase perversas. “Sexo duas vezes por mês”, diz um anúncio, direto. Outro procura alguém “aberto de espírito e de outras coisas”. “Apartamento em troca de serviços libertinos”, diz um terceiro. E note-se: a questão não é falta de casa! Acontece que a moradia é um mercado extremamente competitivo, as pessoas preferem utilizar as casas como meio de rendimento. Assim, proporcionalmente, há muito mais casas vazias, e gente morando nas ruas, do que em Londres, por exemplo, onde os donos preferem usar a casa como moradia própria.

Por outro lado, e voltando aos Estados Unidos, penso em Teresa Jeffs e em como ela traduz bem a prática fundamentalista das seitas mórmons das mulheres serem ‘dadas’ para casamento com pessoas muito mais velhas porque ‘ordenado’ por Deus’ ou pelo seu representante imediato e mais próximo. Teresa é filha de Warren Jeffs, profeta da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e foi dada como esposa um dia depois de completar quinze anos para outro membro da seita, Merril Jopp. No mesmo dia, Deus revelou a Warren que ele também tinha que se casar (ele já tinha por volta de 60 esposas) e tomou a filha de Merril, Merianne Jessop. Merianne tinha doze anos. Aí enveredamos por um discussão-monstro realmente complicada.

Em todos esses exemplos, não há exatamente sutilezas, nem em suas proposições nem nas consequências.

Um caso um tanto mais difícil de destrinchar as razões e implicações é o das meninas que fizeram um pacto de engravidamento coletivo. 17 garotas, todas de uma mesma escola, a Gloucester High School, em Gloucester, no Estado de Massachussetts (isto é, Estados Unidos). Nenhuma com mais de dezesseis anos. Resolveram que ficariam todas grávidas, ao mesmo tempo. Várias não conseguiram e saíam frustradas do posto médico onde fizeram os exames. As demais chamavam a atenção pela alegria esfuziante e pelo fato de que naquela localidade a média de gravidezes por ano é de quatro. De repente, 17 adolescentes acharam legal ter filhos. Entre as várias opiniões sobre o assunto que recolhi pela net há de tudo, tanto as explicações sócio-econômicas quanto psicológicas, as educacionais e as históricas, quanto as neurastênicas (‘burras, são burras, que burrice!’), o que senti realmente foi uma enorme perplexidade. Ninguém consegue explicar. Nem eu vou me atrever. Compartilho dos perplexos.

Para não dizer que estou implicando com os Estados Unidos (país que sempre me assombra pela profundidade de suas neuroses, de seus recalques, e de sua hipocrisia, tudo centuplicado pelo seu poder econômico), vamos a essa idéia de gênio para acabar (ou relaxar) com a guerra Israel – Palestina: um site pornográfico inter-racial, um porno-tube judaico-arábico. É ou não genial? Esse faço questão de passar o link (http://www.parpar1.com/). Tem a versão em inglês, mas o barato é ver a página original, pois garanto que não há a menor possibilidade de se confundir. A matéria que encontrei diz tudo: “O caminho para a paz no Oriente Médio, pelo menos segundo os criadores do site de entretenimento adulto Parpar1, é o sexo. Revivendo o slogan ‘faça amor, e não guerra’, a página reúne filmes pornográficos com mulheres e homens judeus ou árabes israelenses. Fundado por dois profissionais da área de tecnologia de informação de Tel Aviv, a página contém vídeos – a maioria com elenco formado por amadores – com títulos curiosos como “a filha do rabino”, “orgia em Jerusalém” e “lésbicas kosher”. Em entrevista ao jornal ‘Forward’, Avi Levy, um dos criadores do site, afirma que o serviço foi criado apenas de olho nos lucros. “Eu não sou político. Estou aqui para ganhar dinheiro”, diz Levy. “Mas, é claro, eu não acho que um árabe é um ser inferior a um judeu.” A postura “politizada”, no entanto, é um dos grandes responsáveis pelo sucesso inicial do site. “Era um nicho ainda inexplorado na pornografia: sexo explícito entre árabes e judeus”, conta Levy.”

‘Orgia em Jerusalém’! Vai me dizer que não é fantástico? Simplesmente genial.

E sobre a história daquele movimento de jovens norte-americanos contra o sexo antes do casamento? Nada. Não encontrei nenhuma palavra.

Explore posts in the same categories: Sem categoria

Tags:

You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s