Altman no CCBB

O trabalho de um artista é sempre um testemunho do seu tempo e do seu espaço, quer seja consciente ou não, quer seja proposital ou não, ao realizar documentários cinematográficos ou voôs de fantasias de ficção. O legado que Altman nos deixou, sua importância, e a realidade por ele filtrada, comentada e filmada ainda precisa ser avaliado com precisão e mais objetividade.

O que o CCBB nos traz é uma oportunidade memorável de dar uma passada geral e completa pela sua obra, movimento básico para apreciar tanto os seus altos quanto os baixos momentos; e pode-se colocar incluir os ‘bem’ baixos’ momentos, pois foi capaz de fazer filmes extraordinários e marcantes (nem preciso citá-los, mas cita-los-ei assim mesmo: “Nashville, “Mash”, bárbaros, bárbaros, “O Jogador”, fantástico, roteiro perfeito, “Short Cuts”, o primeiro que assisti dele) enquanto outros são tão incrivelmente ruins que fica até difícil associa-lo com ele. Lembro bem que, logo após ter assistido ‘Short Cuts’, fui todo entusiasmado e ansioso para ver ‘Pret-a-porter’ e sai do cinema tão espantado com a porcaria que nem sabia o que pensar. Quando comecei a ver o restante dos seus obras, percebi que essa alternância era bem típica. Ele conseguiu fazer uma coisa absurdamente intragável como ‘Quinteto’, uma ficção-científica pesada, sem graça, e chata, logo antes de realizar ‘Cerimônia de Casamento’, simplesmente um dos melhores de toda a sua filmografia. Entre estes dois extremos, lá pelo fim de sua vida, seus últimos filmes são, costumo pensar, grandes ‘mais ou menos’: são bons, nada extraordinários, até interessantes, nenhum empolgante, embora nenhum lixo também. ‘Gosford Park’ é bem assim.

Ele tinha lá seu ‘estilo’, digamos. Prefiro dizer que tinha suas preferências, quase ‘manias’, ‘tiques’. Enredos onde se misturavam e se cruzavam dezenas de personagens e histórias diferentes, diálogos extremamente naturalistas e  realísticos, cenas longas, os famosos planos-sequências, uma visão desencantada e cínica da vida e dos seres humanos.  A mostra do CCBB se chama “As muitas vidas de Robert Altman”. Creio que, de tudo, foi um título muito bem apropriado.

CCBB – Rio de Janeiro

De 27/5 a 15/6

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

 

CCBB – São Paulo

De 4 a 22/6

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro

 

CCBB – Brasília

De 10 a 29/6

SCES Trecho 2 Conjunto 22

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