A título de Manifesto
Como aqui é uma casa nova, fui dar uma olhada no meu antigo site, ler o texto que eu havia escrito como apresentação preliminar e ver se ainda era válido, se ainda fazia parte dos meus pensamentos, das minhas idéias e das minhas atitudes presentes, e se cabia colocá-lo aqui também. Ao reler, percebi que ainda tinha tudo a ver, ainda me serve como ponto-de-partida, como alavancamento. Chamar de ‘Manifesto’ é um evidente exagero e deveria ser evitado, mas é que gosto tanto do termo…, deixo-o. Tirando uma ou outra palavra, um dado diferente, este é praticamente o mesmo texto como o encontrei.
A TÍTULO DE MANIFESTO
Se a poesia não serve para apressar o meu sangue, para abrir de repente janelas sobre o misterioso, para ajudar-me a descobrir o mundo, para acompanhar este desolado coração na solidão e no amor, na festa e no desamor, para que me serve a poesia?
Eduardo Carranza
Cuidado. Não se iludam com estas figurinhas divertidas, nem com estas letras bonitinhas, estes desenhos coloridos, com esta caricatura sensacional, muito menos esta foto espetacular. Este é um site de palavras
. E pior: pretende-se que estas signifiquem idéias. Pior-que-ainda: que estas sirvam para estimular, incitar, provocar, incentivar, atiçar, entusiasmar conversas, encontros, discussões, debates, colóquios, contribuições culturais; ou, então, que sirvam como um meio de, como leitores que somos, entre verdadeiros amigos, compartilhar, conviver, usufruir o puro e simples prazer estético de uma pretensa boa literatura (compreendida aqui no seu mais amplo e abrangente significado) que promova uma saudável, salutar e gostosa leitura. Ou, então, que ajude pelo menos a fazer minha propaganda. No mínimo dos mínimos, já provou que estou sabendo usar o meu dicionário de sinônimos.
Literatura. Cinema. História.
São estes os três eixos da minha vida funcional, isto é, intelectual. Nem sempre nesta ordem, muito menos ainda isolados, mas complexados, interligados, interconectados, entrelaçados. Por eles tenho escrito nestes últimos anos e dedicado boa parte dos meus pensamentos, dedos, e capacidade mental (alguma eu possuo). Acredito que estes três elementos possam ser trabalhados com absoluta consangüinidade. Ao escrever contos ou ao academizar a literatura e o Fazer cinematografia ou ao ler resenhas ou ao produzir as minhas ou ao pensar historicamente o Fato literário ou o impacto cinematográfico ou o momento filosófico ou o ente histórico ou ao escrevinhar história com qualidade, gozo e êxtase literário. Não há becos sem saída, fora os produzidos por nós mesmos. Não existem gaiolas mentais fora as que nós mesmos construímos. Não há compartimentos estanques, somente os nossos próprios medos. É por estes que estou batalhando. Provavelmente, será por causa deles que morrerei de fome já que dinheiro, fama e prosperidade são artigos um pouco mais complicados.
Tive oportunidade de divulgar alguns dos meus escritos ao longo deste tempo. Pelo PANDORA, revista do cineclube do Departamento de História da USP; pelo site de literatura do iG, o IG Ler (agora pelo iG Educação); pelo KLEPSIDRA, revista virtual de História; pelo glorioso fanzine de literatura, CLOACA. Tive a honra de participar do histórico e saudoso CAPITU. Fui parar nas ondas do pessoal do PARALELOS (escrevendo e organizando especiais). Tenho a honra de participar do belíssimo CRONÓPIOS.
Este é um blog de trabalho. Um laboratório de pesquisa e não somente um mostruário dos meus textos (de Literatura, de História e de Cinema) que já tenham sido publicados. Tenho algumas dezenas de contos, outro tanto de poesia ou de poemagens, escrevi até o momento por volta de seiscentas resenhas de livros, fora os textos histórico
s, que postarei aos poucos. No entanto, se se limitasse a isso, este lugar seria morto. Bonito, bem montado, inteligente, profundo que seja (e aceito quaisquer outros elogios que queiram fazer); no entanto, seria estático, fechado, parado.
Vamos considerar, por exemplo, estes escritos já publicados ao longo do tempo. Ao rever textos antigos, a tentação de mexer, de “melhorá-los” é sempre enorme. Leio frases erradas, pensamentos fracos, conclusões ultrapassadas. Encontro erros em palavras, em dados. Fico pensando como fui capaz de ter escrito tal troço. Apesar da tentação, tentarei não fazer mudanças. Embora algumas serão inevitáveis, para garantir a integridade do meu Eu atual. Neste sentido, tentarei seguir o exemplo de Aldous Huxley. Ao comentar sobre um dos de seus mais famosos livros, “Admirável Mundo Novo”, vinte anos depois, ele disse do seu desejo de fazer grandes modificações, corrigir alguns caracteres, alguns “erros” dos quais ele até se envergonhava, mudaria inclusive o final, simplista e insatisfatório. Mas, se o fizesse, ao tentar consertar os visíveis “erros” e “problemas” do original, não estaria incorrendo no perigo de destruir também as características boas que faziam com que afinal de contas o livro fosse o que fosse? Não estaria, na prática, escrevendo um outro livro, completamente diferente? Foi o que ele fez. Escreveu um novo livro, “Volta ao Admirável Mundo Novo”, só de comentários e observações, e deixou quieto o primeiro.
É o que farei também. Na medida do possível. Rangerei os dentes, até fecharei os olhos em alguns casos. Preferirei manter a integridade original dos escritos. Se o “erro” ou “problema” for feio demais, até faço uma notinha de canto, esclarecendo. Em outros, no entanto, não terei piedade em reformar, reescrever, atualizar, quando estritamente necessário. Desta forma, acredito, conservarei as coisas boas que, na minha modestíssima opinião, também existem. E, mais modestissimamente ainda, acredito que seja a maior parte. Aliás, deixando de frescura, acho que tem coisa boa pra caralho aqui.
Mas, como já disse, este é um blog de pesquisa, de experiência, não um museu de escritos passados e gloriosos. Pelo simples fato de que continuo escrevendo. Contos. Poesias. Textos acadêmicos. Resenhas. Roteiro de cinema. Ainda não escrevi, mas vou escrever Teatro. Série de TV. Cibertextos. Montarei meus próprios filmes. Farei artes plásticas. Ou SKEPSES. HQs. Tetos. Tirarei tudo o que for possível e imaginável da caixa de
Pandora. Por quê não? Este é um blog dinâmico, solto, livre. Vivo. É lógico: eu estou vivo. E até onde sei você também. Portanto, se teve saco de ler este ‘manifesto’ até o fim, se alguma coisa que eu disse provocou algum tipo de ressonância, então convido-o a continuar e percorrer estas outras palavras, entrar nos outros links. E quem sabe até combinemos de tomar uma cerveja na Praça Roosevelt, no Sebo do Bac, seguida, ou antecedida, por uma fogazza no Giannotti qualquer dia desses.
VAleu.