desconcertos rapidinhos, uma volta daqui, outras de lá
O Desconcertos na Paulista deste sábado vai ser um pouco diferente do habitual: será um bate-papo com duas pessoas que se relacionam com os quadrinhos.
Com a escritora Índigo, vou conversar sobre a experiência que ela teve em adaptar, junto com Bira Dantas, o “Memórias de um sargento de milícias”, de Manuel Antônio de Almeida. Sempre achei, desde o primeiro momento que soube dessa produção, que fazia o maior sentido. Para quem conhece a obra original (é um texto delicioso, extremamente divertido) e sabe do trabalho da Índigo (uma das melhores escritoras brasileiras da atualidade, que sabe mesclar com enorme felicidade uma escrita tão lúdica, tão saborosa e divertida, com profundas e muito bem humoradas considerações sobre, e para, o universo adolescente infanto-juvenil, além de uma pegada satírica e séria, que serve a qualquer idade), concordará comigo.
Wilson Vieira é quadrinista antigo, isto é, está há mais de trinta anos na carreira, reconhecido mundialmente, em especial na Itália (onde me parece que montou sua segunda pátria) e agora está trabalhando mais com roteiros mesmo, em parceria com o desenhista Fred Macedo. 
Claro que, por se tratar de uma arte eminentemente visual, a questão das imagens é primordial e falaremos dela, mas o que desejo pegar é pelo lado da Escrita e perceber a partir daí como ocorre essa transformação naquela tal imagem, nesta linguagem tão específica das Novelas Gráficas. Entender um pouco desse processo, saber um pouco de como foram essas experiências, vai nos ajudar até a entender um tanto da arte que conhecemos ao nosso redor, mas o principal é que será uma conversa muito divertida!
Só para lembrar: no sábado, dia 10, 17:00 hs, na Casa das Rosas, Avenida Paulista, 37.
- opa, atenção. Se elas já não se continham nos seus respectivos recantos e soltavam o verbo à vontade, nem dá para imaginar todas juntas no mesmo espaço. Caramba! Luana Vignon, Paula Klaus, Camilla Lopes, Fabiana Vajman. Já falavam pelos cotovelos, agora então: http://falandopeloskotovelus2.blogspot.com/.
- uma turma muito boa se reuniu para produzir e se trocar textos, prestem atenção e podem entrar neste Motel, à vontade: http://mothel.blogspot.com com Bianca Rosolem, Rodrigo Mello e Emerson Wiskow.
- Quadrinhos poéticos pelo metrô de Barcelona. Entre os dias 14 e 21 acontecerá o 12° Festival de Poesia na cidade de Barcelona e, entre as várias atividades, muitas mesmo, uma das mais interessantes sem dúvida alguma será o dos ‘comics-poemas’, los ‘poemas-viñetas’. Poemas curtos ilustrados que serão afixados nas janelas de algumas linhas do metrô. Literatura, quadrinhos, modernidade, urbanidade, mesclados de forma tão direta e … poética contemporânea, não consigo encontrar outra expressão mais adequada. Não entendi na notícia se essa exposição será permanente ou se ficará somente na época do Festival, mas pelo menos por algum tempo os usuários de Barcelona não estarão enxergando propaganda de banco ou de chocolate ou de universidades picaretas, coisas não tão poéticas, digamos assim, a que os paulistanos estamos acostumados.
- Sexo dos filósofos. Esta é a da revista Lire. Diz aí: como os filósofos fazem amor? Não o que eles pensam e escrevem sobre sexo, mas o Como eles fazem sexo? O modo como eles trepam ajuda a esclarecer o sentido de seus pensamentos?
Tudo bem, no primeiro instante também achei que isso era uma bobagem tremenda, mas confesso que à medida que fui lendo o texto o negócio acabou me parecendo bem interessante. Das relações com a questão carnal é possível se tirar todo um contexto histórico que permeia o fundo de suas respectivas filosofias. Tanto pelo lado dos provocadores ativos (como um Diógenes, da escola Cínica, que se masturbava em público) quanto pelos que renegavam a carne, como Pascal e Spinoza (que preferiam o Amor de Deus ao amor terrestre). “Matéria pouco filosófica”, escreveu Voltaire para a definição de ‘Amor’ em seu Dicionário Filosófico. Em outros tempos, Reich diria praticamente o extremo oposto, sobre o amor e a sexualidade. Isso sem falar, claro, de Sartre e Simone de Beauvior, um capítulo bem especial sobre filósofos comedores.
Tudo bem, acho que continua sendo bobagem. Mas é divertido, vá lá. Para ler em momentos de descontração (ou de tensão, sei lá) sexual. Filosoficamente falando.
- demorei para dar o devido destaque ao belíssimo visual novo do site Verbo 21. Um dos melhores sites brasileiros sobre literatura e cultura, criado e tocado pelo escritor Lima Trindade (figura que mora em Salvador, tem três livros lançados, e participou de um dos meus Desconcertos lá na Casa das Rosas) agora ficou com um lindo projeto gráfico, o que valoriza ainda mais a qualidade e a densidade do seu material. Parabéns, Lima!
- não tenho vergonha de admitir minha ignorância, ela é tremenda e vasta. Somente agora conheci o trabalho extraordinário da artista plástica Isabel Guerra.
É de deixar cair o queixo de tão bonito. E de saber que isso é pintura, não fotografia. E que ela é autodidata. Isabel Guerra é uma monja que fica enclausurada em seu mosteiro em Saragoza e que só sai de lá de três em três anos, mais ou menos, para expor em Madrid os trabalhos que realizou nesse período. Suas mulheres (adultas e crianças) transmitem uma calma e tranquilidade (quase ao ponto da languidez, quase) e uma beleza tremendas.
A tentação (será que dá para usar essa palavra aqui?) de colocar um monte de seus quadros neste espaço desconcertábil é grande, mas vou me conter. Deixo dois exemplos

