Elas e o Desconcertos

Cidinha da Silva está morando no Rio de Janeiro, fiquei sabendo há pouco tempo. Nesta quinta-feira, dia 12 de junho, estará em Salvador, Bahia, para fazer o lançamento de seu último livro, “Você me deixe viu?, eu vou bater meu tambor”, na fundação Pedro Calmon, às 18:00 (amigos baianos, ou quem porventura estiver pelas cercanias de Salvador, prestenção, pois já aprendi que os lançamentos da Cidinha são sempre interessantes). Aí, ela vai se abster de curtir um fim-de-semana soteropolitano e virá para São Paulo, na Casa das Rosas.

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Um exemplo do trabalho que Sabina Anzuategui tem realizado no seu blog Limas da Pérsia (http://limasdapersia.blogspot.com/) e que o torna tão instigante de ser acompanhado:

Post de quinta-feira, 29 de maio de 2008:

“Uma pequena mudança para aumentar a ironia contra o narrador: na descrição dos saltos, inseri um salto “médio”. Porque a enumeração de saltos pequenos, grandes e médios, por ser completa, é também vazia, o que desmonta o sentido da observação. Também inseri o comentário, “talvez não me interessasse tanto”. Bem, na primeira versão ela talvez se importasse, pois descrevia o braço do garoto e alguma relação com a cena. Preferi deixar bem claro o contrário.

Versão 1:
A cada salto de Aramis a bicicleta levantava numa posição diferente, a roda virada em novo ângulo. Às vezes ia alto, às vezes o salto era pequeno, e a bicicleta mal deixava o chão. Eu observava a velocidade com que ele vinha pela trilha, e tentava imaginar a altura que iria atingir. Olhava seus braços, tentando prever o ângulo que faria para girar o guidão. Eu queria que Juliana me visse ali. Se ela passasse por acaso, e me visse sentada, admirando Aramis, negro como ela, então ela perceberia que podia se aproximar de mim, pois eu iria admirá-la também. Eu era diferente. Ela iria perceber.

Versão 2:
A cada salto de Aramis a bicicleta levantava numa posição diferente, a roda virada em novo ângulo. Às vezes ia alto, às vezes o salto era pequeno, às vezes médio. Eu observava tudo isso mas talvez não me interessasse tanto. Queria que Juliana me visse ali. Se passasse por acaso e me visse com Aramis, então ela perceberia a diferença. Eu estava junto com ele, que era negro como ela. Eu não tinha preconceitos. Ela iria perceber.”

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E, infelizmente, não pude acompanhar o bate-papo com a Ida Feldman que a Márcia Bechara teve ontem na rádio mix, mas ao que parece os programas da Ida ficam à disposição online, portanto é só aguardar um pouco para poder ouvir depois. Pode-se pegar mais detalhes no blog da Márcia: http://www.marciabechara.blogspot.com/

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Pois, são elas as três escritoras minhas convidadas para o próximo encontro na Casa das Rosas, o DESCONCERTOS NA PAULISTA, no sábado, dia 14 de junho, a partir das 17:00. Sejam todos muito bem vindos.

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