Como cães lambendo as mandíbulas, como coiotes babando à espreita, em plena tensão de puro antecipado prazer: Arquivo X, Spirit, Coyote

                                

O primeiro filme lançado em 1998 foi uma porcaria tão grande que todas as esperanças depositadas nele (a de salvar o seriado da televisão que fora um fenômeno mundial e histórico, de alavancar as carreiras comprometidas dos principais atores, o Duchovny / Mulder  e a Gilliam Anderson / Scully, e a do criador / escritor / roteirista e produtor Chris Carter, e a tentativa de formar uma franquia arquimilionária com vários filmes em sequência) foram lançadas para o buraco negro das ambições naufragadas ou abduzidas pelo E.T. A série da tv entrou em um vácuo agonizante e suas últimas temporadas foram de uma ruindade constrangedora, as carreiras dos respectivos entraram em um parafuso do qual não conseguiram se recuperar até hoje e o segundo filme está sendo produzido agora, dez anos depois.

Em verdade, a reação foi até mesmo de grande surpresa quando se soube que este segundo filme estava sendo realmente feito! É fato, a verdade está fora e logo logo estará aqui dentro dos cinemas.

Não soube de nenhum detalhe que pudesse, de alguma forma, dar uma indicação de que esse pudesse trazer algo de novo, surpreendente, ou, no mínimo, que seja menos desastroso do que o anterior. Mas, e daí? fanático é fanático. Terei que o assistir. Assim como assisti (e sofri) com os episódios televisivos e com a porcaria incomensurável do Arquivo X-1. Estou aqui em minha espera, babando de aflição.

 

E, com tudo o que disse acima, estou com muito mais medo do que o Frank Miller está fazendo (ou parece estar fazendo) com o Spirit. Pelo menos, Chris Carter está mexendo com sua própria criação e se fizer merda, bom, é com ele mesmo que tem que brigar. Miller, no entanto, está tão fascinado com o que Robert Rodriguez com ‘Sin City’ (e, certamente, com a repercussão e o dinheiro resultantes), que em tudo e por tudo, está repetindo-o. Copiando-o. Xerox pura. É o ‘Sin City 2’ retornou, mas não através do seu próprio trabalho e e material, mas pelo personagem mítico de Will Eisner, cujo ‘ideário’ era justamente uma sátira completa, absoluta, sarcástica e corrosivo ao estilo, pensamento e ‘ideologia’ dos superheróis. Ironia fina. Finéssima. Humor negro total.

 

Não digo queser um filme ruim. Ao contrário, tem tudo para ser bem bacana (a lista de atores e, principalmente, atrizes é estonteante), aproveitando-se todas as brechas e possibilidades que rodriguez escancarou. não será SPIRIT. Veja-se esse cartaz. Veja-se esse trailer (http://www.youtube.com/watch?v=9ujtBJ9vlWY). Se o resultado final seguir exatamente o espírito desse trailer (o trocadilho foi inevitável) (e não vou colocar o trailer aqui!, pelo youtube é a maior facilidade de achar), então não escapatória, não dá, não dá. É claro que só teremos certeza absoluta do estrago realizado (ou não) quando o filme estrear, o trailer não serve para dar medida final. Mas que provoca medo, ah, isso sim.

 

Essa minha ansiedade vai acabar me criando uma úlcera 

 

   

COYOTE ATACA EM DOSE DUPLA (LANÇAMENTO)

Aqui o lance é completamente outro. Tenho o maior prazer em viver na mesma época em que uma COYOTE existe. Sem meias palavras. Prefiro deixá-los com a voz do Rodrigo Garcia Lopes, que diz tudo (http://estudiorealidade.blogspot.com/)

“Poucas coisas me dão tanto prazer quanto editar, com Marcos Losnak e Ademir Assunção, a revista Coyote. Que entra no seu sexto ano de existência. Wallas. Nos conhecemos desde 1982. Uma porrada de tempo. E a revista certo porque temos, apesar das diferenças, afinidades de uma vida toda. Na Coyote texto a texto é discutido, e o que se fareja é sua qualidade e potência (e não do verniz de seu autor). Com abertura a todas as épocas, diálogo com outras culturas e poéticas. De Marcelo Mirisola a Li Tai Po, de Claudio Daniel a Charles Bukowski, de poesia nômade a Gertrude Stein, de poetas “language” como Rosmarie Waldrop a Mário Bortolotto ou Horácio Costa.

“Seis anos.

“Uma marca nada desprezível para revistas independentes, “fora do eixo“, e editadas na raça como esta. 

“A 16a edição da revista de literatura e artes traz ensaio fotográfico de Boris Kossoy, traduções de Alejandra Pizarnik (Argentina) e Robert Melançon (Canadá), dossiê com o cartunista Marcatti, antologia de poemas de Marcos Prado, contos de Nelson de Oliveira e Miguel Sanches Neto, além de poemas de Nelson Sato. Entre os destaques da revista de literatura e artes 17 estão dossiê com o escritor, poeta e ensaísta Andrei Codrescu (Romênia, 1946), poemas do chileno Roberto Bolaño, mais conhecido como prosador, a poesia de Fernando Karl e Veludo Negro, uma mini-antologia com seis jovens poetas brasileiras. Também traz o desenho de Carlos Carah, traduções de Gertrude Stein e as prosas à margem de Ricardo Carlaccio e Rubens K , entre outros.

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