Desconcertos na Paulista de Junho: Márcia Bechara, Sabina Anzuategui, Cidinha da Silva

 

Caramba, pode até parecer meio bobo, mas admito que sinto orgulho com a oportunidade de montar uma mesa tão bacana quanto essa. Sabina Anzuategui, Márcia Bechara, Cidinha da Silva, três escritoras jovens que já possuêm uma voz própria, três mulheres que provam o quanto a literatura pode ser viva, instigante e excitante. Montam sua escrita e não se preocupam por quebrar esquemas e ultrapassar limites e (in)definições escolásticas e quadradas. Penso, por exemplo, o que tem feito a Sabina em seu blog “Limas da Pérsia” (http://limasdapersia.blogspot.com/), onde escancara a construção do seu romance, discute com o leitor a formação do seu pensamento, demonstra e mostra as várias fases por que passam os parágrafos, deixa aberta as interpretações, sem nunca, porém, abrir a prerrogativa da sua criação e autoria. Sem dúvida alguma, um dos espaços mais corajosos e provocantes da net nos últimos tempos. Penso no livro da Márcia, “Casa das Feras“, contos que desafiam definições, não vou me arriscar a faze-lo aqui, posso dizer que sua escrita é precisa e de uma beleza literária extraordinárias. Com Cidinha da Silva, sua mistura entre conto e crônica, realidade e ficção, vai de par com sua condição de mulher e de militante do movimento negro, sem que nenhuma destas camadas se sobreponha (e sufoque) seu talento de escritora. Este vai ser um Desconcertos na Paulista realmente muito especial.

Os Desconcertos, você sabe, são encontros com os responsáveis pelo melhor da literatura brasileira moderna realizados no mais simpático casarão dedicado à Literatura na mais que paulistana avenida de São Paulo. Dia 14 de Junho, Sábado, as 17:00, na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, Avenida Paulista, 37.

Sabina Anzuategui nasceu em Curitiba, em 1974. É autora do romance “Calcinha no Varal” (Cia. das Letras, 2005), roteirista do filme “Desmundo” (Alain Fresnot, 2003) e “Garoto Cósmico” (Alê Abreu, 2007). Também foi co-roteirista de “A Casa de Alice” (Chico Teixeira, 2007), e escreveu o roteiro do documentário “Nasceu o Bebê Diabo em São Paulo” (Renata Druck, 2002). É formada em Cinema e Vídeo pela ECA-USP. É professora de roteiro para televisão no curso de Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero. Recebeu duas menções honrosas em literatura no concurso Nascente (USP) com os textos de ficção “Diálogos” e “Aquele foi um ano terrível, mas teve as noites mais lindas”.

Cidinha da Silva Historiadora. Organizadora de Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras (Selo Negro Edições, 3a edição). Co-autora de Racismo e Anti-racismo na Educação: repensando a nossa escola (Selo Negro Edições, 4a edição), Racismo no Brasil (Peirópolis) e Rap e Educação, Rap é Educação (Selo Negro Edições). Cada Tridente em Seu Lugar (Mazza Edições, 2a edição), sua primeira obra literária, foi pré-selecionado pela Fundação Biblioteca Nacional, RJ, para projeto de expansão de bibliotecas públicas por cidades do interior do Brasil. Tem texto publicado em livro didático de português da 6a série, “Para Ler o Mundo”, que lhe dá especial alegria. Tem texto adaptado para o teatro pela Cia dos Comuns, RJ, e outros em processo de roteirização para o cinema, curtas de ficção. Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor! é seu livro de ficção mais recente. Veja-se mais no seu blog: http://www.cidinhadasilva.blogspot.com/.

Márcia Bechara, 35, escreve cartas de amor a pedido de colegas da escola desde os nove anos de idade. Ainda aos sete descobriu a caderneta de poemas que vinha com a extraordinária vantagem de figuras para colorir. Aos 19 publicou seu primeiro livro, uma edição rosa de impropérios amorosos, Alegoria para Dinorah (Mazza Edições, 1994). De ascendência libanesa e fã das veredas da latino-america, aos 25 anos adaptou e montou para o teatro “Rútilo Nada” (Sesc/SP/1998), de Hilda Hilst, axioma do anti-amor, texto liberado pela autora após uísque, novela, cachorro, lágrima e foto, não necessariamente nesta ordem. Como atriz, foi também “A Noiva”, de Lorca, “Alice”, de Carroll, “Manuela”, de Rosa, “A Narradora”, de Lispector. Aos 34, Márcia publicou Casa das Feras (7Letras, 2007), espécie de jardim laico, pouco amigável e sem boas intenções, mas infestado de serpentes e produtos de larvas próprias. A autora, que também é jornalista, reconhece os intestinos como essenciais no acolhimento do luxo e o do lixo da espécie. Radicada em São Paulo há 10 anos, Márcia é natural de Belo Horizonte e alguns de seus textos foram premiados em concursos nacionais de contos. Blog: http://www.marciabechara.blogspot.com/.

Uma nota: para compor o convite desse Desconcertos, usei uma foto da Júlia Medina, filha da Carola, uma humilde forma desconcertábil minha de homenagem a essa família inteligente e tão simpática, a qual de forma incomum e inusual consigo apreciar e discutir literatura, quadrinhos, cinema, artes plásticas e afins. Tudo a ver com o sentido desse Desconcertos, na minha opinião.

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4 Comentários em “Desconcertos na Paulista de Junho: Márcia Bechara, Sabina Anzuategui, Cidinha da Silva”

  1. desconcertos Says:

    Carola, tive a idéia desse convite naquela noite que ficamos conversando sobre quadrinhos, Júlias e Texs, com o Wilson Vieira. Achei que ia ter tudo a ver com o Desconcertos. E até que ficou simpático o convite, não? E, sim, é verdade mãe-coruja, sua filha é muito bonita – heheh. bjs

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  2. ô querido, que linda homenagem. Bacana essas meninas hein? FAvoritei os blogs e vou ler com atenção. Mas minha filhota é bonita hein? Beijão

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  3. desconcertos Says:

    Pois seja bem vindo, meu caro. Curti seu blog, acho que é primeira vez que vejo um espaço onde se mistura questões jurídicas, literatura, cinema! realmente, é a cara de um blog de advogado! – heheh – grande abraço.

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  4. Mestre,

    É um deleite poder ler seus textos novamente!

    Viu que também agora tenho um blog, né? Porém com textos de qualidade bem mais modesta. Lá, postei um ou outro roteiro de curtas que escrevi com base nas sua lições (espero que tenha aprendido alguma coisa). Tem até um projeto que inscrevi no “Revelando os Brasis Ano III”. Bem, é isso!

    Tornar-me-ei freqüentador assíduo. Ah! Vou por um link para este blog lá nome meu. Certo?

    Até mais. Abraço.

    Rogério Faria.

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