Barbarellas

Ela flutua. Tira as botas (que, por conta da falta de gravidade, saem voando), as luvas, o traje astronáutico. Ao arrancar o capacete, a cabeleira castanha também esvoaça, emoldura o rosto, o corpo respira livre e belo. Jane Fonda flutuou e proporcionou uma das mais sensacionais cenas de abertura de um filme, o melhor streap-tease intergaláctico da história do cinema.

Who seduces an angel? Who strips in space? Who conveys love by hand? Who gives up the pill? Who takes sex to outer space? Who’s the girl of the 21st century? Who nearly dies of pleasure?”
 
Jane Fonda, com BARBARELLA (lançado em 1968, baseado nos quadrinhos pornô-eróticos de Jean-Claude Forest do começo da década de 1960), tornou-se um mito, um ícone da cultura pop, um símbolo da emancipação feminina, da luta do movimento feminista, da liberação sexual. Musa. Musa.

 

O filme é uma bobagem deliciosa, conta a história de uma espiã espacial do século 30 e poucos, quando não existem mais guerras, que precisa correr atrás de um vilão que está inventando uma arma para dominar o universo. Contra este vilão, Barbarella usa de suas próprias armas, isto é, principalmente sua sede de sexo e um corpo capaz de virar a cabeça de um anjo.

 

 

BARBARELLA, no entanto, é de uma chatice entorpecedora. A narrativa é pesada, lenta e sem graça, os cenários e figurinos demonstram a que ponto o cinema pode chegar em relação à cafonice e breguice, e somente algumas poucas cenas se salvam (em verdade, acho que duas: a do streap-tease já citada e uma cena onde Barbarella é ‘torturada’ em uma máquina de orgasmos múltiplos e intermináveis: a máquina não consegue acompanhar o ritmo da Barbarella e acaba quebrando).

 

O que vale, é claro, é Jane Fonda. Musa. Musa. Sensual, linda, e sem medo de sua beleza (apesar de ter hesitado bastante em fazer o filme; somente após muita insistência do cineasta, diretor, e marido Roger Vadim). Mais tarde, não se conformou em ser unicamente um símbolo sexual, separou-se de Vadim (um filho da puta que insistia em lançar e comer as mulheres e atrizes mais gostosas do planeta, do naipe da Jane, da Brigitte Bardot, da Catherine Deneuve…), tornou-se uma grande atriz ‘séria’, ganhou uns oscars, participou (e participa) de vários movimentos de contestação política e culturais, deu umas guinadas na vida, virou musa da aeróbica (…), parou de atuar por uns tempos, e voltou há pouco como sogra da Jennifer Lopez.

 

E agora estão montando a refilmagem de BARBARELLA, um desejo do produtor original Dino de Laurentis, que está tocando o projeto e, pelo visto, a coisa está séria. Ainda está-se longe que os planos virem realidade plena e concreta, muito ainda pode acontecer, mas, pelo menos, a boa notícia é que o diretor será o Robert ‘Grindhouse e Sin City’ Rodriguez. Então, parece que vai pegar.

 

É o tipo de coisa que eu acabo não entendendo. O porque de algumas refilmagens. Qual o sentido e qual o propósito. Tudo bem, o filme de 1968 já passou e agora está bem envelhecido (e já não era grande coisa na época, apesar de todo o sucesso). Mas teve um impacto e uma repercussão muito consideráveis, refletiu um enorme momento de intensas discussões e movimentos morais, comportamentais, sexuais, culturais, cinematográficas. Isto é, teve um significado. E teve Jane Fonda.

 

Sou pessimista, a princípio, e lembro de algumas merdas cometidas nestes últimos tempos, (no momento, estou lembrando especificamente de ‘Shaft’, o de 1971 e o de 2000, com Samuel L. Jackson;  e em  ‘O Homem de Palha’, “The Wicker Man”, de 1973, e sua argghh versão de 2006, ‘O Sacríficio’, com Nicholas Cage) (sem falar das idiotices de refilmar hitchock, nem os cito).  Nestes tempos de puro refluxo, reacionarismos e hipocrisias morais e sexuais e políticas e afins, estas novas versões caem em um limbo de peças perdidas, inócuas e absurdamente rasas, indolores e brochantes.

 
ok. A nova Barbarella foi definida: Rose McGowan, que se assume como cria do Rodriguez, então. Bueno. Rose McGowan e Robert Rodriguez. Fico um tanto quanto menos cético, embora continue a não ver a necessidade de se fazer essa requentação.  Espero morder minha língua.

 

    

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2 Comments on “Barbarellas”


  1. Cá, vi esse filme outro dia e detestei! É perverso, feio, malvado, horrível…Aquelas crianças horrorosas, eu só gostei da máquina de tortura sexual… Beijao querido! Já coloquei seu endereço novo no blog.

  2. Claudinei Says:

    perverso, feio, malvado… mas até agora você só falou das qualidades! – heheh. não achei tão horrível assim. só achei chato, bem chato. bjs, Tati


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